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1. EDUCAÇÃO AMBIENTAL

1.3. MARCOS E ETAPAS DA EA

A título de exemplo apresentam-se, resumidamente, no Quadro 1.1, as principais reuniões/ convenções internacionais que constituem os principais marcos e etapas da Educação Ambiental.

Ano Local Acontecimentos

1801 Estados Unidos George Perkin Marsh publicou nos Estados Unidos Man and Nature or Physical Geography as Modified by Human Action. Considerada a 1ª chamada de atenção para a exploração desenfreada dos recursos naturais e para as perigosas consequências que esse tipo de descontrolo poderia desencadear para a sobrevivência do Homem e do Planeta. (1)

1872 Estados Unidos Foi criado o Parque Nacional do Mundo - The Yellowstone National Park (1)

1907 Introdução da palavra conservação por Gifforf Pinchot. Este termo representava a perspetiva então dominante das preocupações ambientais - conservar a natureza. (1)

1945 Reino Unido A expressão “environmental studies” (estudos ambientais) entrou no domínio escolar do Reino Unido. (1) 1947 Suíça Organização para a conservação da Natureza. Fundada a União Internacional para a Conservação da Natureza

(UICN). Foi a organização conservacionista mais importante até à criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em 1972. (1)

1948 Paris Encontro da UICN. A nível internacional, é usada pela 1ª vez a expressão environmental education – EA no Encontro de Paris da UICN (Palmer e Neal, 1994). (1)

Portugal Fundação da Liga de Proteção da Natureza LPN (2)

1949 Estados Unidos Aldo Leopoldo, biólogo do Iowa (EUA) escreveu The Land Ethic (A Ética da Terra). Os seus trabalhos são considerados a fonte mais importante do moderno biocentrismo ou hélice holística. The enslavement of the Earth (“A escravização da Terra”) é um dos seus mais cotados. “Somos apenas companheiros de viagem das outras criaturas na odisseia da evolução”. “O papel do Homo sapiens deve mudar de conquistador para simples membro e cidadão da comunidade Terra. Isto implica respeito pelos seres que nos acompanham e pela comunidade como tal”. Frases do autor onde transparece a sua perspetiva biocêntrica. (1)

1961 Canadá Surge a Fundação Mundial para a Vida Selvagem (World Wild Foundation-WWF). (1)

1962 Estados Unidos Rachel Carson escreve o livro “A primavera Silenciosa”, um clássico do ambientalismo, um alerta para a perda da qualidade de vida. (1)

1965 Grã-Bretanha É utilizada pela 1ª vez a expressão “Educação Ambiental” na Universidade de Keele, Staifordshire. Até então era

perspetivada segundo a ótica da conservação, e a disciplina veiculadora era a Biologia. (1)

Albert Schweitzer é galardoado com o prémio Nobel da Paz. Torna popular o conceito de ética ambiental. (1) 1966 A ONU estabeleceu o Pacto Internacional sobre os Direitos Humanos. (1)

1968 Paris Fundação do Clube de Roma. Conferência da Biosfera - Discussão da Humanidade de distintos setores, desde cientistas, industriais e economistas, perante a situação ambiental. O grupo iniciou um projeto denominado Projeto sobre a condição humana. A EA começa a ser uma temática de aprendizagem escolar. (1)

Inglaterra Fundou-se o Council for Environmental Education (Conselho para a Educação Ambiental) - Promover, desenvolver e rever a teoria e a prática da educação ambiental. (1)

Suécia Início da revisão dos programas de estudos, métodos e materiais educativos. As normativas educativas apontam para que a EA deva ser considerada como uma “dimensão” e não como uma nova disciplina a acrescentar no currículo. (1)

Genebra A UNESCO encarregou a Oficina Internacional de Educação de efetuar um levantamento, em 79 países, sobre a situação da inclusão ou não do estudo do ambiente nos programas escolares. O objetivo era preparar uma campanha escolar de educação ambiental alargada a partir do conhecimento concreto da realidade da situação. 1969 Inglaterra Fundada a Society of Environmental Education (Sociedade de Educação Ambiental). (1)

Estados Unidos da América

Publicado o 1.º volume do Journal of Environmental Education (Revista de Educação Ambiental). (1)

A ONU e a União Nacional para a Preservação da Natureza (UNON) definiram o termo preservação como o uso racional do meio ambiente a fim de alcançar a mais elevada qualidade de vida para a Humanidade. (1)

