4 ENTRECRUZANDO OLHARES: ANÁLISES DAS (AUTO)BIOGRAFIAS
4.3 ONDE OS CAMINHOS SE CRUZAM
4.3.1 Marcas da Identidade Docente: o ser professor
FIGURA 3 – UNIDADE DE ANÁLISE TEMÁTICA 1
As trajetórias de vida configuram-se em uma pluralidade e diversidade de
experiências que referenciam a construção identitária dos professores enquanto
indivíduos e profissionais. Na busca por compreender a docência através das
(auto)biografias de professores(as) do Ensino Fundamental II, há que considerar que
as concepções e ideais revelados sobre o ser professor, construídos socialmente,
relacionam-se diretamente à forma como os professores sentem, se posicionam,
agem e mobilizam seus conhecimentos e saberes na profissão.
O aprender a ser professor inicia nos primeiros contatos com professores,
ainda no período da escolarização, se fortalece na formação inicial docente, se
realizada no próprio processo de ensino e para além dele, no convívio cotidiano com
outros docentes. As imagens socialmente produzidas sobre a docência, que incidem
sobre o processo identitário, no entanto, são anteriores a essa aprendizagem. Estão
ligadas ao início da própria profissão e são construídas, reconstruídas e
transformadas pelo indivíduo, que se torna professor e pelo próprio grupo de
professores que, em uma determinada época, realizaram seu trabalho.
Esse processo dinâmico e coletivo de co-construção, que perpassa gerações,
se renova e se mantém a partir dos próprios professores, como sinaliza o professor
José em seus relatos:
Aprendi, igualmente, que minha profissão/trabalho realmente é uma vocação, mas não em um sentido sólido, mas uma vocação processual, que se construiu, constrói e se construirá com o passar do tempo. Q
Entre as reflexões produzidas a partir do grupo de formação, afirmou-se a
compreensão de que a identidade docente está arraigada às demais identidades
1.Marcas da Identidade
Docente: o ser professor
que compõem o sujeito. Nesse sentido retomamos a explicação do professor José
sobre a profissão docente:
Eu entendo que, querendo ou não, a nossa profissão não é algo que acaba quando a gente sai da escola. Não só pelas provas que a gente corrige ou pelo trabalho que a gente faz em casa, mas quando você vai no mercado, vai a qualquer local, está voltando de um banco, você é professor na sua maneira de agir. Ainda que você queira separar, você é professor. Eu já tentei separar, mas não (é possível). R
A partir das narrativas (auto)biográficas construídas no processo de pesquisa,
foi possível traçar algumas indicações sobre as visões sociais da docência, nem
sempre positivas, que repercutiram nas escolhas profissionais dos(as) participantes
e nos permitiu uma aproximação a elementos constituintes da identidade docentes
desses(as) professores(as).
Além da questão econômica, que mostra uma situação de precarização
salarial, há ainda uma desvalorização relacionada ao status da profissão como
simbolismo do ser professor. Nesse sentido, o professor José indicou, em seu relato,
que as mudanças econômicas, culturais, sociais e tecnológicas, presenciadas nas
últimas décadas, tiveram grande impacto na educação e na visão social sobre os
professores.
Para José, na década de 1960 e 1970 o professor “era uma autoridade
comunitária”. Essa ideia de autoridade do professor pôde ser observada na fala da
professora Terezinha, que iniciou sua escolarização no ano de 1977, período no
qual, comentava a professora, acreditava-se que o professor “era respeitado pela
comunidade, contudo, temido pelos alunos”.
Através do entrecruzamento das narrativas de infância e juventude dos(as)
professores(as), pôde-se observar que a depreciação das condições estruturais e de
cunho social sobre o ser professor, vem ocorrendo dentro de um processo de
desprofissionalização, que tem suas raízes na história da profissão docente.
Paradoxalmente, foi possível constatar, nos relatos e posicionamentos
dos(as) professores(as) participantes da pesquisa, a construção de concepções
favoráveis sobre seu trabalho. Essa tendência pôde ser observada nas narrativas
(auto)biográficas de modo mais geral e, especificamente, através de algumas
atividades realizadas no curso de extensão, a partir do qual os(as) professores(as)
abordaram diretamente os conceitos de docência.
