A coleta de dados foi realizada no município do Rio de Janeiro que, de acordo com a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – possui uma área de 1.182,30 Km2, com aproximadamente 5.857.904 habitantes, com população estimada em 01/07/2006 de 6.136.652 habitantes; e 80.230 comércios varejistas (IBGE, 2000; 2003; 2007).
4.2 Método de Obtenção dos Dados
A pesquisa foi desenvolvida no ano de 2006, onde foram coletados dados sobre a comercialização de leites em pó integrais, modificados e de cabra, fórmulas infantis e alimentos em pó à base de soja em redes varejistas e farmácias, localizadas em diferentes bairros da cidade do Rio de Janeiro.
Foi realizado um levantamento das diferentes marcas de produtos existentes nos comércios varejistas, através de visitas aos estabelecimentos comerciais. Após o levantamento, tomou-se uma amostra de conveniência10 com 56 produtos, a saber: fórmula infantil (25 produtos); leite em pó modificado (9 produtos); leite em pó integral (8 produtos); leite de cabra em pó (3 produtos); alimento em pó à base de soja (11 produtos).
Depois de listados, foram realizados contatos com o Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro – IPEM/RJ – através de documentos solicitando a doação de embalagens para utilização dos rótulos neste estudo. A solicitação foi aceita e o estudo foi iniciado. Posteriormente, foi então realizado contato com a Coordenação do Programa de Pós- Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), solicitando recursos para a compra de outros produtos. A solicitação foi aceita e o recurso liberado, para conclusão da pesquisa.
Por questões éticas, a denominação dos produtos não foi revelada, recebendo as respectivas codificações: fórmula infantil – F (F1, F2, F3...F25); leite em pó modificado – M (M1, M2, M3...M9); leite em pó integral – I (I1, I2, I3...I8); leite de cabra em pó – C (C1,
C2, C3); alimento em pó à base de soja – S (S1, S2, S3...S11).
Para o estudo visual dos rótulos, foram elaborados formulários próprios apresentando um check-list (Anexo A) relacionando as informações obrigatórias e suas respectivas variáveis a serem consideradas, empregadas para análise dos rótulos de acordo com as exigências obrigatórias pela legislação vigente: as Portarias no 41 de 14/01/1998 e no 42 de 14/01/1998, e a RDC no 259, de 20 de setembro de 2002, além da Portaria INMETRO no 157 de 19/08/2002 utilizada somente para a análise do conteúdo nominal (BRASIL, 1998a, 1998b, 2002a, INMETRO, 2002). Foram analisadas:
Denominação de venda: é o nome específico e não genérico que indica a verdadeira natureza e as características do alimento;
Lista de ingredientes: com exceção de alimentos com um único ingrediente como açúcar, farinha, vinho etc; deve constar no rótulo uma lista de ingredientes;
Conteúdo líquido: é a quantidade nominal do produto, em unidades do Sistema Internacional (SI);
10 A amostra de conveniência pode ser compreendida como a seleção de unidades da amostra efetiva arbitrariamente, levando
23 Identificação de origem: é o nome e endereço do fabricante, produtor e fracionador. Quando for o caso, é também o país de origem e a cidade, identificando-se a razão social e o número de registro do estabelecimento junto à autoridade competente;
Identificação do lote: é um código precedido da letra “L” e deve estar à disposição da autoridade competente e constar da documentação comercial quando ocorrer o intercâmbio entre os países;
Prazo de validade e data de validade: deve ser sempre declarado e reflete o período o qual o fabricante, produtor ou fracionador garante as características normais do produto para que seu consumo seja realizado com segurança;
Instruções sobre o uso e preparo do alimento: quando pertinente, o rótulo deve conter as instruções necessárias sobre o modo apropriado de uso, incluindo a reconstituição do produto.
As seguintes “informações úteis” também foram contempladas neste estudo:
Rendimento do produto: é importante demonstrar o rendimento real do produto para que o consumidor possa avaliar com clareza se o produto é ou não vantajoso economicamente. Modo de conservação: são as precauções necessárias para manter as características
normais do produto, para a conservação do alimento incluindo o tempo em que o fabricante, produtor ou fracionador garante sua durabilidade nessas condições;
Declaração do componente glúten: todos os alimentos e bebidas embalados que contenham glúten, como o trigo, aveia, cevada, malte e centeio e/ou seus derivados, devem conter, no rótulo, obrigatoriamente, a advertência: "CONTÉM GLÚTEN". Neste estudo foi analisada a presença da declaração “NÃO CONTÉM GLÚTEN”;
Idioma: se a rotulagem se apresenta no idioma oficial do país onde o produto está sendo comercializado, ou seja, se está escrito em Língua Portuguesa.
