Este trabalho do ponto de vista da sua natureza é uma pesquisa aplicada, pois segundo Silva (2001, p.20) “objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos”. Quanto à forma de abordagem do problema é uma pesquisa qualitativa, já que o ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e interpretação dos fenômenos. A pesquisa qualitativa enfatiza nos processos e significados que não são examinados ou medidos em termos de quantidade, intensidade ou frequência (DENZIN, 2006).
De acordo com os objetivos é uma pesquisa descritiva traçando características de determinada população, fenômeno ou local, não havendo a manipulação ou interferência do pesquisador nas respostas. Em relação aos procedimentos técnicos é um estudo de caso por envolver o estudo profundo de um objeto para obter seu conhecimento detalhado (GIL, 2002). O estudo de caso envolve a análise intensiva de um número relativamente pequeno de situações e às vezes o número de casos estudados reduz-se a um com ênfase à completa descrição e entendimento do relacionamento dos fatores de cada situação (CAMPOMAR, 1991). É um estudo de natureza empírica que investiga um determinado fenômeno, geralmente contemporâneo, dentro de um contexto real de vida. Trata-se de uma análise aprofundada de um ou mais objetos (casos), para que permita o seu amplo e detalhado conhecimento (MIGUEL, 2007). A principal tendência em todos os tipos de estudo de caso é que estes tentem esclarecer o motivo pelo qual uma decisão ou um conjunto de decisões foram tomadas, como foram implementadas e quais resultados alcançados (YIN, 2001). 3.2. Descrição do Objeto de Estudo
O presente estudo de caso foi efetuado com coleta de dados obtidos em um barco pesqueiro classificado como Camaroneiro, com pesca extrativa marinha costeira, tendo como base de descarga o Município de Niterói, RJ, Brasil. Por motivos de confidencialidade, não será citado seu nome, apenas descritas as etapas do trabalho e sua respectiva análise. Tal pesqueiro foi analisado no período de junho de 2009 a fevereiro de 2010. Os pescadores funcionários do pesqueiro foram o público alvo da pesquisa.
3.3. Instrumentos da Coleta de Dados e Procedimentos
O ambiente de trabalho foi a fonte direta para a coleta dos dados, avaliando os resultados de maneira descritiva. Para obtenção dos dados, utilizou-se o check-list (Anexo 1) proposto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) (BRASIL, 2002) que consiste em uma lista de verificação das Boas Práticas de Fabricação em estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos. Esta lista de verificação foi aplicada duas vezes no local de trabalho com a permissão dos responsáveis da empresa: uma antes e outra após a elaboração e implantação do Manual de Boas Práticas de Manipulação.
Esta lista é dividida em cinco partes: edificação e instalações, equipamentos, móveis e utensílios, manipuladores, produção e transporte do alimento e documentação de forma a contemplar todas as etapas de captura, recepção, armazenamento e descarga do produto. Portanto, foram coletadas informações acerca das atividades de controle da produção. Os dados levantados pelos check-lists, reunidos em grupos temáticos permitiram a descrição completa da produção. A escolha do modelo deve-se ao fato deste refletir as distintas áreas de empresas produtoras/industrializadores de alimentos. Optou-se por este check-list sem
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adaptações por ser parte anexa de uma Resolução nacional, validada e reconhecida pela ANVISA.
De posse dos check-lists fez-se as visitas para inspeção dos itens listados de forma a conseguir dados necessários para a pesquisa. Além disso, todo o processo de produção está regulamentado tecnicamente por Portarias e Resoluções, referenciadas ao longo de todo trabalho, sendo a base de indicador de desempenho do Manual de Boas Práticas de Fabricação feito com a intenção de incrementar a conformidade das atividades, tornando-as compatíveis com as necessidades da empresa e do mercado.
Para avaliação da temperatura foi utilizado um termômetro a laser da marca Instrutherm, modelo TI-890-04212, escala de -50º à + 1000°C, resolução 0,1ºC/1ºC.
3.3.1 Aplicação
Primeiramente explicou-se aos proprietários da embarcação e aos funcionários os objetivos da pesquisa e sua importância no aprimoramento do processo de produção. Os check-lists foram aplicados no mês de junho de 2009, com duração de aproximadamente 45 minutos cada um. As datas de aplicação foram escolhidas neste mês por ser o reinício da pesca após o período de defeso do camarão que durou de 1º de março até 31 de maio e descida do barco do estaleiro.
3.3.2. Manual de boas práticas de manipulação
O Manual de Boas Práticas de Manipulação (Apêndice) foi produzido no mês de junho de 2009, baseado nos resultados do primeiro check-list, seguindo as mesmas áreas temáticas apresentadas no check-list e as deliberações do Ciclo de Deming.
Após elaborado, o Manual de Boas Práticas de Manipulação foi apresentado aos funcionários, onde em reunião foram expostas as falhas observadas através de leitura e esclarecimento do mesmo. A reunião foi conduzida facilmente visto que as deficiências eram estruturais e documentais. Após a reunião o manual de boas práticas foi incorporado à documentação do barco para esclarecer qualquer dúvida de processo.
Foi aplicado um teste objetivo de múltipla escolha (Anexo 2) após o mês de fevereiro de 2010 aos funcionários para que respondessem a dez questões propostas relativas a práticas e controle higiênico da embarcação, de forma a verificar a assimilação do conteúdo exposto no Manual de Boas Práticas de Manipulação. Foi estipulada esta aplicação do teste após o mês de fevereiro de 2010 por ser o início do defeso e fim de um período financeiro de trabalho, ou seja, de junho de 2009 a fevereiro de 2010.
3.4. Análise de Dados
Após aplicação dos check-lists procedeu-se a análise deste para a identificação de falhas, dos pontos de controle e consequentemente do nível de integração dos processos da empresa. O resultado foi a elaboração de fluxograma, análise da situação e posterior elaboração do manual, seguida de nova análise da situação.
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