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O MAPEAMENTO CONCEITUAL PODE SER UTILIZADO COMO UMA METODOLOGIA ATIVA?

Uma maneira eficiente de se trabalhar com as metodologias ativas é ir capacitando os estudantes a desenvolverem as habilidades necessárias aos poucos. Para isso, devemos pensar em uma sequência de metodologias a serem utilizadas para que os alunos sejam expostos, a partir das mais simples práticas até atingir as mais complexas tarefas. Com isso, ao chegar em um ambiente novo, naturalmente o aluno não se sentirá a vontade para se expressar e participar das aulas. Esse é o ponto crucial que deve ser trabalhado para que qualquer inter-venção, mesmo a mais simples, funcione. Assim, antes de pensar em projetos, problemas ou casos, devemos pensar em como integrar o aluno em sala de aula e no que podemos fazer para que ele supere essa limitação inicial, tomando uma postura mais ativa em seu processo de aprendizagem. Como dissemos anterior-mente, a metodologia de brainstorm, por exemplo, pode ser utilizada para esse fim. Mas não só essa metodologia é capaz de promover essa integração. Pode

ser utilizado para isso jogos didáticos que promovam um ambiente descontraído e incentive a comunicação entre os alunos. Independente de como escolhemos estabelecer essa relação de confiança e colaboração. Em suma, isso já deve ser iniciado na primeira aula da disciplina.

Após dar início a esse ambiente propício para que os alunos se tornem mais participativos, devemos capacitá-los a se tornarem mais autônomos. Isto pode ser feito, por exemplo, utilizando a sala de aula invertida. Essa metodologia já pode ser feita para que os alunos entrem em contato com os primeiros as-suntos da disciplina que, normalmente, são menos complexos e com isso irão gerar menos dificuldades de adaptação. É interessante a disponibilização de vídeo-aulas nesse momento para que os alunos iniciem o processo de indepen-dência. O ideal é que os vídeos sejam feitos pelo próprio professor da disciplina para que os alunos se sintam mais seguros. Os vídeos também proporcionam uma melhor administração do tempo de estudo e pode ser feita de forma in-dividualizada. Assim, começamos a promover tanto a sua autonomia quanto a sua responsabilidade para com o próprio processo de aprendizagem. Para tanto, durante as aulas propriamente ditas, podemos utilizar alguns minutos iniciais para discutir o vídeo, tirar dúvidas e ainda teremos bastante tempo para aplicar o conhecimento já estudado de forma mais significativa. Uma excelente opção nesse momento é a utilização do mapeamento conceitual como uma metodologia ativa.

Essa estratégia de aprendizagem é extremamente versátil. Podemos utilizá-la inicialmente para determinar o conhecimento prévio de cada estudante, solicitando mapas conceituais individuais. Podemos ainda com isso solicitar mapas feitos em grupo de até três estudantes para promover a discussão de ideias e a negociação de significados entre os membros do grupo. Além disso, podemos discutir com toda a turma os mapas elaborados pelos grupos, ou individualmente para promover uma negociação de signifi-cados ainda mais abrangente. Dessa maneira, os mapas conceituais também podem ser utilizados tanto como uma avaliação formativa quanto uma ava-liação somativa. Com efeito, podemos atribuir uma pontuação para os mapas elaborados pelos alunos através de um mapa modelo elaborado pelo profes-sor (ver Figura 2).

Ademais, esse mapa-modelo deve conter as relações conceituais que o professor espera que os alunos tenham conseguido compreender até o mo-mento da avaliação. Assim, a chave para a pontuação foi proposta por Novak no livro “Learning how to learn” (NOVAK e GOWIN, 1996, p. 36) e está adap-tada na Tabela 1.

ENSINO DE CIÊNCIAS: CURRÍCULO, COGNIÇÃO E FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Figura 2 - Mapa conceitual modelo para elaboração da chave de pontuação mostrada na Tabela 1.

