2.1 BRAND EQUITY
2.1.1 Marcas: histórico e conceitos
Quando o consumidor se depara com a situação de escolher um produto em
detrimento de outro – seja quando faz as compras no supermercado, quando vai a
uma concessionária de veículos ou quando adquire produtos em um shopping – um
dos fatores que exercem influência sobre sua decisão é a marca desses produtos
(KELLER, 1993; AAKER, 1998; KELLER e MACHADO, 2006; KAPFERER, 2012).
A marca surgiu justamente dessa necessidade de diferenciar os produtos que
eram fabricados, sendo que alguns autores defendem que sua utilização tenha
ocorrido pela primeira vez para demarcação de gado e produtos de cerâmica, por volta
de 1300 a.C., pela civilização do Antigo Egito (AAKER, 1996; TAVARES, 1998;
ACCIOLY, 2000; KELLER e MACHADO, 2006). Após o domínio dos romanos e o
crescimento do seu império, esses também passaram a utilizar as marcas para
diferenciação de suas mercadorias que eram negociadas com os outros povos, mas
foi apenas no renascimento que surgiram os primeiros livros de registros de marcas.
Com a Revolução Industrial, os produtos passaram a ser fabricados em larga escala
e marcados de maneira mais uniforme, também com o objetivo de identificar sua
origem (AAKER, 1998; SOARES, 1988; ACCIOLY, 2000; DE FREITAS, 2012).
Formalmente, a American Marketing Association (AMA) define marca como “um
nome, termo, desenho, símbolo ou qualquer outra característica que identifica um
vendedor de bens ou serviços como distinto de outros vendedores” (AMA, 2015).
Aaker (1998) destaca mais uma vez que o objetivo da marca é diferenciar produtores,
deixando claro aos consumidores a origem dos produtos:
Uma marca é um nome diferenciado e/ou um símbolo (tal como um logotipo, marca registrada ou desenho de embalagem) destinado a identificar os bens ou serviços de um vendedor ou de um grupo de vendedores e a diferenciar esses bens e serviços daqueles dos concorrentes. Assim, uma marca sinaliza ao consumidor a origem do produto e protege, tanto o consumidor quanto o fabricante, dos concorrentes que ofereçam produtos que pareçam idênticos. (AAKER, 1998, p. 7)
É preciso, porém, estabelecer a diferença entre uma marca e um produto.
Armstrong e Kotler (2004) definem o que é um produto, extrapolando o conceito mais
intuitivo de bem material que pode ser comercializado:
Definimos um produto como algo que pode ser oferecido a um mercado para apreciação, aquisição, uso ou consumo e que pode satisfazer um desejo ou necessidade. Produtos incluem mais do que apenas bens tangíveis. Definimos amplamente, incluem objetos físicos, serviços, eventos, pessoas, lugares, organizações, ideias ou um misto de todas essas entidades. (ARMSTRONG e KOTLER, 2004, p. 200)
De acordo com o conceito anterior, uma cidade, um político ou uma ONG
podem ser considerados produtos. Entretanto, quando temos uma cidade que oferece
diferenciais em relação a outra cidade como, por exemplo, uma melhor qualidade de
vida, maior IDH ou um sistema de transporte público mais eficiente, pode-se dizer que
há uma marca associada a esse produto que, nesse caso, se trata de uma cidade.
Nesse sentido, Keller e Machado (2006) definem o que é uma marca, estabelecendo
uma estreita relação com produto:
Uma marca é, portanto, um produto, mas um produto que acrescenta outras dimensões que o diferenciam de algum modo de outros produtos desenvolvidos para satisfazer a mesma necessidade. Essas diferenças podem ser racionais e tangíveis – relacionadas com o desempenho de produto da marca – ou mais simbólicas, emocionais e intangíveis –
relacionadas com o que a marca representa. (KELLER e MACHADO, 2006, p. 4)