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COVER CROPS DEVELOPMENT WHEN OVERSOWN ONTO SOYBEAN

2. MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi implantado na área experimental do Campus Universitário da FESURV-Universidade de Rio Verde, em Rio Verde, GO (Latitude S = 17º 48', Longitude W = 50º 55', Altitude 760 m), no período de outubro de 2005 até outubro de 2006, em um Latossolo Vermelho Distroférrico, relevo suave-ondulado, com declividade de 4%, o qual, coletado na camada de 0-20 cm, apresentou pH (CaCl2) 5,62; Ca, Mg, Al, e H + Al de 2,11;

1,43; 0,05 e 4,0 cmolc dm-3, respectivamente; K e P com 140 e 3,66 mg dm-3,

respectivamente; CTC e SB com 7,94 e 3,90 cmolc dm-3, respectivamente; V (%) 49,09;

M.O., Areia, Silte e Argila 22,38, 310, 150 e 540 g kg-1, respectivamente. A área experimental foi cultivada anteriormente com soja, em SPD, por cerca de 10 anos, com baixo aporte de palhada (menos de 3 Mg ha-1 ano).

Foram avaliadas seis plantas de cobertura [Brachiaria brizantha (braquiarão), B. ruziziensis (ruziziensis), B. decumbes (capim braquiária), Eleusine coracana (capim-pé-de- galinha), Pennisetum glaucum (milheto ADR 500) e Cover Crop – híbrido de sorgo (Sorghum

bicolor cv. Bicolor) com capim-sudão (Sorghum bicolor cv. Sudanense)] e testemunha (vegetação expontânea) em quatro épocas de sobressemeadura. A testemunha diferiu dos demais tratamentos, pois não recebeu nenhuma planta de cobertura em sobressemeadura da soja, permanecendo com a presença das ervas espontâneas que emergiram na área, a partir da época em que foram aplicados os tratamentos de sobressemeadura. A soja foi semeada em quatro épocas: 1) 27/10/2005, 2) 10/11/2005, 3) 24/11/2005 e 4) 14/12/2005, em SPD, correspondendo a quatro épocas de sobressemeadura das plantas de cobertura, as quais ocorreram, respectivamente, em: a) 30/01/2006; b) 13/02/2006; c) 22/02/2006; e d) 14/03/2006. A sobressemeadura foi realizada manualmente, a lanço, quando a soja atingiu o estádio R7 (início da desfolha na maturação fisiológica), em cada uma das quatro épocas de

semeadura da soja. O delineamento utilizado foi blocos ao acaso, em esquema de parcelas subdivididas, com o fator época na parcela, e o fator plantas de cobertura nas subparcelas, com quatro repetições.

Para a semeadura da soja cultivar Monsoy 6101 de ciclo precoce (110 dias na região de Rio Verde, GO) a área foi dessecada anteriormente com glyfosate (640 g.e.a ha-1), empregou-se a semeadora pneumática de precisão para SPD, em 7 linhas de 0,45 m entre linhas, com população de plantas 467.000 plantas ha-1, correspondendo a 21 plantas por metro e adubação de base com 400 kg ha-1 da fórmula 02:20:18 (N: P2O5: K2O). As subparcelas

constituíram-se de sete linhas da cultura (3,5 m) com cinco metros de comprimento, e a área útil das cinco linhas centrais, descontando-se um metro de cada lado no sentido do comprimento, totalizando 6,75 m2. A soja foi colhida após a maturação fisiológica completa, não submetida a nenhuma avaliação.

Entre a semeadura da soja e a data da sobressemeadura, transcorreram 95, 94, 93 e 90 dias, respectivamente (Anexo 2). A quantidade de sementes utilizada foi 4 vezes a quantidade normal recomendada para a semeadura em linha (Trecenti, 2005), determinando-se a pureza e a germinação de cada espécie a fim de se obter o valor cultural (VC) das mesmas, ajustando a densidade populacional (Tabela 10).

Durante o desenvolvimento da cultura da soja, efetuaram-se todos os tratos culturais necessários para seu perfeito desenvolvimento. Cinco dias antes da sobressemeadura de cada época, foi aplicado o herbicida paraquat (200 g.i.a ha-1) em jato dirigido, a fim de se eliminar o efeito da matocompetição sobre as plantas de cobertura sobressemeadas, exceto na testemunha.

Tabela 10. Quantidade de semente das plantas de cobertura em sobressemeadura à soja, em função do valor cultural (VC).

