cOntROLe POPuLaciOnaL e BiOÉtica: O enSinO de ciênciaS e a FORMaÇÃO cidadà POR MeiO de teMaS cOntROVeRSOS
Aulas 06 e 07 (duas aulas geminadas): Conhecendo mundos possíveis
7. Material de apoio: Roteiro para o “café com conversa”
O objetivo desta atividade é promover um momento e um ambiente propício à solução de dúvidas e trocas de informações possibilitando retomar questões que possam ter ficado pendentes durante a realização da sequência.
Primeiramente, o(a) professor(a) deverá esclarecer aos alunos quais são os objetivos e, também, estabelecer as regras para a realização deste evento. Com certa antecedência ele deverá dividir a turma em grupos e definir, em conjunto com a turma, quais alimentos cada grupo trará para o “Café com Conversa”. Na data do evento o professor, com a ajuda dos alunos, deverá organizar os alimentos levados. É importante dar preferência a uma organização em que os alunos façam contato visual uns com os outros na maior parte do tempo, para isso, se não houver uma mesa grande, as carteiras devem ser dispostas em um círculo ou semi-círculo.
No momento seguinte, o(a) professor(a) pode iniciar a conversa trazendo algumas questões simples, que favoreçam o início da conversa, como por exemplo:
- Vocês já tinham participado de um júri simulado, audiência pública ou debate? - O que acharam de realizar este tipo de atividade em sala de aula?
- Vocês encontraram dificuldades em participar deste tipo de atividade? Quais? - Qual a importância em ouvir ou conhecer as fundamentações e explicações de diferentes grupos acerca de um determinado assunto polêmico?
Caso, o(a) professor(a) veja que os alunos estejam retraídos, pode escolher um dos alimentos levado e passar pelas mãos dos colegas para que se sirvam, além disso, pode pedir a um aluno menos tímido que fale. A medida em que forem falando pode incluir mais perguntas que julgue necessário, tais como:
- Antes das nossas aulas vocês já tinham ouvido falar em células tronco embrionárias congeladas?
- Vocês imaginavam que muitas pessoas utilizam a técnica de congelamento de embriões para futura utilização?
- Vocês já tinham ouvido falar em Estatuto do Nascituro? Em que situação? - A definição de vida é ou era algo complexo para vocês? Hoje se alguém lhes perguntasse sobre tal, como vocês definiriam?
No decorrer da conversa, o professor deve permitir que os alunos fiquem à vontade para se servir.
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SequênciaS didáticaS:
propostas,
discussões e reflexões teórico-metodológicas
O cORPO: uMa aBORdaGeM atOR-Rede PaRa O enSinO MÉdiO
Sasha Luísa de Azevedo Nunes Gabriela Guerra de Almeida
intROduÇÃO
Na escola o corpo em uma visão dicotômica, de natureza e cultura, vem sendo localizado no âmbito da primeira, negando-se a instância da cultura. Sendo que o corpo com essa abordagem caracteriza a identidade dos sujeitos, distinguindo os “normais” daqueles que não o são, possibilitando assim os privilégios dentro das multiplicidades de grupos. As inscrições da cultura nos corpos e seu processo histórico são negados e omitidos. Os grupos são segregados como se a natureza se incumbisse de determinar as características melhores das que não são e como se a cultura nada influenciasse nessas classificações (LOURO, 2000).
Dentro das várias disciplinas que compõem o ensino básico, pouco ou nada dizem sobre o corpo dos estudantes, com exceção da Educação Física que tem o corpo físico como foco principal (LOURO, 2000). Na disciplina de Biologia, em tópicos como anatomia ou fisiologia humana, o corpo é caracterizado de forma “biologizante”, retomando a dicotomia descrita, como se o corpo não fizesse parte do estudante e flutuasse como construção abstrata.
Diferentemente dessa dicotomia, o corpo, segundo Latour (2008), é uma interface que pode ser melhor caracterizada quando aprende a ser afetada por mais itens, ou seja, quanto mais experiências temos, mais conseguimos compreender nosso corpo, sendo esse aprendizado contínuo durante nossas vidas, demandando um meio sensorial e um mundo sensível.
