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Em 2009, a Colômbia liderou o ranking de apreensões de cocaína no mundo (35%, com 253,4 toneladas), seguida de Estados Unidos (15%, com 108,3 toneladas), Equador (9%, 65 toneladas), Panamá (7%, 52,6 toneladas), Venezuela (4%, 27,8 toneladas), Bolívia (4%, 26,9 toneladas), Espanha (3%, 25,4 toneladas) e Brasil (3%, 24 toneladas).

O relatório Mundial sobre Drogas (2011) destaca que em 2008 as apreensões de cocaína alcançaram níveis relativamente altos no Peru e na Bolívia, na comparação com anos anteriores. A partir daí, as apreensões na Bolívia mantiveram o nível elevado, com 27 toneladas em 2009 e 29 toneladas em 2010. As autoridades do país avaliaram que em 2009 mais de 95% do tráfico de cocaína em seu território ocorreu por terra. Além disso, de acordo com autoridades bolivianas, o tráfico transfronteiriço ocorreu da Bolívia para Argentina, Brasil e Chile e também do Peru para Bolívia.

Em contraste, de acordo com autoridades peruanas, organizações de tráfico internacional que operam no país preferiram rotas marítimas, sendo os portos de Callao, Chimbote e Paita os principais pontos de saída. Uma variedade de outros métodos de tráfico também é usada no Peru, incluindo rotas terrestres, rios, correios e aeroportos clandestinos.

O relatório Mundial sobre Drogas (2011) contém dados da Organização Mundial de Aduanas (OMA) mostrando que, no que diz respeito à cocaína embarcada rumo à Europa, houve grande quantidade proveniente do Equador e crescente participação do Brasil e do Suriname. No que diz respeito à cocaína com destino à África, a OMA observou que o Brasil foi o único sul-americano mencionado como país de saída para as apreensões aduaneiras feitas naquele continente em 2009. Com relação à origem da cocaína apreendida na Europa, o UNODC, com base em informações de 13 países europeus, listou Colômbia, com 8% no período de 2008/2010, Peru, com 7%, e Bolívia, com 5%.

De acordo com o relatório Mundial sobre Drogas (2011), o uso de cocaína é considerado estável na América do Sul e Central. Argentina (2,6%), Chile (2,4%) e Uruguai (1,4%) são países que continuam com alto índice de consumo entre a população geral. O relatório ressalta que o Brasil tem uma taxa de usuários menor, de 0,7% da população entre 15 e 64 anos, mas por causa da grande população possui o maior número de usuários de cocaína na América do Sul, total de 900 mil.

Ainda, conforme o UNODC (2011), os três países do Cone Sul, Brasil (33%), Argentina (25%), e Chile (10%), juntos, somam dois terços de todos os usuários de cocaína da região abrangendo América do Sul, América Central e Caribe. O Escritório das Nações

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Unidas e a supracitada pesquisa nacional de 2009 da CEBRID mostram, que entre estudantes universitários no Brasil, 3% dos alunos de 18 a 35 anos admitiram terem usado cocaína.

2.3 Política de Redução de Danos

O uso indevido de drogas, na atualidade, é uma questão de ordem internacional e, consequentemente, objeto de atenção das nações em todo o mundo, pois seus efeitos reproduzem-se na sociedade, no plano político, econômico, cultural e humano, confluindo em gastos com tratamento, aumento dos acidentes de trânsito, inferências no trabalho, trazendo repercussões para a produtividade e também aumento nos índices de violência, convocando e desafiando as Ciências e as Políticas Públicas para cuidar, tratar e ressocializar os dependentes delas.

Nesse sentido, no campo da invenção e na direção de se pensar a redução abusiva do consumo e de se instalar outras práticas discursivas em torno da droga, tem-se uma nova estratégia da atenção, que é o Programa de Redução de Danos (PRD), política de intervenção o Ministério da Saúde (MS), que compreende um conjunto de medidas e de ações de saúde pública para prevenção das consequências danosas à saúde, decorrentes do uso de drogas, visando à minimização dos efeitos adversos, sem necessariamente interferir na oferta e no consumo (Brasil, 2001).