Tratamento VC (%) Quantidade de sementes (kg ha-1)

Brachiaria ruziziensis 32 24 B. brizantha cv Marandu 32 24 B. decumbens 32 24 Capim-pé-de-galinha 49 34 Milheto ADR 500 59 70 Cover Crop 98 40 Testemunha* - -

*Testemunha sem uso de plantas de cobertura em sobressemeadura.

A precipitação ocorrida nos meses de outubro de 2005 a novembro de 2006, bem como a temperatura média no mesmo período, encontram-se na Figura 1. O experimento não recebeu irrigação suplementar. Além disso, a Figura 2 exibe, com maior detalhamento, a precipitação ocorrida a partir do dia 01/01/2006 e as quatro épocas (datas) em que foi realizada a sobressemadura das plantas de cobertura.

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 out/0 5 nov/ 05 dez/ 05 jan/ 06 fev/ 06 mar /06 abr/0 6 mai /06 jun/ 06 jul/0 6 ago/ 06 set/0 6 out/0 6 P re c ip it a ç ã o ( m m ) 0 5 10 15 20 25 30 T e m p e ra tu ra ( ºC ) Precipitação (mm) Temperatura (ºC)

Figura 1. Precipitação e temperatura média mensal ocorridas durante a condução do experimento. Dados da estação meteorológica da FESURV-Universidade de Rio Verde.

Figura 2. Precipitação ocorrida a partir do dia 01/01/2006 e indicação das datas de sobressemeadura das plantas de cobertura na cultura da soja.

Foram avaliados nas plantas de cobertura, na área útil de cada subparcela, o estande, a altura de plantas, a porcentagem de cobertura do solo, e a matéria verde (MV) e seca (MS); no solo, avaliou-se a umidade.

Aos 15 e 30 dias após a sobressemeadura (DASO), foi determinado o estande de plantas de cobertura numa área de 0,5 x 0,5 (0,25 m2) com duas repetições por parcela. A altura das plantas de cobertura foi medida em nove plantas na área útil de cada parcela, utilizando-se trena graduada, aos 30 e 75 DASO. Essas duas variáveis não foram determinadas na testemunha.

A cobertura de solo foi determinada aos 30 e 75 DASO e também na primeira quinzena de setembro e na segunda quinzena de outubro de 2006, seguindo a metodologia adaptada de Stocking (1988). Foram feitas duas leituras de forma aleatória e transversalmente às linhas da cultura e medidas por meio de um aparato de madeira, que consiste em uma estrutura com duas barras horizontais (inferior e outra superior), cada uma com 20 orifícios coincidentes, de diâmetro 3 e 2 mm, respectivamente, espaçados 10 cm, pelos quais foram efetuadas as visadas, a cerca de 1,5 m de altura do solo. Sempre que a observação de um orifício coincidia com a presença de vegetação sob ele, era registrada a presença de cobertura. A cobertura de cada parcela foi calculada contabilizando-se a média de duas repetições e convertendo-as em porcentagem.

Para avaliação de MV e MS coletaram-se plantas inteiras, seccionadas rente ao solo, em número de três sub-amostras através do uso de um quadrado de ferro de dimensões 0,5 x 0,5 m, correspondendo, cada uma, à área de 0,25 m2. As amostras foram imediatamente pesadas para obtenção de matéria verde. Após, foram secas em estufa, com circulação forçada de ar,

1ª = 30/01 2ª = 12/02 3ª = 22/02/2006 4ª = 14/03 0 10 20 30 40 50 60 70 1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57 61 65 69 73 77 81 85 89 93 Dias a partir de 01/01/2006 P re c ip it a ç ã o , m m

por 72 horas à 65º C, e pesadas, obtendo-se a matéria seca. As médias foram convertidas para toneladas por hectare. Essas determinações foram realizadas na primeira quinzena de maio, na segunda quinzena de junho e na segunda quinzena de outubro de 2006.

A umidade do solo foi determinada através da coleta de uma amostra do solo em cada subparcela, com auxílio de um trado holandês, na profundidade de 0 a 20 cm, na segunda quinzena de maio e na segunda quinzena de setembro de 2006, pesada em balança de precisão e imediatamente levada à estufa a 105 ºC por 24 horas, sendo novamente pesada para determinação da umidade em base gravimétrica (Cassel e Nielsen, 1986). A umidade também foi determinada no momento da sobressemeadura das plantas de cobertura (zero DASO), aos cinco DASO e 10 DASO, em todas as épocas de sobressemeadura e nas profundidades de 0 a 5 cm, 5 a 10 cm e 10 a 20 cm. Essas informações encontram-se na Tabela 11.