Compreendendo o corpo como algo em constante alteração, trazemos a teoria ator- rede para o ensino de Biologia e propomos a presente sequência didática no intuito de transpor a fragmentação tradicionalmente encontrada em relação a essa temática e interatuar os elementos sócio-técnicos com os estudantes para a autopercepção corporal.
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SequênciaS didáticaS:
propostas,
discussões e reflexões teórico-metodológicas
Segundo Arendt (2005, p. 47), baseado em Latour:
“... o corpo não é definido como substância − o que o coloca no território da natureza − nem, tampouco, como uma construção discursiva − o que o desloca para o campo da cultura. O corpo é tomado em suas relações com outros elementos do mundo, como algo, simultaneamente, real, fabricado e fabricante do mundo.”
Com essa perspectiva o corpo se constitui pela interação com o outro e com o mundo, sendo uma construção constante e complexa de redes. A percepção do corpo se mantém e se modifica numa dinâmica espaço-temporal oscilante associada ao aprendizado.
Segundo Moraes et al (2009, p.791): “Manter o corpo como um todo é um trabalho, não é algo dado, mas alcançado, construído. O corpo que-eu-faço é atravessado por tensões, forças, conexões que devem ser levadas em conta.”
Com isso, o corpo é um organismo, um objeto, um ambiente que está sujeito a interferências múltiplas que são essenciais na sua percepção. Como é abordado por Latour (2008) com o exemplo da indústria de perfume, onde pessoas com treinamento podem aprender a perceber algo que antes não era factível, ou seja, aprendem a identificar fragrâncias que antes passavam desapercebidas, demonstrando como o corpo é modificado e modifica dependendo das experiências. Portanto, o distanciamento do ensino das situações cotidianas constitui um problema, destacando a importância da motivação dos alunos por meio da associação do tema abordado com situações reais experimentados por estes. Essa relação possibilita a conexão do conhecimento prévio com o ensino (VANZELA et al, 2007). Sendo assim, a presente sequência visa possibilitar a associação da percepção do corpo com vivências do dia- a-dia, tornando mais significativo o aprendizado.
O movimento Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) acrescenta elementos importantes à sequência, visto que este expande as formas de ensinar ciências enquanto processo e produção humana e não como verdades prontas (COUTINHO et al. 2014). Nessa perspectiva, a Teoria Ator-Rede tem sido muito utilizada para relacionar ciência, tecnologia e sociedade, sempre colocando a ciência em processo de construção e não como algo consolidado, enfatizando a sua construção por meio de uma rede de atores, os actantes humanos ou não-humanos. (ARAÚJO e CARDOSO, 2007). Dessa forma, a sequência propõe a percepção do corpo em suas redes, possibilitando a integração desse termo geralmente usado como ontologia pura (relacionado apenas ao orgânico) em forma de híbrido.
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discussões e reflexões teórico-metodológicas
Nesse sentido, partindo da problematização sobre as concepções de beleza relacionadas ao corpo, propomos um conjunto de atividades que visam trabalhar a percepção corporal numa perspectiva plural, considerando as diversas dimensões que fazem parte de sua construção, como as relações de gênero, étnico-raciais, aspectos da acessibilidade e da tecnologia assistiva.
Buscando articular processos e conhecimentos da biologia e da arte, desenvolvemos propostas para a elaboração de redes de imagens e palavras que poderão ser tecidas na interação entre estudantes e professores no intuito de contribuir para o ensino de biologia, expandindo a compreensão de corpo para as mais diversas interfaces.
Sequência didática: O cORPO
duração: Dez aulas de cinquenta minutos Público alvo: Ensino Médio
Materiais:
• Quadro e giz/pincel
• Imagens de corpos trazidos pelos alunos e pelo professor • Reportagens sobre corpo
• Computador, projetor e um software para criação das redes (ex: Prezi) ou Imagens impressas e plastificadas e barbantes coloridos
• Papéis coloridos no formato A3 ou maior
• Materiais de desenho (lápis de cor, caneta hidrocor, pastel oleoso, tintas, pincéis, tesoura, cola)
• Espelhos
etapas da sequência didática