3.2 Dos questionamentos enviados
3.3.5 Mato Grosso do Sul
50 1 - Quem faz a representação jurídica da Assembleia Legislativa na defesa de suas prerrogativas?
R: Secretário assuntos legislativos e jurídicos
2 - Quem faz a defesa do Parlamento nas questões administrativas e dos processos relacionados aos servidores?
R: O Presidente da Casa (Não tem procurador).
3 - Quantos advogados atuam hoje na procuradoria do Parlamento? (Se houver procuradoria, caso não no órgão de defesa).
R: 08 advogados.
4 - Qual o vínculo desses profissionais? (Efetivo, comissionado, terceirizado). R: 50% (efetivos e comissionados).
5 - Se efetivos, qual o cargo? (Procurador, analista). R: Consultores de Processos legislativos.
6 - A estrutura da procuradoria possui funções ou cargos comissionados? Se sim, quantos?
R: Funções - Organograma da Lei n° 4.987 de 29 de março de 2017.
No outro extremo da organização do setor jurídico apresentada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo temos a Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul. O parlamento não possui sequer uma procuradoria organizada. A defesa das prerrogativas do Parlamento é feita diretamente pelo Presidente do Poder, que passa procurações a advogados. Pelo que se pode extrair das respostas enviadas o Presidente constitui defesa inclusive em processos contra a Personalidade Jurídica do Estado quando afeitas a Assembleia Estadual. O sistema está distante do padrão apregoado pela Constituição Federal.
51 3.3.6 – Espírito Santo
A Assembleia Capixaba respondeu com poucas palavras, ao estilo da Assembleia Gaúcha. Abaixo a transcrição das respostas enviadas
1 - Quem faz a representação jurídica da Assembleia Legislativa na defesa de suas prerrogativas?
R: Procuradoria da ALES.
2 - Quem faz a defesa do Parlamento nas questões administrativas e dos processos relacionados aos servidores?
R: Procuradoria da ALES.
3 - Quantos advogados atuam hoje na procuradoria do Parlamento? (Se houver procuradoria, caso não no órgão de defesa).
R: A ALES conta com um quantitativo de 32 (trina e dois) Procuradores Efetivos. Atualmente o quadro está composto de 22 (vinte e dois) Procuradores efetivos.
4 - Qual o vínculo desses profissionais? (Efetivo, comissionado, terceirizado). R: Vínculo Efetivo.
5 - Se efetivos, qual o cargo? (Procurador, analista). R: Procuradores.
6 - A estrutura da procuradoria possui funções ou cargos comissionados? Se sim, quantos?
R: Procurador Geral, Subprocurador Geral, Diretoria da Procuradoria, Supervisor do Gabinete da Procuradoria Geral, Supervisor do Centro de Estudos e pesquisas da Procuradoria, Supervisor da equipe de revisão da Procuradoria, Assessor Sênior e Assessor Júnior.
Pode-se concluir a partir das respostas enviadas pela Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo que o órgão possui uma procuradoria organizada e com profissionais efetivos contratados para o cargo de procurador.
52 De outra parte parece que no Espírito Santo também se faz a confusão entre a defesa das prerrogativas e a defesa da Personalidade Jurídica do Estado, função privativa da Procuradoria-Geral do Estado. Outro dado que chama a atenção é o quantitativo de cargos comissionados existentes no setor.
3.3.7 – Goiás
1 - Quem faz a representação jurídica da Assembleia Legislativa na defesa de suas prerrogativas?
R: Procuradoria Geral.
2 - Quem faz a defesa do Parlamento nas questões administrativas e dos processos relacionados aos servidores?
R: A Procuradoria Geral não faz a defesa.
3 - Quantos advogados atuam hoje na procuradoria do Parlamento? (Se houver procuradoria, caso não no órgão de defesa).
R: 23 cargos (18 procuradores e 5 advogados).