Após a coleta e tabulação dos dados, estes foram submetidos à análise de variância e, quando pertinente, as médias foram comparadas pelo teste Tukey, a 5% de significância.

Tabela 11. Umidade do solo no momento da sobressemeadura e aos cinco e dez dias após a sobressemeadura (DASO), avaliada em cada época e em três profundidades.

0 DASO 5 DASO 10 DASO

Época de sobressemeadura Profundidade (cm) Umidade (kg kg-1) 0 – 5 0,22 0,21 0,22 5 – 10 0,21 0,22 0,21 30/01/2006 10 – 20 0,21 0,22 0,21 0 – 5 0,24 0,26 0,22 5 – 10 0,25 0,24 0,22 13/02/2006 10 – 20 0,25 0,25 0,24 0 – 5 0,24 0,23 0,27 5 – 10 0,25 0,24 0,26 22/02/2006 10 – 20 0,24 0,25 0,25 0 – 5 0,27 0,22 0,24 5 – 10 0,26 0,23 0,24 14/03/2006 10 – 20 0,25 0,23 0,25 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Houve interação significativa entre plantas de cobertura e épocas de sobressemeadura para todas as variáveis estudadas, ao nível de 5 %. Comparando as plantas de cobertura entre si, quanto ao número de plantas emergidas em cada época de sobressemeadura, verificou-se que, de modo geral, tanto aos 15 quanto aos 30 DASO, o capim pé-de-galinha foi superior

(Tabelas 12 e 13), alcançando média de 35,06 e 55,71 plantas por área amostrada (0,50 m2). Exceção ocorreu na primeira época, nas duas avaliações, em que a B. ruziziensis não diferiu do capim-pé-de-galinha e na última época, na qual o milheto foi superior e igual, aos 15 e 30 DASO, respectivamente. O desempenho do pé-de-galinha o caracteriza como alternativa viável em sobressemeadura na cultura da soja, garantindo satisfatório estande de plantas na área, concordando com resultados obtidos por Trecenti (2005).

Alguns trabalhos têm relatado o milheto como interessante alternativa para a sobressemeadura na cultura da soja em função da capacidade de germinar sobre a superfície do solo (Lara-Cabezas, 2004), além de sua grande produção de MV e MS (Geraldo et al., 2000; Lemos et al., 2003; Gazetta et al., 2005). Isso foi observado na última época de sobressemeadura, nas duas avaliações, em que o milheto ADR500 alcançou sempre maior número de plantas emergidas. Todavia, nas duas primeiras épocas, na avaliação realizada aos 15 DASO e nas três primeiras, aos 30 DASO, seu desempenho foi considerado ruim, muito provavelmente, em decorrência da competição com plantas espontâneas e da precipitação que promoveu o carreamento das sementes das parcelas. Não obstante, o desempenho verificado na última época evidencia o potencial de introdução do milheto em sobressemeadura na cultura da soja.

Dentre as plantas de cobertura do gênero Brachiaria, a B.ruziziensis destacou-se na emergência de plantas nas épocas de sobressemeadura avaliadas, aos 15 e 30 DASO, alcançando média de 24,77 e 25,64 plantas por 0,50 m2, respectivamente, exceto na segunda

época, mostrando, com base nessa variável, ser a espécie de braquiária mais indicada em sobressemeadura da soja. Trecenti (2005) também obteve melhores resultados de emergência com a ruziziensis em sobressemeadura. Em geral, as braquiárias apresentaram satisfatório estabelecimento em todas as épocas de sobressemeadura, concordando com Kluthcouski e Aidar (2003) em que 6 plantas por m2 foram suficientes para um satisfatório estabelecimento

e cobertura do solo por parte dessa gramínea em consórcio na cultura da soja.