Para análise da rotulagem nutricional foram utilizados como parâmetros as RDC no 40 de 21/03/2001 e RDC no 360 de 23/12/2003. Foram utilizadas também as RDC no 39 de 21/03/2001 e RDC no 359 de 23/12/2005. E verificou-se: formatação da tabela de informação nutricional; porção em medida caseira; nutrientes com declaração obrigatória; unidades de medida utilizadas; percentual de Valor Diário - %VD –; declaração de vitaminas e minerais; frases abaixo da tabela de informação nutricional (BRASIL, 2001b, 2001a, 2003a, 2003b). A rotulagem nutricional não foi analisada nas amostras de fórmulas infantis.
Todas as informações citadas neste trabalho foram analisadas com base nos parâmetros preconizados pelas Portarias no 41 de 14/01/1998 e no 42 de 14/01/1998, e a RDC no 259, de 20/09/2002 (BRASIL, 1998a, 1998b, 2002a):
Presença da informação: foi verificado se os rótulos apresentavam ou não as informações obrigatórias e úteis;
Adequação da expressão: foi verificado se a informação estava organizada de acordo com a legislação, se não apresentava ambigüidade, vocábulos, sinais, símbolos que induzissem o consumidor ao equívoco sobre a verdadeira natureza do produto e se apresentava correta ortografia;
Adequação na clareza: foi verificado se a informação apresentava fácil interpretação, sem confundir a sua correta leitura e sem apresentar ambigüidade; se apresentava uma linguagem clara que permitia identificar a que pertence o produto, facilitando a compreensão quanto ao valor nutritivo;
Adequação na visibilidade: foi verificado se as principais informações foram dispostas no rótulo de forma nítida e em local visível para o consumidor;
Adequação ao tamanho da letra: foi verificado através de régua e trena, graduadas em centímetros, se o tamanho da letra apresentava-se igual ou superior a 1 mm e, no caso do conteúdo nominal, se estava de acordo com as preconizações das legislações.
24 Adequação do contraste de cor: foi observado se as informações apresentavam contraste de cor que assegurasse a sua perfeita visibilidade, sem prejuízo de informações e, ainda, se não atrapalhavam a localização e leitura da mesma;
Adequação do realce: foi observado se as informações imprescindíveis ao consumidor apresentavam realce ou destaque que atraíssem a atenção.
Para os produtos que apresentaram alguma declaração de fortificação, foram verificados o Percentual de Ingestão Diária – % IDR – utilizando a Portaria no 31 de 13/01/1998, que aprova o Regulamento Técnico referente a Alimentos Adicionados de Nutrientes Essenciais, a Portaria no 33 de 13/01/1998, que adota os valores de Ingestão Diária Recomendada – IDR – para a vitaminas, minerais e proteínas, além da RDC no 269 de 22/09/2005 que aprova o Regulamento Técnico sobre a Ingestão Diária Recomendada – IDR – de proteína, vitaminas e minerais. Embora a RDC no 33 tenha sido revogada pela RDC no 269, ambas foram utilizadas dependendo da data de fabricação do produto, uma vez que a RDC no 269 foi publicada em 2005 e as empresas receberam prazo de um ano para se adequarem (BRASIL, 1998c, 1998f, 2005).
Para a análise foi elaborado um formulário próprio (Anexo B), que listou a quantidade de todos os nutrientes por 100 ml do produto pronto para o consumo e suas respectivas inadequações. A metodologia utilizada para esta avaliação foi semelhante à de Macêdo et al. (1999), onde nenhuma análise qualitativa dos produtos lácteos foi realizada para comprovar a composição centesimal denominada nos rótulos, sendo a avaliação realizada de forma visual com base nas legislações utilizadas. Diante das leis acima citadas, contemplaram-se os itens: Quantidade do nutriente em 100ml do produto: foram verificados no próprio rótulo e
relacionados no formulário, todos os nutrientes com as respectivas quantidades em 100ml do produto pronto para o consumo.
