A terceira cartografia elaborada, objetivo principal do presente estudo, teve o propósito de analisar o grau de vulnerabilidade intrínseca ao Aquífero Barreiras, nas adjacências do bairro de Emaús. Assim, tendo em vista a metodologia GOD, originalmente, utilizar-se apenas de dados hidrogeológico e não geofísico, conforme reportado, foi então aplicado um incremento a mesma, onde se considerou, além das informações dos poços locais, os modelos inversos das SEV’s realizadas. Dessa forma, o modelo geoelétrico representativo de cada SEV pode assumir o papel de um poço “virtual”, fornecendo informações acerca dos parâmetros GOD nas subáreas sem informações de poços.
Em linhas gerais, a espessura da zona não saturada foi avaliada com base em medidas de profundidade do nível estático (NE) dos poços, ao passo que sua análise litológica foi feita com base, unicamente, na camada litológica mais representativa, ou seja, mais espessa do poço. Já esse mesmo tipo de análise, porém, com base em dados geofísicos, foi realizada por interpretações qualitativas dos modelos inversos das SEV’s, conforme reportado no tópico 4.1 desse capítulo, confrontando-as com os parâmetros descritos na SEV de calibração relatada no tópico 2.1.4 desse documento. Cabe salientar que, para toda a área de estudo, as condições hidráulicas locais do Aquífero Barreiras foram admitidas como sendo do tipo livre, tendo em vista a não identificação, por meio de análise hidrogeofísica, da existência de substratos hidraulicamente confinantes.
Diante de todo o exposto, para apuração do índice GOD foram estabelecidos os pesos conforme o fluxograma aplicado a esta metodologia, diante do qual se estabeleceu: peso 1 para o parâmetro G, tendo em vista o caráter hidráulico livre do aquífero; pesos variando desde 0,5 a 0,7 para o parâmetro O, conforme, respectivamente, o seu conteúdo litológico mais argiloso ou mais arenoso; e peso variando entre 0,7 e 0,8, para o parâmetro D, conforme as espessuras analisadas da zona não saturada. Na Tabela 4.4, estão discriminados os pesos atribuídos a cada
um dos parâmetros, como também os índices de vulnerabilidade intrínseca do Aquífero Barreiras local, conforme calculado pela Equação 2.12, anteriormente reportado no tópico 2.5 desse relatório.
Tabela 4.4 – Tabela mostrando os pesos atribuídos aos parâmetros “G”, “O” e “D” e os respectivos índices de vulnerabilidade intrínseca estabelecidos para as SEV’s e Poços, além de expor as condições de vulnerabilidade estabelecida conforme o fluxograma aplicado à metodologia GOD.
Fonte: elaborado pelo autor (2019).
Assim, através da interpolação dos valores obtidos para o índice GOD, estes evidenciados na Tabela 4.4, foi possível produzir o mapa de análise do índice de vulnerabilidade intrínseca do Aquífero Barreiras local, fundamentando-se em uma metodologia GOD composta (SEV’s e Poços) (Figura 4.7).
POÇO S E SEVS COORDENADAS UTM (M) PARÂMETRO “G” PARÂMETRO “O” PARÂMETRO “D” ÍND. GOD VULNERABILIDADE
E N Tipo Valor Litologia Valor Prof. (m)
Valor PT01 251401 9350660 Livre 1 Argilito
arenoso 0,55 24,9 0,70 0,38 Moderada
PT02 251082 9350225 Livre 1 Arenito 0,70 30,3 0,70 0,49 Moderada
PT03 250590 9350363 Livre 1 argilito 0,50 27,9 0,70 0,35 Moderada
SEV1 250774 9350550 Livre 1 Argilito
arenoso 0,55 29 0,70 0,38 Moderada
SEV2 250886 9350617 Livre 1 Argilito
arenoso 0,55 25 0,70 0,38 Moderada
SEV3 251180 9350295 Livre 1 Arenito
argiloso 0,65 22,5 0,70 0,45 Moderada
SEV4 250998 9350730 Livre 1 Arenito
Figura 4.7 – Mapa de vulnerabilidade natural do Aquífero Barreiras elaborado a partir da metodologia GOD tratada de forma composta (SEV’s e Poços).
Fonte: elaborado pelo autor (2019).
Conforme mostra o mapa GOD, os índices de vulnerabilidade que variaram de 0,35 a 0,42, subáreas a sudeste e nordeste do mapa, consistiram nas regiões relativamente menos vulneráveis, destacando-se os locais no entorno da SEV01, SEV02 e poços PT01 e PT03. Já as subáreas a centro-norte e centro-sul do mapa apresentaram os maiores índices de vulnerabilidade, variando de 0,46 a 0,52, representando aquelas relativamente mais vulneráveis a contaminações, com destaque para as anomalias no entorno da SEV3, SEV4 e também do poço PT02. Esse contexto, segundo o fluxograma aplicado a metodologia GOD, visto na Figura 2.11, projeta para o Aquífero Barreiras na área investigada uma vulnerabilidade GOD na categoria de moderada a alta.
