Área Experimental, animais e dietas
Todos os procedimentos deste trabalho foram conduzidos de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Colégio Brasileiro de Experimentação Animal e aprovadas pelo Comitê de Ética em Uso de Animais para Pesquisa (CEUA) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (licença nº 033/2014).
O experimento foi conduzido na estação experimental do Instituto Agronômico de Pernambuco, localizada no município de Arcoverde, estado de Pernambuco - Brasil, Região semiárida que apresenta clima classificado como Bsh' (Köppen, 1948), e está situada a latitude 8º 25’ 08” S, longitude 37º 03’ 14” W e 663 m de altitude.
Dez vacas multíparas Girolando (5/8 Holandês x Gir) em 90 ± 30 dias de lactação com média de 500 kg de peso corporal (PC) foram distribuídas em dois
Quadrados Latinos 5 x 5. A pré-adaptação dos animais ao manejo e às instalações teve duração de 15 dias, seguida de um período experimental de 105 dias, dividido em cinco períodos de 21 dias cada, no 1° ao 14° dias destinadas para adaptação dos animais às dietas experimentais e do 15° ao 21° dia para coleta de dados e amostras.
As dietas experimentais foram isonitrogenadas e formuladas com base na composição química dos ingredientes (Tabela 1). As dietas testadas foram constituídas por níveis de substituição de palma miúda (MIU) (Nopalea cochenillifera Salm Dyck) por palma orelha de elefante mexicana (OEM) (Opuntia stricta (Haw,) Haw) (0; 25; 50; 75 e 100% com base na matéria seca)e formuladas de acordo com o proposto pelo NRC (2001) para vacas de 500 kg PC e produção média de leite de 12 kg/dia (corrigido para 4% de gordura). A proporção dos ingredientes, a composição química e o perfil de ácidos graxos das dietas experimentais com diferentes proporções de substituição de MIU por OEM é apresentada na Tabela 2.
Tabela 1. Composição química dos ingredientes utilizados nas dietas experimentais.
g/Kg Silagem de Cana Palma O, de Elefante Mexicana Palma
Miúda Milho Moído
Farelo de Soja MS 390 94 157 885,7 893,5 MO 894,7 881,2 929,2 984,4 935,1 PB 19,8 60 33,8 89,1 484,7 EE 10,4 12,7 10,4 46 13,2 FDN 701,8 262 246 119,1 151,2 FDNi 320 118,3 133,4 16,5 15,5 CNF 162,7 547,3 639 730,2 286 pH - 4,59 5,01 - - Ácido málico - 1,81 1,10 - -
Ácidos graxos (g/100g de AG totais)
C10:0 1,75 - - - - C12:0 1,42 1,78 1,22 0,02 0,13 C14:0 1,50 1,72 3,04 0,09 0,27 C16:0 30,10 27,75 26,97 18,18 21,83 C16:1 1,98 0,00 0,00 0,00 0,00 C17:0 1,77 0,00 0,00 0,00 0,00 C18:0 5,72 3,23 3,47 1,42 2,40 C18:1 n9 23,69 6,39 6,59 26,44 12,19 C18:1 cis-11 - - - 0,85 1,49 C18:2 n6 15,88 31,72 29,26 50,67 56,97 C18:3 n3 0,10 16,54 16,50 1,81 4,48
Continuação...
Tabela 1. Composição química dos ingredientes utilizados nas dietas experimentais.
g/Kg Silagem de Cana Palma O, de Elefante Mexicana Palma
Miúda Milho Moído
Farelo de Soja
C20:0 0,00 0,76 0,54 0,25 0,08
C22:0 0,00 0,58 0,54 0,18 0,11
C24:0 0,00 0,68 0,65 0,09 0,05
ag/kg de alimento; FDNcp = Fibra insolúvel em detergente neutro corrigido para cinzas e proteínas; FDNi = Fibra em detergente neutro indigestível.