1970 Estados Unidos Conferência de Nevada, promovida pela UICN

Define-se o conceito de EA. Foram o primeiro país a aprovar a lei sobre educação ambiental. (1)

Portugal Criada a Lei Básica para a criação de Parques Nacionais e outros tipos de reservas. O objetivo era defender e proteger as áreas naturais.Criado o Parque Nacional da Peneda – Gerês (2)

Grã - Bretanha Iniciou-se a publicação da revista inglesa Ecologist. Meio poderoso de desenvolvimento de ideias na área ambiental. (1)

Publicado o manual didático “A place to live” (Um lugar para viver) (1)

1971 Paris Reunião do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Sobre o Homem a Biosfera, UNESCO

Portugal Criada a Comissão Nacional do Ambiente CNA. Cria campanhas de EA (2)

1971 Grã - Bretanha É publicado o “Bulletin of Environmental Education”. Forma e informa os responsáveis pela gestão ambiental (1)

Portugal Criada a Secretaria de Estado do Ambiente (2)

1972 Estocolmo Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano e Desenvolvimento – 1ª reunião internacional em que se recomendaram medidas relativas à EA (Princípio 19º., Declaração do Ambiente). Criação do Programa de Ambiente das Nações Unidas (UNEP) (1)

1974 ONU Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) (1)

Portugal Cria-se a disciplina de Estudos Sociais. 1975 Belgrado,

Jugoslávia

Seminário de Belgrado, UNESCO. Publica-se a Carta de Belgrado: Um Programa Global para a EA. Estabelecimento de importantes metodologias para a implementação da EA como intercâmbio de informação e

as recomendações para implementar e desenvolver a EA a nível mundial, nos organismos de educação formal e não – formal, tendo em conta seis dimensões: Consciencialização, Conhecimento, Atitudes, Competências, Avaliação e Participação. (UNESCO 1980) (1) (2)

1980 O historiador americano Lynn White Jr. propôs ao Papa, e este deu o parecer favorável, que S. Francisco de Assis fosse considerado o padroeiro da Ecologia. (1)

A UICN trouxe a público The World Conservation Strategy (Estratégia Mundial para a Conservação), onde a par do levantamento dos principais problemas ambientais, se aponta para a EA como indispensáveis para a mudança de comportamentos da Humanidade para com a natureza, de acordo com uma nova ética relativamente às plantas, aos animais e à própria Humanidade (2)

1981 Lançamento do 1º. número da revista inglesa de EA Environmentalist, destinada aos profissionais de educação ambiental. Aurelio Peccei, presidente do Clube de Roma, publica 100 pages pour I' avenir (Cem páginas para o futuro). Incide na perspetiva catastrófica do futuro da Humanidade, apontando como razão fundamental a utilização desmesurada dos recursos naturais do Planeta. (1)

1985 Centenário/aniversário PIEA da UNESCO-PNUA. Da avaliação dos 10 anos deste Programa Internacional de Educação Ambiental ressalta o facto de mais de quarenta países terem introduzido a EA nos seus planos de educação, de legislação e políticos. (1)

1987

Noruega Divulgado o Relatório da Comissão de Brundtland ou Comissão Mundial do Ambiente e do Desenvolvimento, sob a presidência da Primeira-Ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland. O relatório “Our common future” (O nosso futuro) fora encomendado em outubro de 1984 pela ONU e é também conhecido como Relatório de Brundtland. Nele encontram-se reforçadas e ampliadas as ideias fundamentais de “A estratégia para a conservação do mundo”. Desenvolve-se em torno de duas questões essenciais: (a) Quais as problemáticas ambientais que mais afetam o mundo;

(b) Quais as soluções que se podem encontrar para diminuir o impacte negativo da degradação ambiental. Em resposta à primeira questão, são considerados como problemas essenciais: (a) O aumento demográfico; (b) A alimentação; (c) O desaparecimento de espécies e ecossistemas; (d) As consequências do desenvolvimento energético; (e) As indústrias e consequente contaminação ambiental; (f) O crescimento urbano acompanhado de fenómenos de miséria e pobreza.

Em resposta à segunda questão, ressaltam essencialmente duas considerações: As soluções não podem confinar-se à passividade de atitudes conservacionistas e protecionistas do ambiente, antes pelo contrário, têm de passar por uma participação coletivas e têm de passar por uma forma diferente de se entender o desenvolvimento - "desenvolvimento sustentado".