Ao confrontar as três cartografias elaboradas, pode-se observar que os elevados índices de vulnerabilidade no entorno da SEV3 e SEV4 deve-se, sobretudo, às menores espessuras da zona não saturada. Contudo, embora a subárea do entorno do poço PT02 apresente valores de espessura não saturada significativa, tem-se uma vulnerabilidade intrínseca, compatível com resistividades elétricas elevadas e baixos valores de “S”.
Já as subáreas nos entornos das SEV1, SEV2 e dos poços PT01 e PT03, apresentam índices de vulnerabilidade relativamente menores, estando estas subáreas consonantes às espessuras não saturadas mais significativas, mostrando ser este o fator preponderante também no índice de vulnerabilidade do aquífero. Ademais, observando-se o mapa de espessura não saturada, verificam-se valores intermediários para essas espessuras no entorno do poço PT01 (24,2m a 25,7m), vinculando os índices de vulnerabilidade relativamente menores a uma resistividade elétrica reduzida dos substratos que compõem a zona não saturada, conforme observado no mapa de condutância longitudinal, no qual define valores de 0,0117 a 0,014 Siemens nas adjacências do poço PT01.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O método da eletrorresistividade (ER), com ênfase na ZNS do Aquífero Barreiras local, foi capaz de fornecer resultados bastante satisfatório tanto para o parâmetro resistividade elétrica, como também para a espessura e a condutância longitudinal “S” de Dar Zarrouk.
Já os modelos geoelétrico interpretados, com base na calibração geoelétrica considerada e com ênfase na zona não saturada, mostraram-se consistentes com os dados hidrogeológicos locais. Logo, considerou-se as resistividades entre 1920 Ωm e 2250 Ωm, como sendo, respectivamente, rochas de caráter predominantemente condutiva e resistiva, estabelecendo o valor de 2000 Ωm como parâmetro limite dessa mudança composicional. Nesse caso, os horizontes mais condutivos acham-se associados com litologias de natureza mais argilosa.
Ademais, subsidiada pelo mapa de espessura não saturada e pela litologia local, a cartografia de condutância longitudinal mostrou as subáreas mais susceptíveis à contaminação no entorno da SEV3 e SEV4, com valores de 0,0091 a 0,0116 Siemens. Já a subárea do mapa que apresentou maior grau de proteção encontra-se a oeste da área, mais precisamente no entorno da SEV1 e SEV2, apresentando um range de valores de 0,0166 a 0,0213 Siemens. Assim, os valores apresentados mostraram-se consonantes com os valores de espessura não saturada, mostrando-se ser essas espessuras o fator preponderante no que concerne a proteção natural do aquífero local.
Apesar da área da presente pesquisa inserir-se em uma categoria geral de vulnerabilidade intrínseca de moderada a alta, definida através da metodologia GOD de forma composta, analisou-se, por meio desse método, as anomalias de forma relativa e pontuais. Dessa forma, as subáreas com índices de vulnerabilidade relativamente menores ocuparam as regiões SW e NE do mapa, mostrando um range de valores de 0,35 a 0,42. Já os índices de vulnerabilidade relativamente maiores mostraram-se para as subáreas no entorno da SEV3, SEV4 e PT02, com um range de valores entre 0,46 a 0,52.
Nesse contexto, a subárea no entorno do poço PT02, apesar de possuir espessura da sua zona não saturada significativa, apresentou-se como uma região de vulnerabilidade relativamente elevada, o que se deve ao substrato geológico de caráter resistivo e associado a rochas areníticas. De forma adversa, a subárea no entorno do poço PT01, possuindo uma espessura não saturada local intermediária (24,2 m a 25,7 m) mostrou-se como uma região de vulnerabilidade intrínseca relativamente baixa, vinculando esses menores índices a uma resistividade elétrica reduzida do substrato local, associada as rochas argilosas.
Objetivando a preservação do Aquífero Barreiras na área da presente pesquisa, faz-se necessário, para fins de pesquisa e monitoramento, uma redistribuição e adensamento de SEV’s, com vista a obter informações geoelétricas de locais mais isolados e sem informações de perfis de poços. Este procedimento possibilitaria adquirir um maior banco de dados dessa área, permitindo assim otimizar as interpolações para uma melhor complementação das cartografias de vulnerabilidade.
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