SUSTAINABILITY INDICATORS OF THE MUNICIPALITIES OF LOWER COURSE OF THE APODI – MOSSORÓ WATERSHED / RN
2 – MATERIAL E MÉTODOS
2.1 – Localização e caracterização do CPCA/RN
O CPCA/RN está localizado entre os municípios de Mossoró e Areia Branca (Figura 01.a), a cerca de 260 km de Natal e 20 km da cidade de Mossoró. Situa-se na parte nordeste da Bacia Potiguar emersa, sobre um alto estrutural denominado de “Alto de Mossoró”, adjacente à “linha de charneira” de Areia Branca, numa área requerida de aproximadamente, 362,791 km² (ANP, 2009).
O clima predominante dessa área conforme classificação de KÖPPEN é semiárido, sendo tipo BSw seco muito quente, das estepes quentes de baixa latitude e altitude (KÖPPEN E GEIGER, 1928). Essa região também é caracterizada por escassez de chuvas e com distribuição de irregular, de forte insolação, elevados índices de evaporação e altas temperaturas.
Este campo encontra-se inserido, geologicamente, na Província Borborema, sendo constituído por diversas unidades geológicas: Depósitos colúvio-eluviais (sedimentos areno argilosos, arenosos e
conglomeráticos, inconsolidados) (Figura 01.b); Depósitos de mangues (areias finas, siltes, argilas e material orgânico lamoso) (Figura 01.c); Depósitos aluvionares (areias, cascalhos e níveis de argilas); Grupo Barreiras – (Arenitos e conglomerados, intercalações de silititos e argilitos); e Formação Jandaíra (calcarenitos e calcilutitos bioclásticos, cinza claros a amarelados, níveis de evaporito na base) (ANGELIM, 2006).
Os recursos hídricos superficiais da área do CPCA/RN encontram-se totalmente inserido nos domínios da bacia hidrográfica Apodi-Mossoró, sendo banhando pelos rios Apodi-Mossoró (Figura 01.d) e do Carmo (Figura 01.e). (CPRM, 2005). Quanto às águas subterrâneas essa região está inserida no Domínio Hidrogeológico Intersticial e no Domínio Hidrogeológico Karstico-fissural. O Domínio Intersticial é composto de rochas sedimentares do Grupo Barreiras, Depósitos Colúvio-eluviais, Depósitos Flúvio-lagunares e dos Depósitos Aluvionares. O Domínio Karstico-fissural é constituído pelos calcários da Formação Jandaíra (CPRM, 2005).
Os principais tipos de solo da área são: a) GLEISSOLO Tiomórfico Húmico solódico; b) GLEISSOLO Tiomórfico Húmico solódico + PLANOSSOLO Háplico + NEOSSOLO Flúvico; c) LATOSSOLO Vermelho Amarelo Eutrófico + ARGISSOLO Vermelho Amarelo Eutrófico + NEOSSOLO Distróficos + ARGISSOLO Vermelho Amarelo Eutrófico; d) LATOSSOLO Vermelho Amarelo Eutrófico + ARGISSOLO Vermelho Amarelo Eutrófico + NEOSSOLO Distróficos + CAMBISSOLO Eutrófico e; e) ARGISSOLO Vermelho Amarelo Eutrófico + ORGANOSSOLO Eutrófico + ARGISSOLO Vermelho Amarelo Eutrófico (BRASIL, 1968).
Em avaliação dos riscos e vulnerabilidades na infraestrutura exploratória no CPCA/RN Costa Filho, Barbosa e Petta (2010) identificaram os solos Neossolos Flúvicos, Cambissolos Háplicos + Neossolos Flúvicos, Gleissolos Tiomórficos, Cambissolos Háplicos + Neossolos Litólicos, Argissolos Vermelho-Amarelos (Figura 01.f) + Neossolos Lilóticos, Latossolos Vermelho Amarelo + Neossolos Quartzarênicos (Figura 01.g) e, Latossolos vermelho Amarelo na região. Estes solos apresentam alta porcentagem de areia, ou seja, alta permeabilidade.
Diante desses aspectos físicos a área tem uma formação vegetal do tipo Caatinga Hiperxerófila, com predomínio de cactáceas e plantas de porte mais baixas (Figura 01.h); Carnaubal, com espécie predominante a palmeira carnaúba (Figura 01.i); e Vegetação Halófila, com espécie que suporta grande salinidade em decorrência da penetração da água do mar nas regiões baixas marginais dos cursos d’ água (CPRM, 2005).
01.b 01.c
01.d 01.e
01.f 01.g
01.h 01.i
Figura 01 – Localização e caracterização da área do CPCA, no baixo curso da BHRAM/RN, 2013.
Legenda: 01.a – Localização do CPCA/RN; 01.b – Depósitos colúvio-eluviais; 01.c – Depósitos de mangues; 01.d – Rio Apodi-Mossoró; 01.e – Rio do Carmo; 01.f – Solos Argissolos Vermelho-Amarelos; 01.g – Solos Neossolos Quartzarênicos; 01.h – Vegetação da Caatinga e; 01.i – Carnaubal.
2.1 – Reconhecimento da área de estudo
Para o desenvolvimento do trabalho inicialmente realizaram-se visitas ao CPCA, durante o ano de 2013 com a finalidade de identificar os diferentes tipos de usos da área (Figura 02) e suas potenciais fontes de poluição utilizando o Check-List, por ser um método rápido e conciso (SÁNCHEZ, 2012). As variáveis abordadas nessa lista foram embasadas em Derísio (2012), sendo as seguintes: localização da área de estudo, localização dos usuários dos recursos naturais, tipos de usos dos recursos naturais, possíveis fontes potenciais ou efetivamente poluidoras da área de estudo, efeitos da poluição ambiental e técnicas de controle da poluição ambiental.