Todavia, durante a condução do experimento, foram observados diversos eventos que podem se constituir em obstáculos à emergência e estabelecimento das espécies em sobressemeadura, particularmente o Cover Crop: a) o ataque de formigas, principalmente na primeira época, as quais contribuíram para redução do estande inicial. Foram realizadas várias aplicações de formicidas, que reduziram o ataque; b) escoamento superficial e conseqüente carreamento das sementes pela enxurrada, durante algumas chuvas intensas, mesmo na presença de terraços na gleba utilizada para condução do experimento; e c) em especial, o

Cover Crop, na presença de intensa radiação solar ocorreu o crestamento do coleóptilo e da radícula, resultando na morte da plântula. Isso evidencia que a emissão da radícula em condições de alta radiação solar, associada à perda de umidade superficial do solo, pode acarretar desidratação das sementes e morte do embrião. Esse fenômeno pode explicar o baixo estande desta planta de cobertura, principalmente nas primeiras épocas de sobressemeadura, mesmo com precipitação suficiente para manter úmido o solo após a distribuição das sementes (Figura 2 e Tabela 11), o que permite inferir o maior risco quando o estádio fenológico R7 da soja coincida com períodos de veranicos. Não obstante, o uso do Cover Crop

em sobressemeadura da soja, com base em informações de Boer (2005)* é justificado pelo significativo crescimento da planta de cobertura, o qual será discutido mais adiante e por apresentar maior velocidade de emergência em semeadura na superfície do solo dentre as plantas de cobertura avaliadas, constatada em observações visuais nesse experimento, mas não-contabilizadas.

Tabela 12. Número de plantas emergidas em quatro épocas, aos 15 dias após a sobressemeadura (DASO) das plantas de cobertura.

Época de sobressemeadura 30/01/2006 13/02/2006 22/02/2006 14/03/2006 Planta de cobertura Número de plantas em 0,50 m2 B. decumbens 13,27 Ba 0,80 Bb 13,85 Da 12,25 CDa B. ruziziensis 32,73 Aa 1,15 Bb 25,68 Ca 21,08 Ba B. brizantha 12,00 Ba 1,26 Bb 10,50 Da 9,33 Da Capim-pé-de-galinha 30,95 Ab 15,93 Ac 58,30 Aa 37,50 Ba Milheto ADR500 12,43 Bc 4,73 Bd 40,00 Bb 84,00 Aa Cover Crop 8,35 Cbc 1,58 Bc 7,03 Db 24,00 Ba

Médias seguidas de mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha são iguais ao nível de 5 %, pelo teste Tukey.

Quanto ao efeito das épocas de sobressemeadura sobre o número de plantas emergidas das seis plantas de cobertura avaliadas, observou comportamento semelhante nas do gênero Brachiaria, aos 15 e 30 DASO, não diferindo estatisticamente entre as épocas de sobressemeadura, exceto na 2ª época. Brachiaria decumbens, B. ruziziensis e B. brizantha alcançaram, respectivamente, médias de 12,87 e 12,48; 24,77 e 25,64; 11,86 e 12,65 plantas

por 0,50 m2, aos 15 e 30 DASO, exceto na 2ª época. Nessa, provavelmente, ocorreu maior competição com algumas plantas espontâneas de difícil controle, como leiteiro (Euphorbia heterophylla), erva-de-touro (Tridax procumbens) e erva-quente (Spermacoce latifolia). Essas espécies, características do banco de sementes da área experimental, resultaram em maiores dificuldades no processo de emergência das plantas de cobertura, mesmo com as medidas de controle adotadas para sua supressão. Além disso, o maior período de tempo entre a sobressemeadura e o início da emergência de plântulas, evidenciado para as braquiárias, possivelmente, intensificou a influência da matocompetição.

Tabela 13. Número de plantas emergidas em quatro épocas, aos 30 dias após a sobressemeadura (DASO) das plantas de cobertura.

Época de sobressemeadura

30/01/2006 13/02/2006 22/02/2006 14/03/2006

Planta de cobertura

Número de plantas em 0,50 m2

B. decumbens 17,07 Ba 4,42 BCb 8,92 Cab 9,67 BCab

B. ruziziensis 39,00 Aa 5,08 BCb 26,42 Ba 17,67 Ba

B. brizantha 10,58 Ba 2,73 Cb 13,75 Ca 8,00 Cab

Capim-pé-de-galinha 35,33 Ab 44,58 Ab 74,00 Aa 55,25 Aab

Milheto ADR500 18,00 Bb 11,84 Bb 17,34 BCb 60,67 Aa

Cover Crop 11,50 Bab 1,42 Cc 9,42 Cbc 21,17 Ba

Médias seguidas de mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha são iguais ao nível de 5 %, pelo teste Tukey.

Para as demais plantas de cobertura, as melhores épocas quanto à emergência de plântulas aos 15 e 30 DASO foram a 3ª e principalmente a 4ª épocas. Aos 30 DASO, os melhores resultados apresentados nas últimas épocas de sobressemeadura podem ser devido, principalmente, à maior umidade do solo, em valores absolutos, verificada nos primeiros dias após a sobressemeadura.

