A regência de classe possibilita ao residente ser “[ ] pesquisador de sua própria prática pedagógica, testando as inovações e sendo um agente de mudança potencial”
2 MATERIAIS DIDÁTICOS: INSTRUMENTOS MEDIA DORES NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
Compreender a importância dos recursos didáticos como instrumentos mediadores nas ações desenvolvidas pelos Residentes no âmbito da RP, enquanto possibilidades para o desenvolvimen- to do educando, demonstra a necessidade de apreensão das bases filosóficas, visto que o desenvolvimento humano está intrinseca- mente ligado aos processos de aprendizagens. Segundo Pariz (2003) a apreensão do conhecimento permite ao sujeito a experiência da transformação, pois ao apreenderem as pessoas se modificam.
Desse modo, a ação educativa, orientada por aspectos teó- rico-metodológicos organizados, possibilitam aos sujeitos elevarem qualitativamente a aprendizagem e, por conseguinte o desenvol- vimento cognitivo. É o resultado do que se consegue fazer com a ajuda do outro para que se consiga fazê-lo sozinho (VYGOTSKY, apud SOARES, 2016).
Vygotsky (1998) enfatiza que a aprendizagem não ocorre de forma imediata, mas sim medida. Evidenciando que, para que ocorra a aprendizagem é necessário um envolvimento duplo daquele que possui o conhecimento e ensina e daquele que aprende. Para Vygotsky, a interação entre os indivíduos tem função central no processo aprendizagem, ou seja, o caminho do objeto até a criança e desta até o objeto é mediada, seja por instrumentos ou signos.
Entretanto, cabe ressaltar as ponderações feitas por Sforni (2008) ao advertir que por vezes o mediador é entendido como “[...] quem ajuda a criança a concretizar um desenvolvimento que
119 ela ainda não atinge sozinha, ou seja, na escola o professor e os co- legas mais experientes são os principais mediadores”, aspecto que reduz o conceito de mediação às relações interpessoais, assim como a imagem física do professor intervindo nas tarefas que o estudante realiza. Esse reducionismo aproxima a teoria vygotskiana às de- mandas de formação defendida pelo pensamento neoliberal para educação expressa nos quatro pilares da educação.
Sforni (2008, p. 2) esclarece que,
[...] às interações sociais é dado lugar de destaque na escola de Vygotsky, mas o seu valor no contexto escolar não está restrito à relação sujeito-sujeito, mas no obje- to que se presentifica nessa relação – o conhecimento. Em outras palavras, é somente na relação entre sujei- to-conhecimento-sujeito que a mediação se torna um conceito fundamental ao desenvolvimento humano.
Entendimento que se distancia das relações que se dar en- tre os animais, nas quais os filhotes apreendem com seus pais os hábitos de sobrevivência, sem nenhuma relação com o processo educativo. Na criança ocorre “[...] o processo de apropriação da experiência acumulada pela humanidade ao longo da sua história social” (LEONTIEV, 1978, p. 319).
Por isso, mesmo ao findar a existência de uma geração aqui- lo que foi produzido por ela continua passando o “testemunho” do desenvolvimento da humanidade (LEONTIEV, 1978, p. 267). Como afirma Sforni (2008, p. 3) “[...] as novas gerações começam sua vida “nos ombros das anteriores”, interagindo com o mundo a partir das objetivações já produzidas”.
O homem não se relaciona diretamente com o mundo, sua relação é mediada pelo conhecimento objetivado pelas gerações pre- cedentes, pelos instrumentos físicos – a exemplo dos recursos di- dáticos ou simbólicos – a exemplo da linguagem que se interpõem entre o homem e os objetos e fenômenos. Do mesmo modo que os instrumentos físicos potencializam a ação material dos homens, os instrumentos simbólicos (signos) potencializam sua ação mental.
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Sforni (2008) acrescenta ainda, que apesar das gera- ções passadas deixarem seu legado material e simbólico para seus descendentes, esta cultura produzida está fora do su- jeito, nos objetos e no conhecimento sistematizado. Para ser apropriada pelo sujeito é necessário a “[...] reprodução pelo indivíduo de caracteres, faculdades e modos de comporta- mento humano formados historicamente [...], [...] para se apropriar de um objeto ou fenômeno, há que se efetuar a ati- vidade correspondente à que é concretizada no objeto ou fe- nômeno considerado” (LEONTIEV, 1978, p. 320, 321).
