• Nenhum resultado encontrado

4. DIRETRIZES PROJETUAIS

4.1. MARECHAL CÂNDIDO RONDON E SUA IDENTIDADE LOCAL

Figura 08: Mapa de localização de Marechal Cândido Rondon

FONTE: Secretaria de Educação – Paraná

Localizada no oeste do estado do Paraná, a cidade de Marechal Cândido Rondon possui aproximadamente 51.000 habitantes e está inserida na Microrregião de Toledo. Suas primeiras terras foram ocupadas em meados dos anos cinqüenta pela empresa Industrial Madeireira Rio Paraná S/A. No ano de 1953, a Vila General Rondon tornou-se distrito do município de Toledo e, após sete anos, tornou-se um município, quando então o governador Moisés Lupion sancionou a Lei Municipal nº

3.466 e a nova cidade recebeu o nome de Marechal Cândido Rondon (ECOVIAGEM, 20111).

Marechal Cândido Rondon possui em suas edificações um grande predomínio dos destaques encontrados nas construções alemãs, porém, a característica que maior evidencia esta influência é o uso do enxaimel alemão.

Esses feitios culturais que enaltecem a cidade são os principais pontos que a tornam uma cidade turística, proporcionando à população rondonense e aos visitantes um abrangente número de pontos turísticos e festas populares alemãs (SITE EXPORONDON2).

Nos dias atuais, esse estilo predominante no município de Marechal Cândido Rondon vem sendo menos utilizado devido à criação da Lei de Incentivos Fiscais.

Esses ornamentos vêm comprometendo a paisagem arquitetônica local, que observada de um âmbito mais técnico, vêm sendo atribuída a um status de cenografia fachadista, já que grande parte de seus usos são feitos apenas para a estética, sem a utilização técnica construtiva real do enxaimel alemão.

Em Marechal Cândido Rondon, ela pode ser notada no Portal de acesso ao município e no Centro de Eventos Werner Wanderer. Ambas as edificações possuem características do estilo enxaimel, mas que são meramente facadistas.

(GUTTES E VALQUES, 2003).

Figura 09: Imagens Centro de Eventos, Lago Municipal e portal de Marechal Cândido Rondon.

FONTE: (Copa 2014, Governo do Paraná).

1Disponível em: http://ecoviagem.uol.com.br/brasil/parana/marechal-candido-rondon/. Acesso em 26 ago. 2014.

2Disponível em: http://exporondonmcr.com.br/aspectos_gerais.html. Acesso em 26 ago. 2014.

35 4.2. LOCALIZAÇÃO DO TERRENO

O terreno em que o novo Fórum Judicial de Marechal Cândido Rondon – Paraná será implantado, fica na área central da cidade, um local privilegiado e de fácil acesso à maioria da população, situado entre as ruas Sergipe e Dom João XI.

Sua área total é de 3,400m², possuindo dimensões de testada 60 e 60 metros.

Destes, 60 metros na direção norte e 60 metros na direção oeste. De acordo com as imagens 09 e 10, abaixo, pode-se conferir qual a sua localização e quais são as ruas em que o fórum será edificado:

Figura 10: Localização do terreno no centro de Marechal Cândido Rondon.

FONTE: (AUTOR, 2014).

Figura 11: Localização do terreno em sua quadra.

FONTE: (AUTOR, 2014).

Figura 12: Entorno do terreno.

FONTE: (AUTOR, 2014).

A descrição das obras localizadas no entorno do terreno foram primordiais para a definição do projeto, suprindo as necessidades de relação entre o terreno e o

37 seu entorno. Em sua grande maioria, são provindas de edificações residenciais e comerciais, que não agregam valor marcante arquitetônico para com o entorno.

Figura 13: Entorno do terreno.

FONTE: (AUTOR, 2014)

Figura 14: Frente norte do terreno.

FONTE: (AUTOR, 2014).

O terreno possui uma característica marcante pouco encontrada na cidade em que ele está inserido, tendo uma topografia na sua região central, permitindo criar elementos diferenciados, proporcionando novas sensações ao entorno do terreno.

Figura 15: Frente oeste do terreno.

FONTE: (AUTOR, 2014).