Quanto à época de semeadura, espera-se que, quanto mais tardia, maior será o prejuízo à emergência em conseqüência da menor disponibilidade hídrica. Todavia, no presente estudo, houve precipitação suficiente para promover boa germinação das plantas de cobertura em sobressemadura, mesmo na quarta época.

Em algumas médias obtidas na sobressemeadura realizada em 22/02/2006, mas principalmente em 14/03/2006, notou-se redução no número de plantas emergidas

contabilizadas da avaliação de 15 DASO para 30 DASO. Isso, provavelmente, deveu-se ao corte de algumas plantas por formigas ou mesmo a supressão exercida devido à competição intra-específica na parcela.

Ao estudar o comportamento da altura de plantas de cada espécie isoladamente entre as épocas de sobressemeadura, aos 30 DASO, observou-se, de modo geral, que a altura de plantas na 4ª época situou-se entre as maiores médias para todas as plantas de cobertura avaliadas (Tabela 14). Para as braquiárias, as duas últimas épocas resultaram nas maiores médias, com, aproximadamente, 19, 16 e 17 cm de altura de plantas para B. decumbens, B. ruziziensis e B. brizantha, respectivamente. A maior umidade do solo nos 10 DASO das plantas de cobertura, pode ter contribuído significativamente para um maior crescimento inicial das plantas. A data em que essa avaliação foi executada coincidiu com o período de colheita da cultura da soja, em todas as épocas de sobressemeadura, podendo-se inferir que, diante dos valores médios de altura determinados para todas as espécies, e considerando-se somente essa variável, o uso da sobressemeadura configura-se como alternativa de baixo risco de interferência no processo de colheita mecanizada da soja. Essa característica é umas das prerrogativas para o sucesso dessa prática, de acordo com Kluthcouski et al. (2004). Todavia, conforme observado por Kluthcouski e Aidar (2003), em caso de atraso na colheita da soja, a altura das plantas, principalmente Cover Crop e milheto, pode prejudicar o rendimento e a qualidade dos grãos.

O capim-pé-de-galinha e Cover Crop, seguindo o comportamento das braquiárias, apresentaram maiores médias de altura de plantas aos 30 DASO em épocas mais tardias de sobressemeadura, embora as médias da 2ª e 3ª épocas para o capim-pé-de-galinha não sejam estatisticamente diferentes da 4ª época.

Por outro lado, ao avaliar a altura de plantas aos 75 DASO, entre as braquiárias, estas alcançaram os maiores valores nas duas primeiras épocas de sobressemeadura, contrariando a avaliação anterior (Tabela 15). O maior fotoperíodo nas épocas mais precoces de sobressemeadura pode ter influenciado significativamente o crescimento das braquiárias; ao contrário, com a redução das horas de luz durante o dia, o crescimento das plantas na 3ª e 4ª épocas pode ter sido prejudicado. Deve-se considerar ainda que a braquiária tem seu período de maior acúmulo de massa após 45 dias de emergência (Portes et al., 2000), portanto, entre a 1ª e a 2ª avaliação.

Tabela 14. Altura de plantas em quatro épocas, aos 30 dias após a sobressemeadura (DASO) das plantas de cobertura.

Época de sobressemeadura 30/01/2006 13/02/2006 22/02/2006 14/03/2006 Planta de cobertura Altura de plantas (cm) B. decumbens 11,63 BCb 9,64 Cb 19,73 Ba 18,51 Ca B. ruziziensis 9,10 Cb 8,33 Cb 15,66 Ba 17,47 Ca B. brizantha 11,68 BCbc 10,47 Cc 17,14 Bab 17,68 Ca

Capim-pé-de-galinha 14,94 BCb 17,53 Bab 17,93 Bab 21,79 Ca

Milheto ADR500 19,57 Ac 22,08 ABbc 26,79 Ab 36,58 Ba

Cover Crop 16,48 ABc 26,92 Ab 31,21 Ab 43,36 Aa

Médias seguidas de mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha são iguais ao nível de 5 %, pelo teste Tukey.

Tabela 15. Altura de plantas em quatro épocas, aos 75 dias após a sobressemeadura (DASO) das plantas de cobertura.

