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MARCO LEGAL

No documento Seminário integrador I (páginas 52-61)

Art. 7º Em conformidade com a lei nº9.795, de 1999, reafirma-se que a Educação Ambiental é componente integrante, essencial e permanente da Educação Nacional, devendo estar presenta, de forma articulada, nos níveis e modalidades da Educação Básica e da Edu- cação Superior, para isso devendo as instituições de ensino promovê-la integradamente nos seus projetos institucionais e pedagógicos.

Art. 8º A Educação Ambiental, respeitando a autonomia da dinâmica escolar e acadêmica, deve ser desenvolvida como uma prática educativa integrada e interdisciplinar, contínua e permanente em todas as fases, etapas, níveis e modalidades, não devendo, como regra, ser implantada como disciplina ou componente curricular específico.

Art. 9º Nos cursos de formação inicial e de especialização técnica e profissional, em todos os níveis e modalidades, deve ser incorporado conteúdo que trate da ética socioambiental das atividades profissionais.

Art. 10º As instituições de Eduação Superior devem promover sua gestão e suas ações de ensino, pesquisa e extensão orientadas pelos princípios e objetivos da Educação Ambiental.

Art. 11º A dimensão socioambiental deve constar dos currículos de formação inicial e continuada dos profissionais da educação, considerando a consciência e o respeito à diversidade multiétnica e multicultural do País.

Parágrafo único. Os professores em atividades devem receber formação complementar em suas áreas de atuação, com o propósito de atender de forma pertinente ao cumprimento dos princípios e objetivos da Educação Ambiental.

Com o propósito de inserir a EA na função contribuinte para a construção de sociedades sustentáveis, foi criado também o Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA) no ano de 2007. O ProNEA (mEC, 2007, p.29) leva em conta que: “a EA tem se constituído em um campo de formação e de práticas educativas multi e interdisciplinares nos sistemas de ensino”, e por isso se torna parte do es- paço escolar. Tem-se, assim, a EA por meio do Ministério do Meio Ambiente (mmA, 2017), visando construir-se através do indivíduo e da coletividade valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente. Para isso, atua com diretrizes e políticas públicas que promovem a EA no país, desde a formação continuada de educadores e da sociedade em geral, seja por meio de cursos presenciais ou a distância, incentivando a sustentabilidade.

Além da legislação citada, mais recentemente tem-se a construção e regula- mentação de uma lei mais ampla, mas que também aborda de forma central a questão da EA, observe a figura 25 que traz a EA como um dos instrumentos deste importante marco em termos de regulamentação legislativa, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010.

FIGURA 25 – Dos instrumentos da PNRs

FONTE: Brasil (2010).

os planos de resíduos sólidos;

os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos sólidos;

a coleta seletiva e os sistemas de logística reversa e outras ferramentas relacionadas à implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis;

o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e agropecuária;

a cooperação técnica e financeira entre os setores público e privado para o desenvol- vimento de pesquisas de novos produtos, métodos, processos e tecnologias de gestão, reciclagem, reutilização, tratamento de resíduos e disposição final ambientalmente adequada de rejeitos;

a pesquisa científica e tecnológica; a educação ambiental;

os incentivos fiscais, financeiros e creditícios;

o Fundo Nacional do Meio Ambiente e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Cien- tífico e Tecnológico;

o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir); o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa);

os conselhos de meio ambiente e, no que couber, os de saúde;

os órgãos colegiados municipais destinados ao controle social dos serviços de resídu- os sólidos urbanos;

o Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos; os acordos setoriais; I. II. III. IV. V. VI. VII. VIII. IX. X. XI. XII. XIV. XV. XVI.

Além de fazer parte dos instrumentos da PNRs, a EA deve estar presente nos Dos Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos através de programas e ações de EA que promovam a não geração, a redução, a reutilização e a reciclagem de resíduos sólidos (BRAsIL, 2010).

A legislação explicitada é bastante extensa, contudo esclarecedora. Neste caso indica-se que seja consultada para aprofundamento dos conteúdos. As referidas leis estão disponíveis na internet.

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sAIBA mAIs: http://www.mma.gov.br/pol%C3%ADtica-de- res%C3%ADduos-s%C3%B3lidos http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=321 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&- view=download&alias=10988-rcp002-12-pdf&category_slu- g=maio-2012-pdf&Itemid=30192 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm

Os educadores têm um papel estratégico e decisivo na inserção da temática da sustentabilidade no cotidiano escolar, qualificando os alunos para um posiciona- mento crítico face à crise socioambiental, tendo como horizonte a transformação de hábitos e práticas sociais e a formação de uma cidadania ambiental que os mobilize para a questão no seu significado mais abrangente.

Nessa direção, a problemática ambiental constitui um tema muito propício para aprofundar a reflexão e a prática em torno do restrito impacto das ações de resis- tência e de expressão das demandas da população das áreas mais afetadas pelos constantes e crescentes agravos ambientais. Mas, representa também a possibilidade de abertura de espaços para implementar alternativas diversificadas de participação social, garantia do acesso à informação e a consolidação de canais abertos.