4.3. ZONEAMENTO

De acordo com dados da Prefeitura Municipal de Marechal Cândido Rondon, a zona marcante onde o Fórum será inserido foi correspondente com as seguintes informações:

- Sua taxa de ocupação máxima é de 90% e a taxa de permeabilidade mínima é de 10%;

- A utilização do terreno em destaque é aberta a novas edificações ou ampliações/reformas;

- Os recuos são optativos, podendo ser construído em todo o alargamento do terreno;

39 4.4. CONCEITO PARA A NOVA CONSTRUÇÃO

Para a realização do novo Fórum Judicial de Marechal Cândido Rondon, partiu-se do conceito de transformá-lo em um catalisador social, ou seja, torná-lo um dinamizador, oferecendo uma melhor qualidade de atendimento aos seus usuários.

Além disso, a sua estética e seus aspectos funcionais e estruturais tenderam a apresentar novas possibilidades para a cidade. O estilo moderno foi empregado na execução do projeto e na escolha de materiais, almejando assim proporcionar uma nova visão para a paisagem urbana local. Ainda, o uso correto do conforto ambiental e a implantação da acessibilidade adequada foram tópicos abordados na execução do projeto.

4.5. VIABILIDADE

A principal preocupação na implantação do novo Fórum de Marechal Cândido Rondon é que tal edificação torna-se viável através da utilização de elementos construtivos eficientes, priorizando as características estruturais. Além disso, houve um foco na implantação do paisagismo integrando-se com a edificação.

4.6. SETORIZAÇÃO

A setorização foi desenvolvida a partir de aspectos esquemáticos, possibilitando uma sequência ordenada de todos os ambientes, subdividindo estações de trabalho, circulação, serviço, administração, ambientes sociais e espaços internos. O seu desenvolvimento foi apresentado de forma a inter-relacionar os ambientes que possuem a mesma finalidade, focando na funcionalidade, fluxo de integração dos ambientes, priorizando a melhor forma de distribuí-los a partir da composição formal da edificação.

4.7. PROGRAMA DE NECESSIDADES

O mínimo programa se arranja em espaços pouco compartimentados, hierarquizados ao ambiente destinado ao público, com a funcionalidade e acessibilidade na elaboração do projeto.

 Áreas de atendimento ao público;

 Arquivo;

 Almoxarifado;

 Sanitários para o público (masculino e feminino);

 Sanitários para portadores de deficiência locomotora;

 Copa;

 Depósito;

 Sanitários de funcionários;

 Sala de audiência, sala do juiz e do promotor;

 Sanitários privativos;

 Aposentos para o juiz residente;

 Circulações horizontais e verticais;

41

Para o primeiro pavimento, a área aproximada destinada aos ambientes:

 Atendimento 25m²;

5. O FÓRUM ATUAL

A elaboração de um projeto para um novo Fórum Judicial Estadual tem como objetivos gerais atender as necessidades da ordem judicial.

A cidade já conta com um Fórum, porém o mesmo encontra-se com uma estrutura antiga e debilitada.

O órgão estadual atende como comarca de algumas cidades, motivo pelo qual há necessidade de urgente ampliação em sua estrutura e, por conseguinte, que esta estrutura seja funcional aos seus usuários, observando os conceitos do contexto urbano.

Figura 16: Fórum atual de Marechal Cândido Rondon.

FONTE (AUTOR, 2014)

É necessário ter um local apropriado para averiguações e dissolução de certos conflitos, local este que seja oficialmente destinado a ouvir e atender as petições, postulações, provas dos fatos alegados e decidir o direito aplicável à relação litigiosa.

43 5.1. NOVA PROPOSTA

Marechal Cândido Rondon, é o município onde será proposto o projeto, sendo uma comarca em sua região. O projeto a ser criado buscará atender a comunidade abrangente regional e local, tendo assim, uma identificação para com a comunidade, tanto no aspecto estético, como no funcional, suprindo as necessidades existentes.

O edifício é determinado tecnicamente a partir da utilização de recursos arquitetônicos simples. O fórum responde à integração de diversos fatores, entre os quais se destacam as necessidades programáticas de um edifício judicial, a vontade de adaptação ao local e, acima de tudo, a aposta em um tipo de arquitetura que, tanto esteticamente quanto espacialmente, cumpra com o ideal dos colaboradores do fórum.

Figura 17: Perspectiva fachadas norte e oeste.