Fonte: NOVAK, J. D. e GOWIN, D. B. 1996, página 37. Adaptado

Tabela 1 - Chave para pontuação tendo como base o mapa modelo ilustrado na Figura 1.

Itens avaliados Como avaliar Pontuação sugerida

Proposições

A relação de significado entre dois conceitos é indicada pela linha de conexão e pelas palavras de ligação?

O relacionamento é válido?

1 ponto para cada proposição válida e significativa

Hierarquia

O mapa mostra uma hierarquia bem definida?

Cada conceito subordinado é mais específico que o conceito colocado acima, de acordo com o contexto mapeado?

5 pontos para cada nível válido de hierarquia

Linhas cruzadas

O mapa mostra conexões significativas entre dois segmentos distintos?

A relação mostrada é significativa e válida?

10 pontos para cada linha cruzada válida e significativa

2 pontos para cada linha cruzada válida mas não significativa

Exemplos Existem eventos ou objetos que sirvam de exemplos

específicos para o conceito ao qual estão subordinados? 1 ponto cada

Pontuação para o mapa modelo da Figura 2

Relações válidas 14 x 1 ponto = 14 pontos Níveis de hierarquia válidos 4 x 5 pontos = 20 pontos Linhas cruzadas válidas 2 x 10 pontos = 20 pontos Exemplos válidos 4 x 1 ponto = 4 pontos

58 pontos no total

Fonte: NOVAK, J. D. e GOWIN, D. B. 1996, página 36. Adaptado.

Para avaliar um mapa conceitual, de acordo com a Tabela 1, precisamos ter em mente dois pontos cruciais. Primeiro, “ser válida” quer dizer que a relação entre os conceitos ligados realmente existe. Segundo “ser significativa” quer di-zer que as palavras de ligação refletem corretamente o relacionamento entre os conceitos ligados. Assim, o mapa modelo representado na Figura 2 possui 14 re-lações conceituais válidas e significativas.

De acordo com a Tabela 1, para cada proposição válida e significativa dever ser atribuído 1 ponto, totalizando 14 pontos para essas relações do mapa da Figura 2. Nesse mapa-modelo também existem 4 níveis válidos de hierarquia e,

de acordo com a proposta da Tabela 1, cada nível recebe 5 pontos, totalizando 20 pontos para a hierarquia conceitual. As linhas cruzadas são avaliadas cada uma em 10 pontos. Elas devem ser muito valorizadas porque mostram um entendi-mento mais aprofundado do assunto e também indicam o desenvolvientendi-mento da criatividade. Então, para o mapa da Figura 2, temos 2 linhas cruzadas que recebe-ram 10 pontos cada, totalizando 20. Os exemplos não são conceitos e, por isso, não são representados dentro de caixinhas. Cada exemplo válido recebe 1 ponto e, como temos 4 exemplos no mapa-modelo, totalizam-se 4 pontos. Dessa forma, a pontuação total para esse mapa-modelo ficou em 58 pontos.

Podemos normalizar essa pontuação para uma avaliação de 10 pontos, por exemplo. Isto pode ser feito multiplicando a pontuação marcada no mapa ela-borado pelo aluno por 10 e dividindo o resultado pela pontuação do mapa-mo-delo. Ou seja, seguindo a sugestão de pontuação representada na Tabela 1, se o mapa elaborado pelo aluno marcou, por exemplo, 50 pontos, a pontuação para avaliação será 10 x 50/58 = 8,6 pontos. Analisando essa proposta, podemos per-ceber que existe a possibilidade de que o aluno supere as expectativas e obtenha uma nota acima do que foi proposto pelo mapa-modelo, desde que ele apresente mais relações conceituais válidas que o professor indicou inicialmente.

Nesse contexto, vamos supor, por exemplo, que o aluno elaborou um mapa igual ao da Figura 2 e incluiu nele uma relação cruzada válida e significativa (que vale 10 pontos) que o professor não esperava que ele compreendesse naquele momento. Nessa situação, a pontuação do mapa dele terá um total de 68 pontos e, sendo assim, sua pontuação para a avaliação em 10 pontos será: 10 x 68/58

= 11,7. Seria de grande estímulo para o aluno se ele recebesse esses 1,7 pontos como um bônus de pontuação extra. Assim, estimulamos os alunos a superarem nossas expectativas.

