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MATERIAL E MÉTODOS

No documento CIÊNCIAS UNIMAR (páginas 50-55)

O experimento foi conduzido em ambiente protegido (casa de vegetação), de novembro de 2005 a  janeiro  de  2006,  na  Fazenda  Experimental  Marcello   Mesquita Serva, da Universidade de Marília (UNI-MAR),  com  amostras  do  horizonte  superficial  de  um   solo  classificado  como  Argissolo  Vermelho  Amarelo   Eutrófico  (EMBRAPA, 1999), oriundo do Município de Parapuã-SP. Foram utilizados vasos contendo 5 kg de solo, previamente secos à sombra e peneirados.

As características químicas do solo são apresentadas na Tabela 1. Não foi necessária a correção da acidez com calcário, de acordo com Werner et al. (1996).

Todos os vasos receberam adubações, por ocasião da semeadura, nas quantidades de 150; 50; 0,8; 4,0;

5,0; 0,15; 3,6 e 1,5 mg kg-1 de solo, respectivamente de  K,  S,  B,  Fe,  Zn,  Mo,  Mn  e  Cu  sob  as  formas  de   cloreto de potássio, sulfato de potássio, ácido bórico, sulfato ferroso, sulfato de zinco, molibdato de sódio, sulfato de manganês e sulfato de cobre. Como fonte de fósforo, utilizou-se o superfosfato triplo (45% de P2O5) na dosagem de 200 mg kg-1 de solo.

Tabela  1  -­  Características  químicas  do  solo,  na  profundidade  de  0-­20  cm,  antes  da  instalação  do  ensaio.  UNIMAR,  Marília-­SP,  2006  /   2007

Prof/

cm pH MO P H+Al Al Ca Mg K T V S

CaCl2 g/dm-­‐3 mg/  

dm-­‐3 _____________  mmolc/dm-­‐3  ____________ % mg/  

dm-­‐3

0-­‐20 6,2 11 6 10 0 16 6 3 35 71 5

Após a mistura dos fertilizantes, realizou-se a semeadura, distribuindo-se 20 sementes de cada espécie por vaso. As irrigações foram realizadas diari-amente, mantendo-se 70% de saturação dos poros. As quantidades de nutrientes, as fontes e os cuidados na instalação e condução do experimento foram baseados nas recomendações de Oliveira et al. (1991). O delin-eamento experimental empregado foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial 2x4 com três vasos por repetições. Os tratamentos foram a combinação de duas espécies de Brachiaria (B. decumbens cultivar Basilisk e B. brizantha cultivar MG4) e quatro doses de nitrogênio 0, 150, 300 e 450 mg kg-1 de solo. Dez dias após a germinação, realizou-se desbaste,

dei-xando-se cinco plantas por vaso, momento em que foi realizada a adubação de cobertura, com 100 mg kg-1 de K sob a forma de cloreto de potássio e a primeira cobertura nitrogenada com 150 mg N kg-1 de solo.

As doses de N foram aplicadas em parcelas iguais na quantidade de 150 mg N kg-1 de solo, na forma de nitrato de amônio, em intervalos de quatorze dias cada, até atingir a máxima dosagem (450 mg.N kg-1 de solo). As avaliações foram realizadas aos 60 dias após  a  germinação.  Todos  os  perfilhos  foram  contados   e  expressos  em  número  de  perfilhos  vaso-1. Após a contagem  dos  perfilhos,  estes  foram  cortados  rente  ao   solo e as folhas separadas dos colmos. Todo o material foi colocado para secar em estufa com temperatura de 65ºC até peso constante e expresso em g vaso-1 de massa seca de folhas e colmos. A massa seca da parte aérea foi obtida pelo somatório da massa seca de folhas e massa seca de colmos e expresso em g vaso-1. Após a pesagem, o material vegetal (folhas e colmos) colhido e secado foi moído e uniformizado ,retirando-se uma amostra para a determinação da concentração de N (g kg-­‐1  de massa seca) com emprego da  destilação  e  titulação  (método  Kjeldahl),  conforme   metodologia descrita por Nogueira e Souza (2005). As determinações químicas foram realizadas no Labo-ratório de Análise da Empresa Matsuda Sementes e Nutrição Animal, município de Álvares Machado, SP. Efetuou-se o desdobramento da interação nos casos  de  significância  (P<0,05)  e  o  resultado  de  re-gressões para as doses de N. As forrageiras tiveram suas médias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. Para a execução dessas análises utilizou-se o programa estatístico Sisvar (Ferreira, 2000), desenvolvido pela Universidade Federal de Lavras. A partir das equações de regressão, estimou-se a dose de N necessária para atingir o valor máximo da massa seca da parte aérea.