Tabela 2. Proporção dos ingredientes, composição química e perfil de ácidos graxos nas dietas experimentais
Itens Níveis de substituição (g/kg de MS)
0 25 50 75 100
Silagem de cana 300 300 300 300 300
Miúda 480 360 240 120 0
Orelha de Elefante Mexicana 0 120 240 360 480
Farelo de soja 203 193 183 173 163 Milho 0 9,4 21,5 29,6 38,4 Sal 5 5 5 5 5 Ureia/SA1 4,4 4,4 4,4 4,4 4,4 Mineral2 10 10 10 10 10 Composição química (g/kg de MS) Matéria seca 392 384 379 370 361 Matéria orgânica 902 897 891 886 881 Proteína bruta 132 131 131 130 129 Extrato etéreo 10,8 11,4 12,0 12,6 13,1
Fibra em detergente neutro3 357 359 361 363 365
Carboidratos não-fibrosos 408 402 394 387 381 Ácidos graxos (g/100g de AG totais)
C10:0 0,53 0,53 0,53 0,53 0,53 C12:0 1,04 1,1 1,17 1,23 1,3 C14:0 1,96 1,8 1,64 1,48 1,32 C16:0 26,41 26,45 26,55 26,57 26,6 C16:1 0,59 0,59 0,59 0,59 0,59 C18:0 0,53 0,53 0,53 0,53 0,53 C17:0 3,87 3,83 3,8 3,75 3,71 C18:1 cis-9 12,75 12,85 13,02 13,09 13,17 C18:1 cis-11 0,3 0,3 0,29 0,28 0,28 C18:2 n-6 30,37 30,58 30,91 31,05 31,22 C18:3 n-3 8,86 8,84 8,82 8,79 8,77 C20:0 0,28 0,3 0,33 0,36 0,39 C22:0 0,28 0,29 0,29 0,3 0,3 C24:0 0,28 0,33 0,33 0,34 0,34
¹Nove partes de ureia:uma parte de sulfato de amônia (SA); 2componentes: fosfato dicalcio; calcário; sal; sulfeto; sulfato de zinco; sulfato de cobre; sulfato de magnésio; iodato de potássio; 3 correção para cinzas e proteína.
As dietas foram fornecidas ad libitum, na forma de mistura completa total, em duas refeições diárias (7:00h e 16:00h), permitindo-se 12% de sobras, que foram pesadas diariamente antes da refeição matinal para obtenção do consumo de alimentos do dia anterior e ajustes na quantidade fornecida. As vacas foram alojadas em baias individuais semicobertas com 24 m2 cada, providas de bebedouros e comedouros.
Amostragem e análises químicas
As amostras de ingredientes dietéticos e sobras foram coletados entre o 15° a 21° dias do período experimental e congeladas a -20°C e subsequentemente o material foi descongelado para composição das amostras compostas por período experimental e por animal. As amostras então, foram pré-secas em estufa de ventilação forçada (55°C/72h) e moídas em moinho de facas (Modelo Thomas Wiley Co, Swedesboro, NJ) com peneiras de porosidade de 1 mm para análises químicas. Os conteúdos de matéria seca (MS, método 934,01), matéria mineral (MM, método 942,05), proteína bruta (método PB 990,13) e extrato etéreo (EE, método 920,39) foram analisados de acordo com a AOAC (2005). As análises de fibras em detergente neutro (FDN) e as correções de cinzas seguiram os métodos sugeridos por Van Soest (1994). O nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NIDN) foi analisado de acordo com Licitra et al. (1996). Os teores de carboidratos não-fibrosos foram calculados de acordo com Hall (2000).
No 21º dia, quatro horas após a alimentação matinal, foram coletadas amostras de sangue por venopunção coccígea, em tubos sem anticoagulante, centrifugadas (3,500 rpm por 15 minutos) e congeladas –20°C para determinação da concentração de β- hidroxibutirato (BHBA) por colorimetria, utilizando-se kits comerciais (Randox®).