A postura de dependência (em relação a que?) e de não responsabilidade da população decorre principalmente da desinformação, da falta de consciência ambiental e de um déficit de práticas comunitárias baseadas na participação e no envolvimento dos cidadãos, que proponham uma nova cultura de direitos baseada na motivação e na coparticipação na gestão do meio ambiente, nas suas diversas dinâmicas.

Nesse contexto, as práticas educativas devem apontar para propostas pedagógicas centradas na mudança de hábitos, atitudes e práticas sociais, desenvolvimento de competências, capacidade de avaliação e participação dos educandos. Isto desafia a sociedade a elaborar novas epistemologias que possibilitem o que Morin (2003) denomina de “uma reforma do pensamento”. No novo contexto do conhecimento do qual emergem as novas epistemologias socioambientais, plurais e diferenciadas, Capra (2003) representa a busca da unificação do conhecimento com a natureza e a sociedade, Morin (2003) pensa a complexidade como referencial principal para explicar os novos sentidos do mundo, e Leff (2001), uma nova racionalidade am- biental, capaz de subverter a ordem imperante entre as lógicas de vida e o destino

das sociedades” (FLORIANI; KNECHTEL, 2003). Assim, o conceito de ambiente situ- a-se numa categoria não apenas biológica, mas que constitui “uma racionalidade social, configurada por comportamentos, valores e saberes, como também por novos potenciais produtivos” (LEFF, 2001, p. 224).

Uma mudança paradigmática implica uma mudança de percepção e de valo- res, e isto deve orientar de maneira decisiva para formar as gerações atuais não somente para aceitar a incerteza e o futuro, mas para gerar um pensamento com- plexo e aberto às indeterminações, às mudanças, à diversidade, à possibilidade de construir e reconstruir num processo contínuo de novas leituras e interpretações, configurando novas possibilidades de ação” (mORIN, 2001; CAPRA, 2003; LEFF, 2003).

Assim, nossa argumentação vai no sentido de reforçar que as práticas educativas articuladas com a problemática ambiental não devem ser vistas como um adjetivo, mas como parte componente de um processo educativo que reforce um pensar da educação orientado para refletir a educação ambiental num contexto de crise ambiental, de crescente insegurança e incerteza face aos riscos produzidos pela sociedade global, o que, em síntese, pode ser resumido como uma crise civilizató- ria de um modelo de sociedade. Nesse sentido, a formulação de Leff (2001, p. 256) nos permite enfatizar que este processo educativo deve ser capaz de formar um pensamento crítico, criativo e sintonizado com a necessidade de propor respostas para o futuro, capaz de analisar as complexas relações entre os processos naturais e sociais e de atuar no ambiente em uma perspectiva global, respeitando as diver- sidades socioculturais.

Isto requer um pensamento crítico da educação ambiental, e, portanto, a de- finição de um posicionamento ético-político, “situando o ambiente conceitual e político onde a educação ambiental pode buscar sua fundamentação enquanto projeto educativo que pretende transformar a sociedade” (CARVALHO, 2004, p. 18)

O desafio da interdisciplinaridade é enfrentado como um processo de conheci- mento que busca estabelecer cortes transversais na compreensão e explicação do contexto de ensino e pesquisa, buscando a interação entre as disciplinas e supe- rando a compartimentalização científica provocada pela excessiva especialização. Observa-se a necessidade de se incrementar os meios e a acessibilidade à in- formação, bem como o papel indutivo do poder público nos conteúdos educacio- nais e informativos de sua oferta, como caminhos possíveis para alterar o quadro atual de degradação socioambiental. Trata-se de promover o crescimento de uma sensibilidade maior das pessoas face aos problemas ambientais, como uma forma de fortalecer sua corresponsabilidade na fiscalização e no controle da degradação ambiental (JACOBI, 2003).

Procurando contribuir neste sentido, a seguir apresentamos um exemplo de Projeto de Educação Ambiental alicerçado em metodologias participativas desen- volvido em parceria da Universidade Federal de Santa Maria, Prefeitura Municipal de Alegrete e escolas municipais e estaduais.

O Estudo de Caso apresentado neste artigo refere-se a um projeto de extensão universitária voltado à EA denominado Projeto Escola Responsável. Visa a construção de agendas ambientais (no que tange a correta destinação dos resíduos) de forma participativa em duas escolas públicas no município de Alegrete, Rio Grande do Sul, Brasil. Foi desenvolvido em quatro etapas que foram desenvolvidas ao longo de

dois anos de trabalho (2015/2016) abarca cerca de 40 professores, 10 funcionários das escolas e 300 alunos.

O quadro 04 traz à tona parte do artigo: Planejamento Estratégico Participativo como ferramenta de mudança na concepção de gestão dos resíduos gerados no ambiente escolar, publicado na Revista Espacios. Vol. 37 (Nº 31) Año 2016¹.