Uma das produções de material, de forma diretiva sobre o conceito de
docência, se deu no segundo encontro desta formação, através de uma atividade na
qual os(as) participantes puderam expor palavras e/ou imagens que simbolizassem
o ser professor, sendo que a palavra escrita no centro da folha, ocuparia o papel
central em relação à docência. Em seguida, compartilharam com o grupo as
palavras e seu significado.
Vale evocar as palavras emitidas pelos(as) professores(as) participantes
nesta atividade, e que foram destacadas no quadro de sistematização, a seguir:
TABELA 9 - SISTEMATIZAÇÃO DE PALAVRAS SOBRE SIGNIFICADOS DA DOCÊNCIA PALAVRA
PRINCIPAL DEMAIS PALAVRAS
Prof.º José Nobreza
Fé, Vocação, liderança, Deus, justiça, esperança dedicação, luta, coragem, transformação, humildade,
amor, poder, esforço, sabedoria, conhecimento.
Profº Gabriel Alegria
Amor, Sacrifício, Humildade, respeito, suor, família, diversidade, participação, conquistas, entusiasmos, verdade, história, equipe, amigos, jogo, desavenças, barulho, machucado, competição, parceria, disciplina.
Prof.ª Laura Responsabilidade
Sacrifício, maturidade, prazer, preocupação, socialização, criatividade, disposição, conhecimento, disponibilidade, alegria, decepção, compreensão, emoção, dificuldades, transição, pai, mãe, carinho, união, futuro, esperança.
Prof.ª Camila Saber
Amar, ensinar, educar, dividir, aprender, multiplicar, alegria, satisfação, dedicação, disponibilidade, iluminação, felicidade
Prof.ª
Terezinha Forma-ção
Agir, formar, responsabilidade, atitude, conhecimento, busca, prazer, realização, educação, valores, caminho, futuro.
Prof.ª Emili Luz
Doação, exemplo, reflexão, caminho, realização, decepção, profissão, angústia, ouvir, dinheiro, auxílio, responsabilidade, sinceridade, conhecimento, direcionamento.
FONTE: : Dados obtidos na segunda atividade do curso ofertado, sistematizados pela autora em 2014.
É interessante notar, entre as palavras sinalizadas na tabela 9, termos como
fé, vocação, dedicação, amor, esforço, humildade. Esses atributos evocados ao falar
da profissão, que pressupõem o sacrifício, a dedicação e a doação, aproximam-se
da ideia de sacerdócio, difundida em uma fase tradicional da educação, presente na
Idade Média.
A educação brasileira teve uma forte influência destas visões, a partir da
concepção da escolástica, trazida pelos jesuítas ao Brasil na época da colonização
do país, e que tinha suas bases nos ensinamentos da igreja católica na Europa,
principalmente em Portugal e na Espanha. Forjada nas visões da formação de
sacerdotes e clérigos, com fundamento no cristianismo católico, instituído como
reação à revolução provocada por Martinho Lutero, na Alemanha. Essa forma
religiosa de conduzir a escolarização inicia com professores sacerdotes da
Companhia de Jesus, e foram considerados os primeiros professores brasileiros. O
ensino ao ser concebido como aquisição de conteúdos, como cultura e erudição,
previa a formação humana ou para um bom comportamento humano. Este bom
comportamento, concebia castigos e propunha a meritocracia como forma de
instigar ao sucesso na aquisição do conhecimento escolar. As influências dessa
forma de conceber o ensino permaneceram na formação, imaginário e atuação dos
professores brasileiros, com reflexos ainda hoje.
Essa visão de ser professor como sacerdócio foi percebida nesta atividade e
também em outros momentos dos relatos biográficos, revelando a permanência
desses ideais nas concepções dos(as) professores(as) sobre o trabalho docente.
As condições de trabalho dos professores tendem a colaborar para
sedimentar as noções de missão, em que o sacrifício ainda parece estar presente na
profissão. Para dar conta do trabalho, muitos professores, constantemente têm
realizado atividades como planejamento e correção de avaliações em seus horários
de descanso. Como relataram as professoras:
[...] eu levo muito trabalho pra casa e todo mundo me chama de idiota, há muitos anos eu sou chamada de idiota, porque eu me sobrecarrego demais. Mas aí não tem jeito. R. Professora Emili
Passo muito tempo no final de semana planejando aula, fora do meu material didático, porque quero diversificar com eles (os alunos). R
Professora Laura
Apesar de muitas vezes vir mascarada como um elogio, as noções de dom e
vocação colaboram para a manutenção das más condições de trabalho. Isso porque,
independente das condições de trabalho, é destinado ao professor a
responsabilidade pelos resultados da aprendizagem, assumindo para si a resolução
de problemas sociais, econômicos e comportamentais. Renega-se ao trabalho
docente seu espaço enquanto profissão, destituindo a formação e o conhecimento
como fundamentais a prática docente.