FONTE: (AUTOR, 2014)

A porta principal de acesso, localizada no eixo de simetria da fachada no lado norte, foi deslocada para o vão (entre pilares) adjacente, mais afastado da esquina. Criou-se, assim, um novo eixo, divisor de dois “pesos visuais”, com intuito de estabelecer uma espécie de equilíbrio dinâmico do volume prismático do edifício,

em oposição às tensões visuais provocadas pelas sensações de austereza impostas pela simetria.

Para maximizar os espaços e atender as leis de zoneamento, a configuração da planta seguiu o formato do terreno. Os ângulos agudos na forma em

“L” foram adotados como um motivo de desenho do projeto. Utilizou-se fachadas em vidro, exclusivamente para polarizar leveza no edifício.

Figura 18: Perspectiva fachada oeste.

FONTE: (AUTOR, 2014)

A estrutura do edifício é composta por empenas de concreto que, além de se exporem do lado externo, servem de apoio para as lajes protendidas que tornam possível a ausência de pilares em diversos ambientes internos. A fachada norte é composta por um pilar de contraventamento, onde se apoiam as lajes de cada pavimento. A sua cobertura é em concreto, que também conjuga a estrutura de suporte, estrutura espacial e a expressão formal do edifício.

45 6. CONSIDERAÇOES FINAIS

Um Fórum Judicial está presente em grande parte das cidades do Brasil, possuindo funções tanto específicas quanto sociais, traduzindo-se na forma de proporcionar a justiça na execução das leis impostas aos indivíduos. Essa edificação pode influenciar no desenvolvimento da cidade, proporcionando uma interação entre os usuários e modificando a paisagem urbana, transformando-a em um atrativo local.

Utilizando como base o referencial teórico e o programa de necessidades desejado, foi feita uma análise em obras correlatas de alguns edifícios públicos que deram certo, no âmbito da justiça, e que foram utilizados como colaboração para a intenção formal e espacial, onde diagnósticos sobre contexto, setorização, funcionalidade, materiais construtivos e aspectos formais e ambientais foram estudados.

A Criação de um projeto de arquitetura bem elaborado se relaciona com o contexto urbano no qual será inserido, ou seja, ele interfere na paisagem, na visão da população e, principalmente, além da apropriação, no sentimento que os usuários do espaço arquitetônico proposto têm em relação a ele, quando inseridos no mesmo.

A criação de um anteprojeto para o prédio do Fórum da Justiça Estadual para Cidade de Marechal Cândido Rondon PR, buscou materializar os conceitos de funcionalidade, eficiência e estética, entre outros, a fim de que a edificação proporcione conforto e bem-estar a todos os seus usuários, designando um espaço favorável e materializando o produto ofertado.

REFERÊNCIAS

ABNT NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, 2ª Ed. 2004. SILVA, F. A. G. Conforto ambiental;

iluminação de interiores. João Pessoa: A União, 1992.

ALBERNAZ, Maria Paula. Dicionário ilustrado de Arquitetura. São Paulo: Pro editores, 2003.

ANTA BORGES, Manuel. [ET AL.] Curso sobre Edifícios Inteligentes. Serviço de Publicações do Colégio Oficial de Arquitetos de Madri. Madri, 1989.

ARGAN, Giulio Carlo, A Arte Moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo, 1998.

BEASCOA, Felix Solaguren, Arne Jacobsen Edifícios Públicos, Gustavo Gili, 2005.

BRASIL, Supremo Tribunal Federal, disponível em http://www. stf.jus.br/portal/, Acesso em 25 nov. 2014.

BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil 1988. Brasília: Senado Federal, 2014.

CARVALHO, Benjamin, A História da Arquitetura, Ediouro, 2000.

CARVALHO, Régio Paniago. Acústica Arquitetônica. Thesaurus, 2010.

CASTRO, Jorge Azevedo de. Invento & inovação tecnológica; produtos e patentes na construção / Jorge Azevedo de Castro – São Paulo; Annablume, 1999.

CASTRO NETO, Jayme Spinola, Edifícios de alta tecnologia. Carthago & Forte, São Paulo, 1994.

CECKA, Jan. Tendência de La arquitectura contemporânea. Barcelona: Gustavo Gili, 1999.

CHING, Francis D.K., Arquitetura: forma, espaço e ordem, / Francis D.k. Ching – 2 ed., São Paulo: Martins Fontes, 2008.

CHING, Roger H. e Pause, Michael – Anlysis of Precedent: na Investigation of Elements, Relationships, and Ordering Ideas In the Work Of Eight Architects, North Carolina State University, Raleigh, 1979.