As vacas foram ordenhadas mecanicamente duas vezes ao dia (6:00h e 15:00h), sendo registrada a produção de leite do 15° a 21° dias do período experimental. Por meio de dispositivo acoplado à ordenhadeira, foram coletadas amostras individuais de leite nos dois turnos, no 19º e 20º dias de cada período experimental, sendo obtidas duas amostras compostas por animal por período. As amostras coletadas foram acondicionadas em recipiente plástico com o conservante Bronopol® (2-bromo-2-nitro- 1,3-propanodiol; D&F Control System Inc,, EUA) e utilizadas para determinação dos teores de gordura de acordo com metodologia do ISO 9622/IDF 141C (2013), em
laboratório especializado. A produção de leite corrigida para 4,0% de gordura (PLCG) foi calculada utilizando-se a equação proposta por Sklan et al. (1992).
Determinação de ácidos graxos
Amostras de leite tomadas sem conservantes, ingredientes dietéticos e sobras obtidas no período de coletas destinadas à determinação de ácidos graxos (AG) foram processadas e analisadas por cromatografia gasosa, conforme procedimentos descritos por Ribeiro et al. (2014). Para a determinação de AG nos ingredientes e sobras foi utilizado cromatógrafo 6890N equipado com coluna capilar (25 m x 0,20 m x 0,33 μm) de polietilenoglicol (HP-FFAP, Agilent Technologies Inc,, EUA) e detector de ionização de chama (FID), e para determinação de AG nas amostras de leite foi utilizado cromatógrafo modelo 7820A (Agilent Technologies Inc,, EUA) equipado com coluna capilar de sílica fundida (CP-Sil 88, 100 m x 0,25 mm x 0,2 μm, Varian Inc,, EUA) e detector de ionização de chama (FID).
Índices e qualidade nutricional do leite
Os índices de atividade da enzima esteroil-CoA dissaturase (SCD-1), na gordura do leite, foram calculados para quatro pares de ácidos graxos, expressando cada produto como uma proporção do precursor mais produto: (SCD14 = C14:1 cis-9/14:0 + C14:1 cis-9; SCD16 = C16:1 cis-9/16:0 + C16:1 cis-9; SCD18 = C18:1 cis-9/18:0 + C18:1 cis- 9; e SCDRA= CLA cis-9 trans-11/C18:1 trans-11 + CLA cis-9 trans-11) (Kelsey et al., 2003).
Com base no perfil de ácidos graxos do leite, foram calculados os índices de aterogenicidade (IA) e de trombogenicidade (IT), conforme descrito por Barros et al. (2013); e as relações entre AG ômega 6 e ômega 3 (ω-6:ω-3) e entre AG hipo e hipercolesterolêmicos (h/H) conforme descrito por Ribeiro et al. (2014). Estes índices têm sido utilizados como indicadores da qualidade nutricional da gordura do leite.
Análise estatística
Os dados foram submetidos à análise de variância e de regressão pelo procedimento PROC MIXED por meio do programa estatístico SAS (versão 9.4, SAS Institute Inc, Cary, NC), depois de testados para normalidade residual e homogeneidade
da variância, e adotando-se nível de significância de 5% para o erro tipo I, de acordo com o seguinte modelo:
yijkl = μ + τi + Qj + Pk + (A/Q)lj + τ*Qij+ εijkl
Onde: yijkl = observação ijkl; μ = media geral; τi = efeito fixo do tratamento i; Qj = efeito fixo do quadrado j; Pk = efeito fixo do período k ; (A/Q)lj = efeito aleatório do animal l dentro do quadrado j; τ*Qij, = efeito fixo da interação tratamento i e quadrado j; εijkl = erro aleatório com a media 0 e variância σ2.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O somatório dos ácidos graxos saturados de cadeia curta
∑C4:0+C6:0+C8:0+C10:0 e somatório dos AGs saturados de cadeia média ∑C12:0+C14:0+C16:0, bem como estes individualmente, reduziram linearmente em função da substituição da palma MIU pela OEM (P<0,05; Tabela 3). AGs C15:0 ante
iso e o C15:0 reduziram, ao passo que o AG C15:0 iso aumentou linearmente com as
substituições de MIU por palma OEM (P<0,05; Tabela 3).
Praticamente 100% dos AG de cadeia curta são derivados da síntese de novo, sendo o acetato e o BHBA suas principais fontes de carbono (Shingfield et al., 2013); contudo no presente estudo, os valores de BHBA não variaram (média de 0,73 mmol/L).