A região tem diversas áreas em vulnerabilidade aos processos erosivos (Figura 02.a), seja por causas naturais (erosão gravidade, erosão fluvial, erosão pluvial, erosão eólica, erosão marinha) e/ou intensificados pela ação antrópica (estradas, terraplanagem, gasodutos, poços de petróleo, mineração de areia, retirada das matas ciliares do rio do Carmo). A mineração de areia (Figura 02.b) é realizada para sua utilização
como material de empréstimo em estradas, terraplanagem, taludes e construção civil, na execução das fases de exploração, perfuração e produção de petróleo do CPCA.
O tráfego de veículos leves e pesados (Figura 02.c) é intenso, tornando-se uma potencial fonte de poluição do ar por metais pesados através das emissões atmosféricas veiculares.
Tanto as áreas de poços de petróleo ativos (Figura 02.d) como as com poços de petróleos desativados (Figura 02.e) geram efluentes líquidos, lama e resíduos semissólidos que tem elevado potencial de alteração das propriedades do solo. Nas fases de exploração, perfuração e produção de petróleo também são gerados resíduos sólidos (Figura 02.f) e semissólidos (borra do petróleo - Figura 02.g) que são descartados de maneira inadequada (próximos a ambiente aquático, em contato com animais, sem coletores, dentre outras situações) acarretando sérios riscos para poluição e contaminação dos compartimentos ambientais, principalmente, o solo.
O estuário dos rios Apodi-Mossoró e Carmo (Figura 02.h), onde se localiza o CPCA, é região propícia para estabelecimento de inúmeras outras atividades econômicas (pesca, turismo, carcinicultura, navegação). Assim a área de estudo encontra-se em contato direto a carcinicultura (02.i), que também pode ser configurada como uma potencial fonte de poluição, principalmente em virtude dos despejos dos efluentes gerados nos sistemas ambientais.
No entorno do CPCA existem áreas nas quais a intervenção humana ainda é incipiente, com vegetação do tipo caatinga arbustiva hiperxerófila, sendo consideradas como áreas naturais (Figura 02.j), que serão utilizadas como referências para o background da área investigada.
02.a 02.b
02.c 02.d
02.g 02.h
02.i 02.j
Figura 02 – Ambientes com diferentes tipos de usos no CPCA, 2013.
Legenda: 02.a – Processos erosivos; 02.b – Mineração de areia; 02.c – Tráfego de veículos; 02.d – Poços de petróleo ativos; 02.e – Poços de
petróleo desativados; 02.f – Geração de resíduos sólidos; 02.g – Geração de semissólidos; 02.h – Rio do carmo; 02.i – Área de carcinicultura e; 02.j – Área natural.
2.2 – Coleta das amostras de solo
Foram coletadas 65 amostras com auxílio de trado holandês, da camada de 0-20 cm nos solos da área de estudo. As amostras foram acondicionadas em sacos de polietileno devidamente identificados. Os locais de coleta foram georreferenciados com auxílio de GPS de navegação Garmin. Os solos coletados foram categorizados da seguinte maneira: área de vulnerabilidade de processos erosivos (Figura 02.a); área de jazida de areia (Figura 02.b); área de influência de tráfego de veículos (Figura 02.c); área com poços de petróleo ativos (Figura 02.d); área com poços de petróleo desativados (Figura 02.e); área com resíduos sólidos (Figura 02.f); área com borra de petróleo (Figura 02.g); área de margens do rio do Carmo (Figura 02.h); área de carcinicultura (02.i); área natural próxima ao CPCA (Figura 02.j).
2.3 – Preparo das amostras de solo
As amostras de solos foram levadas para o Laboratório de Análises de Solos da EMPARN em Natal–RN, onde foram secas ao ar, destorroadas, homogeneizadas e passadas em peneira de 2,0 mm de abertura de malha (ABNT 50), obtendo-se a Terra Fina Seca ao Ar – TFSA. Foram quarteadas manualmente para obtenção de alíquotas representativas para as análises de caracterização dos solos e determinação dos metais pesados.
2.4 – Análise Laboratorial
O procedimento analítico adotado correspondeu à metodologia do manual de métodos de análises do solo EMBRAPA (2011). Para a obtenção dos teores totais de Cd, Cu, Cr, Pb, Fe, Mn, Ni e Zn, utilizou- se o método USEPA 3050B, da Agência Ambiental dos EUA, recomendado pela norma da CETESB (2005) (USEPA, 1998), através da digestão com ataque ácido de HNO3 e H2O2.
O controle de qualidade da análise se deu utilizando 2 amostras de solos apresentando valores certificados dos metais, e soluções multielementares de referência (spikes) para os metais analisados. Curvas
de calibração para determinação dos metais foram preparadas com padrões 1000 mg L-1 (TITRISOL®, Merck) utilizando-se água ultrapura 27 para diluição; todas as curvas de calibração apresentaram valores de r superiores a 0,999.
Após a digestão todos os extratos foram analisados por Espectrofotometria de Absorção Atômica – EAA, empregando-se o sistema chama-ar-acetileno, em um aparelho com limites de detecção de 0,01 mg L-1 para os metais pesquisados.
2.5 – Análise Estatística
Os dados foram submetidos para análise estatística, utilizando o programa Microsoft Office Excel versão 2007 e, os resultados obtidos foram comparados com os valores orientadores para qualidade de solo da Decisão de Diretoria da CETESB n° 195/2005 e da Resolução do CONAMA n° 420/2009; com valores de áreas naturais do Brasil e; com valores de estudos da qualidade de solo de áreas petrolíferas do mundo.