4 - Qual o vínculo desses profissionais? (Efetivo, comissionado, terceirizado) R: Regime estatutário - (Efetivos).
5 - Se efetivos, qual o cargo? (Procurador, analista).
R: Cargo de procurador é dividido em 1° e 2° classes. A 2° classe é inicial da carreira.
6 - A estrutura da procuradoria possui funções ou cargos comissionados? Se sim, quantos?
R: A Procuradoria Geral é dividida em 4 seções (Legislativa, Judicial, Controle Externo e Administrativa). Além da Procuradoria-Geral cada uma delas é chefiada por um Procurador, que percebe para tanto um cargo comissionado DAI-5.
53 A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás também possui uma procuradoria organizada, inclusive com uma função legislativa que se presta a assessorar os deputados nos trâmites dos projetos de lei. Outro ponto que chama a atenção nas respostas é o fato de a Procuradoria da Assembleia não interferir nas questões relacionadas aos servidores, cumprindo a regra de se ater às defesas das prerrogativas.
3.3.8 – Distrito Federal
1 - Quem faz a representação jurídica da Assembleia Legislativa na defesa de suas prerrogativas?
R: De acordo com o disposto no art. 57, caput, da LODF, o Poder Legislativo do Distrito Federal é representado judicialmente por esta Procuradoria-Geral, nos casos em que a Câmara Legislativa compareça em juízo em nome próprio, em defesa de suas prerrogativas institucionais
2 - Quem faz a defesa do Parlamento nas questões administrativas e dos processos relacionados aos servidores?
R: Consoante precedente jurisprudencial extraído do Recurso Especial n
1.229.779 – MG “O STJ possui orientação firmada no sentido de que a defesa
particular do agente por procurador público configura improbidade administrativa, salvo se no interesse convergente da Administração”.
3 - Quantos advogados atuam hoje na procuradoria do Parlamento? (Se houver procuradoria, caso não no órgão de defesa).
R: O corpo funcional da Procuradoria-Geral é composto por oito procuradores legislativos (cargo efetivo) e por quatro servidores de livre provimento, a saber: Procurador-Geral, Assessor do Procurador-Geral e dois Assessores Jurídicos.
4 - Qual o vínculo desses profissionais? (Efetivo, comissionado, terceirizado). R: Vide resposta questão 03.
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R: Procurador Legislativo.
6 - A estrutura da procuradoria possui funções ou cargos comissionados? Se sim, quantos?
R: Na estrutura jurídica a Procuradoria-Geral possui quatro cargos em comissão já citados na resposta 03.
Pelas respostas enviadas a Câmara Legislativa do Distrito Federal possui uma procuradoria estruturada e que está atenta às limitações impostas aos órgãos despersonalizados. Chama a atenção a resposta de número 02, onde provavelmente o Procurador que redigiu confundiu o objetivo da pergunta, mas deixou claro na resposta 01 que o órgão se atém a defesa das atribuições institucionais.
3.3.9 – Tocantins
1 - Quem faz a representação jurídica da Assembleia Legislativa na defesa de suas prerrogativas?
R: Procuradoria Jurídica.
2 - Quem faz a defesa do Parlamento nas questões administrativas e dos processos relacionados aos servidores?
R: Procuradoria Jurídica.
3 - Quantos advogados atuam hoje na procuradoria do Parlamento? (Se houver procuradoria, caso não no órgão de defesa).
R: São 06 (seis) procuradores jurídicos de carreira e 02 (dois) Diretores de terceiro escalão comissionados, sendo que esses não assinam nada, atuam na prática como assessores.
4 - Qual o vínculo desses profissionais? (Efetivo, comissionado, terceirizado). R: São procuradores efetivos.
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R: Procurador jurídico com salário de 90,25% do Desembargador
.
6 - A estrutura da procuradoria possui funções ou cargos comissionados? Se sim, quantos?
