• Nenhum resultado encontrado

6.2 EXPERIMENTO 2 – O SNU E ATOMICIDADE

6.2.1 Materiais e Métodos

No experimento 1 de Scontras et al. (2017), discutido no capítulo 2, vimos que os autores compararam nomes plurais e nomes massivos em duas condições: ‘two-noun’, em que os nomes aparecem expressos, e ‘no-‘two-noun’, situação em que não aparece nome nenhum na sentença. Dessa forma, tem-se um cruzamento como o seguinte:

TABELA 1 – NOMES E CONDIÇÕES TESTADAS EM SCONTRAS ET AL. (2017)

CONDIÇÃO/CENÁRIO OBJECTS SUBSTANCE

SEM NOME ط ط

COM NOME

3/85$/ ط

0$66$ ط

FONTE: O AUTOR (2019).

Quanto ao nosso experimento, considerando as especificidades do PB, tivemos que incluir o SNU como outro nível da variável ‘nome’, portanto a tabela ficou assim:

TABELA 2 – NOMES E CONDIÇÕES EM NOSSO EXPERIMENTO

CONDIÇÃO/CENÁRIO OBJECTS SUBSTANCE

SEM NOME ط ط

COM NOME

PLURAL ط

MASSA ط

SINGULAR NU ط

FONTE: O AUTOR (2019).

Destarte, realizamos também um teste de julgamento de quantidade, metodologia já descrita na seção anterior. As variáveis independentes usadas nesse teste foram: (i) condição (sem nome e nome expresso) e (ii) SN (SNU, PL e Massa).

Como variável dependente tínhamos o (iii) julgamento de quantidade (volume e número).

O experimento foi dividido em três testes. No teste 1 comparamos, na condição ‘sem nome’, os objetos contáveis e substâncias massivas. Assim, o participante lia a sentença ‘Quem tem mais?’ e era apresentado a uma imagem como a seguir (no caso de objetos) e a uma imagem com a da Figura 5 (no caso de substâncias). Em seguida, o participante tinha que optar por uma das imagens:

FIGURA 34 - EXEMPLO DE ESTÍMULO UTILIZADO PARA NOMES CONTÁVEIS NO SINGULAR NA CONDIÇÃO ‘SEM NOME’

FONTE: O AUTOR (2019).

FIGURA 35 - EXEMPLO DE ESTÍMULO UTILIZADO PARA NOMES MASSIVOS NA CONDIÇÃO

‘SEM NOME’

FONTE: O AUTOR (2019).

No teste 2, comparamos o nome contável singular com o nome massivo, na condição ‘com nome’. Assim, o participante lia uma sentença como ‘Quem tem mais mesa?’ e era apresentado a mesma figura do teste 1:

FIGURA 36 - EXEMPLO DE ESTÍMULO UTILIZADO PARA NOMES CONTÁVEIS NO SINGULAR NA CONDIÇÃO ‘COM NOME’

FONTE: O AUTOR (2019).

Ainda no mesmo teste, o participante lia uma sentença com um nome massivo, por exemplo: ‘Quem tem mais areia’? e tinha que optar por uma das imagens abaixo (A ou B):

FIGURA 37 - EXEMPLO DE ESTÍMULO UTILIZADO PARA NOMES MASSIVOS NA CONDIÇÃO

‘COM NOME’

FONTE: O AUTOR (2019).

Já no teste 3, comparamos os nomes plurais aos nomes massivos. O participante era apresentado a um estímulo como o da figura a seguir (no caso de nomes plurais), com a sentença ‘Quem tem mais mesas’?:

FIGURA 38 - EXEMPLO DE ESTÍMULO UTILIZADO PARA NOMES CONTÁVEIS NO PLURAL NA CONDIÇÃO ‘COM NOME’

FONTE: O AUTOR (2019).

No caso de nomes massivos, o participante era apresentado ao mesmo estímulo da Figura 7, ou seja, os nomes massivos apareciam no singular. Optamos por não os pluralizar, pois a combinação de nomes massivos com o plural gera leituras de tipos ou de container (como visto no capítulo 2), entre outras, o que não era nosso objeto de investigação. Além do mais, como tanto na Lista 2 quanto na Lista 3 foram utilizados nomes massivos na condição ‘com nome’, a comparação entre esses resultados pode nos indicar se o experimento, de fato, funcionou entre os testes.

O quadro a seguir resume melhor as diferenças entre os três testes:

QUADRO 3 - LISTAS DO EXPERIMENTO

Condição TESTE 1 TESTE 2 TESTE 3

SEM NOME Singular - -

Massa

COM NOME - Singular Plural

Massa Massa FONTE: O AUTOR (2019).

