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5 GEOPROCESSAMENTO APLICADO

5.6 Mapeamento para análise de Risco, Aptidão e Favorabilidade

Deslizamentos – uma avaliação quantitativa ou qualitativa do tipo, do volume (ou área) e da distribuição espacial de deslizamentos que existem potencialmente pode

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correr em uma área. A suscetibilidade também pode incluir uma descrição da velocidade e intensidade do deslizamento potencial ou inexistente. A suscetibilidade de deslizamento inclui deslizamentos cuja origem está na própria área, nos casos em que ele pode se mover para dentro da área de interesse ou retroceder a área de estudo (JTC- 1).

Vulnerabilidade – o grau de perda para um dado elemento ou grupo de elementos dentro da área afetada pelo deslizamento. É expressa numa escala de zero (sem perda) até um (perda total). Para propriedades a perda será o valor do dano relativo ao valor da propriedade; para pessoas, será a probabilidade de uma vida em particular (elemento em risco) ser perdida, dado que a pessoa seja afetada pelo deslizamento (JTC- 1).

Os problemas geotécnicos característicos das rodovias são ainda agravados quando não há boa manutenção das obras (Rodrigues & Lopes, 1998). Dentro deste contexto, o conhecimento das características e comportamentos de elementos do meio físico e suas inter-relações, tornam-se fundamentais para o bom desempenho da gestão ambiental e manutenção das rodovias (FERNANDES & CERRI, 2011).

Segundo Diniz (2012), a cartografia geotécnica pode ser considerada genericamente como a técnica de integração, síntese e representação de informações temáticas da área de geologia de engenharia voltada para o planejamento e gestão ambiental urbana e territorial; e permite a formulação de modelos de previsibilidade do comportamento dos terrenos e o estudo de soluções para problemas decorrentes da intervenção antrópica sobre o meio físico. Em Diniz (2012), segundo sua finalidade, as cartas geotécnicas podem ser aplicadas: aos planejamentos urbano e territorial, onde estariam as cartas de aptidão urbana; à suscetibilidade e riscos geológicos (hazard) a processos do meio físico; e à viabilidade à implantação de empreendimentos (processos tecnológicos).

5.6.1 METODOLOGIA DA CARTOGRAFIA GEOTÉCNICA

Para elaborar a carta geotécnica e evitar a inconsistência gerada pela superposição de mapas, o ideal é a compartimentação por geomorfometria, que permite compor, a partir do MDT, de ortofotocartas e de imagens de satélite de alta resolução, sejam óticas ou multiespectrais, a análise de declividade, amplitude, curvatura da

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vertente (encosta), densidade de drenagem, padrão de drenagem, tipo de geoforma, padrão de geoforma. A interpretação de geoformas, associada à análise da densidade em área de cicatrizes de feições erosivas e deposicionais, permitirá a classificação da suscetibilidade, do perigo e do risco e da aptidão.

Outra questão fundamental é a consideração da dinâmica dos processos do meio físico (o que ocorre na natureza) frente às intervenções de empreendimentos de obras civis que deflagram o desenvolvimento de processos tecnológicos (ação humana direta ou indireta). Isto tem reflexos na modelagem da cartografia geotécnica aplicada.

5.6.2 AVALIAÇÃO DE SUSCETIBILIDADE E APTIDÃO

A contribuição da cartografia geotécnica ao planejamento regional e urbano utiliza bases do meio físico na intenção de orientar o uso da terra, a análise ambiental e as obras civis. A geotecnia classifica e analisa os recursos naturais do meio físico quanto às limitações e potencialidades, representando este processo cartograficamente através do mapeamento geotécnico. Além disto, avalia esses recursos quanto à suscetibilidade, perigo, risco, aptidão, adequabilidade, enfim, à capacidade de suporte (acolhida, resiliência) do território, segundo critérios que visem ao equilíbrio e desenvolvimento para estudos de viabilidade, projeto, construção, manutenção e monitoramento.

5.6.3 UNIDADES DE ANÁLISE E APLICAÇÕES DA CARTA GEOTÉCNICA Como a cartografia geotécnica trata de processos do meio físico, a unidade de análise é a bacia ou sub-bacia hidrográfica, o que pode significar a utilização de bases cartográficas além da área dos municípios.

Com o fortalecimento da política nacional de redução de riscos e resposta a desastres, foi promulgada a Lei n. 12.608, de abril de 2012, onde, as cartas de suscetibilidade, cartas geotécnicas de aptidão urbana e cartas de risco passam a representar instrumentos de prevenção de riscos e gestão municipal, sendo requisitos, dentre outros, à participação do cadastro nacional de municípios críticos com suscetibilidade a desastres, viabilizando o acesso ao fomento para obras de contenção e drenagem como uma das principais medidas efetivas dessa política pública de prevenção de riscos.

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Deslizamentos de terra, como um dos principais riscos naturais, conta a cada ano por enormes danos em propriedade em termos de custos diretos e indiretos. Deslizamentos de terra, que têm como definição o movimento de uma massa de rocha, ou detritos terra descendo uma ladeira (Cruden, 1991), podem ser acionados por uma variedade de estímulos externos, tais como chuvas intensas, terremotos, alteração do nível de água, ondas de tempestade ou fluxo rápido de erosão que causam um aumento da tensão ou diminuição do cisalhamento, resistência dos materiais de formação de inclinação (DAI et al. 2002).

Ao analisar os fatores de influência dos deslizamentos, as seguintes questões devem ser abordadas: (a) a probabilidade de escorregamentos; (b) o comportamento do deslizamento de terra; (c) a vulnerabilidade de bens e pessoas para deslizamento de terra; (d) risco de deslizamento de terra à propriedade e as pessoas; e (e) as estratégias de gestão e de tomada de decisão (Figura 23).

Figura 23 – Fluxograma dos fatores de influência de deslizamentos, traduzido de (DAI et al. 2002). Em um trabalho recente realizado pela CPRM, foram utilizadas as ferramentas de geoprocessamento nas quais foi aplicada uma metodologia para desenvolvimento de Cartas de suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e inundações, indicam que uma área cujos terrenos apresentam características que tendem a favorecer, por exemplo, a ocorrência de deslizamentos, como o predomínio de declividade alta, pode

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ser considerada propensa a esse tipo de processo, independentemente de previsão acerca de quando poderá ocorrer um evento e tampouco do grau de certeza atribuível a essa possibilidade. A partir de premissas como essa, evidencia-se o vínculo entre fatores predisponentes e propensão dos terrenos a processos, base para a compreensão e aplicação do conceito de suscetibilidade (CPRM, 2014).

Essa metodologia teve como base a seguinte sequência de procedimentos (Figura 24):

Figura 24 – Procedimentos básicos desenvolvidos para a elaboração das cartas de suscetibilidade, CPRM, 2014.

Este trabalho apresentou as cartas de suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e a inundações, demonstrando uma classificação relativa apoiada em um modelo de abordagem em desenvolvimento, fundamentado inicialmente em fatores predisponentes relacionados aos terrenos, espacializáveis e obtidos por meio de compilação e tratamento de dados secundários (base de dados geoespaciais), indicando a possibilidade de que outros fatores não incluídos na atual fase de desenvolvimento do modelo venham a ser determinantes em certas situações. Os aspectos climáticos estão entre esses fatores, uma vez que, em alguns casos, a variabilidade no âmbito do território municipal pode ser significativa.

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