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Nos períodos de 1 a 42 dias de idade, 81 fêmeas Cobb foram alojadas em quatro boxes recebendo a mesma ração, formulada para atender às exigências

nutricionais, de acordo com Rostagno et al. (2005). Ao final do 42º dia de idade, todas as frangas foram pesadas para assegurar peso médio semelhante no início do experimento aos 43 dias de idade.

Aos 43 dias de idade, 81 frangos de corte fêmea foram distribuídos em um delineamento inteiramente ao acaso, sorteadas sem reposição do tratamento, perfazendo três tratamentos com nove repetições, onde cada box contendo três aves formava uma unidade experimental totalizando 27 unidades experi-mentais. As aves foram alojadas em boxes com capacidade para até 20 aves, com cama de casca de arroz (aproximadamente 10 cm de altura) numa densidade de 2 aves/m2e adotou-se um esquema de iluminação de três horas de escuridão por dia. As temperaturas máximas e mínimas registradas durante o período experimental foram de 19 e 24 °C, respecti-vamente, com umidade média de 60%. A ração e água foram disponibilizadas à vontade em comedouros tubulares e bebedouros tipo nipple. Os fatores analisa-dos foram três níveis de energia metabolizável (3250, 3150 e 3050 kcal EM/kg) fornecida no período de 43 a 48 dias de idade.

As três aves de cada box foram pesadas juntas para obtenção do peso médio da unidade experimental, assim como o respectivo comedouro, que também foi pesado diariamente para obtenção do consumo médio diário de cada unidade experimental. As aves foram abatidas via insensibilização por eletronarcose e secção da jugular para sangramento total.

As características avaliadas foram o consumo de ração, a conversão alimentar, o peso corporal, o ganho de peso, a mortalidade, e o índice de eficiência produ-tiva para o período experimental. Foram avaliados o peso absoluto (g) das carcaças inteiras, dos cortes nobres (coxa, sobrecoxa, peito, dorso e asa) e da gordura abdominal. A gordura abdominal foi conside-rada como tecido adiposo contido ao redor da cloaca, da Bursa de Fabricius e dos músculos abdominais adjacentes.

As rações experimentais (Tabela 1), isoprotéicas, foram formuladas para satisfazerem às exigências de proteína, minerais e vitaminas de frangos de corte, de acordo com recomendações de Rostagno et al. (2005). A redução dos níveis de energia das rações (3250, 3150, 3050 kcal de EM/kg de ração) foi obtida pela reformulação com a substituição principalmente do óleo de soja pelo milho.

Análise estatística

Para predizer o efeito dos níveis de energia metabo-lizável da dieta sobre os parâmetros analisados foi utilizada análise de regressão linear, sendo os modelos escolhidos de acordo com a significância dos coefi-cientes de regressão (P<0,05) e pelos coeficoefi-cientes de determinação.

As variáveis foram também analisadas através do teste para medidas repetidas usando-se a estrutura de covariância que melhor se ajustou aos dados conforme critério de informação de Akaike`s. Neste caso para as variáveis peso corporal, ganho de peso, conversão alimentar e eficiência alimentar foi utilizada estrutura de covariância não estruturada, e para a variável

con-sumo de ração foi utilizada estrutura de covariância autoregressiva de 1ª ordem. Todas as comparações de médias foram feitas através do teste de Tukey com um nível de significância de 5%. Para verificar como se correlacionam as variáveis de qualidade de carcaça foi utilizada correlação de Pearson. A análise estatística foi realizada com auxílio do programa estatístico SAS (2001).

Resultados e discussão

Durante a semana de execução do experimento a taxa de mortalidade foi de 0%, resultando em 100% de viabilidade nos três tratamentos. Não foi verificado nenhum ajuste linear significativo da redução de energia metabolizável da dieta sobre as variáveis de desempenho e peso dos cortes (Tabela 2), o que contraria resultados de Oliveira Neto et al. (2000). Como não foi observado efeito para as variáveis de desempenho e peso dos cortes das fêmeas pela redução dos níveis energéticos da ração, infere-se que o nível de 3050 kcal EM/kg foi suficiente para maxi-mizar o desempenho das aves, no período de 43 a 48 dias de idade (Tabela 2). Estes resultados indicam que seria possível reduzir os custos de produção sem afe-tar o desempenho e características de carcaça, tendo em vista que a dieta com 3050 kcal EM/kg foi três e sete centavos mais barata que as dietas com 3150 e

3250 kcal EM/kg, respectivamente.