Época de sobressemeadura 30/01/2006 13/02/2006 22/02/2006 14/03/2006 Planta de cobertura Altura de plantas (cm) B. decumbens 68,69 Ca 64,58 Ca 50,83 Cb 30,39 Dc B. ruziziensis 74,75 Ca 75,97 Ca 55,08 Cb 39,58 Dc B. brizantha 64,47 Ca 68,58 Ca 44,89 Cb 30,19 Dc Capim-pé-de-galinha 79,45 Ca 73,50 Ca 51,22 Cb 52,06 Cb Milheto ADR500 155,57 Ba 152,72 Ba 157,33 Ba 157,47 Ba Cover Crop 199,41 Aa 204,61 Aa 205,58 Aa 192,69 Ab

Médias seguidas de mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha são iguais ao nível de 5 %, pelo teste Tukey.

Seguindo a mesma tendência das braquiárias, as médias de altura de plantas aos 75 DASO para o pé-de-galinha e Cover Crop foram maiores nas épocas mais precoces de sobressemeadura. Novamente, a distribuição pluviométrica e o fotoperíodo podem ser apontados como os principais fatores responsáveis por tais resultados. Ainda quanto ao Cover Crop, os dados permitem inferir sua elevada capacidade de crescimento, compensando, assim, o menor estande inicial em relação às demais plantas de cobertura.

Para o milheto, os fatores citados anteriormente não afetaram seu desenvolvimento em altura, pois não se detectaram diferenças estatísticas entre as épocas avaliadas. Isso reforça a informação sobre a rusticidade do milheto, como já descritas por Scaléa (1998). Apesar das referências sobre o efeito do fotoperíodo na redução do porte das plantas de milheto (Geraldo et al., 2002), para as épocas de sobressemeadura avaliadas, isso não foi observado.

Ao confrontar o desempenho das plantas de cobertura em cada época de sobressemeadura, observou-se que o milheto e o Cover Crop apresentaram, concomitantemente, os maiores valores de altura de plantas aos 30 DASO nas três primeiras épocas de sobressemeadura. Na 4ª época de sobressemeadura, o Cover Crop despontou, isoladamente, com média de altura em torno de 43,36 cm, seguido pelo milheto, 36,58 cm de altura. As demais plantas de cobertura não apresentaram diferenças entre si, posicionando-se entre aquelas com menor altura. Na segunda avaliação, realizada aos 75 DASO, o Cover Crop alcançou as maiores médias em todas as épocas de sobressemeadura, chegando a 205, 58 cm de altura, enquanto a B. brizantha, no outro extremo, não atingiu 45 cm na mesma época. O milheto apresentou comportamento intermediário, enquanto o capim-pé-de-galinha e as braquiárias obtiveram os menores valores de altura de plantas em todas as épocas avaliadas. O lento crescimento inicial das braquiárias, como demonstrado por Portes et al. (2000), aliado à própria fisiologia dessas plantas de cobertura, podem explicar esses resultados.

Trecenti (2005) avaliando o desempenho de diversas espécies em sucessão a culturas anuais, em Planaltina-DF, constatou, no início de floração, altura de plantas de braquiária na ordem de 75 cm, para o milheto 165 cm e o capim-pé-de-galinha com 72 cm. O mesmo autor encontrou altura máxima de plantas de capim-pé-de-galinha, milheto e braquiárias em sobressemeadura na soja de 96, 130 e 28 cm, respectivamente. Esses resultados foram inferiores aos obtidos no presente trabalho. Mas ambos mostraram que o milheto é uma espécie de rápido crescimento, podendo, em caso de atraso na colheita mecânica da soja, interferir negativamente nesse processo.

Para a variável cobertura do solo, analisando cada planta de cobertura nas diferentes épocas de sobressemeadura, nas duas avaliações, 30 e 75 DASO (Tabelas 16 e 17), observou- se a tendência de maiores médias de cobertura do solo na 4ª época de sobressemeadura, para o capim- pé-de-galinha, milheto e Cover Crop. A maior emergência e crescimento de plantas apresentados e discutidos anteriormente contribuíram para o desempenho na última época de sobressemeadura para aquelas espécies. Já as braquiárias, principalmente B. decumbens e B. brizantha, sofreram menor interferência das épocas de sobressemeadura aos 30 DASO, alcançando média de 34,37 e 33,34 % de cobertura de solo nas épocas avaliadas.

Concordando com as informações de número de plantas emergidas, a 2ª época proporcionou valores de cobertura do solo inferiores às demais. A alta infestação de plantas espontâneas na 2ª época pode ter influenciado, negativamente, o crescimento foliar dessas espécies, contribuindo para o baixo desempenho inicial das braquiárias, o que corrobora as observações

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