Percentual da IDR de referência: neste item, foram calculados e preenchidos os % de IDR dos nutrientes relacionados em 100ml do produto pronto para o consumo, baseado na tabela de IDR para a faixa etária correspondente, presentes na Portaria nº 33, de 13/01/1998 e na RDC no 269 de 05/08/2005 (BRASIL, 1998f; 2005).
Designação do produto: Neste item, o produto foi classificado de acordo com a Portaria no 31 de 13/01/1998 como “adicionado”, “fonte” ou “rico”. Essa Portaria classifica o tipo de alimento adicionado de nutrientes essenciais conforme o % da IDR de cada nutriente em 100ml ou 100g do produto pronto para o consumo (BRASIL, 1998c).
Inadequações: Neste espaço foram preenchidos os erros quanto às classificações dos produtos adicionados de nutrientes e quanto aos erros na disposição das respectivas IDR.
Verificou-se:
A declaração dos termos “fonte” ou “rico”: de acordo com o disposto na tabela de informação nutricional e seu respectivo % de IDR por 100 ml do produto pronto para o consumo;
Nos alimentos simplesmente adicionados: se a quantidade dos micronutrientes estava igual ou superior a 5% da IDR por 100 ml do produto pronto para o consumo.
Também foi elaborado um formulário (Anexo C) relacionando a quantidade de todos os nutrientes e suas respectivas inadequações, para análise dos rótulos de fórmulas infantis, de acordo com a Portaria no 977 de 05/12/1998 que aprova o Regulamento Técnico referente às fórmulas Infantis para Lactentes e as Fórmulas infantis de seguimento. E foram verificadas: a quantidade de kcal por 100 ml do produto pronto para o consumo; as quantidades de ferro, proteínas, gorduras, e ácido linoléico por 100 kcal disponíveis cada. Foram também verificados os teores mínimos e máximos de vitaminas e minerais por 100 kcal disponíveis e a relação Cálcio: Fósforo. Caso os teores de proteínas fossem maiores que 1,8g/100 kcal, a
25 quantidade de vitamina B6 por grama de proteína também seriam calculadas (BRASIL, 1998g).
Para os produtos também indicados na alimentação infantil, foi analisada a presença dos itens relacionados à RDC no 222 de 05/08/2002, pertinentes à Regulamentação da promoção comercial e às orientações de uso apropriado dos alimentos para lactentes e crianças de primeira infância, através de formulário próprio (Anexo D), a saber (BRASIL, 2002b):
Frases de advertências obrigatórias do Ministério da Saúde: este item foi avaliado também segundo as Portarias no 41 de 14/01/1998 e no 42 de 14/01/1998, e a RDC no 259, de 20/09/2002 (BRASIL, 1998a, 1998b, 2002a).
E a presença de um ou mais recursos, proibidos pela RDC no 222 (BRASIL, 2002b): Fotos, desenhos, representações gráficas, imagem de lactente, criança pequena, criança de
primeira infância, figuras humanizadas, personagens infantis, frutas, legumes, animais e/ou flores humanizadas, com finalidade de induzir o uso do produto para a faixa etária correspondente;
Denominações ou frases como “leite humanizado”, “leite maternizado”, “substituto do leite materno”, ou similares com intuito de sugerir forte semelhança do produto com o leite materno;
Frases ou expressões que coloquem em dúvida a capacidade das mães de amamentarem seus filhos;
Expressões ou denominações como “baby” e similares, que tentem identificar o produto como apropriado para a alimentação do lactente;
Advertências sobre os riscos do preparo inadequado e instruções para a correta preparação do produto, incluindo medidas de higiene, dosagem para diluição sem figura de mamadeira;
Informações que possam induzir ao uso dos produtos em virtude de falso conceito de vantagem ou segurança;
Frases ou expressões que indiquem condições de saúde para os quais o produto possa ser utilizado;
Promoção do produto ou de outros produtos da mesma ou de outras empresas.
Foram realizados registros fotográficos de todas as irregularidades encontradas nos rótulos utilizados neste estudo (Anexo E). Foi elaborado também um manual do pesquisador (Anexo F), com o objetivo de homogeneizar os resultados das variáveis analisadas em cada informação.
4.3 Processamento de Dados e Análise Estatística
Os dados obtidos foram agrupados em um banco de dados, utilizando a planilha eletrônica do software Excel. Em todo o levantamento objetivou-se quantificar os atributos estudados nas amostras. Para isto, foram elaboradas tabelas de freqüência simples com valores absolutos e percentuais (BEIGUELMAN, 1994).
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