O princípio fundamental dessa política é o respeito à liberdade de escolha, pois muitos UDs não conseguem ou não querem deixar de usar drogas e, mesmo estes, precisam ter o risco de infecção pelo HIV e hepatites minimizados. Dentre as diversas ações desenvolvidas por essa estratégia, têm-se a troca e distribuição de seringas para usuários de drogas injetáveis (UDIs), atividades educativas e de aconselhamento aos usuários (Brasil, 2001).

O primeiro Programa de Redução de Danos (PRD) foi realizado na Holanda, em 1986, e, desde o início, já trazia no bojo de suas intervenções o preconceito da população de que instalaria mais vontade de consumo de drogas, questão amplamente contraposta pelos resultados obtidos, que identificaram que “trocar e distribuir seringas” não produzia tal exacerbação, mas, sim, uma não intensificação da contaminação do vírus HIV. A experiência dos países que adotaram tal intervenção demonstrou que esse era a forma mais eficaz de impedir a transmissão aos UDIs e parceiros (Brasil, 2001).

No Brasil, as primeiras experiências de PRD aconteceram nas cidades de Santos (São Paulo) e Salvador (Bahia), no ano de 1995. O País hoje já acumula mais de três dezenas de

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PRDs (Brasil, 2001). Em Salvador o programa atua com a Aliança de Redução de Danos Fátima Cavalcanti (ARD-FC), um Serviço de Extensão Permanente do Departamento de Medicina da Faculdade de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia, FAMEB, UFBA. Seu nome é uma homenagem a Fátima Cavalcanti, a primeira redutora de danos da Bahia. Os projetos de redução de danos que vinham sendo executados no CETAD sob a responsabilidade do corpo técnico que agora constitui a ARD-FC foram mantidos no âmbito desse novo serviço, com a anuência dos seus financiadores do Dr. Pedro Chequer, da Coordenação Nacional de DST e AIDS – Ministério da Saúde, em resposta a consulta que fizemos nesse sentido. E ainda, que continuam mantidos os propósitos de cooperação técnica em Prevenção, Capacitação Pessoal e Pesquisas relacionadas ao uso de drogas, HIV/AIDS, Hepatites e outras DSTs, com as Instituições parceiras que, ao longo de anos, têm promovido a Redução de Danos na Bahia, desde 10 anos.

A mudança na atenção ao uso de drogas é decorrente das transformações ocorridas no processo de restauração e da construção do respeito, da cidadania e dos direitos humanos no Brasil, trazendo para os sujeitos que vivenciam a problemática do uso de drogas um novo lugar de cuidado para acolher o sofrimento que isso provoca, que não o preconceito ou a discriminação.

Figura 18 : “Crack é cadeia ou cachão”

Fonte: http://www.estado.estadao.com.br/especial/drogas.html

Em 2010, este slogan foi propagado pela mídia em todos os lugares, na Bahia, foram expostos outdoors e busdoors sugerindo que 80% das mortes, sem especificá-las, estariam relacionadas com o crack. A foto mostrava pés com etiqueta claramente relacionada à morte violenta e ao Instituto Médico Legal-IML, ou então mãe lamentando a morte de seu filho (a)

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pelo crack na televisão. A alerta ameaçadora faz sentido na medida em que a o consumo de

crack atingiu um nível em torno de 1,2 milhão, no Brasil. Os especialistas apontaram que os países europeus gastam de 0,5% a 1,3% do Produto Interno Bruto-PIB com o combate e tratamento ao uso de droga. Em contrassenso, e, sem outra alternativa, este slogan transmite a informação e projeta a responsabilidade de cada cidadão, e não, também das Gestões Públicas e quem é usuário seguirá um caminho para a violência ou para morte. Não há outras opções, como informações educativas para promover a prevenção, pois é o gasto sem sucesso. Não há saída para o usuário de crack. Como o crack exige de seus viciados um consumo permanente, são frequentes os casos de pessoas que, para manter o vício, começam a cometer furtos domésticos e depois partem para cometerem assaltos e o uso de crack é relacionado com a violência. Ou então, o vício corrói o corpo de tal maneira que, passada a fase do almejado bem-estar, o crack deixa os danos destruir o organismo do usuário e a morte é a conta final. Neste sentido, “Cadeia ou caixão” são sim ameaças reais para os usuários de crack.

