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4.6 CRITÉRIOS ADOTADOS PARA APURAÇÃO DO RESULTADO

4.6.1 Elementos do resultado

4.6.1.3 Materiais de Consumo

Na contabilidade pública as despesas são registradas no momento do empenho; no entanto, determinados bens não são consumidos de imediato. Os materiais de consumo adquiridos pela Diretoria de Recursos de Materiais (DRM), por meio do pregão eletrônico, registrados nas despesas correntes no Sistema de Informações da Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI) são, na verdade, armazenados no almoxarifado do RU e

consumidos à medida que são solicitados. Sendo assim, a contabilidade pública deveria tratar não apenas o caso dos materiais do RU, mas todos os bens que não são consumidos de imediato deveriam compor uma conta de ativo, uma vez que é possível verificar a existência de estoque inicial e final. Segundo Moura (2003b, p. 103):

Os bens, que no primeiro momento não são consumidos e estão registrados como conta do ativo circulante, teriam os seus consumos contabilizados como custos pela contabilidade governamental apenas quando da “saída” do estoque, ou seja, quando é verificada a relação causa e efeito, como, também, a conseqüente redução do saldo da conta do ativo circulante. Nesse momento se daria o reconhecimento do custo.

Devido a não disponibilidade da informação do valor do material de consumo nos anos de 2000 a 2006, a apuração de resultado desse período considerou o valor do material de consumo empenhado. Mas, antes, observou-se que o comportamento das variáveis materiais de consumo e quantidade de refeições servidas apresentam correlação positiva de 0,92; sendo assim, acredita-se que esse procedimento não traz prejuízo à análise do resultado (Figura 12).

Fonte: Elaboração da autora, com base em informações do CESPE e RU.

Material de consumo atualizado com base no INPC-IBGE para dezembro de 2006.

Figura 12- Evolução do material de consumo e a quantidade de refeições servidas – 2000 a 2006

Dentro do grupo material de consumo, os custos variáveis diretos (excluída a mão-de- obra direta) se destacam por apresentarem valores elevados e as maiores variações no período.

Observa-se que o item de maior despesa é carnes e peixes, seguido dos gêneros alimentícios e dos hortifrutigranjeiros (ver Figura 13).

Embora as carnes e peixes apresentem preços elevados em relação aos outros itens, a variação, de 2000 comparada com 2006, foi de 119%; já os gêneros alimentícios tiveram variação negativa de 5%. O que chama a atenção é a variação dos hortifrutigranjeiros de 266%, ou seja, em 2000 gastava-se R$ 84.477 mil na compra desse item; em 2006, o custo foi de R$ 308.879 mil. Como conseqüência, a participação das carnes e peixes no custo variável em 2000 era de 49%, em 2006 passou para 57%. Os gêneros alimentícios participavam com 39%, no último ano participaram com 19%, já os hortifrutigranjeiros que participavam com 12% em 2000, passaram para 24% em 2006.

Cabe ainda destacar que, antes de 2003, as carnes eram adquiridas em peças inteiras; mas, por falta de açougueiro, a partir dessa época passaram a ser adquiridos os pedaços já cortados, prontos para o preparo, o que elevou o valor da compra.

Em seguida será descrito, detalhadamente, o comportamento dos custos variáveis no período de 2000 a 2006.

Fonte: Elaboração da autora, com base em informações do CESPE e RU. Valores atualizados com base no INPC-IBGE para dezembro de 2006.

Figura 13- Evolução do custo variável direto – 2000 a 2006

Em 2000, gastava-se R$ 689.381 mil com os custos diretos variáveis (excluída a mão- de-obra). Em 2001, houve redução de 40%. Assim, todos os itens apresentaram redução

(carnes e peixes 40%; gêneros 50%; hortifrutigranjeiros 8%). A participação das carnes e peixes no total gasto permaneceu o mesmo. Contudo, os gêneros alimentícios reduziram 7%, passando para 32%; já os hortifrutigranjeiros tiveram aumento na mesmo proporção, 7%, passando sua participação para 19%.

Em 2002, a elevação das quantidades produzidas de 167% em relação ao ano anterior, fez com que os custos variáveis diretos (excluída a mão-de-obra) elevassem 108%. As carnes e peixes apresentaram variação positiva de 122%, os gêneros de 23%, enquanto os hortifrutigranjeiros aumentaram 218%. A participação das carnes e peixes no total do custo aumentou 3%, passando para 52%, enquanto os gêneros reduziram 13% passando para 19%, já os hortifrutigranjeiros aumentaram de 19% para 29%.

Em 2003, a quantidade produzida aumentou 22% enquanto os gastos com os custos variáveis aumentaram 60% em relação ao ano anterior, as carnes e peixes aumentaram 71%, os hortifrutigranjeiros em 26%, e os gêneros aumentaram 85%. Quanto à participação dos itens no total do custo, as carnes e peixes passaram de 52% para 56%, e os gêneros aumentaram de 19% para 22%; já os hortifrutigranjeiros passaram de 29% para 22%.

Em 2004, os custos baixaram 12%, reflexo da redução da quantidade produzida de 11% a menos que o ano anterior. Mesmo assim, as carnes e peixes tiveram variação positiva de 15%, os gêneros tiveram variação negativa de 54%, e os hortifrutigranjeiros 46% a menos que o ano anterior. Em termos de participação no custo variável as carnes e peixes passaram de 56% para 74%, enquanto os hortifrutigranjeiros passaram de 22% para 12%, e os gêneros reduziram de 22% para 14%.

Em 2005, a quantidade produzida reduziu 13%, devido à greve na Instituição. Em razão disso, os custos diretos reduziram 20%, em relação ao ano anterior. Conseqüentemente, as carnes e peixes reduziram 42%, mas os gêneros tiveram variação positiva de 82% e os hortifrutigranjeiros de 8%. Com isso, a participação das carnes e peixes no total do custo reduziu de 74% para 54%, enquanto os gêneros passaram de 12% para 27%, e os hortifrutigranjeiros, de 14% para 19%.

Em 2006, os custos diretos variáveis aumentaram 37%, uma vez que a quantidade produzida aumentou 64%, em relação ano anterior. As carnes e peixes aumentaram 45%, os gêneros tiveram variação negativa de 1%, já os hortifrutigranjeiros aumentaram 70%. Em relação à participação dos itens no total do custo, as carnes e peixes se sobressaem com 57%, ou seja, mais de 50% dos custos diretos variáveis (excluída a mão-de-obra) são gastos com

carnes e peixes. Em seguida, vêem os hortifrutigranjeiros com 24% e os gêneros alimentícios com 19% de participação.