As concentrações dos AGs de cadeia impar linear (AGCIL) e cadeia impar ramificada (AGCIR) diminuíram linearmente com a maior inclusão de OEM nas dietas (P<0,05; Tabela 3). Houve aumento linear dos AGs C18:0 (esteárico), C18:1 trans-6
trans-8, C18:1 trans-9, C18:1 trans-10, C18:1 trans-11, C18:1 trans-12 com a
substituição de palma MIU por OEM (P<0,05; Tabela 3).
Em estudo realizado por Rocha filho (2012), foram avaliados os efeitos de genótipos de palma forrageira resistentes à cochonilha do carmim (Miúda, IPA Sertânia e Orelha de Elefante Mexicana) e comparados aos efeitos da palma Gigante em dietas para vacas em lactação. A dieta com palma OEM promoveu alterações desejáveis,
quando comparada com o perfil oriundo de outras dietas. Esta dieta OEM promoveu menor proporção de C16:0 e maior de C18:0. Essas proporções, encontradas pelo autor, corroboram os resultados do presente estudo, uma vez que, a medida em que a OEM foi elevada nas dietas, os níveis de C16:0 diminuíram e o de C18:0 aumentaram no leite, indicando que a OEM promove alterações no perfil da gordura no leite.
Segundo Markiewicz-Keszycka et al. (2013), pesquisas realizadas desde 2000 contradizem a tese de que o consumo de leite e produtos lácteos iriam aumentar a síntese de LDL e o risco de doenças coronarianas. Portanto, acredita-se que o aumento da concentração sanguínea de LDL é atribuído aos ácidos C12:0 láurico, C14:0 mirístico e C16:0 palmítico, enquanto que os demais ácidos graxos saturados encontrados no leite, neutralizam sua ação, uma vez que aumentam o nível de HDL (Parodi, 2009).
O AG C18:2 n-6 apresentou comportamento quadrático e o ∑C18:2 (C 18:2
trans 9 trans 12+C18:2 cis 9 trans 12) aumentou linearmente com a substituição
substituições de palma MIU por OEM (P<0,05; Tabela 3). A substituição de MIU por OEM proporcionou aumento linear (P<0,05) dos AGs C20:0, C20:2 n-6, C20:3 n-6, C20:4 n-6, C22:0, C23:0 e C24:0.
O ∑trans e o ∑ trans (exceto vacênico e rumênico), apresentaram comportamento quadrático as substituições de palma MIU por OEM (P<0,05).
Tabela 3. Perfil de ácidos graxos do leite de vacas alimentadas com níveis de palma Orelha de Elefante Mexicana em substituição à Miúda.
g/100g de AG totais Níveis de substituição de MIU por OEM EPM P
0 25 50 75 100 L Q ∑C4:0+C6:0+C8:0+C10:0 1,077 1,057 1,081 1,081 1,048 0,290 0,047 > 0,05 C12:1 cis-9 + C:13:0 4,69 4,63 4,52 4,40 4,26 0,192 <0,001 >0,05 C14:0 13,04 13,07 13,13 12,77 12,74 0,439 0,011 0,184 C14:0 iso 0,123 0,134 0,119 0,129 0,127 0,008 >0,05 >0,05 C15:0 iso 0,314 0,330 0,383 0,347 0,422 0,021 <0,001 >0,05 C15:0 ante iso 0,759 0,763 0,701 0,699 0,689 0,028 0,001 >0,05 C15:0 2,07 1,88 1,72 1,78 1,70 0,065 <0,001 0,031 C16:0 41,37 39,48 39,66 38,45 38,44 1,150 <0,001 0,217 ∑C12:0+C14:0+C16:0 59,41 57,49 57,57 55,91 55,71 0,861 <0,001 >0,05 C17:0 0,969 0,906 0,906 0,892 0,865 0,047 0,067 >0,05 ƩAGCIL1 3,58 3,26 3,07 3,16 3,00 0,109 <0,001 0,101 ƩAGCIR2 4,65 4,36 4,16 4,21 4,12 0,119 <0,001 0,081 C18:0 3,08 3,78 4,14 4,18 4,89 0,308 <0,001 >0,05
Continuação...
