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3 REGULAMENTAÇÃO DA CULTURA

3.5 Marco Civil da Internet

"O mundo virtual nada mais é do que um reflexo do mundo real, tudo que se faz no mundo real acaba tendo uma repercussão no mundo virtual, sejam as melhores iniciativas,

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Disponível em http://www.arede.inf.br/inclusao/component/content/article/106-acontece/2836 Acessado em 07 de maio de 2012.

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Trailer disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/RIP!_A_Remix_Manifesto Acessado em 09 de maio 2012. 73

Disponível em http://www.myspace.com/girltalk Acessado em 09 de 2012. 74

sejam as piores práticas de condutas [...]" (MORETH, 2011)75. No canal oficial do Supremo Tribunal Federal (STF) no Youtube há uma entrevista com o advogado especialista em internet, Eduardo Moreth, realizada no dia 24 de junho de 2011. O vídeo trata sobre a nova fronteira da ONU na luta pela defesa da internet como um direito humano. A entrevista fala sobre a importância desse relatório e a visão do entrevistado sobre a relação entre internet e política. Moreth explica ainda que é necessária a elaboração de uma regulamentação voltada para o Direito da Internet.

―A internet é um instrumento para realizar políticas sociais, um instrumento para divulgar o que está acontecendo‖, explicou o advogado. Levando em consideração o caso de países do Oriente Médio, onde imperam regimes fechados há uma maior necessidade de se empregar a internet para expor para a comunidade internacional o que está ocorrendo, de modo que esta possa agir se necessário. A rede, segundo ele, é também, um instrumento para estudo e prospecção de medidas que podem ser implementadas e tem sido muito usada por políticos em suas campanhas e até mesmo, para cooptação de correligionários.

O marco civil é uma normatização do que pode ou não ser feito na internet e até onde as garantias dos direitos fundamentais vão ser preservadas ou não. O grande debate que envolve essa questão está relacionado às pessoas poderem trafegar de forma anônima ou não na internet, e isso diz respeito às garantias e direitos individuais. Aqueles que defendem um Marco Civil extremamente garantidor, preservam muitos direitos individuais, mas, por outro lado, afetam os direitos coletivos quando, torna-se mais difícil alcançar aquelas pessoas que cometeram crimes na internet (MORETH, 2011).76 No caso oposto, quando os direitos coletivos são preservados, afetam-se os direitos individuais na medida em que, há um monitoramento de tudo o que é feito na Internet. Portanto, o Marco Civil é uma tentativa de se chegar a um meio termo. É essencial que a internet possua uma regulamentação mínima, que preveja a punição para delitos cometidos no ambiente virtual, de modo que, também sejam preservados e garantidos os direitos dos seus usuários, para que esta funcione de forma socialmente adequada.

Em outubro de 2010, enquanto boa parcela da sociedade e do Congresso se voltava à campanha eleitoral e aos resultados das eleições estaduais e federal, o Projeto de Lei (PL) 84/99, de autoria do senador Eduardo Azeredo, recebeu parecer favorável em duas Comissões da Câmara. Caso aprovado, iria para o plenário, e se deputados federais concordassem, este se

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Transcrição de trecho do vídeo disponível em http://www.alcantarablog.com/2011_06_26_archive.html

Acessado em 09 de maio de 2012. 76

Transcrição de trecho do vídeo disponível em http://www.alcantarablog.com/2011_06_26_archive.html

tornaria lei. Conhecido como Lei Azeredo, este foi o primeiro projeto de lei a designar crimes pela internet, qualificando consultas tidas como incorretas e que até então, não haviam sido classificadas. 77

Entretanto, de acordo com uma publicação no site do Deputado Paulo Teixeira 78, boa parte dos que defendem a liberdade de expressão na Internet são contra o projeto, que ficou conhecido como ―AI-5 Digital‖ por tornar crime muitas das práticas cotidianas dos internautas – como baixar músicas e filmes ou trocar arquivos. Ao se tornar lei, obrigará que, por exemplo, serviços de e-mail e publicadores de blogs sejam responsáveis por guardar os registros de navegação dos usuários. Isso significa que esses dados poderão ser divulgados à polícia ou ao Ministério Público sem a necessidade de uma ordem judicial. Além disso, o Projeto dificulta a atividade das ―lan houses‖ e inviabiliza a existência de redes abertas, pois exige a identificação de cada usuário conectado à internet.

A discussão e aprovação do Marco Civil da Internet, enviado pela presidenta Dilma Rousseff, pode funcionar como uma forma de enfraquecer o AI-5 Digital. O texto foi elaborado a partir de consultas públicas e de um debate realizado via internet, em 2009 e 2010. Depois de reunidas as contribuições, um grupo ministerial elaborou a versão final. Porém, a demora na divulgação permitiu que a Lei Azeredo voltasse à pauta da Câmara.

Por isso, é preciso impedir que tal lei seja aprovada, abrindo espaço para uma legislação que compreende a verdadeira dinâmica da internet e de seus usuários, pois prevê a guarda dos endereçamentos eletrônicos de usuários por, no máximo, um ano, ao invés de 3, como propunha a outra lei, sendo que os dados só poderão ser levantados mediante solicitação da Justiça. Medida esta, que é vista como razoável pelo ativista digital Caribé, já que, ter um armazenamento mínimo de logs, segundo ele, é mais uma questão administrativa do que policial. ―Temos dados provando que a média de solução de um cibercrime é de 18 dias, então não precisamos guardar esses dados por tanto tempo‖ 79

, avalia.

Outra importante regulamentação que o projeto do governo federal propõe é a não responsabilização do intermediário, que viabilizar a publicação do material dentro de seu espaço. Caberá ao intermediário retirar qualquer intervenção caso a Justiça assim determine. O ativista concordou, tendo em vista que, atualmente, há jurisprudência para responsabilizar o dono do site mesmo por comentários apresentados por leitores.

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Trechos transcritos da entrevista que está disponível em

http://www.youtube.com/watch?v=anPAyAlMqX4&feature=plcp Acessado em 05 de junho de 2012. 78

Disponível em http://pauloteixeira13.com.br/2010/11/o-ai-5-digital-esta-de-volta-vamos-combate-lo/

Acessado em 05 de junho de 2012. 79

Disponível em http://pauloteixeira13.com.br/2011/08/proposta-de-marco-civil-da-internet-enfraquece-ameaca- do-ai-5-digital/ Acessado em 05 de junho de 2012.