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Influence of main causes of total convictions of pork carcasses in a slaughterhouse with a state inspection system

2. Material e métodos

O estudo foi realizado em um abatedouro-frigorífico de suínos localizado na cidade de Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Para a realização da avaliação das condenações utilizaram-se planilhas diárias de abate do período entre janeiro de 2015 a dezembro de 2018 cedidas pelo Serviço de Inspeção Oficial do estabelecimento. Analisou-se o Relatório de Condenação – Informativo ao Produtor, o qual possui os dados: data da entrada dos animais, número da guia de trânsito animal (GTA), número de animais abatidos e condenados do mesmo proprietário, data do abate, causas dessas condenações, destino dado à carcaça e o peso total dos animais.

Após a coleta de dados, estes foram organizados em uma tabela descritiva contendo frequências absolutas, relativas e somatórios. A tabela apresentou como variáveis: os anos das condenações, a quantidade de animais abatidos e condenados, bem como as causas de condenação e o somatório de peso vivo dos animais em Kg.

Para melhor visualização dos dados relativos à condenação dos animais, causas e perda financeira foram construídos gráficos que representam as taxas de condenações, quantidade de animais condenados segundo causas e o valor financeiro perdido devido a estas.

A análise dos dados foi realizada utilizando o Microsoft Excel Office® 2016. Para a obtenção do valor financeiro perdido devido às condenações adicionou-se o peso vivo dos suínos condenados e em seguida multiplicou-se esse valor pelo preço do quilo do suíno vivo, este se baseando no site da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), no respectivo período.

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3. Resultados e discussão

Averiguou-se que foram abatidos 106.342 suínos em todo o período estudado, sendo que destes animais, 148 foram condenados totalmente, obtendo-se uma porcentagem de 0,14%. Observou-se que no período avaliado (2015 a 2018) as causas de condenação totais mais frequentes foram, respectivamente: transporte (41/148, 27,70%), abscessos disseminados (38/148, 25,67%) e pleuropneumonia avançada (32/148, 21,62%). As demais causas expressaram frequência menor em relação às três citadas anteriormente, porém, a caquexia, apesar de ter acometido poucas carcaças, esteve presente em todos os anos conforme a Tabela 1.

Tabela 1 – Distribuição do número de animais abatidos segundo causas e resultados de condenação total do abatedouro-frigorífico nos anos de 2015 a 2018 em Jaraguá do Sul/SC.

Causas de condenação total Períodos

2015 2016 2017 2018 Total Transporte 0 4 (17,38%) 12 (24,48%) 25 (45,44%) 41 Abscessos disseminados 11 (52,38%) 9 (39,13%) 12 (24,48%) 6 (11%) 38 Pleuropneumonia avançada 2 (9,52%) 5 (21,73%) 14 (28,57%) 11 (20%) 32 Caquexia 3 (14,28%) 3 (13,04%) 2 (4,08%) 2 (3,63%) 10 Fraturas 1 (4,76%) 0 0 1 (1,81%) 2 Icterícia 0 1 (4,34%) 0 0 1

Terço final de gestação 3 (14,28%) 1 (4,34%) 0 1 (1,81%) 5

Metrite 0 0 0 1 (1,81%) 1 Neoplasia 0 0 3 (6,12%) 2 (3,63%) 5 Contaminação 0 0 3 (6,12%) 0 3 Enterite 1 (4,76%) 0 0 0 1 Linfadenite 1 (4,76%) 1 (4,34%) 0 0 2 Peritonite 0 1 (4,34%) 0 0 1 Torção intestinal 0 0 2 (4,08%) 0 2

Castração imun. Ineficaz 0 0 1 (2,08%) 0 1

Falta de manejo pré-abate 0 0 0 9 (16,36%) 9

Fonte: Dados obtidos do abatedouro-frigorífico (2019).

A soma do peso de todos os animais condenados no período teve como resultado o total de 14.592 Kg. Somando-se os valores contábeis totais das perdas econômicas nos quatro anos, obteve-se o resultado de R$ 43.704,47. Estima-se, portanto, que este seja um valor aproximado ao que foi perdido devido às condenações de carcaças no abatedouro-frigorífico. No gráfico 2 percebe-se que 2018 foi o ano com maior perda econômica, estimando-se o valor de R$ 17.265,96. Percebe-se que os valores financeiros

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dobraram a partir de 2017, correspondendo a maiores taxas de condenações nestes anos, principalmente devido ao transporte e pleuropneumonia, mostrados anteriormente.

Gráfico 2 – Quantidade de carcaças suínas condenadas segundo causas no abatedouro-frigorífico A entre os anos de 2015 e 2018 em Jaraguá do Sul/SC

Fonte: Dados obtidos do abatedouro-frigorífico A (2019)

Foi possível verificar que as causas mais relevantes de condenação encontradas no presente estudo foram transporte, abcessos e pleuropneumonia. Bueno (2012) cita que essas três causas de condenação de carcaças suínas são normalmente encontradas nos abatedouros brasileiros. A mesma autora avaliou entre os anos de 2007 e 2009 as condenações de carcaças suínas em um abatedouro com Sistema de Inspeção Federal (SIF), localizado em Dourados/MS. As causas de condenação mais frequentes foram abscessos e morte no transporte, cada uma apresentando mais de 20% do total das condenações que corrobora com o nossos estudo (Bueno, 2012).