Tabela 3. Perfil de ácidos graxos do leite de vacas alimentadas com níveis de palma Orelha de Elefante Mexicana em substituição à Miúda.
g/100g de AG totais Níveis de substituição de MIU por OEM EPM P
0 25 50 75 100 L Q C18:1 trans 4 0,006 0,008 0,007 0,007 0,007 0,001 0,215 0,152 C18:1 trans 5 0,006 0,007 0,007 0,006 0,007 0,001 0,153 0,251 C18:1 trans 6 trans 8 0,091 0,104 0,103 0,105 0,119 0,007 0,003 >0,05 C18:1 trans 9 0,086 0,095 0,099 0,105 0,102 0,004 <0,001 0,065 C18:1 trans 10 0,132 0,140 0,147 0,159 0,150 0,010 0,047 >0,05 C18:1 trans 11 0,855 0,913 0,938 0,958 1,037 0,081 0,017 >0,05 C18:1 trans 12 0,090 0,097 0,101 0,105 0,112 0,006 0,001 >0,05 C18:1 trans 13 trans 14 0,172 0,182 0,171 0,188 0,172 0,010 >0,05 >0,05 C18:1 trans 16 0,078 0,088 0,090 0,090 0,100 0,010 0,077 >0,05 C18:1 cis 9 8,85 10,314 10,440 11,32 11,63 C18:2 trans 9 trans 12 0,016 0,014 0,014 0,015 0,013 0,001 0,114 >0,05 C18:2 cis 9 trans 12 0,023 0,023 0,022 0,024 0,022 0,001 >0,05 >0,05 C18:2 n-6 1,22 1,31 1,30 1,41 1,26 0,053 0,151 0,018 ∑C18:23 1,274 1,365 1,360 1,462 1,311 0,013 0,010 0,511 C18:3 n-6 0,034 0,035 0,035 0,035 0,037 0,002 0,272 >0,05 CLA cis 9 trans 11 0,524 0,550 0,534 0,610 0,573 0,040 0,072 >0,05 CLA trans 9 cis 11 0,021 0,022 0,019 0,021 0,020 0,002 >0,05 >0,05 CLA trans 10 cis 12 0,006 0,007 0,005 0,005 0,007 0,001 >0,05 0,211 C18:3 n-3 0,166 0,180 0,170 0,183 0,178 0,011 0,163 >0,05 C20:0 0,072 0,086 0,087 0,093 0,110 0,007 <0,001 >0,05 C20:2 n-6 0,017 0,019 0,019 0,019 0,020 0,001 0,010 >0,05 C20:3 n-6 0,090 0,098 0,094 0,103 0,100 0,006 0,035 >0,05 C20:4 n-6 0,159 0,172 0,168 0,176 0,180 0,008 0,003 >0,05 C20:5 n-3 0,023 0,024 0,024 0,025 0,027 0,002 0,084 >0,05 C22:0 0,043 0,047 0,049 0,050 0,056 0,003 <0,001 >0,05 C22:5 n-3 0,048 0,056 0,057 0,054 0,053 0,004 >0,05 0,112 C23:0 0,030 0,031 0,032 0,032 0,031 0,002 <0,001 0,293 C24:0 0,044 0,050 0,050 0,052 0,055 0,003 <0,001 >0,05 ∑ AGPI4 2,315 2,470 2,427 2,630 2,452 0,029 0,057 0,103 ∑ trans5 2,926 3,091 3,052 3,274 3,249 0,062 0,919 0,023 ∑ trans, exceto VA – RU6 1,897 2,002 1,993 2,131 2,115 0,027 0,875 0,024 ∑C4:0+C6:0+C8:0+C10:0 y = -0,136x + 1075 r² = 0,123 C12:1 cis-9 + C:13:0 y = -0,004x + 4,718 r² = 0,981 C14:0 y = -0,003x + 13,13 r² = 0,616 C15:0 iso y = 0,000x + 0,312 r² = 0,718 C15:0 ante iso y = -0,000x + 0,763 r² = 0,814 C15:0 y = -0,003x + 1,998 r² = 0,770 C16:0 y = -0,027x + 40,85 r² = 0,826
Continuação...