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sAIBA mAIs: http://www.revistaespacios.com/a16v37n31/16373103.html

QUADRO 04 – Planejamento Estratégico Participativo como ferramenta de mudança na concepção de gestão dos resíduos gerados no ambiente escolar.

FONTE: Brandão, Caires, Hartmann e Grings (2016).

Sobre o trabalho apresentado acima, os autores salientam que a EA pode ser po- tencializada através do desenvolvimento de práticas reflexivas, contribuindo para uma melhor investigação das possíveis causas e efeitos da problemática ambiental que assola a sociedade nos dias atuais.

As avaliações obtidas desse processo foram muito satisfatórias, demonstrando que a metodologia utilizada foi adequada para a reflexão sobre a problemática ambiental. Porém salienta-se que esse é só o primeiro passo na construção da EA dentro do ambiente escolar, o processo de avaliação do seu desenvolvimento deve ser contínuo, corrigindo as falhas à medida que identificadas e potencializando os resultados positivos.

O exemplo adotado demonstra que é possível questionar o modelo de desen- volvimento vigente, incluindo os padrões de produção e consumo da sociedade contemporânea. Desta forma busca-se a emergência de modelos e estruturas capazes de buscar soluções conjuntas, considerando que a causa dos problemas ambientais tem origem, e que as diferentes parcelas da população sofrem de maneira diferente com os desafios impostos pela crise ambiental.

A importância da conscientização dos indivíduos a respeito da conservação do meio em que vivem está implícita nos processos relacionados à educação ambien- tal, referindo-se especialmente à transformação de conduta da sociedade. Jacobi (2003) destaca que para que ocorra uma educação, de fato voltada para a dimensão ambiental faz-se necessário acontecer o envolvimento do conjunto de atores do universo educativo, a comunidade universitária, a família e os ambientes institu- cionais, para a capacitação de profissionais comprometidos com a concretização da sustentabilidade.

Assim, falar em educação ambiental compreende em concebê-la como compo- nente de uma cidadania abrangente ligada a uma nova forma de relacionamento ser humano/natureza o que leva a pensar em um conjunto de práticas e na poten- cialidade destas para a sociedade.

Deve-se considerar ainda que o lócus da Educação Ambiental não é apenas o aspecto ecológico de uma dada questão ambiental, mas também se caracteriza por incorporar as dimensões socioeconômicas, políticas, culturais, históricas, entre outras, desenhando os desafios para o desenvolvimento sustentável.

1. Para finalizar o item que tratou da EA por meio dos principais marcos legais no Brasil, propomos a seguinte reflexão:

Buscando construir sociedades mais justas e sustentáveis, consegue a legis- lação implementar de fato uma prática reflexiva capaz de problematizar a

relação do ser humano com o meio ambiente?

2. Como forma de ampliar o conhecimento a respeito das práticas de educação ambiental existentes na realidade de cada aluno, propõe-se a realização de uma pesquisa de Campo, utilizando o questionário abaixo, numa escola ou na comu- nidade com algum coordenador de ação de Educação Ambiental.

Assim, a pesquisa tem como objetivo subsidiar as discussões na Disciplina de Seminário Integrador I do Curso de Licenciatura em Educação do campo, da Universidade Federal de Santa Maria, visando aproximar o aluno da realidade, qualificando a formação do mesmo. As informações a serem oferecidas para o pesquisador serão guardadas pelo tempo que determinar a legislação e não serão utilizadas em prejuízo desta instituição e/ou das pessoas envolvidas, inclusive na forma de danos à estima, prestígio e/ou prejuízo econômico e/ou financeiro. Além disso, durante ou depois da pesquisa é garantido o anonimato de tais informações ROTEIRO ENTREVIsTA – PROJETO EDUCAçãO AmBIENTAL –

Nomes dos entrevistadores:____________________________Polo: _______________ 1. Nome do projeto:__________________________________________________ 2. Município:_______________________________________________________ 3. Instituição proponente(escola/comunidade):_____________________________ 4. Função do coordenador do projeto na instituição: ________________________ 5. Formação do coordenador: _________________________________________ 6. Número de pessoas envolvidas no projeto: ______________________________ 7. Público alvo (séries, idade, etc): _____________________________________ 8. Tempo de duração do projeto: ______________________________________ 9. Objetivos do projeto: ______________________________________________ 10. Ações desenvolvidas: ______________________________________________ 11. Professores ou profissionais de outras áreas participam? Quais?_________ 12. O projeto recebe apoio/incentivo da Direção?_________________________ 13. Necessitou de que tipo de recursos? Qual a fonte de recursos?___________ 14. Quais as principais dificuldades para a execução do mesmo?____________ 15. Existem atividades futuras previstas?_________________________________

ATIVIDADES

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CONFLITOS

No documento Seminário integrador I (páginas 52-61)

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