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MATERIAL E MÉTODOS 1.Coleta de peixes

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DA UHE DE FUNIL RJ

3. MATERIAL E MÉTODOS 1.Coleta de peixes

Durante 6 trimestres (abril 2003 a outubro de 2004) foram amostradas as três zonas do reservatório (alta – Z1, intermediária-Z2 e baixa-Z3) e a zona de rio a jusante da barragem (Z4). Cada um das quatro zonas foi amostrado uma vez por trimestre, com a utilização de redes com malhas de 5, 6 e 7 mm entrenós, e tamanho de aproximadamente 25 m x 2,5 m, colocadas ao entardecer e retiradas ao amanhecer do dia seguinte. O somatório (número e peso) das duas espécies de peixes capturados pelas redes em cada local de amostragens foi dividido pelo número de redes utilizadas, padronizando assim as amostragens em CPUEs (capturas por unidade de esforço) em número e peso, que foram utilizadas como estimativas da abundância relativa. Os peixes foram identificados, contados, pesados (em gramas) e medidos (em milímetros).

3.2. Variáveis ambientais 3.2.1. Programa Amostral

As variáveis ambientais de qualidade da água foram medidas em parte diretamente por ocasião das amostragens de peixes e em parte obtidas de um banco de dados de Furnas Centrais Elétrica S/A, concessionária do reservatório.

Banco de dados fornecido por Furnas Centrais Elétrica S/A: Estes dados se referem aos anos de 2003 a 2004 e a coletas trimestrais (janeiro, abril, julho, outubro) em três zonas

no reservatório: FL20 - Zona 1 - Montante do reservatório (Nhamgapi); FL30 - Zona 2 – Intermediaria; FL40 - Zona 3 - parte baixa do reservatório. Os seguintes parâmetros foram analisados: a) Físico-químicos: Sólidos suspensos totais, Sólidos orgânicos totais e sólidos inorgânicos totais; b) Indicativos de poluição orgânica (nutrientes): Amônia, Nitrato, Nitrito, Nitrogênio Kjeldahl total, Fósforo total e Ortofosfato; c) Hidrobiológicos: Silicato e Clorofila A.

Os dados foram coletados nas zonas eufótica e afótica do reservatório. A amostragem da zona afótica foi realizada através da coleta de água a cerca de um metro acima do fundo. Estas coletas foram realizadas com o auxílio de uma garrafa amostradora de Van Dorn. As amostras foram devidamente preservadas e levadas ao laboratório de química da Estação de Hidrobiologia e Piscicultura de Furnas, onde foram realizadas as análises. Utilizando-se a garrafa de Van Dorn, a zona eufótica foi amostrada através de integração de coletas realizadas em três profundidades: a superfície, a profundidade correspondente à transparência (Secchi) e a de 3 vezes o valor do Secchi (cálculo de extensão da zona eufótica). No laboratório de química as amostras da zona eufótica foram submetidas às mesmas análises.

Como os dados apresentavam uma única amostragem em cada zona do reservatório por trimestre, o que impede a comparação das zonas por trimestre devido a falta de repetição das amostras, optou-se por agrupá-los com base nas estações do ano mais assemelhadas em relação ao nível da água e pluviosidade: outono-inverno (abril e julho) e primavera-verão (outubro e janeiro). O período de outono-inverno corresponde ao de menor pluviosidade e elevadas cotas (níveis da água); o período de primavera-verão, corresponde ao mais chuvoso e de cotas relativamente baixas.

Variáveis medidas diretamente por ocasião das amostragens de peixes: Em cada amostragem trimestral de peixes, foram também obtidos nos anos de 2003 a 2004, três zonas no reservatório (FL20 - Zona 1 - Montante do Reservatório; FL30 - Zona 2 – Intermediaria; FL40 - Zona 3), bem como num trecho de rio a jusante do reservatório (Zona 4) os seguintes parâmetros ambientais: transparência, temperatura, pH e Condutividade.

Para a transparência, utilizou-se o disco de Secchi, com graduação em centímetro. A temperatura da água, condutividade e pH foram obtidos através da utilização do multisensor digital.

3.3. Tratamento estatístico

Foram feitas comparações das variáveis ambientais e variáveis bióticas (número e peso dos peixes) entre as zonas do reservatório e os dois períodos do ano. O teste de

normalidade Kolmogorov-Smirnov foi aplicado para testar a distribuição dos dados das variáveis ambientais. A heterocedacidade (homogeneidade das variâncias) das variáveis foi determinada através do teste de Bartlett (SOKAL & ROHLF, 1995) tomando-se como fatores os locais, estações do ano e anos. Como as variáveis não atenderam a estes requisitos foram transformados através das transformações logarítmicas Log (x+1), onde Log é o logaritmo na base 10, e x é o valor não transformado. Os testes de normalidade e homogeneidade das variáveis foram também aplicados aos dados transformados. Quando, mesmo transformados, os dados não atenderam aos requisitos da análise de variância, foi utilizado um método correspondente não paramétrico (SOKAL & ROHLF, 1995). Optou-se, então, pela realização de teste não paramétrico de Kruskal-Wallis, seguido do teste “a posteriori” de Mann-Whitney, quando pertinente. Deste modo, para se testar as diferenças significativas entre os valores das variáveis ambientais, entre as zonas de coleta e os períodos do ano, os dois sistemas (rio vs. reservatório) foi utilizado o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis que compara as posições ou postos (ranks) dos valores das variáveis, assumindo que tais variáveis apresentam a mesma distribuição, ao nível de confiança de 95% (P < 0,05), acompanhado do teste não paramétrico “a posteriori” de Mann-Whitney que compara dois grupos entre si para todas as variáveis.

Para determinar padrões espaciais e temporais ditados pelas variáveis ambientais, foi aplicada a técnica de ordenação Análise de Componentes Principais que é uma das mais utilizadas com base em modelos lineares, e estabelece um conjunto de eixos perpendiculares, onde o primeiro eixo da análise representará a maior parte da variação dos dados, resultando em um sistema reduzido de coordenadas. O diagrama de ordenação representado geralmente em um espaço bidimensional, apresenta a distribuição ou ordenação dos dados em função do primeiro e segundo componentes principais, que melhor explicam a variabilidade dos dados, proporcionando informações sobre as semelhanças ecológicas das amostras (PERES-NETO et

al, 1995; VALENTIN, 2000).

4. RESULTADOS

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