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Marcos Baptista (a), Sheyla Mara Baptista Serra (b)

(a) Engenheiro Civil, Mestre em Habitação, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Brasil, [email protected] (b) Doutora em Engenharia Civil, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Brasil, [email protected]

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Diante de um mercado cada vez mais competitivo no Brasil, as empresas construtoras nacionais necessitam aperfeiçoar seus processos, inclusive o que envolve a logística interna em seus canteiros de obras. Esse estudo busca apresentar melhorias sobre a lógica de trabalho que cerca um material de vital importância para a estrutura de uma edificação: o aço. Ao apresentar as diversas etapas possíveis na intralogística deste insumo, desde a sua chegada até a aplicação final numa edificação, a pesquisa apresenta uma análise das diversas situações presentes em um canteiro. O objetivo desta pesquisa é analisar esta problemática e identificar por meio do Mapeamento Funcional de Processos os gargalos passíveis de otimização. A pesquisa traz informações do estudo de caso em uma obra de edifício de múltiplos pavimentos na Grande São Paulo. A partir dessas informações é feito um diagnóstico de quais ações são mais relevantes para a busca na melhoria desses processos. Entre as inúmeras possibilidades de ações, este trabalho traz à tona uma discussão de importância significativa para que o aprimoramento na eficiência no manuseio do aço no que diz respeito à sua movimentação, beneficiamento, armazenamento, montagem de armaduras, melhoria nos fluxos pelo canteiro e sua logística reversa, seja um tema no planejamento dos executores de obras.

Keywords:

Aço; Canteiro de Obra; Intralogística; Logística; Mapeamento Funcional de Processos.

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1. Introdução

O aço do concreto armado possui papel fundamental para a resistência estrutural de uma edificação, por isso é importante um bom fornecimento, que atenda aos requisitos normativos de qualidade e durabilidade. As barras e o fio de aço possuem elevado grau de industrialização e de conformidade. No Brasil, em 2015, o índice de conformidade do aço atingiu o percentual de 95,6% e em 2014 atingiu o máximo percentual possível de 100% (Brasil, 2016).

As barras de aço possuem características próprias para seu fornecimento, controle da qualidade e processo de corte e dobra. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio da NBR 7480 (Brasil, 2007), estabelece os requisitos exigidos para encomenda, fabricação e fornecimento de barras e fios de aço destinados para a construção civil. O processo de corte e dobra do aço também possui requisitos normatizados que garantem a qualidade do material após a execução do serviço. A escolha do processo de corte e dobra do aço deve ser feita pelo construtor e pode ser feita por equipe própria da construtora ou terceirizada para uma empresa especializada no serviço. A opção entre cortar e dobrar o aço no próprio canteiro ou terceirizar esse serviço para uma empresa especializada deverá ser estudada pelo construtor diante das características do canteiro, das dimensões e dos custos de operação.

O fornecimento do aço cortado e dobrado previamente por empresa especializada apresenta-se como uma boa opção para as empresas construtoras, pois segundo Salim Neto (2009) há algumas vantagens, tais como: maior grau de industrialização no serviço de armação; redução de perdas de material, evitando a geração de pontas; e ausência de necessidade de um encarregado de armação na supervisão do processo de corte e dobra.

Outra vantagem a ser considerada na contratação de empresa especializada em fornecer o aço nas configurações exigidas pelo projeto é a redução da possibilidade de acidentes causados pela manipulação de equipamentos para corte das barras e redução no aparecimento de doenças ocupacionais nos trabalhadores.

Com a elevada padronização da produção do aço, as variabilidades tornam-se pequenas, porém após a chegada do material na obra, surge a problemática em torno dos processos de movimentação, beneficiamento, armazenamento, montagem de armaduras, fluxos pelo canteiro e logística reversa das sobras do material. São várias as situações que poderiam ser antecipadas e programadas de modo a tornar mais racional o processo de produção. Observa-se certa negligência em relação às normas técnicas e aos procedimentos de organização do aço em canteiro de obra.