Tabela 3. Perfil de ácidos graxos do leite de vacas alimentadas com níveis de palma Orelha de Elefante Mexicana em substituição à Miúda.
∑C12:0+C14:0+C16:0 y = -0,035x + 59,01 r² = 0,897 ƩAGCIL1 y = -0,005x + 3,466 r² = 0,772 ƩAGCIR2 y = -0,004x + 4,542 r² = 0,786 C18:0 y = 0,016x + 3,21 r² = 0,929 C18:1 trans 6 trans 8 y = 0,000x + 0,093 r² = 0,822 C18:1 trans 9 y = 0,000x + 0,089 r² = 0,812 C18:1 trans 10 y = 0,000x + 0,134 r² = 0,725 C18:1 trans 11 y = 0,001x + 0,858 r² = 0,945 C18:1 trans 12 y = 0,000x + 0,090 r² = 0,986 C18:2 n-6 y = -4E-05x2 + 0,0048x + 1,2126 r² = 0,6187 ∑C18:23 y = 0,000x + 1,320 r² = 0,145 C20:0 y = 0,000x + 0,073 r² = 0,909 C20:2 n-6 y = 2E-05x + 0,017 r² = 0,75 C20:3 n-6 y = 0,000x + 0,092 r² = 0,601 C20:4 n-6 y = 0,000x + 0,161 r² = 0,813 C22:0 y = 0,000x + 0,043 r² = 0,934 C23:0 y = 1E-05x + 0,030 r² = 0,321 C24:0 y = 1E-04x + 0,045 r² = 0,888 ∑ trans5 y = -0,0136x2 + 4,676x + 2935,6 r² = 0,8357 ∑ trans, exceto VA – RU6 y = -0,0109x2 + 3,3457x + 1901 r² = 0,8745
L = Efeito linear; Q = Efeito quadrático; AGCIL = AG de cadeia ímpar linear; AGCIR = AG de cadeia ímpar e ramificada; AGPI= Ácidos graxos poliinsaturados; ∑18:2 = Soma dos AG C18:2, excluindo os isômeros do ácido linoléico conjugado (CLA); ∑ trans, exceto VA-RU = Soma dos AG trans, exceto C18:1 trans-11 (VA) e CLA cis-9 trans-11 (RU),
1= C5:0 + C7:0 + C9:0 + C11:0 + (C12:1 cis-9 + C13:0) + C15:0 + C17:0 + C17:1 cis-9 + (C18:1 cis-15 + C19:0) + C21:0 + C23:0; 2= AGCIL + C15:0 iso + C15:0 anteiso; 3= C18:2 trans-9 trans-12 + C18:2 cis-9 trans-12 + C18:2 trans-9 cis-12 + C18:2 n-6; 4= C18:2 trans-9 trans-12 + C18:2 cis-9 trans-12 + C18:2 trans-9 cis-12 + C18:2 n-6 + C18:3 n-6 + C18:3 n-3 + CLA cis-9 trans-11 + CLA trans-9 cis-11 + CLA trans-10 cis-12 + C20:2 n-6 + C20:3 n-6 + C20:4 n-6 + C20:5 n-3 + C22:5 n-3; 5= (C16:1 trans-9 + C17:0 iso ) + C16:1 trans-12 + C18:1 trans-4 + C18:1 trans- 5 + C18:1 trans-6 trans8 + C18:1 trans-9 + C18:1 trans-10 + C18:1 trans-11 + C18:1 trans-12 + C18:1 trans-13 trans- 14 + C18:1 trans-16 + C18:2 trans-9 trans-12 + C18:2 cis-9 trans-12 + C18:2 trans-9 cis-12 + CLA cis-9 trans-11 + CLA trans-9 cis-11 + CLA trans-10 cis-12; 6= (C16:1 trans-9 + C17:0 iso ) + C16:1 trans-12 + C18:1 trans-4 + C18:1 trans-5 + C18:1 trans-6 trans8 + C18:1 trans-9 + C18:1 trans-10 + C18:1 trans-12 + C18:1 trans-13 trans-14 + C18:1 trans-16 + C18:2 trans-9 trans-12 + C18:2 cis-9 trans-12 + C18:2 trans-9 cis-12 + CLA trans-9 cis-11 + CLA trans10 cis-12.