Todavia, faltou algo nessa frase, que certamente seria uma solução. Para que não se chegue ao estágio da “cadeia ou do caixão”, é preciso que haja antes a informação para a cautela e prevenção. E prevenção não passa apenas por campanhas de orientação, mas por ações que reduzam o risco de que nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos tenham acesso ao crack. Ações que incluem a valorização e estruturação familiar, por programas de inclusão social que garantam acesso à cultura, educação, esporte, lazer e mercado de trabalho e pelo policiamento das nossas fronteiras e combate ao tráfico de drogas, que é feito quase tão facilmente.

É muito melhor evitar o mal, do que tratá-lo, isso quando é possível algum tratamento. O crack é menos uma questão de polícia e sim um gravíssimo problema social e educacional, que não pode ser tratado apenas com frases de efeito ameaçador e aterrorizante, por mais bem intencionadas que elas sejam.

Logo após, esta propaganda contraditória, em novembro de 2011 aparece pelas ruas da cidade de Salvador e pelas mídias proeminentes, artistas argumentando serem dependentes e viciados, mas em livros, esporte, alegria, vitória, música dendê e pagode. No decorrer deste estudo, teve início no Brasil uma intensa campanha publicitária visando informar à população sobre os prejuízos causados pelo consumo do crack.

Apesar de se reconhecer o valor desta iniciativa, vale salientar que o crack apenas veio a se tornar epidemia no Brasil pelo fato de que as imagens divulgadas nas mídias, ainda na década de 90, sobre a cracolândia, em São Paulo não foram suficientes para alertar as

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autoridades no controle desta situação. A situação vivida hoje em várias capitais no que diz respeito ao crack se assemelha à descrita nas duas décadas passadas nos Estados Unidos, onde ocorreu uma criminalização em relação ao usuário de drogas, pessoas respeitadas e prestigiadas socialmente, porém embasadas em ideias moralistas e religiosas, colocavam em relação de causalidade a droga e o crime afirma Inciardi (1991).

Nos anos oitenta, as intervenções pertinentes às drogas ilícitas, não tinham muito suporte científico, ou consideravam as drogas um mal a ser eliminado, baseando-se em uma Lei conduzida pela repressão, a Lei 6368/1976, Lei Antitóxicos do Brasil. As atividades preventivas visavam acentuar o aspecto danoso e prejudicial das substâncias, enfocando-se á saúde e morte do usuário. Após pesquisas epidemiológicas e sócio-antropológicas desenvolvidas em 1987, até os dias atuais, foi possível evidenciar não somente as características quantitativas do uso, mas também suas características qualitativas. Além disso, a clínica e a educação informativa evidenciaram sua importância na vida psíquica do consumidor, deixando de considerar o uso de drogas ilícitas como um mal a ser exterminado a qualquer custo e sim, uma alternativa diante do sofrimento físico, psíquico e social. Por exemplo, nos anos noventa, a ocorrência da epidemia de AIDS exigiu dos profissionais da saúde, o desenvolvimento de estratégias voltadas para os usuários de drogas injetáveis (UDIs), nascendo daí os programas de redução de danos, representado em particular, pelo fornecimento de seringas e preservativos aos usuários.

Gestores de saúde mental relatam aumento no consumo de crack em regiões que não apresentavam consumo significativo da droga, em especial no nordeste e nas cidades fora dos grandes centros urbanos brasileiros. O aumento parece estar relacionado com o baixo custo (uma pedra de crack do tamanho de um feijão custa 10,00 R$) e as características dos efeitos procurados, que levam o usuário à repetição do seu uso diariamente, então assim o crack se torna uma droga cara, além da fácil aquisição ela propaga-se de forma assustadora.

Também, com o advento do crack parece ter havido uma retração do número de usuários de drogas injetáveis (UDI). Tal fato pode estar associado com o aumento de informações sobre a transmissão das DSTs através das campanhas preventivas. Por outro lado, mais uma vez o baixo custo da maconha e do crack e a veloz ação farmacológica deste último, o tornam a droga de escolha em comparação com a cocaína injetável.

Segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), de 88 CAPs na Bahia em 2006 passaram para 180 em 2010 e em abril de 2011 a 191 serviços em 153 municípios. Hoje, a Bahia é o quinto estado em número de CAPs por habitante, 43% acima da média

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nacional. Os CAPs saíram de pouco mais de 1,1 milhões de procedimentos realizados em 2006 para mais de 2,6 milhões em 2010. Os especializados em álcool e outras drogas que fizeram 39 mil procedimentos em 2006 alcançaram em 2010 mais de 206 mil. Os CAPs especializados na atenção a dependência química (álcool e outras drogas) aumentaram cinco vezes. Os dados condizem com a realidade brasileira no que tange a oferta de programas sociais e políticos de saúde para com o dependente químico. Ainda que, para muitos a busca de tratamento e de um estado de abstinência não se constitua em uma meta, e, sim dormida e comida por alguns dias, sabe-se que mesmo que procurem atendimento na rede pública de saúde, a qual a minoria está subordinada, esta não se encontra preparada para atendê-los.

Algumas associações religiosas, como a Associação Efraim em Barra de Jacuípe e Manassés em Lauro de Freitas, ambas de fundamentação evangélica tentam recuperar dependentes químicos através da doutrinação religiosa visando conseguir mais adeptos para as suas igrejas. Sem nenhum luxo, sem medicações e sem ajuda profissional, os dependentes ficam durante nove meses (9), comendo e dormindo bem, lendo a Bíblia, participando de estudos bíblicos e de cultos, além de venderem nos ônibus, ruas e mercados kits de agulhas, canetas e outros objetos que custam R$ 2,00. Cada um deles vende cerca de R$ 150,00 por dia. Este dinheiro é coletado para remuneração de cada vendedor e para custear a alimentação, aluguel, luz, água, telefone, internet, etc. e além de receberem donativos, eles passam por dificuldades financeiras. Os que podem pagam uma mensalidade de até 400,00 R$.

Atualmente, a Política de Prevenção e Redução de Danos para Usuários de Drogas, objetiva acompanhar os professores nas escolas com informações que subsidiem aos profissionais o desenvolvimento de estratégias que ajudem na redução dos danos à saúde e o governo começou a investir nas Políticas Públicas contra drogas e em especial, o crack. Talvez, a preocupação e as ações governamentais que estão ocorrendo estejam coligadas aos eventos da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e ao fato de que outras camadas sociais estejam sendo infiltradas por uma droga tão letal quanto o crack. É dentro deste conceito que a política pública em Saúde e Educação fala em Redução de Demanda. Mas, afinal, o que é demanda?

O Dicionário de Aurélio da Língua Portuguesa (1990) diz que demanda é: “1. Ação de demandar; 2. Ação judicial, processo, litígio; 3. Contestação, discussão, disputa; 4. Combate, peleja, pugna; 5. Pergunta; 6. Disposição de comprar determinada mercadoria ou serviço por parte dos consumidores, procura; 7. Quantidade de mercadoria ou serviços que um consumidor ou conjunto de consumidores estão dispostos a comprar a determinado preço; 8.

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Cota de quilowatts necessário ao consumo de uma cidade, empresa, indústria, etc.” No dicionário de Psicologia (2001) não se encontra o verbete “demanda”, no entanto pode-se pensar em algo não circunscrito ao externo. Precisa-se falar então, de demanda interna/externa, demandas do indivíduo, do grupo, da sociedade.

Todavia, é importante e sensato, que se faça uma leitura de alguns seguintes depoimentos para entender o que é demanda para o alunado da EJA:

“O crack tira a fome e a saudade do meu pai e vivo com monstros horríveis” Jair, 12 anos (usuário de crack, 2009).

“O Saci é o pai da minha alma. É o dono de mim”. Mariana, 12 anos (usuária de crack, 2010).

“Se eu soubesse o que era este veneno, juro, que não pegava de jeito nenhum, eu só queria provar, uma vez e estou até hoje”. Edilson, 14 anos (usuário de crack, 2011).

“Sem a droga eu não sou eu mesma, eu não me reconheço”. Ronaldo, 17 anos (dependente de crack, 2008).

“A droga me faz sentir como um homem inteiro. Sem o “Saci” eu sou pela metade, não consigo me relacionar com as pessoas. Sou incompleto... Quando uso o “cachimbo” me sinto feliz, mesmo que seja só no começo, depois tenho um comportamento compulsivo e esta felicidade desaparece”. Nelson, 45 anos (dependente de antidepressivo e crack, 2010).

“Sem beber e saciar, eu trabalho, produzo, ganho dinheiro, mas a vida não tem a menor graça. A vida sem beber e saciar não tem prazer nem satisfação.” Mario, 50 anos (dependente de álcool e crack, 2008).

