ARTIGO 1 DEMANDA NUTRICIONAL E EXPORTAÇÃO DE NUTRIENTES
2 MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no Centro de desenvolvimento Científico e Tecnológico da UFLA (Fazenda Muquém), no município de Lavras-MG, na safra agrícola 2017/2018. O solo do local é caracterizado como Latossolo Vermelho Amarelo com textura argilosa (EMBRAPA, 2013). Os atributos químicos do solo da área antes da correção do solo são apresentados na Tabela 1. A temperatura média diária, intensidades e distribuições das chuvas durante a condução do experimento são apresentadas na Figura 1.
Antes da semeadura do feijão foram aplicados 3 t ha-1 de calcário dolomítico com 38% de CaO e 12% de MgO, PN de 98%; RE de 85% e PRNT de 85%. O corretivo foi aplicado na superfície e sem incorporação, por se tratar de uma cultura manejada sob sistema de plantio direto (CAIRES, 2013).
O experimento foi conduzido em delineamento experimental de blocos ao acaso com quatro repetições. Cada parcela tinha dimensão de 28,8 m2, pois era composta por oito linhas com 6 metros de comprimento, espaçadas a 0,6 m. Como área útil da parcela foram adotadas as quatro linhas centrais, deixando-se 1 m de bordadura em cada extremidade das linhas, totalizando-se 9,6 m2. Na área útil utilizaram-se duas linhas para coletas de plantas ao longo
do ciclo da cultura, e outras duas para estimar a produtividade de grãos.
Tabela 1 - Atributos químicos do solo nas profundidades de 0 a 20 e 20 a 40 cm de profundidade, antes da implantação do experimento. Lavras-MG, 2017.
pH P K Ca Mg S B Cu Fe Mn Zn água ____mg dm-3___ _cmolc dm-3_ mg kg-1 ________________mg dm³_________________ 0-20 5,7 31,2 153,1 2,9 0,8 0,13 0,3 0,6 63,5 12,1 6,6 20-40 5,1 7,4 68,1 1,6 0,4 8,2 0,3 3,2 67,4 6,6 2,4 Al3+ H+Al SB t T V M M.O ____________ cmol c dm-3____________________ ____ % _______ dag kg-1 0-20 0 4,1 4,1 4,1 8,2 50,2 0,05 2,1 20-40 0,17 4,2 2,2 2,4 6,4 34,9 6,8 1,6
SB=soma de bases, V=saturação por bases, m=saturação por alumínio; M.O=matéria orgânica.
1Mehlich-1
Fonte: Da autora (2019).
Figura1 - Índice de precipitação na Estação Climatológica Principal de Lavras-MG, 2019.
Utilizou-se quatro cultivares de feijão-comum com alto potencial produtivo. Duas do tipo I (TAA Gol e BRS FC 104, grupo comercial carioca), uma do tipo II (IPR Tuiuiú, grupo preto) e uma do tipo III (TAA Dama, grupo carioca). No dia da semeadura, as sementes foram tratadas com Standak Top® (piraclostrobina 25 g L-1, tiofanato metílico 225 g L-1, fipronil 250 g L-1). Para as cultivares tipo I, a densidade de semeadura foi de 270 mil sementes, para
tipo II 220 mil e para tipo III, 170 mil sementes ha-1.
A semeadura ocorreu no dia oito de novembro de 2017, sendo a adubação de base realizada conforme recomendações de Sousa e Lobato (2004), visando-se alcançar a produtividade de cerca de 60 sacas por hectare, conforme a produtividade de feijão dos produtores de alta tecnologia do estado de Minas Gerais. Desta forma, na adubação de semeadura, aplicaram-se 26 kg ha-1 de N e 124 kg ha-1 de P2O5, utilizando-se como fonte o
NPK 08-38-00, contendo 18% de S, 045% de Zn, 045 % de Mn, 0,15% de Cu e 0,15% de B. A adubação potássica foi realizada a lanço, logo após a semeadura, com 50 kg ha-1 de K2O. A
cobertura nitrogenada foi realizada quando o feijão emitiu o terceiro trifólio (estádio V4), com 90 kg ha-1 de N, utilizando-se ureia.
Durante todo o ciclo da cultura, foram realizados monitoramentos periódicos para o controle de plantas daninhas, doenças e pragas. O controle de insetos foi efetuado com aplicação de tiametoxam (141 g L-1), na dose de 100 mL ha-1. Para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas utilizou-se o herbicida Fusilade® na dose de 1 L ha-1. Para o controle de plantas daninhas de folhas largas, utilizou-se a mistura dos herbicidas Flex® (500 mL ha-1) e Amplo® (500 mL ha-1). Além disso, quando necessário efetuou-se o arranquio manual de plantas remanescentes, evitando-se que as mesmas prejudicassem o desenvolvimento normal das plantas. Após um grande volume de chuvas (cerca de 260 mm acumulados em 30 dias) a cultivar TAA Gol mostrou-se bastante suscetível ao crestamento bacteriano, observação feita aos 56 dias após a semeadura, quando a cultivar se encontrava no estádio R8.
Para avaliação do acúmulo de nutrientes, as plantas foram coletadas nos seguintes estádios fenológicos: V4 (4, 6 e 8 trifólios), R5, R7, R8 e R9. As plantas foram cortadas rente ao solo e, de acordo com cada estádio, separadas em folha, caule, vagens e grãos. As épocas e procedimentos de coleta encontram-se descritos na Tabela 2. A cultivar TAA Gol com 8 trifólios por ser bastante precoce já apresentava algumas plantas com botões florais. Portanto, para essa cultivar ficou determinado a época de coleta ‘8 trifólios/R5’.
Tabela 2 - Épocas de coleta e separação de partes das plantas de feijão. Estádio
Fenológico
Procedimento de coleta V4- 4 trifólios Avaliação da planta inteira. V4- 6 trifólios Avaliação da planta inteira. V4- 8 trifólios Avaliação da planta inteira.
R5 Avaliação de compartimentos separados: Folha e caule. R7 Avaliação de compartimentos separados: Folha e Caule.
R8 Avaliação de compartimentos separados: Folha, Caule e Vagens (com grãos) R9 Avaliação de compartimentos separados: Folha, Caule, Vagens e Grãos
Fonte: Da autora (2019).
Determinou-se o acúmulo de massa seca e de nutrientes total, e em cada estádio fenológico, bem como a exportação de nutrientes pelos grãos. Para isso, o material vegetal foi seco em estufa a 65 ºC, posteriormente moído e enviado ao laboratório para análise química de N, P, K, Ca, Mg, S, B, Cu, Fe, Mn e Zn. A produtividade de grãos foi determinada a partir da colheita de duas linhas de seis metros e a umidade dos grãos padronizada para 13%.
Foram construídas curvas de absorção de nutrientes em função do estádio fenológico da cultura. Os dados experimentais foram submetidos a análises de variância, para se verificar a existência de diferença de absorção de nutrientes entre as cultivares em cada estádio fenológico. Quando houve efeito significativo, realizou-se o teste de agrupamento de médias de Scott-Knott, a 5% de probabilidade, para comparação dos tratamentos, utilizando-se o programa SISVAR (FERREIRA, 2011).