Segundo Bauman et al. (1999), a hidrogenação de C18:1 trans-11 parece ser um passo limitante na sequência da bio-hidrogenação e, como consequência, este penúltimo intermediário da reação se acumula no rúmen e torna-se mais disponível para a absorção.
A síntese do ácido vacênico (C18:1 trans-11) precursor do CLA, é superior com dietas ricas em fibra, esse processo pode estar relacionado ao fato da bactéria
Butyrivibrio fibrisolvens, utilizada como bactéria padrão para a formação de CLA in vitro, crescer melhor sob estas condições. É uma bactéria que possui a enzima
isomerase trans-11, ela sintetiza o CLA cis-9 trans-11 como o primeiro intermediário na sequência da bio-hidrogenação do ácido linoléico e o C18:1 trans-11 após a redução da ligação cis (Kepler e Tove, 1967).
Segundo Kalscheur et al. (1997), a extensão da biohidrogenação aumenta de acordo com o grau de insaturação da dieta. Neste estudo, o aumento linear verificado nas concentrações de grande parte dos AGs C18:1 trans com as substituições de palma MIU por OEM indica que houve maior produção de intermediários da biohidrogenação, sugerindo que ocorreu este fato pela maior velocidade de passagem da digesta, pelo maior consumo de matéria natural nas dietas incrementadas com palma OEM. No entanto, a maior concentração AG’s C18-1 trans, percussores de AG esteárico (C18:0), pode justificar os aumentos nas concentrações destes no leite, à medida que foi incrementada a palma OEM.
Os índices de atividade da enzima Δ9 - dessaturase, SCD14, SCD16 e SCDRA
não foram alterados em função da substituição da palma MIU pela OEM (P>0,05). Entretanto, a enzima ∆9 reduziu a atividade (P<0,05; Tabela 4).
Dentre os vários tecidos dos ruminantes que esta enzima pode ser encontrada, o adiposo e o mamário se destacam em relação a sua influência no perfil de ácidos graxos do leite. A principal função dessa enzima é a de dessaturação, ou seja, introduzir uma dupla ligação a cadeia carbônica de um AG saturado e convertê-lo a monoinsaturados (Jacobs et al. 2011). Para inferir sobre a atividade e seletividade de substrato pela enzima Δ9-dessaturase na glândula mamária, utiliza-se a relação entre os teores dos AG
monoinsaturados cis-9 e os seus isômeros saturados (Bauman e Lock, 2006). Segundo Corl et al. (2001) a síntese endógena CLA tem sido mostrada como sendo mais importante que a biohidrogenação ruminal na secreção deste no leite, contribuindo com 64 a 93% do conteúdo de CLA. Esse processo de síntese envolve a enzima ∆9- dessaturase e o C18:1 trans-11 como substrato. A ∆9-dessaturase acrescenta uma insaturação no carbono 9 do ácido vacênico, formando o CLA cis-9, trans-11, ou em ácidos graxos saturados como é o caso do ácido esteárico, formando AGs monoinsaturados, o ácido oleico.
Tabela 4. Índices de atividade da enzima estearoil-CoA na gordura do leite de vacas alimentadas com níveis de substituição de palma MIU por OEM.