Sempre que estou ensinando meus alunos a trabalharem com mapa concei-tual, surgem perguntas a respeito de mapa mental. Na verdade, são duas estra-tégias de aprendizagem completamente diferentes. O mapa mental (CAMARGO e DAROS, 2018) foi criado originalmente para promover a memorização de um conteúdo. No entanto, se o aluno não compreendeu muito bem o assunto, o mapa mental pode não ser muito útil. Além disso, é mais eficiente para aquelas pessoas que possuem memória fotográfica.

Em outras palavras, esse tipo de mapa não traz informações a respeito da hie-rarquia conceitual e nem sobre as relações entre conceitos ou ideias, principal-mente as relações cruzadas. É uma ferramenta que pode ser utilizada para ilustrar conceitos ou ideias e fazer resumos. Assim, ao elaborar um mapa mental o aluno consegue externar aquilo que aprendeu de forma bastante resumida. No entanto, ao elaborar um mapa conceitual, o aprendiz toma conhecimento das relações con-ceituais que estão claras e as que não estão. Busca informações para resolver pos-síveis conflitos entre significados distintos para um mesmo conceito. Procura tam-bém por relações cruzadas entre conceitos localizados entre seguimentos distintos do mapa. Ou seja, elaborar um mapa conceitual promove uma aprendizagem signi-ficativa para pontos do contexto que ainda não estejam muito claros para o aluno.

No entanto, ao contrário, o mapa mental não será útil para promover a apren-dizagem significativa, pode apenas ajudar a promover uma aprenapren-dizagem mecâ-nica, a por memorização, e com pouca eficácia.

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Assim, existem várias maneiras de utilizar o mapeamento conceitual dentro de uma abordagem de metodologia ativa. Tendo o objetivo de aprendizagem especificado, podemos escolher a melhor maneira de utilizar mapas conceituais.

Ou seja, se o objetivo é identificar o conhecimento prévio de cada aluno, indivi-dualmente, para facilitar um processo de nivelamento da turma, devemos soli-citar a elaboração de mapas conceituais individuais. Se o objetivo da atividade é ajudar a promover um ambiente colaborativo e participativo, podemos solicitar a elaboração do mapa em grupos de até três alunos para que todos tenham a oportunidade de opinar nas relações conceituais, de um lado.

Por outro lado, em grupos maiores acaba que alguns alunos, principalmente aqueles que possuem mais dificuldade, participem pouco das discussões para a elaboração das relações conceituais. Dessa maneira, para se fazer uma avaliação formativa, podemos solicitar tanto mapas em grupos quanto individuais e promo-vermos discussões a respeito de sua elaboração, avaliando assim a profundidade do entendimento conceitual de cada aluno. Se pretendemos fazer uma avaliação somativa, podemos solicitar mapas individuais e utilizar a chave de pontuação mostrada na Tabela 1 para obtenção coerente de uma nota.

É interessante também solicitar mapas ao longo da instrução para que os alunos identifiquem como as relações conceituais se modificam à medida em que novos significados vão sendo incorporados em sua estrutura cognitiva.

Além disso, os mapas podem ser utilizados de forma auxiliar em metodologias como aprendizagem baseada em problemas, projetos ou estudo de caso. Para promover uma melhor organização do conhecimento, o primeiro passo, após o aprendiz tomar conhecimento do contexto da atividade, pode ser organizar o conhecimento através de um mapa conceitual. A medida em que o estudo vai se desenrolando, conceitos e significados novos podem ir sendo acrescentados no mapa, garantindo assim o entendimento correto de todas as relações conceituais relevantes. Facilitando a visualização das relações cruzadas e aprimorando a cria-tividade dos aprendizes.

PARA ELABORAR BONS MAPAS CONCEITUAIS E ENSINAR AOS