7.4 - Diretrizes Curriculares para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira
I - Apresentação
A lei nº 10.639/2003 acrescentou à lei de diretrizes e bases da educação nacional (LDB) dois artigos: 26-A e 79-B. O primeiro estabelece o ensino sobre ensino e cultura afro-brasileira e especifica que o ensino deve privilegiar o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na sociedade nacional. O mesmo artigo ainda determina que tais conteúdos devem ser ministrados dentro do currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística, literatura e história brasileira. Já o artigo 79-B inclui no calendário escolar o dia nacional da consciência negra, comemorada em 20 de novembro. A proposta política pedagógica da escola atendendo a necessidade da referida lei, busca aguçar o pensamento crítico e ajudar a formar uma mentalidade não racista que estimule as lutas pela promoção da igualdade social. Para tanto, buscamos promover continuamente metodologia que favoreçam o estudo da cultura afro-brasileira na perspectiva interdisciplinar, sobretudo, fazer cumprir a obrigatoriedade nas áreas de educação artística, língua portuguesa e história afro- brasileira, compreendendo que, a vivência desta lei oportuniza aos alunos, superar a visão eurocêntrica do mundo, estimulando um ambiente efetivo de diversidade e igualdade cultural no interior do espaço escolar. Nesta perspectiva, propomos a produção e divulgação de conhecimentos e formação de atitudes. Para tanto a formação dos professores são indispensáveis para uma educação de qualidade, para todos, assim como é o reconhecimento e valorização da história, culturae identidade dos descendentes de africanos com postura e valores que eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial.
Reconhecer exige a valorização e respeito às pessoas negras, à sua descendência africana, sua cultura e história. Significa buscar, compreender seus valores e lutas, ser sensível ao sofrimento causado por tantas formas de
desqualificação: apelidos depreciativos, brincadeiras, piadas de mau gosto sugerindo incapacidade, ridicularizando seus traços físicos, a textura de seus cabelos, fazendo pouco das religiões de raiz africana. Implica criar condições para que os estudantes negros não sejam rejeitados em virtude da cor da sua pele, menosprezados em virtude de seus antepassados terem sido explorados como escravos, não sejam desencorajados de prosseguir estudos, de estudar questões que dizem respeito à comunidade negra.
Reconhecimento requer a adoção de políticas educacionais e de estratégias pedagógicas de valorização da diversidade, a fim de superar a desigualdade étnico- racial, presente na educação escolar brasileira, nos diferentes níveis de ensino. Reconhecer é também valorizar, divulgar e respeitar os processos históricos de resistência negra, desencadeados pelos africanos escravizados no Brasil e por seus descendentes na contemporaneidade, desde as formas individuais até as coletivas.
II - Objetivo:
Despertar o senso crítico, bem como atitudes posturas e valores que eduquem cidadãos quanto à pluralidade étnico-racial tornando-os capazes de interagir de modo comum na tentativa garantir a valorização da identidade cultural brasileira, através de uma abordagem que permita-nos perceber a contribuição cultural herdada dos povos africanos e seu valor em nossa sociedade;
Questionar o comportamento preconceituoso na tentativa de fazer o aluno compreender-se como sujeito histórico participante de sua própria construção histórica e de conhecimento;
Olhar a diversidade como acréscimo enriquecedor e perceber que o respeito e a ética são fundamentais para um crescimento conjunto;
Promover o desenvolvimento das aptidões manuais, criativas e dinâmicas, além da linguagem e segurança;
Ampliar os conhecimentos em relação à cultura afro-brasileira;
Compreender as articulações políticas que perpassam a escravidão no Brasil; Perceber a influência negra em nosso cotidiano.
AÇÕES EDUCATIVAS DE COMBATE AO RACISMO E A DISCRIMINAÇÃO
- O ensino de cultura afro-brasileira destacará o jeito próprio de ser, viver e pensar manifestado tanto no dia-a-dia, quanto em celebrações como congadas, Moçambique, ensaios de maracatus, rodas de samba, entre outras;
- Desenvolver ações de formação de professores, a fim de proporcionar o conhecimento e a valorização da história dos povos africanos e da cultura afro- brasileira e da diversidade na construção histórica e cultural do país;
- Promover o desenvolvimento de pesquisas e produção de materiais didáticos e paradidáticos que valorizem na localidade a cultura afro-brasileira e a diversidade; - Criar programas de formação continuada para os profissionais da educação, com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das relações étnico- raciais e para o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, com as seguintes características;
- Realizar avaliação diagnóstica sobre a abrangência e a qualidade da implementação das Leis 10639/2003 na educação básica.
Principais ações para o Sistema de Ensino Municipal
a) Apoiar as escolas para implementação das Leis 10639/2003, através de ações colaborativas com os Fóruns de Educação para a Diversidade Étnico-racial, conselhos escolares e equipes pedagógica;
b) Orientar as equipes gestoras e técnicas das Secretarias de Educação para a implementação da lei 10639/03;
c) Produzir e distribuir materiais didáticos e paradidáticos que atendam e valorizem as especificidades (artísticas, culturais e religiosas) locais da população e do ambiente, visando ao ensino e à aprendizagem das Relações Étnico-raciais;
d) Articular com a UNDIME apoio para a construção participativa de planos municipais de educação que contemplem a implementação das Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana.
b) Colaborar para que os Planejamentos de Curso incluam conteúdo e atividades adequadas para a educação das relações étnico-raciais e o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana de acordo com cada nível e modalidade de ensino; c) Promover junto aos docentes reuniões pedagógicas com o fim de orientar para a necessidade de constante combate ao racismo, ao preconceito, e à discriminação, elaborando em conjunto estratégias de intervenção e educação;
d) Estimular a interdisciplinaridade para disseminação da temática no âmbito escolar, construindo junto com professores e profissionais da educação processos educativos que possam culminar seus resultados na Semana de Consciência Negra e/ou no período que compreende o Dia da Consciência Negra (20 de novembro).