Com relação ao rendimento de carcaça e cortes, vários autores verificaram efeito significativo ao mo-dificarem os níveis de energia da dieta (Rosa et al., 2000a; Mendes et al., 2001; Moreira et al., 2001). Estes resultados podem ser explicados por diferenças de manejo, épocas de criação, linhagens, mas princi-palmente pela densidade populacional, níveis de e nergia utilizados nos experimentos e pela idade das aves durante a avaliação. Outros autores não verificaram este efeito da energia sobre o rendimento da carcaça (Zanusso et al.,1999; Oliveira Neto et al., 2000) corroborando os resultados deste estudo.

Verificou-se o efeito (P<0,0001) da idade sobre o peso corporal, que aumentou de forma linear (Tabela 2). Estes resultados evidenciam que é possível manter as aves na granja até uma idade mais tardia aos 48 dias sem perdas de ganho de peso.

Segundo Summers e Leeson (1979) quando a ave ingere energia acima de suas necessidades metabóli-cas, ocorre deposição de gordura na carcaça, sendo que grande proporção desta gordura ocorre na área abdominal. Esta hipótese não foi comprovada neste estudo, pois não houve aumento linear da gordura com o aumento nos níveis de energia na dieta. Há de se con-siderar que neste estudo o nível superior de energia estudado era 74 kcal EM/kg acima do recomendado pelo manual da linhagem.

Foi encontrada apenas uma correlação significativa

Tabela 1- Composição centesimal das dietas experimentais

Dietas experimentais (kcal/kg)

Ingrediente (%) 3250 3150 3050 Milho 66,105 68,438 70,772 Soja Farelo -45% 25,957 25,555 25,154 Óleo de Soja 4,770 2,836 1,341 Fosfato Bicálcico 1,353 1,347 0,902 Farinha de Ostras 0,789 0,794 0,799 Sal Comum 0,415 0,414 0,413 Premix Vitaminas1 0,250 0,250 0,250 DL-Metionina 0,146 0,143 0,150 L-Lisina HCl 0,136 0,142 0,139

Premix Minerais Retirada2 0,080 0,080 0,080

Custo da ração (R$/kg) 0,62 0,58 0,55

Composição calculada

Energia metabolizável (kcal/kg)3 3250,00 3150,00 3050,00

Proteína bruta (%) 17,13 17,13 17,13 Cálcio (%) 0,70 0,70 0,70 P Disponível (%) 0,35 0,35 0,35 Potássio (%) 0,56 0,56 0,56 Sódio (%) 0,18 0,18 0,18 Cloro 0,16 0,16 0,16 Ácido Linoléico 0,96 0,96 0,96 Lisina Digestível 0,90 0,90 0,90 Metionina Digestível 0,36 0,36 0,36 Metionina+Cistina Digestível 0,65 0,65 0,65 1,2

Premix mineral vitamínico: composição basica do produto: casca de arroz moída (55%) aditivo antioxidante (BHT), sulfato de manganês, óxido de zinco, sulfato ferroso, sulfato de cobre, iodato de cálcio, selenito de sódio, vitamina A, vitamina D3, vitamina E, vitamina K, vitamina B1, vitamina B2, vitamina B6, vitamina B12, pantotenato de cálcio, niacina, metionina e colina

Tabela 2 - Equações de regressão para estimar os efeitos da idade sobre o desempenho em frangos de corte fêmeas Cobb no período de 43 a 48 dias de idade

Variável Equação R2 Significância

Peso corporal y = - 0,964 + 0,0861 x 60,0% 0,000

Ganho de peso y = 0,261 - 0,00379 x 2,2% 0,068

Consumo de ração y = 0,411 - 0,00461 x 17,9% 0,000

Conversão alimentar y = 6,23 - 0,0822 x 2,9% 0,039

Tabela 3- Coeficientes de determinação e probabilidades da correlação de Pearson entre as variáveis de peso dos cortes e energia metabolizável da dieta

Kcal EM/kg Carcaça Dorso Sobrecoxa Peito Asa

Carcaça 0,041 0,726 Dorso 0,019 0,821 0,871 0,000 Sobrecoxa 0,064 0,821 0,595 0,583 0,000 0,000 Peito 0,034 0,915 0,662 0,615 0,770 0,000 0,000 0,000 Asa -0,063 0,685 0,594 0,626 0,549 0,592 0,000 0,000 0,000 0,000 Gordura abdominal 0,175 0,201 0,353 0,223 0,051 0,122 0,133 0,084 0,002 0,054 0,664 0,298

Tabela 4- Efeito da redução energética sobre o desempenho de frangos de corte fêmeas Cobb no período de 43 a 48 dias de idade

