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METROPOLITANA DO RECIFE PE

3.2. Mapa de Classes de Aptidão

Para avaliar a localização das seis unidades que recebem os resíduos da construção e demolição na área em estudo foi necessário determinar as classes de aptidão em função de alguns indicadores.

3.2.1 Seleção de Indicadores

Além de normas, a pesquisa foi baseada em publicações de artigos, dissertações e teses de mestrados, que tinha como foco avaliar ou identificar áreas aptas para instalação de aterros de resíduos utilizando a ferramenta de geoprocessamento. Com as informações adequadas e moldadas à norma de implantação de aterros de resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes foram definidas as áreas adequadas à implantação. A norma que apoia a seleção de indicadores é a NBR 15.113/2004, que trata dos critérios para a definição de áreas aptas para a construção de aterros de RCD. Esta Norma visa à gestão e o manejo correto dos resíduos da construção civil e define os requisitos mínimos para a localização, construção e futura operação do aterro, a fim de decidir um local seguro, que não traga riscos à população, ao ambiente e aos seus recursos.

Os indicadores foram escolhidos de acordo com a preocupação com os aspectos construtivos, econômicos, operacionais, ambientais e sociais, sendo utilizados devido à sua importância para a implantação de um aterro. Foram considerados os critérios de distância de recursos hídricos, das unidades de conservação, dos núcleos urbanos e das rodovias e estradas, a declividade, os tipos de solo e a geologia da região, os quais são descritos a seguir.

a) Recursos Hídricos

A disposiç o inapropriada de res duos em cursos d’água pode comprometer o sistema hidrográfico e de drenagem, causando assoreamento, acarretando transbordamento e enfermidades de veiculação hídrica, gerando prejuízo à população e comprometendo a saúde pública. A consideração da distância dos cursos d’água foi baseada no Código Florestal (Lei nº 12 651/12), utilizando uma Faixa de Margem de Proteção (FMP) média de 400 metros. Biju (2015) adotou esta distância como sendo uma faixa segura para os recursos hídricos em estudos que visem à indicação de áreas aptas a construção de aterros.

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b) Unidades de Conservação

Nas áreas protegidas por lei foi estabelecida uma zona de amortecimento de 100 metros, que serve para diminuir os impactos que possam ser gerados próximos às áreas de preservação. Neste caso, quanto maior à distância das unidades de conservação, maior a aptidão da área.

c) Núcleos Urbanos

Devido ao possível contato da população que vive no entorno do aterro com os resíduos, quanto maior a distância dos centros urbanos, mais apta estará a área, evitando contato com odores, ruídos e disseminação de doenças e possíveis vetores encontrados no local. Nesse caso, utilizou-se uma distância média de 1.000 metros, conforme utilizado por Lino (2007).

d) Rodovias e Estradas

Devido à presença constante de veículos e transportes de resíduos, aumenta os riscos de acidentes e a presença de animais nas vias. Para evitar maiores deslocamentos consideraram-se áreas de fácil acesso a rodovias. Sendo estabelecida uma faixa de restritamente de 200 metros da margem e a partir de 200 até 1000 metros é considerada como uma área apta e acima de 1000 metros com área de média aptidão.

e) Declividade

As baixas declividades favorecem as operações de movimentação de resíduos e solos oferece também condições menos críticas para o sistema de drenagem, enquanto a alta declividade torna o material inconsolidado, tornando-o instável e propenso a infiltrações. Por isso, considerou-se a declividade ideal do local superior a 10% e inferior a 20%.

f) Tipos de solos

Os solos foram escalonados de acordo com a fragilidade, sendo aptos os argilosos e pouco aptos os gleissolos. A necessidade do material argiloso é devido à impermeabilidade do solo, evitando a percolação de efluentes gerados pelo aterro, diferente do material arenoso, que é pouco impermeável e estável (Quadro 1).

Quadro 1. Classificação de fragilidade

Classificação de fragilidade Tipos de solo

Muito baixo Argilosso Amarelo; Espodossolocárbico.

Baixo Latossolo Amarelo; Neossoloflúvico; Hidromórfico.

Médio Nitossolo.

Forte Argiloso Vermelho-Amarelo.

Muito Forte NeossolosLitólicos; NeossolosQuartzarênicos e Gleissolos.

g) Geologia

Ainda que a geologia tenha uma vasta diversidade, na RMR encontram-se apenas rochas metamórficas e sedimentares. As rochas metamórficas correspondem a aproximadamente 47,25% da área de estudo, localizada na porção oeste do mapa, formada em sua maior parte, por materiais facilmente alteráveis. O solo proveniente da alteração destas rochas é normalmente fino, predominando minerais argilosos que favorecem o desenvolvimento de solos mais impermeáveis e

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mais homogêneos e, portanto, menos suscetíveis a processos erosivos acelerados. Já a porção leste do mapa trata-se por rochas sedimentares, e corresponde cerca de 52,75% da área. Nelas são identificadas composição de silte e argila, secundariamente, areia e seixos angulosos. Apresenta solos com grande quantidade de matéria orgânica. No aspecto geotécnico, constituem-se solos de baixa resistência, saturados em água e propícios à inundação (Quadro 2).

Quadro 2. Resistência mecânica das rochas

Tipos de Rochas Resistência Mecânica

Metamórficas (cristalina) Boa à satisfatória

Sedimentares Satisfatória a pobre

Os arquivos utilizados nesta pesquisa foram provenientes de diversos órgãos. Os mapas de recursos hídricos foram obtidos através do IBGE, 2010; o de tipos de solos por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA, 2011); o de rodovias e estradas por intermédio do Serviço Geológico do Brasil (CPRM, 2002); o de declividade pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE, 2008), de acordo com classificação da Embrapa; o referente aos núcleos urbanos pelo Mapa Cultural Georeferenciados (ITEP, 2006), o de unidades de conservação foi obtido por meio do SIG Caburé mantido pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH, 2014), e o mapa de Geologia também foi obtido junto a CPRM. Todos os arquivos foram organizados em um Banco de Dados Geográficos (BDG), e utilizou-se o ArcGIS 10.4 como ferramenta de processamento, adotando- se o SIRGAS2000/ UTM como sistema de referência espacial.