Assim, torna-se importante desenvolver pesquisa sobre os processos internos de logística existentes nos canteiros de obra em relação ao aço. Como o campo da logística é extenso e complexo e possui grande alcance em diversos segmentos, surge então o termo “logística interna” ou “intralogística”, com o propósito de criar fronteiras e direcionar as informações somente para a manufatura. Com essa delimitação, é possível estabelecer limites para a análise de processos, que se iniciam a partir do recebimento do material no canteiro de obras.

Para auxiliar na análise proposta é utilizada a ferramenta de Mapeamento Funcional de Processos (MPF). Segundo Teixeira (2013), o mapeamento de processos é uma ferramenta gerencial e de comunicação essencial para visualizar as atividades envolvidas e promover melhorias. Continuando, essa autora cita que o MFP ilustra o fluxo de trabalho de uma organização, que consiste em um conjunto de atividades inter-relacionadas que seguem um determinado caminho. O mapeamento tem como base identificar as áreas ou seções onde o trabalho ocorre.

O estudo da intralogística do aço foi realizado em uma obra de edifício residencial de múltiplos pavimentos localizado na cidade de São Paulo, Brasil, onde foram identificadas as interfaces entre as atividades que envolvem o aço durante a execução da estrutura de concreto armado. A abordagem metodológica adotada foi a de estudo de caso.

Os resultados integrais deste trabalho são apresentados em Baptista (2016) que possui foco na apresentação de diretrizes para a intralogística do aço em canteiros de obras de edifícios, de forma que o material conserve sua conformidade até a aplicação definitiva na estrutura de concreto e que as atividades sejam eficientes, seguras e economicamente possível.

2. A Intralogística do aço no canteiro de obras

As atividades que antecedem a aplicação definitiva do aço na estrutura de concreto armado são de suma importância, pois consomem tempo e recursos em uma obra. No caso da busca da melhoria contínua, mais precisamente em relação a esse material, há referências de pesquisadores que buscam aplicar a filosofia do Lean Supply na construção civil.

Segundo Arbulu e Ballard (2004), o conceito de Lean Supply está baseado no gerenciamento da cadeia de suprimentos, e pode ser utilizado como estratégia para simplificação da configuração dos sistemas de abastecimento e forma de melhorar a visibilidade dos processos envolvidos. Como forma de representação pode ser utilizada o Mapeamento de Fluxo de Valor (MFV).

Para Rother e Shock (2004), o MFV é uma ferramenta capaz de diagnosticar possíveis problemas em um determinado sistema e apontar as possíveis soluções baseadas nos fluxos que ocorrem dentro da produção, sejam estes de materiais ou de serviços. Com base nos dados extraídos de um MFV é possível compreender todos os fluxos e caminhos, necessários ou não, para um processo ser executado. Assim, obtém-se uma visão generalizada de todo o processo, podendo propor oportunidades de melhorias futuras.

Honório et al. (2014) aplicaram a ferramenta MFV com a finalidade de visualizar os gargalos e apresentar melhorias futuras na gestão do aço em um canteiro de obra. Com o detalhamento do fluxograma da execução da armação da estrutura do pavimento tipo de um edifício, foi possível fazer proposta de melhoria da sequência de atividades e otimização do fluxo, pois foi possível verificar as oportunidades de melhorias pontuais na logística local e do gerenciamento dos suprimentos da obra estudada.

Como o aço é um material com características de difícil movimentação, como dimensões e peso, verifica-se a necessidade de estudar as principais etapas que caracterizam a utilização do aço em canteiro a fim de identificar as oportunidades de melhoria. De modo geral, podem ser propostas as etapas genéricas do processo de intralogística que são: descarregamento (que pode ser manual ou mecanizado), armazenamento, processamento, transporte interno e montagem, conforme Figura 1.

Proceedings of the VII Elagec, 16 - 17 November 2016 | Bogotá, Colombia 73

Figura 1. Processo de Intralogística do Aço no Canteiro de Obra

Fonte: Elaborado por Baptista (2016)

Os itens a seguir apresentarão as principais características do processo de intralogístico do aço observadas em canteiros de obra no Brasil.