Variáveis Idade Significância

Kcal 43 44 45 46 47 48 Média Kcal Idade Kcal EM/kg

EM/kg EM/kg x idade

Peso corporal 3250 2,735a 2,845b 2,937c 3,021d 3,118e 3,195f 2,975 0,79 <0,0001 0,18

(kg) 3150 2,721a 2,813b 2,891c 2,973d 3,058e 3,139f 2,933 3050 2,740a 2,816b 2,906c 2,994d 3,076e 3,154f 2,948 Média 2,732 2,824 2,911 2,996 3,084 3,162 Ganho de peso 3250 0,070 0,109 0,092 0,084 0,097 0,076 0,088 0,38 0,25 0,17 (kg) 3150 0,079 0,091 0,078 0,081 0,084 0,081 0,082 3050 0,101 0,075 0,090 0,087 0,081 0,077 0,085 Média 0,083 0,091 0,087 0,084 0,087 0,078

Consumo 3250 0,209a 0,205a 0,208a 0,197ab 0,200a 0,189b 0,202 0,86 <0,0001 0,01

(kg) 3150 0,216a 0,204b 0,197bc 0,199bc 0,191bc 0,187c 0,199 3050 0,228a 0,196bc 0,204b 0,199bc 0,198bc 0,189c 0,202 Média 0,218 0,201 0,203 0,198 0,196 0,188 Conversão alimentar 3250 3,62 1,94 2,27 2,42 2,13 2,42 2,47 0,36 0,17 0,38 3150 3,24 2,50 2,66 2,46 2,35 2,40 2,60 3050 2,41 2,64 2,32 2,29 2,45 2,54 2,44 Média 3,09 2,37 2,41 2,39 2,32 2,46 Eficiência Alimentar 3250 0,33 0,53 0,44 0,42 0,48 0,43 0,44 0,28 0,27 0,25 3150 0,35 0,44 0,40 0,40 0,43 0,43 0,41 3050 0,44 0,38 0,44 0,44 0,41 0,40 0,42 Média 0,37 0,45 0,42 0,42 0,44 0,42

(P<0,05) entre o peso da carcaça com o teor de gordu-ra abdominal, ainda assim com um coeficiente de determinação baixo, demonstrando que é difícil prever esta última variável pelo peso da carcaça inteira ou dos cortes nobres (Tabela 3).

Conforme resultado apresentado na Tabela 4 observa-se que não houve nenhuma diferença signi-ficativa para efeito de tratamento sobre as variáveis de desempenho. Pelo desdobramento da interação kcal EM/kg x idade (Tabela 4), observou-se que, na fase de 43 a 48 dias de idade, os valores de peso corporal não diferiram entre os níveis de energia metabolizável em todos os dias de avaliação. Diferenças significativas sobre o peso corporal só foram observadas para dife-rentes idades das aves (P<0,0001), demonstrando um crescimento linear positivo. Estes valores evidenciam que até os 48 dias as aves não atingiram seu platô de crescimento o que torna viável o abate mais tardio. A interação entre os fatores não foi significativa indicando que com a idade ocorre aumento do peso corporal independente do nível de redução energético da ração dentro dos limites estudados.

Entretanto, ao avaliar o desdobramento da interação kcal EM/kg x idade para o ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar na fase de 43 a 48 dias de idade, não se observou o mesmo comportamento observado no peso corporal. Nesta fase nos três níveis energéticos e nos seis dias de estudo os valores não diferiram entre si. De acordo com Waldroup (1981), o consumo em frangos de corte é determinado princi-palmente pelo nível energético da ração e a ingestão total de ração aumenta com a diminuição do nível de energia da dieta. Esse comportamento não pôde ser comprovado pelos resultados obtidos neste experi-mento para a fase de 43 a 48 dias de idade, que não apresentou diferença entre os níveis de energia testados. Estes dados evidenciam que o controle da ingestão de alimento, determinado pela ingestão de energia, pode não ser muito preciso em frangos de corte com maior idade.

Conclusões

Os resultados indicam que no período de 43 a 48 dias de idade a restrição quantitativa de energia meta-bolizável entre 3050 e 3250 não afeta o desempenho e as características de carcaça indicando que as aves possuem uma habilidade compensatória nestes níveis de energia. Não foi verificado no período de 43 a 48 dias de idade alteração na conversão alimentar indi-cando que não há perda de eficiência com o abate mais tardio.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao Prof. Dr. Marcos Antonio Anciuti do Instituto Federal (IFSul – Pelotas campus CAVG) que gentilmente forneceu as aves do presente estudo.

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