Esses discursos, socialmente aceitáveis, precisam ser reconstruídos pelo viés
da dedicação, mas também pelo viés da luta por condições de trabalho adequadas e
de condições socioculturais dignas a toda a sociedade.
Outro momento direcionado a colher as primeiras impressões sobre a
docência, configurou-se a partir da ficha de inscrição do curso proposto, que
constituiu o momento em que os(as) professores(as) complementaram a frase: Ser
professor é...
TABELA 10 - SIGNIFICADO DE SER PROFESSOR PARA OS(AS) PARTICIPANTES DA PESQUISA
NA MINHA OPINIÃO SER PROFESSOR É...
Prof.º José
construir uma sociedade melhor, com base nos conhecimentos científicos (teórico-metodológicos) mas, sobretudo, pelo exemplo.
Prof.º Gabriel a melhor profissão do mundo.
Prof.ª Laura
um exemplo de superação por encarar novos desafios dia após dia. Muitas vezes é sofrido, ao mesmo tempo, prazeroso. Ser professor não é apenas ensinar, mas aprender também, porque o aluno traz consigo uma vivência de mundo que às vezes vai além da nossa realidade; e isso é de grande valia para o educador, pois contribuirá para o processo de ensino-aprendizagem de ambos.
Prof.ª Camila
doar-se em função do outro, ensinar, educar, mostrar, dirigir, aprender com os menores. Disponibilizar-se a aprender e ensinar.
Prof.ª Terezinha
a capacidade de regar uma semente (a criança/adolescente) para que brote e cresça.
É saber lidar com as adversidades e compreender as diversidades.
Prof.ª Emili
orientar, auxiliar o aluno para ele conhecer e se posicionar na sociedade; para ele construir o conhecimento (muitos não sabemos “como”, o meio).
Ser um bom exemplo.
FONTE: Dados obtidos na ficha de inscrição, sistematizados pela autora em 2014.
Nas frases verbalizadas pelos(as) professores(as), percebeu-se a presença
da vinculação do trabalho docente com sua responsabilidade social de formar outras
pessoas. Esse posicionamento também foi observado nos relatos (auto)biográficos,
na continuidade do processo formativo.
As ideias que expressam, podem ser relacionadas ao momento de abertura
política no Brasil, que, a partir da década de 1980, propiciou a entrada de visões
críticas nos currículos educacionais. A consciência sobre o peso da
responsabilidade da profissão docente, sem justa valorização, e a fase de maior
liberdade de pensamento do período, propiciaram algumas revisões ao nível do
discurso sobre a profissão docente.
A partir da mudança de concepções na educação escolar, que vinha da
construção de uma sociedade mais justa e igualitária pela via da escola, tinha-se
como centro, o trabalho curricular com conhecimentos científicos desveladores.
Visava-se neste sentido, um postura política em prol de uma escola democrática,
como garantia de acesso de todos(as) à escolarização, como função social da
escola, pressupostos que se tornaram a base teórico metodológica da formação
inicial e continuada dos professores.
Essa retomada da função da escola, do ponto de vista social e político,
constiuía princípios da concepção definida como da pedagogia histórico-crítica,
cujas concpções consideravam as contradições da sociedade capitalista. A partir
das teorias de resistência e transformação na educação escolar foram oferecidas as
bases para as propostas curriculares de estados e municípios brasileiros no período
de 1980 a 1990.