“Não tenho lembrança de nenhum momento de prazer, de descontração, de felicidade sem a bebida. O crack sempre foi o mediador de minhas relações prazerosas com o mundo.” Edson, 56 anos (dependente de álcool e crack, 2009).

Fundamentando-se em Olievenstein (1998), que ressalta que a relação entre droga e sujeito refere-se ao contexto em que tais circunstâncias ocorrem, pode-se inferir que a relação corpo e uso intensificado de drogas são instâncias de produção do social, como um mecanismo cultural de repressão das intensidades humanas, que produzem sujeitos capturados em seus processos de expressão e de conexões mais prazerosas na vida, emergindo situações de quebra de laços familiares, de labor, dentre outras. A conexão corpo e droga, a partir dessa ótica, indicam que o significado do uso da droga para a sociedade parece ser mais um mecanismo impeditivo ao contato dos sujeitos com as suas possibilidades reais de vida, de crítica e de invenção.

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Como dar conta de tudo isso? O que tem sido feito? Como temos enfrentado estes problemas? O que tem feito as políticas públicas com os viciados negros, pardos e indígenas estudantes, trabalhadores e sujeitos da EJA?

Em abril de 2009 conversando com pais, professores e alunos da escola em Monte Gordo, uma mãe afirmava enfaticamente que o aluno que usa droga deve ser afastado da escola, ele é como uma “laranja podre” que “apodrece todo o cesto”, a permanência deste aluno na comunidade escolar disseminaria o uso de drogas em toda a escola, “ele vai levar os outros alunos a usar drogas”, “... vão desgraçar e acabar com nossos filhos”. No início, fiquei surpreso com a analogia, depois me dei conta que é exatamente isto, que vem sendo feito sistematicamente em Monte Gordo e em toda região.

Mas, é mesmo como “laranja podre” que tem sido tratada a questão das drogas em todos os níveis. Algo perigoso, que deve ser abafado, não dito, não comentado, reprimido, excluído. Há uma “política” instalada de excluir tanto o usuário quanto o dependente, entendido como porta-voz de todos estes males. O que acontece quando se adota esta política instituída a uma raça e a uma classe social?

O não enfrentamento da realidade interna ou externa, a “Política da Laranja Podre”, gera o retorno do reprimido em geral de maneira incontrolável e destruidora. Ficamos a todo o momento dando opinião do que não compreendemos ou nos sentimos incapazes de enfrentar. A relação do homem com as drogas passa pela relação do homem consigo mesmo e suas problemáticas, em todas suas épocas, para algumas pessoas a droga é a única maneira de sobreviver, de “esquecer”, “fugir” ou se sentir vivo. Se isto é verdade do ponto de vista psíquico, não é menos verdadeiro para o plantador de maconha no sertão nordestino. Sua sobrevivência está intimamente ligada à plantação desta droga. Para a Medicina, a toxicomania é um modo de responder aos padecimentos do nosso tempo e o reflexo dos erros das relações humanas em todos seus aspectos. Quando se fala em Redução de Demanda sempre vem junto à ideia de criação de novas leis restritivas, de novos métodos de abordagens.

Precisam-se criar alternativas à Política excluidora da “Laranja Podre da EJA”, ou fatalmente ver-se-á as modernas manifestações do retorno do reprimido e novas tentativas de segregá-lo em estigmas. “Pró, venho hoje, para dizer que não venho mais”. “Venho hoje, para dizer que não venho”. Esta é uma demanda frequente de evasão na Escola, com os dependentes de crack.

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3. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS-EJA: FUNDAMENTOS TEÓRICOS 3.1. Cultura Popular: Paulo Freire

As escolas com os educandos pertencem a culturas diferentes com diferentes formas de comunicação, diferentes crenças e valores, decorrendo diferente interpretação dos comportamentos de acordo com a cultura do receptor. O que para um é uma boa educação para outro pode ser sinal de dificuldade de aprendizagem.

Em primeiro lugar, deve-se conhecer a cultura do sujeito e seu contexto, assim como as suas principais especificidades (idade, gênero, estatuto social, particularidades individuais, étnicas, culturais e linguísticas, etc.).

Em segundo lugar, para que a sua ação seja eficaz, é necessário que o educador se

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