2.5 Métodos de Análise e Solução de Problemas
2.5.3 MASP
Para Campos (2014), o Método de Análise e Solução de Problemas (MASP) é
um método prescritivo, racional, estruturado e sistemático para o desenvolvimento de um
processo de melhoria no âmbito organizacional. Ajuda a promover a solução de problemas
e o alcance de resultados otimizados, por meio do controle da qualidade, tendo como
base o ciclo PDCA. Campos foi o responsável por introduzir o método de origem japonesa
QC-Story no Brasil, chamando-o de MSP, porém, foi popularizado como MASP.
Campos (2014) esclarece que o MASP é composto por oito etapas que estão
relacionados às fases do ciclo PDCA, como apresentado na Figura 11:
Figura 11 – MASP ou ciclo PDCA para melhorias.
Fonte: Campos (2014)
Conforme mostra a Figura 11, mais de uma das oito etapas podem se relacionar a
apenas uma fase do ciclo PDCA. Segundo Targueta (2013), há variações das sequências
de atividades que são desenvolvidas durante a aplicação do MASP.
Targueta (2013) ainda apresenta, no Quadro 4, um comparativo entre as sequências
do MASP definidas pelo Instituto Juran, Histoshi Kume e Campos. Para este trabalho, será
considerada a Sequência de Campos, pois, segundo Oribe (2008) é a versão mais utilizada
no país, como pode ser constatado nos Congressos regionais e nacionais de Círculos de
Controle da Qualidade – CCQs – da União Brasileira da Qualidade – UBQ.
Quadro 4 – Sequência de atividades do MASP segundo autores diversos.
Fonte: Targueta (2013)
desenvol-vimento de um processo de melhoria em âmbito organizacional, visando a solução de
problemas desde a sua causa raiz de modo a evitar a sua reincidência.
Para facilitar a compreensão da proposta de Campos (2014) do MASP, as etapas do
método serão descritas de forma mais detalhada a seguir.
Etapa 1 - Identificação do problema: essa etapa é direcionada para identificação
do problema a ser resolvido. Deve-se reconhecer a importância do problema, utilizando
os dados históricos disponíveis que comprovam sua existência. Com isso feito, deve-se
analisar o problema utilizando o gráfico de Pareto, designar as pessoas responsáveis e
definir prazos para que o problema seja solucionado.
Etapa 2 - Observação do problema: a etapa dois compreende os passos para
que sejam descobertas as características do problema. Para isso, a coleta de dados ou
observação direta no local da ocorrência deve ser executada utilizando folhas de verificação
e gráficos de Pareto. Quando concluída a observação do problema, deve-se construir
cronogramas, orçamento e metas.
Etapa 3 - Análise do problema: é nessa etapa que se procura o que está ocasionando
o problema. Campos (2014) orienta que se deve descobrir as causas fazendo uso da
ferramenta da qualidade diagrama de causa-efeito. Escolhe-se algumas possíveis causas
e faz-se a análise de cada uma delas. Algumas ferramentas podem ser úteis para essa
análise como o gráfico de Pareto, o diagrama de relações e de dispersão e histogramas.
O autor ainda recomenda que seja realizado o teste de hipóteses mais prováveis
para que seja certificado que as causas estudadas realmente sejam as fundamentais, pois,
se não forem confirmadas como tais, o processo de análise deverá ser refeito buscando-se
novas causas.
Etapa 4 - Plano de Ação: a etapa quatro compreende as atividades para elaboração
da estratégia e plano de ação. Campos (2014) sugere que é preciso certificar-se que as
ações do plano serão aplicadas realmente sobre as causas e não sobre os efeitos e que se
houver efeitos colaterais, que sejam contornáveis. As ações propostas terão um custo que
deve ser verificado juntamente à sua eficácia.
O autor ainda ressalta que a definição do que será feito (what), quando será feito
(when), por quem será feito (who), onde será feito(where), por que será feito(why) e como
será feito (how),deve estar presente no plano de ação (apesar desta citação de Campos
falar em 5W1H, neste trabalho será adotada a definição dos 5W2H).
Etapa 5 - Ação: é nesta etapa que são executadas as ações definidas no plano de
ação. Campos (2014) afirma que o plano de ação deverá ser divulgado a todos por meio
de reuniões participativas e treinamentos. Quando iniciada a sua implementação, deve-se
registrar cuidadosamente os resultados das suas atividades.
Etapa 6 – Verificação: após o plano ter sido colocado em prática, é necessária uma
avaliação para averiguar se ele obteve os resultados desejados. Para isso, é feita uma nova
análise comparando-se os resultados com os objetivos definidos antes das ações, utilizando
as mesmas ferramentas de análise usadas anteriormente.
Além disso, deve-se registrar os efeitos indesejados e verificar se as ações foram
executadas conforme o planejado. Quando o plano de ação não obtém os resultados
desejados, volta-se à etapa de observação e então reinicia-se o processo.
Etapa 7 - Padronização: a etapa número sete é alcançada quando o plano de ação
funciona levando o novo procedimento operacional a ser padronizado. Para tanto, pode-se
rever o 5W1H feito anteriormente e definir como as ações do plano podem se incorporar ao
cotidiano operacional da empresa.
A comunicação dos novos padrões deve ser efetuada, além da educação e
trei-namento para seu uso. A verificação da utilização dos novos padrões também deve ser
verificada constantemente.
Etapa 8 – Conclusão: na oitava e última etapa, uma vez padronizadas as ações,
deve-se proceder à relação dos problemas ainda não solucionados e dar início ao processo
novamente, mas, desta vez, trabalha-se na solução de um novo problema. É importante
fazer uma reflexão sobre o método para que a sua utilização seja cada vez mais consciente
para todos os envolvidos.
A escolha do MASP neste estudo justifica-se pelas vantagens explicadas por Oribe
(2014), começando pela capacidade que tem de ser adotado por meio de cursos de curta
duração, o que o torna compatível aos procedimentos adotados nesta pesquisa. Além disso,
é um método consolidado no país com aplicabilidade em diversas áreas e muito abrangente,
não havendo restrições ao utilizá-lo na solução de problemas de TI.
Trata-se também de um recurso mais barato, considerando outros métodos e com
altos ganhos, como mencionado anteriormente por diversos autores de conhecimento
notório. Finalmente, Oribe (2014) destaca que as vantagens do MASP em relação a outros
métodos de solução de problemas como Kepner Tregoe, Teoria das Restrições e o 8D foram
comprovadas por diversos estudos acadêmicos.
No documento
JOSÉ JHONNATAS AIRES DA SILVA ALENCAR
(páginas 43-46)