RESULTADOS

Os capins Brachiaria decumbens cv. Basi-lisk e B. brizantha cv. MG4 submetidas a doses de nitrogênio (N) apresentaram efeito linear para as

características  avaliadas:  número  de  perfilhos,  peso   médio   de   perfilhos   e   teor   de   N,   cujas   médias   são   apresentadas na Tabela 2. A B. decumbens foi supe-rior (P<0,05) à B. brizantha em  relação  ao  número   de   perfilhos,   apresentando   médias   de   65,8   e   46,4   perfilhos  vaso-1, respectivamente. Já o peso médio de perfilhos  não  apresentou  diferença  significativa  para   as espécies avaliadas (P>0,05), apresentando média de  1,4g  por  perfilho.  Por  outro  lado,  os  teores  de  N   deste experimento forma maiores (P<0,05) para a B.

brizantha em relação a B. decumbens,  cujas  médias   foram de 7,9 e 6,9 (g kg-1), respectivamente.

Tabela  2  -­  Número  de  perfilhos,  peso  médio  de  perfilhos  e  teor  de  nitrogênio  em  forrageiras  submetidas  a  doses  de  Nitrogênio.  Unimar,   Marília-SP, 2006.

Forrageira Perfilhos

(nºvaso-1)

Peso Médio de Perfilhos  (g)

Teor de N (g kg-1)

B. decumbens 65,8a 1,4 6,9b

B. brizantha 46,4b 1,4 7,9a

CV (%) 20 14 11

Médias seguidas de letras distintas nas colunas diferem entre si pelo teste Scott-Knott a 5% de probabilidade

A Brachiaria decumbens cv. Basilisk e B.

brizantha cv. MG4 submetidos a doses de N tiveram um comportamento quadrático (P<0,05) para massa seca de colmos (MSC), massa seca de folhas (MSF) e massa seca da parte aérea (MSPA) (Figura 1, 2 e 3, respectivamente).

Figura 1 - Massa seca de colmos de forrageiras submetidas a doses  de  nitrogênio.  Unimar,  Marília-­SP,  2006

Figura 2 - Massa seca de folhas de forrageiras submetidas a doses  de  nitrogênio.  Unimar,  Marília-­SP,  2006.

Figura 3 - Massa seca da parte aérea de forrageiras submetidas a  doses  de  nitrogênio.  Unimar,  Marília-­SP,  2006.

As produções máximas de MSC, MSF e MSPA foram estimadas através das derivações das equações matemáticas  (P<0,05),  cujas  máximas  foram  alcan-çadas com as doses de 482 e 357 mg N kg-1 de solo (MSC); 482 e 357 mg de N kg-1 de solo (MSF) e 428 e 386 mg N kg-1 de solo (MSPA) para as B. decumbens e B. brizantha, respectivamente.

DISCUSSÃO

Corroborando com os resultados deste ex-perimento, Alexandrino et al. (2005) observaram um comportamento quadrático (P<0,01) para a densidade de  perfilhos  da  B. brizantha cv Marandu submetida a  doses  de  N,  onde  o  máximo  perfilhamento  ocorreu   na dosagem de 360 mg de N/dm-3, com média de 37 perfilhos  por  vaso.  Hoffman  et  al. (1995) salientavam que o capim Braquiária possui, em comparação a out-ras  forrageiout-ras,  maior  capacidade  de  emitir  perfilhos,   o que, associado ao seu hábito de crescimento decum-bente, lhe confere rápida capacidade de cobrir o solo.