É nesse movimento de apropriação do objeto que a utilização dos recursos didáticos aliados à prática do profes- sor são instrumentos físicos essenciais na apropriação dos conteúdos escolares pelos alunos, visto que possibilitam a interação dos aspectos motivacionais e desafiadores, pro- piciando, desta forma, as condições de aprendizagem. Os recursos didáticos aliados a ação desenvolvida pelo pro- fessor auxiliam a mediação, ou seja, na apropriação dos con- ceitos de Ciências e Biologia trabalhados em sala de aula. Como enfatiza Moura (1996, p. 90) “[...] a atividade de ensino do professor deve gerar e promover a atividade do estudante. Ela deve criar nele um motivo especial para a sua atividade: estudar e aprender teoricamente sobre a realidade”. Atende-se que a organização das atividades de ensino é planejada, intencional e objetivada, entretanto a apropriação do conhecimento científico e da conduta cultural só é possível como resultado da interação sujeito, conhecimento, sujeito em movimento mediados por signos e instrumentos. Nesse sentido,
[...] quando se afirma que um instrumento físico ou sim- bólico foi apreendido pelo sujeito, significa que nele já se formaram as ações e operações motoras e men- tais necessárias ao uso desse instrumento. Podemos, en- tão, dizer que esse instrumento deixa de ser externo e se transforma em “parte do corpo” do sujeito, mediando sua atividade física ou mental. (SFORNI, 2008, p. 7)
121 A esse respeito, Leontiev (1978, p. 321) levanta questio- namentos acerca da necessidade de mediadores na apropriação desses conhecimentos. Como exemplo: “Poderão formar-se estas ações e operações na criança sob a influência do próprio objeto?” ou seja, sem mediação. Sua resposta é enfática: Não! Isso porque, “[...] objetivamente, as ações e operações são concretizadas, ‘dadas’ no objeto, mas subjetivamente elas são apenas ‘propostas’ à crian- ça”. Aspecto que evidencia a necessidade da mediação para que os aspectos externos se tornem parte do pensar e agir do sujeito. É nesse contexto que podemos entender a importância e a finali- dade da interação social no processo de desenvolvimento humano. Essa interação é expressa por Bravim (2007) ao demonstrar na figura 01 a posição dos recursos didáticos na relação mediada sujeito – conhecimento – sujeito nas atividades de ensino e aprendizagem.
Figura 01- O papel mediador dos recursos didáticos
Fonte: Bravim (2007)
Aspecto que evidencia a necessidade da mediação para que os aspectos externos se tornem parte do pensar e agir do sujeito. É nesse contexto que podemos entender a importância e a finalidade da interação social no processo de desenvolvimento humano.
Essa interação é expressa por Bravim (2007) ao demonstrar na figura 01 a posição dos recursos didáticos na relação mediada sujeito – conhecimento – sujeito nas atividades de ensino e aprendizagem.
Figura 01- O papel mediador dos recursos didáticos Aluno Recursos Didáticos Professor Conteúdo Fonte: Bravim (2007)
O autor deixa claro que para a apropriação dos conteúdos escolares na relação sujeito conhecimento sujeito o professor e os recursos didáticos possuem caráter significativo na mediação desse processo. Com esse entendimento, a RP buscou em todo processo formativo dos Residentes desenvolver nestes, competências e habilidades para criar e utilizar os recursos didáticos como instrumentos facilitadores na mediação dos conteúdos abordados no período de regência.
Dentre vários recursos didáticos produzidos pelos Residentes no período de regência escolheu-se um a ser abordado nesse neste texto, a escolha foi intencional, considerando a posição de destaque no II Seminário de Residência Pedagógica da Universidade Federal do Piauí – II SERPI, configurando-se como ação exitosa na apropriação de conceitos da Biologia em particular da genética.
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O autor deixa claro que para a apropriação dos conte- údos escolares na relação sujeito conhecimento sujeito o pro- fessor e os recursos didáticos possuem caráter significativo na mediação desse processo. Com esse entendimento, a RP buscou em todo processo formativo dos Residentes desenvolver nestes, competências e habilidades para criar e utilizar os recursos di- dáticos como instrumentos facilitadores na mediação dos con- teúdos abordados no período de regência.
Dentre vários recursos didáticos produzidos pelos Re- sidentes no período de regência escolheu-se um a ser aborda- do nesse neste texto, a escolha foi intencional, considerando a posição de destaque no II Seminário de Residência Pedagógica da Universidade Federal do Piauí – II SERPI, configurando-se como ação exitosa na apropriação de conceitos da Biologia em particular da genética.
3 VIVÊNCIAS EXITOSAS NO CONTEXTO