A ambiguidade entre a desvalorização social sobre a profissão docente e a
visão positiva dos(as) docentes participantes da pesquisa sobre seu trabalho, fazem
parte da complexificação que perpassa o processo identitário docente. Os
professores convivem, simultaneamente, com essas duas questões, onde a escolha
de ser professor se faz a cada dia de aula, como se observou nos exemplos a
seguir:
Em alguns momentos você chega e diz: não quero, não aguento mais. Acho que depois você toma um gás, por causa de alguma coisa [...]que aparece no meio do caminho. R Professora Camila
Às vezes eu estou na rotina, desanimada, dando murro em ponta de faca. São vinte e dois anos (de experiências) em sala de aula, vinte e três anos letivos. Depois[...] eu engato a primeira, eu me renovo, eu faço um curso [...]
Diante dos elementos histórico-contextuais apresentados, pôde-se apreender
que as expectativas depositadas sobre a educação aliam-se, atualmente, ao
compromisso social com uma educação de qualidade, que busca dar bases para a
construção de uma sociedade justa, voltada aos direitos humanos sociais e culturais
e por isto igualitária. Essa é em si uma responsabilidade à qual os(as)
professores(as) sentem que devem dar continuidade, como relatou a professora
Laura:
Todas as mulheres da minha família trabalham com alguma área da educação (liberdade assistida, conselho tutelar, educação especial, rede particular, pública e cursinho), sendo assim, também as considero as maiores influentes na minha escolha em ser professora. Toda a minha vida as acompanhei lutando por causas, por pessoas, enxergando possibilidades onde ninguém mais enxergava e isso me motivou a querer fazer um bem maior, a querer ser (como as professoras que citei neste texto) na vida de alguém e ser lembrada por isso, por ter feito a diferença e despertado algum interesse benéfico nessa pessoa.A (grifo nosso)
Ao simbolizar a docência, o professor Gabriel utilizou o desenho de uma
medalha, pois para ele o objetivo do seu trabalho é que os alunos sejam “vitoriosos,
não só aqui (na escola), mas no futuro deles.” R. De modo geral, para esses
professores(as), ensinar é um compromisso que acarreta, entre outras
responsabilidades, a busca pela aprendizagem constante.
Considerando esse posicionamento dos(as) professores(as) frente à
educação escolar, é significativo pontuar que as palavras relacionadas ao saber
45aparecem 7 vezes, somente na Tabela 9. Como justificativa da sua importância, os
docentes declararam que:
[...] sem saber a gente não consegue fazer nada. R Professora Camila
[...] o conhecimento é uma busca, a gente nunca sabe demais, vamos sempre em busca de algo. R Professora Terezinha
[...] não se pode ensinar algo que você não sabe, então conhecimento é fundamental. R Professor José
[...] porque é uma profissão que exige uma busca incessante por saberes, não só por conteúdos, mas do meio em que vivem o educador e o educando. A Professora Laura
É através do conhecimento que podemos tomar nossas decisões e agir na sociedade. R Professora Emili
45
Junto ao conhecimento da disciplina que lecionam, os(as) professores(as)
participantes apontaram outros saberes necessários à prática pedagógica como:
sensibilidade, o ouvir, as predisposições para lidar com situações imprevistas, saber
relacionar-se criando vínculos positivos com os educandos. Entre suas atribuições,
demonstraram a necessidade de motivar os alunos para a aprendizagem e
apontaram o desinteresse que observam por vezes como algo a ser superado.
A busca do interesse dos alunos pela aprendizagem, segundo os(as)
professores(as) participantes, vincula-se ao saber o quê e porquê se deve ensinar
determinados conteúdos do currículo. A justificativa da importância dos conteúdos
escolares é um imperativo tanto para os professores, em relação à sua identidade
profissional e papel social, como para aos alunos, enquanto momento de significar e
compreender o papel da educação no contexto contemporâneo. Como expressa a
professora Laura:
Sempre quando vou aplicar um conteúdo me coloco no lugar dos alunos, questionando se aprender determinada coisa é relevante ou não, e se é, como eu enquanto aluna gostaria que esse conhecimento fosse transmitido.
Q.
Aliam-se às discussões dos(as) professores(as) sobre a prática docente, as
novas demandas do contexto sociocultural. Inclui-se nesse aspecto, a necessidade,
observada pelos(as) professores(as), de dominar as novas tecnologias da
informação e da comunicação, como afirma o professor José: “O contexto histórico é
outro, a linguagem é outra, e o professor não pode ficar desatualizado” R.