Após o abate no processo de transformação do músculo em carne o pH deverá diminuir de 7 até 5.8 em um período de 6 a 8 horas. No entanto, animais que foram submetidos a estresse ocorrendo principalmente no período pré-abate: como tempo de transporte dos animais da granja para o frigorífico, temperatura ambiental durante o transporte, embarque e desembarque dos animais, além do tempo de descanso prolongado dos animais podem gerar uma carne PSE (Pale, Soft, Exsudative). Na carne PSE esta queda de pH é muito rápida e ocorre em menos 3 de horas (ODA, S. H. I. et al, 2004). Isto acarreta em baixa capacidade de retenção de água, textura flácida e cor pálida que torna elevada a perda de água

22,20% 31,60% 59,50% 15,40% 27,80% 36,80% 26,20% 84,60% 50% 31,60% 14,30% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 2015 2016 2017 2018 Qu an tid ad e de a ni m ai s co nd en ad os Título do Eixo

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durante o processamento. Além disso este tipo de carne é rejeitada pelo consumidor devido ao seu aspecto (MAGANHINI et al, 2007).

No presente trabalho, o transporte foi responsável pelo maior número de condenações de carcaças neste estudo, tendo em vista que um transporte inadequado pode ocasionar a morte dos animais, hematomas, fraturas, e carne PSE, Resultados semelhantes foram encontrados em Dourados/MS (>20%) (Bueno, 2012), Ontário (0,17%) (Haley, 2019) e no Brasil (1,29% por contusões) (Coldebella et al., 2018).

Em relação à pleuropneumonia/doenças respiratórias encontraram-se resultados semelhantes a este trabalho na literatura. Que ocorreram em Braço do Norte/SC (16%) (Bonin et al., 2018), São Paulo (13%) (Giovanini et al., 2014), Concórdia/SC (10,38%) (Braga et al., 2006), Itapiranga/SC (11,72%) (Kuhn et al., 2019) e no Brasil (3,72% aderência e 0,85% pleurite) (Coldebella et al., 2018).

Na forma aguda da doença, acontecerá a broncopneumonia fibrino-hemorrágica que estará associada com a necrose e exsudação fibrinosa, já a fase crônica haverá presença de pleurite adesiva associado a nódulos no parênquima pulmonar (Hansen; Werlang; Wollmann, 2009). Nos pulmões as lesões comprometem os lobos cranioventrais, havendo áreas vermelho escuras e necrosadas, os septos interlobulares encontram-se espessados pelo acúmulo de fibrina e presença de exsudato fibrinohemorrágico na pleura visceral (Santos; Alessi, 2016).

Foram encontrados resultados semelhantes com o presente estudo também em relação a condenações por abscessos. As principais causas do aparecimento destes são decorrentes de infecções, traumas e aplicações de injeções (KUMAR; ABBAS; FAUSTO, 2010). Tais resultados foram obtidos em Santa Catarina (29,55% e 22,81%) (Lira et al., 2019) e em Dourados/MS (23,68% para 28,92%) (Bueno, 2012). Portanto, percebe-se que os percentuais de condenações por abscessos encontrados nos estudos supracitados são condizentes com os valores obtidos no presente trabalho.

Ademais, nota-se no Gráfico 1 que as condenações segundo as três principais causas, citadas anteriormente foram aumentando a cada ano, destacando que no ano de 2018, as condenações relacionadas ao transporte atingiram valor dobrado que as demais causas em todos os anos, que pode ser resultado do ineficiente treinamento de funcionários perante o bem-estar animal, impactando negativamente na condenação de carcaças. Porém em 2018, houve redução da metade de condenações por abscessos em relação ao ano anterior.

Tendo em vista as principais condenações de carcaças é possível ter uma visão de pontos a serem melhorados ao longo da cadeia produtiva na suinocultura até o momento do abate. Nesta cadeia, as pneumonias possuem grande impacto sanitário, tendo como resultado prejuízos com medicamentos, baixos índices zootécnicos e condenações de carcaças. Os abscessos, responsáveis também por grande parte das condenações de suínos, decorrem de falhas no manejo sanitário dos animais, que segundo Aguilar (2015), estão relacionados com a quarentena e adaptação dos animais, programa de limpeza e desinfecção, controle de vetores e barreiras sanitárias.

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Além disso, erros no transporte dos animais até o abatedouro-frigorífico repercutem em mortes, fraturas, hematomas e consequentemente, condenações de carcaças, resultado que pode estar relacionado à falta de treinamento e conhecimento a respeito do bem-estar animal por parte dos funcionários responsáveis por todas as fases deste minucioso processo (Bueno, 2012).

Observou-se que as proporções de condenações totais de suínos conforme as principais causas encontradas neste trabalho e na literatura são semelhantes, sendo possível refletir em um panorama geral das causas de condenação de carcaças suínas no Brasil e até mesmo, no mundo. Os valores financeiros perdidos devido a estas causas, no presente estudo, poderiam ter sido aplicados no treinamento e capacitação de funcionários por parte do estabelecimento, e em melhorias na sanidade e manejo dos animais ainda na granja, por parte do produtor, diminuindo as condenações e aumentando os lucros de ambas as partes.

4. Considerações finais

As causas mais relevantes de condenações totais de carcaças de suínos abatidos nos anos de 2015 a 2018 em abatedouro-frigorífico com SIE, localizado em Jaraguá do Sul/SC, foram: transporte, abscessos e pleuropneumonia. Estas são comuns nos abatedouros-frigoríficos brasileiros e estão em percentuais semelhantes aos encontrados na literatura.

A partir do ano de 2017, as taxas de condenações totais mais relevantes praticamente dobraram, principalmente devido ao transporte. Este fato gerou consequentemente maior perda econômica no ano de 2017 e o mesmo ocorreu também em 2018, sendo os anos em que mais houve condenações. Desta forma, as ações principalmente no manejo pré-abate podem diminuir consideravelmente as condenações e consequentemente os prejuízos associados.

5. Conflito de interesse

Não há conflito de interesse.

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