4.3 PRODUTIVIDADE E COMPONENTES DO RENDIMENTO DO
4.3.2 Matéria seca do feijoeiro
A análise da variância da MS do feijoeiro indicou diferença significativa e interação dupla entre dias após a semeadura (DAS) e tempo de adubação de N (P=0,0000), entre dias após a semeadura (DAS) e altura de pasto (P=0,0430), entre tempo de adubação de N e doses de N (P=0,0093), além de efeito isolado de todos os fatores avaliados (Anova - Anexo 24).
Ao avaliar os DAS e o tempo de adubação de N, evidencia-se que o acúmulo de MS do feijoeiro foi maior no tratamento N-Fert. Pastagem em praticamente todo o período de avalição, exceto aos 35 e 74 DAS, momento em que o tratamento N-Fert. Grãos não diferiu significativamente (Figura 36).
O maior acúmulo de MS do feijoeiro nos tratamentos N-Fert. Pastagem corroboram a maior produtividade e índice nutricional nitrogenado (INN) neste tratamento. Este é mais um importante parâmetro de planta que confirma que a adubação nitrogenada da pastagem apresenta efeito residual, podendo o N passar de uma fase do sistema para a outra promovendo aporte de biomassa no feijoeiro com resultado direto sobre a fotossíntese, potencializando a produção de MS e grãos. Cabe destacar que neste tratamento houve maior produção de MS residual da pastagem (2.315 kg ha-1) e de melhor qualidade (BARRIGA, 2019), promovendo incremento no teor de N mineral no solo pela mineralização dos resíduos,
corroborando à ciclagem de N no sistema.
A queda no teor de MS acumulada do feijoeiro ao final do ciclo de cultivo se deve ao fato que há perdas de folhas pelo processo de senescência natural da planta, todavia, evidencia-se que este processo inicia antes no tratamento N-Fert. Grãos, o que permite afirmar que a maior disponibilidade de N mineral no solo e o maior INN das plantas permitem manter o aparato fotossintético por mais tempo e com isso acumular MS, corroborando ao enchimento de grãos e produtividade da cultura.
A Figura 36 apresenta o acúmulo de MS do feijoeiro em função dos DAS e altura de pasto. Evidencia-se que o acúmulo de MS do feijoeiro foi semelhante entre a alta e a baixa altura de pasto, exceto aos 93 e 103 DAS, quando o tratamento alta altura resultou em maior acúmulo de MS. Este resultado pode estar atrelado ao fato que a pastagem manejada em alta altura produziu maior quantidade de MS residual, 3.239 kg ha-1 (BARRIGA, 2019), que pode ter promovido efeito sobre a mineralização do N, disponibilizando-o ao feijoeiro de acordo à cinética de absorção pelas plantas, o que resultou em melhor estado nutricional nitrogenado, corroborando à maior produtividade da cultura.
Figura 36 - Matéria seca do feijoeiro, cv. IPR Tuiuiu, na safra 2016/2017 em função dos dias
após a semeadura e tempo de adubação de N. Matéria seca do feijoeiro, cv. IPR Tuiuiu, na safra 2016/2017 em função dos dias após a semeadura e altura de pasto. Abelardo Luz, SC. UTFPR, Câmpus Pato Branco, 2019.
A Figura 36 apresenta, também, o acúmulo da MS do feijoeiro em função do tempo de adubação de N e altura de pasto. Evidencia-se que no tratamento N-Fert.
Pastagem há maior produção de MS acumulada do feijoeiro, principalmente no tratamento alta altura, o que pode estar atrelado ao fato que mesmo com menor intensidade de pastejo, e, consequentemente, menor aporte de fezes e urina pelos animais, a pastagem ao receber adubação nitrogenada resultou em plantas melhor nutridas, apesentando, ao final do ciclo de pastejo, teor de N de 3,6% (BARRIGA, 2019), produzindo restos culturais de melhor qualidade, favorecendo a ciclagem do N em velocidade compatível à cinética de absorção pelo feijoeiro, corroborando a melhor nutrição da planta (Figura 28), produção de MS acumulada (Figura 36) e produtividade (Figura 33).
No tratamento N-Fert. Grãos a produção de MS acumulada do feijoeiro foi menor, tanto com o pasto manejado em alta como em baixa altura (Figura 37). Este resultado corrobora a menor produtividade do feijoeiro quando da adubação nitrogenada na cultura de grãos em detrimento à pastagem (Figura 33). Assim, a menor produção de MS acumulada no tratamento N-Fert. Grãos resultou em menor produção de biomassa da parte aérea, com menor aparato fotossintético para a produção de fotoassimilados, e, consequentemente, para manutenção do dossel vegetativo e da produtividade da cultura.
Figura 37 - Matéria seca acumulada do feijoeiro, cv. IPR Tuiuiu, na safra 2016/2017 em função
do tempo de adubação de N e da altura de pasto. Matéria seca acumulada do feijoeiro, cv. IPR Tuiuiu, na safra 2016/2017 em função das doses de N. Abelardo Luz, SC. UTFPR, Câmpus Pato Branco, 2019.
quantidade de resíduos na superfície do solo e de raízes pode promover maior quantidade de nutrientes à serem ciclados entre as fases do sistema, destacando serem os resíduos um relevante meio de transporte de nutrientes da fase pastagem para a fase lavoura. Estas evidências permitem afirmar que quando se procede a adubação nitrogenada da pastagem no inverno, o N passa a ciclar no sistema e com isso ter influência sobre a cultura subsequente, sendo mineralizado em velocidade compatível à cinética de absorção pela planta, permitindo acumular mais MS da parte aérea e realizar fotossíntese, corroborando à produção de fotoassimilados, manutenção da parte aérea e da produtividade do feijoeiro.
As doses de N apresentaram efeito isolado sobre a produção de MS acumulada do feijoeiro (P=0,3091). De forma sucinta, a aplicação de N resultou em incremento na produção de MS acumulada pelo feijoeiro (Anova - Anexo 3).
A produção de MS acumulada do feijoeiro em função das doses de N apresentou tendência semelhante à produtividade, com incremento em função das doses. Na Figura 37 pode-se evidenciar que o menor acúmulo de MS do feijoeiro ocorreu na dose zero kg de N ha-1, não havendo diferença significativa entre as doses 50; 100 e 150 kg de N ha-1.
A aplicação das doses de N ocorreu quando o feijoeiro se encontrava no estádio V3, momento inicial de definição dos componentes do rendimento, sendo que a aplicação de 50 kg de N ha-1 já favoreceu a fisiologia da planta, indicando que em sistemas de ILP, mesmo em baixas doses de N, há maior acúmulo de MS e produtividade do feijoeiro, o que corrobora aos preceitos da adubação de sistemas e a ciclagem do N entre os cultivos.
Não houve diferença significativa entre a produção de MS acumulada do feijoeiro nos tratamentos que receberam adubação nitrogenada, o que corrobora aos resultados evidenciados na produtividade, indicando que as doses de 100 e 150 kg de N ha-1 podem ser exacerbadas quanto a necessidade de N da cultura, e, que, possivelmente, parte do N aplicado não tenha sido absorvido pelo feijoeiro, impactando negativamente sobre o custo de produção e meio ambiente. A adubação nitrogenada do feijoeiro em doses adequadas permite aporte de MS à cultura, corroborando ao processo de fotossíntese e com isso a obtenção de elevadas produtividades, maximizando a rentabilidade do sistema.