A ideia de desenvolvimento sustentado requer uma reorganização da economia mundial baseada na ideia de solidariedade entre países. Foi considerado um dos documentos mais importantes da década. (1)

Moscovo Em agosto, sob o patrocínio da UNESCO-PNUMA a Conferência Internacional em Formação e Educação Ambiental, a Conferência de Moscovo, também conhecido por Tbilissi Plus Ten (Dez anos após Tbilisi). Balanço dos dez anos sequentes à Conferência de Tbilissi. Reforçou-se a importância vital da educação ambiental e estabeleceram-se estratégias de ação para a década de 90: informação, investigação e experimentação de conteúdos e métodos, formação do pessoal, encarregado da educação nos diversos âmbitos, cooperação regional e internacional. Insistiu-se na necessidade de operacionalizar melhor as propostas de Tbilisi, seguindo as orientações aí definidas mas adaptando-as aos novos problemas. (2)

1988 Resolução do Conselho da Comunidade Europeia sobre Educação Ambiental (1)

1990 Portugal Fundada a Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), em junho. Tem como principal objetivo o desenvolvimento da educação ambiental a nível formal e não formal. É uma Organização Não governamental de Ambiente (ONGA) sem fins lucrativos. (2)

1992 Rio de Janeiro Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, com a participação de 120 Chefes de Estado e de Governo e representantes de 160 países. Foi chamada a Cimeira da Terra, e ECO-92. Paralelamente, realizou- se o Fórum Global, também designado por Cimeira Paralela. A Conferência do Rio confirmou as premissas de Tbilissi e definiu, através da Agenda 21 (documento central dos acordos do Rio), na secção IV, capítulo 4, as áreas de programas para a educação ambiental. (1) (2)

Toronto, Canadá

Congresso Mundial de Educação e Comunicação sobre Ambiente e Desenvolvimento. O PNUMA publica o relatório lhe World EnvironmentaI 1972-1992. Ao longo das suas 850 páginas, é feito uma análise dos principais problemas ambientais e um exame do que se tem feito nos últimos 20 ano

1997 Grécia Quioto (Japão)

Conferência de Tessalónica – Resultou na Declaração de Tessalónica na qual se defende que a Educação é um meio indispensável para que o ser humano se torne responsável, com capacidade de tomar decisões; A EA é reconhecida como uma educação para a sustentabilidade; Defende ainda para uma responsabilidade de toda a sociedade na reorientação educativa e não apenas por alguns grupos. (2)

Protocolo de Quioto – Discutido, negociado e aberto para assinaturas em 11 de dezembro em Quioto. Ratificado em Março de 1999, tendo em vista a redução de emissão de gases por ação antropogénica e que agravam o efeito de estufa, levando a um aumento do aquecimento global do planeta. (1)

1998 Portugal Conferência Europeia de Educação Ambiental – defende-se a urgência de uma avaliação concebida, participada e formativa por/para todos, tendo presente o indivíduo, o processo educativo e o ganho para a sociedade. (2) 2000 S. Tiago de

Compostela (Espanha)

Reunião Internacional de Especialistas em Educação Ambiental (em S. Tiago de Compostela). Reunião conjunta da UNESCO e Xunta de Galicia – documento destinado a enfrentar com êxito os desafios ambientais do novo milénio. (3)

2002 Joanesburgo (África do Sul)

Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável – Definidos três pilares: desenvolvimento social, crescimento económico e proteção ambiental (3)

2002 Haia Convenção sobre a diversidade biológica . Desertificação – VI Reunião da Conferência das Partes da Convenção

Educação Ambiental

2005 Quioto (Japão) Protocolo de Quioto – Assinado por 115 países (exceção dos EUA), incluindo a Rússia, que o ratificou em Novembro de 2004, tendo entrado em vigor a 16 de fevereiro de 2005.

2005 - 2014

Decénio das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável – consagra e reforça o desenvolvimento sustentável e o papel da Educação como meio de um programa político, globalizado e globalizante.

2007 Ilha de Bali – Indonésia

Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática em dezembro de 2007- Discussão sobre as bases das negociações, a serem desenvolvidas entre 2008/09, para o estabelecimento de um novo acordo que substitua o Protocolo de Quioto.

2009 Copenhaga Cimeira de Copenhaga – dezembro de 2009. Após 13 dias de negociações a cimeira terminou com um acordo voluntário e não vinculativo subscrito por algumas nações, ao invés de um novo tratado contra o aquecimento global e adotado por todos os países da ONU.

Quadro 1.1. Principais Etapas e Marcos da EA (1) Cardoso (2008); (2) Teixeira (2003); (3) Pereira (2009)