Todavia, Fagundes et al. (2006), ao avaliarem a B.

decumbens  cv.  Basilisk,  verificaram  que  a  população   de  perfilhos  variou  conforme  as  estações  do  ano  e  com   as doses de N, apresentando efeito linear (P<0,05),

com médias de 1755, 1713, 1573 e 1904 (verão, outono, inverno e primavera, respectivamente). Cecato et al. (2004), avaliando B. brizantha cv. Marandu e a influência  da  adubação  com  N  e  P,  encontraram  média   de  0,81g  por  perfilho  para  as  doses  de  P2O5, epara as doses de N (0, 200, 400 e 600 kg/ha) foram 0,76;

0,83;;  0,85;;  0,81g  por  perfilho,  respectivamente.    Já   Panichi et al. (2006) observaram que a omissão de N e  P  reduziu  significativamente  o  número  de  perfilhos   do capim Xaraés (B. brizantha). Corsi e Silva (1985) destacaram que a concentração de nutrientes na planta forrageira  é  influenciada  pelo  genótipo,  idade,  estádio   fonológico, ritmo de crescimento, disponibilidade de nutrientes e fração da planta considerada. Sendo assim, o comportamento pode ser variado, como no  caso  do  presente  experimento,  já  que  as  plantas   foram cortadas com 60 dias de idade, e apresentavam folhas amareladas e senescentes, caracterizando desta forma os baixos teores de N, o que difere dos valores encontrados na literatura. Primavesi et al. (2006) sub-meteram a B. brizantha cv.  Marandú  a  diferentes  doses   de N (0, 50, 100 e 200 kg ha) e duas fontes (Ureia e Nitrato  de  Amônio),  e  verificaram  que  os  teores  de   N na planta aumentaram de forma linear para a ureia e quadrática para o NA. Com a ureia, os teores de N (g kg-1) nas plantas variaram de 17 a 24, e com o NA, de 18 a 26. Nesse sentido, Werner et al. (1996) já  ressaltavam  que  a  faixa  adequada  varia  de  13  a  20   g kg-1. Retomando os resultados encontrados nesse experimento, Martuscello et al. (2005) submeteram a B. brizantha cv. Xaraés à adunação N (0, 40, 80 e 120 mg/dm3) e obtiveram produção de colmo média de 18,95 e 22,62g na ausência e com 120 mg/dm3 de  N.  A  influência  positiva  do  N  sobre  o  acúmulo  de   MSC também foi observada por Montans et al. (2006), Panichi et al. (2006) e Silva e Monteiro (2006). Re-sposta quadráticas ao N também foram encontradas por Rodrigues et al.(2008) que, ao avaliarem a MSF da B. brizantha cv. Xaraés combinada com doses de N (0, 75, 150 e 225 mg dm-3) e K (0, 50 e 100 mg dm-3), verificaram  que  houve  um  efeito  quadrático  (P<0,01)   para  as  doses  de  N,  cujas  máximas  foram  alcançadas   nas doses de 177, 176 e 168 mg N dm-3, (1o, 2 o e 3

o,  respectivamente);;  já  para  o  K  (P<0,057)  a  máxima   foi alcançada com a dose de 60 mg dm-³. Batista e Monteiro (2006), testando doses de N combinadas com S na B. brizantha  cv.  Marandu,  verificaram  que  a   máxima produção de MSC+bainhas no primeiro corte foi com a dose de 404,6 mg L-1 de N associada a 95,8 mg L-1 de S. Entretanto, na ocasião do segundo corte a máxima produção de MSC+bainhas foi alcançada na dose de 393,5 mg L-1 de N associada à de 58,1 mg L-1 S. Entretanto, Martuscello et al.  (2005)  verificaram   que a produção de MSPA da B. brizantha cv. Xaraés submetida à adubação N respondeu de forma linear (P<0,05) às doses de N. Os valores variaram de 53 g (plantas sem adubação e colhidas com duas folhas) a 77 g (plantas na dose de 120 mg/dm3 de N e colhidas

com 5 folhas). Santos Jr. e Monteiro (2003) avaliando a nutrição da B. brizantha submetida a doses de N e idades de crescimento, constataram interação sig-nificativa  para  estes  fatores,  identificando  as  doses  de   257 e 304 mg N L-1de solução para atingir a máxima produção de MSPA.

CONCLUSÃO

As doses de N recomendadas para este experi-mento  responderam,  de  forma  linear,  para  número  de   perfilhos;;  e  favoreceram  o  maior  acúmulo  de  matéria   seca de colmos e da parte aérea da B. decumbens em relação B.brizantha. Porém, a avaliação tardia com-prometeu os teores de nitrogênio na matéria seca da parte aérea.

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