A comparação dos resultados entre as listas nos permite verificar se, no PB, há diferenças nos julgamentos de quantidade quando há um nome expresso na sentença e quando não há. As Listas 1 e 2, por exemplo, opõem as mesmas imagens, porém na 1 temos a ausência do nome, enquanto na Lista 2 temos os nomes expressos no singular. As Listas 1 e 3, por sua vez, opõem as mesmas imagens, porém na 1 temos a ausência do nome, enquanto na Lista 3 temos os nomes contáveis no plural.

Utilizamos 15 itens lexicais, cinco para cada SN:

QUADRO 4 - ITENS LEXICAIS

Objetos (singular) Objetos (plural) Massivo

Mesa Mesas Areia

Casa Casas Água

Cama Camas Catchup

Pedra Pedras Farinha

Caixa Caixas Lama

FONTE: O AUTOR (2019).

No total, cada teste era composto por 28 perguntas, subdivididas assim: 10 eram os alvos; 2 eram perguntas iniciais, que tinham o objetivo de treinar o participante na atividade do teste; 15 eram distratoras, que envolviam comparativas sem o verbo ter (ex.: Quem corre mais?) e cujo objetivo era desviar a atenção dos alvos, para diminuir os riscos de o participante enviesar os resultados ao saber o que está sendo

testado; e uma pergunta controle, a qual possuía apenas uma resposta correta (num mesmo lado da imagem colocamos mais volume e mais unidades) e cujo objetivo era verificar se o participante respondeu com seriedade e atenção o teste, como mostra a figura:

FIGURA 39 - EXEMPLO DE PERGUNTA CONTROLE UTILIZADA (CONDIÇÃO: SEM NOME)

FONTE: O AUTOR (2019).

Nesse caso, o participante só poderia optar pelo cenário A, que claramente apresenta maior número de ovos e maior volume. Para mais detalhes sobre as sentenças utilizadas, ver Apêndice 3.

6.2.2 Participantes

60 participantes foram recrutados anonimamente via web e realizaram o teste através da plataforma onlinepesquisa.com. Foram 20 participantes para cada um dos testes, e, como todos acertaram a sentença controle, nenhum participante foi retirado da análise dos resultados.

6.2.3 Hipóteses

Nossas hipóteses eram:

x Na condição sem nome, os julgamentos serão variados para número e volume (como encontrado em Scontras et. al. (2017));

x Na condição com nome, o SNU aceitará julgamentos variado para volume e número;

x Na condição com nome, o PL aceitará julgamentos somente número; e

x Na condição com nome, o MASSA aceitará julgamentos apenas para volume.

6.2.4 Apresentação e discussão dos resultados

A seguir, o gráfico dos resultados gerais obtidos:

GRÁFICO 42 - RESULTADO GERAL DO TESTE DE JULGAMENTO DE QUANTIDADE

FONTE: O AUTOR (2019).

Uma primeira olhada nesse gráfico nos revela um comportamento categórico do PL no Teste 3: todos os participantes, quando liam um nome plural (por exemplo, mesas), executavam um julgamento de quantidade baseado em cardinalidade. Esse comportamento é bem diferente da condição ‘sem nome’. Vejamos mais atentamente no gráfico comparativo apenas entre os testes 1 e 3:

SUBSTÂNCIA OBJETO MASSA SNU MASSA PLURAL

TESTE 1 - SEM NOME TESTE 2 TESTE 3

VOLUME 74,50% 34,50% 79,00% 35,00% 77,00% 0,00%

CARDINALIDADE 25,50% 65,50% 21,00% 65,00% 33,00% 100,00%

0,00%

GRÁFICO 43 - RESULTADOS DO TESTE DE JULGAMENTO DE QUANTIDADE (COMPARATIVO ENTRE TESTE 1 E TESTE 3)

FONTE: O AUTOR (2019).

Se considerarmos apenas estes resultados, o PB é exatamente como o inglês (note que este é quase o mesmo resultado encontrado por Scontras et al. (2017), apresentado no capítulo 2). Devido à expressividade dos resultados, ou seja, devido aos 100% de julgamentos de cardinalidade para o PL, não foi possível analisar as respostas dos participantes usando um modelo de regressão generalizada de efeitos mistos. O que é importante ressaltar aqui é que, na condição sem nome, houve bem menos julgamentos cardinais, 61%. Assim, como em inglês, no PB, quando não há nome expresso, não há nenhuma informação que garanta a cardinalidade. Essa garantia só acontece na presença do morfema de plural.

Agora, se nos voltarmos para o SNU, vemos que os julgamentos de quantidade mudam, com base tanto no volume (35%) quanto na cardinalidade (65%).

Vejamos um gráfico que compara o Teste 1 com o Teste 2:

SUBSTÂNCIA OBJETO MASSA PLURAL