CORDIDO, Maria T. R. L. B. Arquitetura forense do Estado de São Paulo – produção moderna, antecedentes e significados. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, São Carlos. 2007.

CULLEN, G. Paisagem urbana. São Paulo: Martins Fontes,1983.

47

DIAS, Caio Smolarek; FEIBER, Fulvio Natercio; MUKAI, Hitomi; DIAS, Solange Irene Smolarek. Cascavel: Um espaço no tempo. A história do planejamento urbano.

Cascavel Sintagma editores, 2005.

DIAS, Solange Irene Smolarek, História da arquitetura e urbanismo contemporâneos: ensaios acadêmicos do CAUFAG 2008 / Organização: Solange Irene Smolarek Dias, Jose Aloisio Meulam Filho. 1.ed..- Cascavel: Smolarek Arquitetura, 2008.

DIAS, Solange Irene Smolarek, História da Arquitetura e Urbanismo: da Antiguidade ao Renascimento. Cascavel: CAUFAG, 2009.

DUCCI, María Elena, Introduccion al Urbanismo: conceptos básicos. Mexico:

Trillas, 1989.

FROTA A.B. e SCHIFFER. S.R. Manual do Conforto Térmico. Editora Studio Nobel, São Paulo, 2003.

GLANCEY, Jonathan. História da Arquitetura. Loyola, São Paulo, 1998.

GOMBRICH, Ernest. A História da Arte. Trad. Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 1999. SUASSUNA, Ariano. Recife: Universitária, 1979.

HALL, Edward T. The Hidden Dimension. Garden City, Nova York, Doubleday &

Company, Inc, 1996.

HOPKINSON, Longmore, Peterbridge. Iluminação natural. Fund. Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1969.

KOHLSDORF, Maria Elaine. Breve histórico do espaço urbano como campo disciplinar. In: GONZALES, Sueli et al. O espaço da cidade – contribuição à análise urbana. São Paulo: Projeto, 1985.

LANDERO, Maria Antonia. “Com devir abracadabra – La informática aplicada AL desarrollo de los Edifícios Inteligentes”. Revista MOPU. Vol. 362. Madri, 1989.

LERNER, Jaime. Acupuntura urbana. RECORD, Rio de Janeiro – RJ, 2003.

LIMA, Mariana Regina Coimbra de. Percepção Visual Aplicada a Arquitetura e Iluminação, Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2010.

LITTLEFIELD, David, Manual do arquiteto; Planejamento, Dimensionamento e Projeto. Bookman, 2011.

LYNCH, K. A Imagem da Cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1982.

MALARD, Maria L. As aparências em arquitetura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

MASCARO, Lucia. Tecnologia & Arquitetura. Nobel, São Paulo, 1989.

MAURO, Ivan, Marketing Editorial. “Tecnologia”. Suplemento especial da Revista VEJA. São Paulo, 1989.

PATTERSON, C. A importância da arquitetura judiciária na efetividade da Justiça. In: Anais do 4º Congresso Brasileiro de Administração da Justiça, 2004, Brasília. Brasília: Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal, 2004.

PFEIL, Walter, Estruturas de aço; dimensionamento prático / Walter Pfeil, Michele Pfeil. -8.ed.-[Reimpr.].- Rio de Janeiro; LTC, 2012.

REBELLO, Yopannan Conrado Pereira, 1949 – Bases para projeto estrutural na arquitetura / Yopanan Conrado Pereira Rebello.- São Paulo: Zigurate Editora, 2007.

SCHIMID, Aloisio Leioni, A idéia de conforto: reflexões sobre o ambiente construído. Curitiba: Pacto Ambiental, 2005.

SOUZA, Josiane, Construção passo-passo / organização da Editora. – São Paulo:

Pini, 2009.

STIERLIN, Henry, gen. ed. Living Architecture. Nova Yorki, Grosset & Dunlap, 1966.

STROETER, J. R. Arquitetura e teorias. São Paulo: Nobel, 1986.

UNWIN, Simon. A análise da arquitetura / Simon Unwin; 3.ed. – Porto Alegre:

Bookman, 2013.

VON MEISS, Pierre. Elements of Architecture. Nova York, Van Nostrand Reinhold Co,. 1990.

49

APÊNDICES

Documentos relacionados