Mesmo conscientes das mudanças contemporâneas os(as) professores(as)
observam algumas limitações e paradoxos no seu trabalho:
Acontece que o sistema faz com que o professor se mantenha assim também, não mude tanto. R Professora Terezinha
[...] se pensarmos hoje no perfil do professor.[...] se exige um professor muito mais dinâmico do que antes, se exige um professor sempre muito hiper, mega atualizado, de maneira que sabe o que o aluno curtiu antes de ir para a aula. [...] Por outro lado temos uma sociedade muito superficial. Uma relação humana tão superficial, que entra na área de educação. R Professor José
[...] nós temos que passar conhecimento de uma geração (para a outra), por outro lado as ferramentas mudam. Eu vejo um paradoxo: como [...] não deixarmos de ensinar o ofício (docente), [...] e nos atualizarmos? Ou será que nós realmente só estamos vendo (as mudanças), sem estar nos atualizando? É um paradoxo: ao mesmo tempo que a gente tem aquele
medo de envelhecer e ser ultrapassado, a nossa geração precisa passar o que é da nossa geração pra eles (para a futura geração). R Professor José Eu me vi como “um pouco mais moderninho”. Quando comecei a trabalhar a gente só fazia prova com ditado, hoje a gente consegue, usar a TV, usar computador [...]Lembrando do passado, na verdade, mudou pouca coisa, apenas algumas modernizações. R Professora Emili
Considerando as análises propiciadas a partir das narrativas de vida, pôde-se
constatar que os conhecimentos e saberes transpostos, construídos e reconstruídos
pelos professores, passam pela responsabilidade coletiva e social sobre seu
trabalho, que culmina em uma disposição para aprender, tendo o conhecimento
como base para desenvolver suas ações pedagógicas sem desconsiderar outros
saberes que se fazem necessários para as mediações do ensino.
O professor José, simbolizou essa predisposição ao se colocar no papel de
aluno, de alguém que sempre está aprendendo, seja na prática ou na teoria:
Eu aprendi que mesmo sendo professor ainda carrego muito do aluno que fui, na verdade, eu ainda sou um aluno, a diferença é que com o estudo (curso superior) que tive estou numa posição de ensiná-los, mas sei que, de certa forma, aprendo algo de minhas turmas. Q
A última atividade realizada no curso de formação (auto)biográfica era dirigida
à construção de um projeto profissional, que baseado nas aprendizagens adquiridas
através da reflexão sobre as narrativas de vida, serviria de base para
encaminhamentos futuros. O relato oral sobre o projeto produzido pelos(as)
docentes em relação ao passado, presente e futuro, possibilitou algumas
sinalizações sobre sua percepção da profissão docente nesses percursos.
Em perspectiva, olhando para o passado, os(as) professores(as) apontaram,
principalmente, as dificuldades enfrentadas tanto pessoais, como profissionais e sua
superação, vendo sua trajetória como um período de desenvolvimento. No presente,
ressalta-se a confirmação da escolha por trabalhar como professores na educação
escolar, como algo integrante de suas vidas, um caminho escolhido entre tantos
possíveis.
Em relação ao futuro, os(as) professores(as) buscaram integrar as questões
pessoais, principalmente em relação ao bem estar físico, econômico, pessoal e
familiar, com o desenvolvimento profissional. Esse último, evidenciado pela busca
por continuar aprendendo e aperfeiçoando o seu fazer.
Esses dados mostraram o desejo por continuar atuando na profissão docente,
porém, também, apontam a necessidade de buscar em outras ocupações e
atividades, uma forma de garantir o desenvolvimento e estabilidade financeira para o
futuro. Essa questão sinalizou que, mesmo fazendo parte de um grupo de servidores
públicos, esses(as) professores(as) sentem inseguranças quanto ao seu
desenvolvimento profissional uma vez que o salário docente não constitui um
referencial viável para uma vida confortável e digna no futuro.
A educação e o próprio trabalho docente, são vislumbrados pelos(as)
professores(as), como um processo, um caminho necessário em suas vidas. Nesse
sentido, a professora Laura, na primeira atividade do curso, fez uma analogia da
educação com uma árvore com frutos em diferentes estágios de desenvolvimento,
simbolizando os alunos em suas diferenças cognitivas e culturais.
FIGURA 4 - MANDALA ELABORADA PELA PROFESSORA LAURA, SIMBOLIZANDO A PROFISSÃO DOCENTE.