Item Níveis de substituição de MIU por OEM EPM P
0 25 50 75 100 L Q SCD14 0,099 0,099 0,092 0,100 0,096 0,0002 0,734 0,640 SCD16 0,938 0,940 0,944 0,937 0,946 0,00002 0,065 0,145 SCD18 0,743 0,736 0,717 0,727 0,707 0,0002 0,039 0,034 SCDRA 0,382 0,382 0,363 0,392 0,360 0,001 0,122 0,785 SCD18 y = 0,7422 - 0,0003x r² = 0,788
EPM = Erro padrão da média; L = Efeito linear nos níveis de substituição de palma; Q = Efeito quadrático nos níveis de substituição de palma;
Os índices de aterogenicidade (IA), trombogenicidade (IT) e a relação hipo:hipercolesterolêmicos (h/H) apresentaram comportamento quadrático (P<0,05) com a substituição da palma MIU pela OEM (Tabela 5). Os índices de aterogenicidade (IA) e trombogenicidade (IT) indicam o potencial de estímulo à agregação plaquetária; menores valores indicam maior quantidade de AG antiaterogênicos na gordura dos alimentos e, consequentemente, maior potencial de prevenir o aparecimento de doenças cardiovasculares (Tonial et al., 2010). Os AGs saturados C16:0 e C14:0 enriquecem os fosfolipídeos das membranas celulares, interferem com a função normal dos receptores de lipoproteínas de baixa densidade (LDL), reduzem sua remoção e aumentam sua concentração no plasma, e portanto, são considerados hipercolesterolêmicos (Woollett et al., 1992). Entre os ácidos graxos saturados, o C14:0 é considerado o mais hipercolesterolêmico, pois tem potencial para elevar 4 a 6 vezes mais a concentração plasmática de colesterol; em comparação ao C16:0 (Mensink & Katan, 1992) quando estes são provenientes de gorduras naturais.
Os AGs linoleico e α-linolênico são os principais AG ω-6 e ω-3 e a relação entre eles (ω-6:ω-3) resulta em um índice de qualidade nutricional da gordura de um determinado alimento. É importante evidenciar que, para todas as dietas experimentais testadas, os índices foram baixos (5,85), e índices abaixo de 10,0 indicam quantidades desejáveis à dieta humana para a prevenção de riscos de doenças cardiovasculares (FAO, 1994).
O índice h/H está relacionado com a qualidade nutricional da gordura contida nos alimentos, e quanto maior a relação h/H melhor é a qualidade nutricional dessa gordura (Bentes et al., 2009).
Tabela 5. Índices de qualidade nutricional da gordura do leite de vacas alimentadas com níveis de palma OEM em substituição da MIU
Índices
Níveis de substituição de PMD por
POEM EPM P 0 25 50 75 100 L Q Aterogenicidade (IA) 5,315 4,776 4,881 4,419 4,448 0,076 0,964 <0,001 Trombogenicidade (IT) 5,750 5,180 5,326 4,865 4,960 0,093 0,750 0,002 ω-6:ω-3 5,815 5,773 5,848 6,104 5,691 0,222 0,059 0,562 hipo:hipercolesterolêmicos (h/H) 0,154 0,186 0,187 0,210 0,216 0,0004 0,550 <0,001 Aterogenicidade (IA) y = 0,065x2 - 14,867x + 5267,3 r² = 0,859 Trombogenicidade (IT) y = 0,0826x2 - 15,843x + 5698,5 r² = 0,814 hipo:hipercolesterolêmicos (h/H) y = -3E-06x2 + 0,0009x + 0,1567 r² = 0,941 EPM = Erro padrão da média; L = Efeito linear nos níveis de substituição de palma; Q = Efeito quadrático nos níveis de substituição de palma;
Portanto, dietas com elevadas proporções de palma para vacas em lactação parecem produzir gordura no leite com características nutricionais desejáveis para o consumo, com baixos riscos de doenças cardiovasculares. Mais estudos se fazem necessários para o melhor conhecimento do perfil dos AG do leite e da qualidade nutricional destes, resultantes de vacas alimentadas com essas plantas cactáceas de fundamental importância na nutrição e produção de animais ruminantes em regiões semiáridas.
Os resultados apresentados neste trabalho demonstram que há muitos efeitos dos genótipos de palma forrageira na dieta e em parâmetros metabólicos de vacas em lactação que resultam em diferentes perfis e qualidade nutricional da gordura no leite, pontos a serem elucidados por pesquisas na região semiárida.
CONCLUSÃO
A palma Orelha de Elefante Mexicana pode substituir totalmente a palma Miúda sem prejudicar as características nutricionais da gordura do leite de vacas mestiças com produção média de 12,5 kg/dia.
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