3. DIVISÓRIAS LEVES PRÉ-FABRICADAS
3.2. MARCAÇÃO CE
O Regulamento (UE) N.º 305/2011 e a sua Retificação do Parlamento Europeu e do Conselho, de 9 de março de 2011, estabelece condições harmonizadas (de acordo com as diretivas da Nova abordagem18) para a comercialização de produtos de construção e revoga a Diretiva
89/106/CEE do Conselho, correntemente designada por Diretiva dos Produtos de Construção19.
Abrangem-se todos os produtos de construção destinados a ser incorporados ou aplicados, de modo permanente, numa obra de engenharia civil e aos quais diga respeito uma ou mais exigências essenciais.
Os produtos devem estar aptos ao uso a que se destinam, satisfazendo pelas suas características, os seguintes requisitos básicos das construções:
– Resistência mecânica e estabilidade; – Segurança contra incêndio;
– Higiene, saúde e ambiente;
– Segurança e acessibilidade na utilização; – Protecção contra o ruído;
– Economia de energia e isolamento térmico;
– Utilização sustentável de recursos naturais (Análise do ciclo de vida dos produtos).
Quando um produto cumpre todas as exigências mencionadas, o fabricante pode solicitar a aposição da marcação CE, Conformité Européenne. A marcação CE, vd Figura 3.6, é um indicador de desempenho de um produto com a legislação da UE e permite a livre circulação de produtos no Espaço Económico Europeu20.
Figura 3.6 – Logotipo da Marcação CE.
18 http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2011:088:0005:0043:PT:PDF 19 Também designada por DPC, de 21 de dezembro de 1988, com última alteração pelo Decreto-Lei n.º 130/2013 de 10 de setembro, www.lnec.pt/qpe/marcacao/directiva_produtos_construcao.
20 EEE – Constituído pelos 28 Estados Membros da União Europeia e pelos países que integram a European Free Trade Association (EFTA), nomeadamente a Noruega, o Liechtenstein, a Islândia e a Suíça.
Os produtos colocados no mercado terão de estar de acordo com as exigências expressas nos documentos de avaliação europeus cumprindo requisitos essenciais (Segurança, Saúde, Ambiente) e em linha com as especificações técnicas harmonizadas21 (Normas Europeias
harmonizadas ou Aprovações Técnicas Europeias - ETA). Os Organismos Notificados (ON) e os Organismos de Avaliação Técnica (OAT)22 são também instrumentos indispensáveis na
implementação da marcação CE. É da responsabilidade do fabricante todo o processo de obtenção da conformidade do produto com o desempenho declarado. No Quadro 3.2. ilustram-se os 5 sistemas de avaliação do desempenho para as diversas tipologias de produtos.
Quadro 3.2 – Sistemas de avaliação de desempenho.
Sistema Tarefas do Fabricante Tarefas do Organismo Notificado Base para a Marcação CE
1+ (Certificação)
– Controlo interno da produção;
– Ensaio de amostras segundo programa prescrito.
Certificação do produto com base em:
– Ensaios de tipo iniciais; – Inspeção inicial do controlo interno da produção; – Acompanhamento;
permanente do controlo interno da produção;
– Ensaio aleatório de amostras.
– Declaração de desempenho* pelo fabricante com base num certificado de desempenho do produto. 1 (Certificação) – Controlo interno da produção;
– Ensaio de amostras segundo programa prescrito.
Certificação do produto com base em:
– Ensaios de tipo iniciais; – Inspeção inicial do controlo interno da produção; – Acompanhamento
permanente do controlo interno da produção.
2+ (Inspecção)
– Ensaios de tipo iniciais; – Controlo interno da produção;
– (Ensaio de amostras segundo programa prescrito).
– Certificação do controlo interno da produção com base numa inspeção inicial e no acompanhamento permanente desse controlo.
– Declaração de desempenho* pelo fabricante com base num certificado de desempenho do controlo interno da produção.
3 (Laboratório de
ensaios) – Controlo interno da produção. – Ensaios de tipo iniciais.
– Declaração de desempenho* pelo fabricante.
4 – Ensaios de tipo iniciais; – Controlo interno da produção.
*A Declaração de Desempenho é a peça central resultante do procedimento de avaliação e verificação da regularidade do desempenho do produto e base indispensável para a marcação CE dos produtos de construção com vista à sua livre circulação no Espaço Económico Europeu.
21 Único meio para o fabricante avaliar o produto e elaborar a declaração de desempenho. 22 http://www.enterpriseeuropenetwork.pt/info/mercadounico/Paginas/marcacaoce.aspx.
Deste modo, um futuro produto a ser constituído a partir do protótipo ensaiado na presente dissertação, teria de seguir a via ETA, já que não existe uma Norma Europeia harmonizada aplicável. As ETA cobrem essencialmente produtos complexos e sistemas (KITS), enquanto o conjunto das normas harmonizadas cobrem predominantemente materiais de construção simples já que constituem especificações técnicas de âmbito geral. Assim, a ETA do referido módulo para compartimentação contemplaria a definição do futuro produto inovador, com as suas características (função inerente a uma especificação técnica harmonizada) e uma apreciação favorável da sua aptidão ao uso. Os organismos representativos dos estados-membros que concedem as Aprovações Técnicas Europeias são designados EOTA23. O LNEC representa Portugal na EOTA e pode
publicar Documentos de Homologação. Estas Aprovações Técnicas Europeias podem ser aceites com base em Guias de Avaliação Técnica Europeia, ETAG24 ou com base em Procedimentos
Comuns de Apreciação, (sem Guias) CUAP25, elaborados pela EOTA. A ETAG a considerar seria
a ETAG 003 designada por “INTERNAL PARTITIONS KITS FOR USE AS NON- LOADBEARING WALLS”.
Na Figura 3.7 ilustram-se os 6 passos principais para a marcação CE de um produto.
Figura 3.7 – Passos da marcação CE para um produto. (adaptado de http://ec.europa.eu/enterprise/policies/single-market-
goods/cemarking/downloads/ce_brochure_pt.pdf)
Passo 1 – Identificar a(s) directivas (s) e as normas hamonizadas aplicáveis ao produto; Passo 2 – Verificar os requisitos específicos do produto;
Passo 3 – Determinar se existe necessidade de proceder a uma avaliação de desempenho independente por um Organismo Notificado (ON);
Passo 4 – Teste do produto e verificação do respectivo desempenho;
Passo 5 – Elaboração e disponibilização da documentação técnica obrigatória; Passo 6 – Aposição da marcação CE no produto e declaração CE de desempenho.
23 EOTA – European Organisation of Technical Approvals. 24 ETAG – Guidelines for European Technical Approvals. 25 CUAP – Common Understanding of Assessment Procedure.