R: Temos 02 (dois) Diretores, um da área administrativa e legislativa e outra judicial, com salários de R$ 12.000,00.
A Assembleia Legislativa do Tocantins possui procuradoria organizada com Procuradores efetivos. Aparentemente comete o mesmo erro comum de atuar em defesa também da Personalidade Jurídica do Estado e não apenas da Personalidade Judiciária do órgão despersonalizado.
3.3.10 – Rondônia
1 - Quem faz a representação jurídica da Assembleia Legislativa na defesa de suas prerrogativas?
R: O Advogado-Geral e o Advogado-Geral Adjunto
.
2 - Quem faz a defesa do Parlamento nas questões administrativas e dos processos relacionados aos servidores?
R: Via de regra a Procuradoria Geral do Estado, ante a ausência de capacidade postulatória da ALE, contudo, quando a incapacidade de estar em juízo não é reconhecida, o Advogado-Geral, Advogado-Geral Ajunto e Advogados do quadro efetivo.
3 - Quantos advogados atuam hoje na procuradoria do Parlamento? (Se houver procuradoria, caso não no órgão de defesa).
R: 2 (dois) - Advogado Geral e o Advogado Geral Adjunto. Em decorrência do concurso público deflagrado em 2018, serão chamados mais 04 (quatro) (advogados). Porém, existem 05(cinco) no quadro efetivo.
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R: São Advogado Geral e Advogado Geral Adjunto (comissionado); Advogados (efetivo), Assessores e assistentes (comissionados).
5 - Se efetivos, qual o cargo? (Procurador, analista). R: Advogado.
6 - A estrutura da procuradoria possui funções ou cargos comissionados? Se sim, quantos?
R: Disposto na Lei Complementar n. 967/2018 e n. 1.020/2019, que altera as vagas de advogado na Advocacia Geral, sendo atualmente 05 (cinco) vagas. 1 (um) Advogado Geral, 1 Advogado Geral Adjunto, 2 (dois) Secretários, 6 (seis) Assessores e 6 (seis) assistentes.
3.3.11 – Roraima
A Assembleia Legislativa do Estado de Roraima não respondeu aos questionamentos enviados, mandou apenas cópia do diário oficial edição 2655 de 07 de dezembro de 2017 de onde foi possível observar a estrutura da procuradoria do Legislativo. Em seu artigo segundo a Resolução Legislativa nº 013 de 2017 estabelece a procuradoria como órgão de representação judicial e extrajudicial da Assembleia Roraimense.
Observa-se que a mesma resolução estabelece que a procuradoria será composta por 41 (quarenta e um) cargos comissionados, entre procuradores e assessores e apenas 04 cargos de procurador efetivo, em claro arrepio ao comando constitucional de que o acesso ao cargo público deve acontecer por intermédio do concurso público.
Não foi possível auferir com apenas a leitura da resolução se o corpo de servidores da Assembleia Roraimense se atém apenas à defesa das prerrogativas institucionais ou se atua também na defesa da Personalidade Jurídica do Estado de Roraima.
57
4 – CONCLUSÃO
A presente pesquisa teve como objetivo levantar as ameaças as prerrogativas e o funcionamento dos órgãos de defesa institucional das Assembleias Legislativas. Para isso iniciou-se o estudo buscando-se delimitar como funcionam as repartições de competências entre os entes subnacionais, fez-se um breve levantamento histórico que demonstrou a maior autonomia de que gozavam os Estados-membro no início da federação. Nesse período havia partido político regional e até unidade federativa com o Legislativo dividido em duas casas, Senado e Câmara. Com o início da era Vargas, a cerimônia feita durante o Estado Novo de queima das bandeiras estaduais e a centralização do poder no regime essa autonomia seria drasticamente reduzida e nunca mais voltaria a mesma forma. Foram anos de ditadura, primeiro com Vargas, breve pausa de democracia e depois nova ditadura com os militares, para finalmente o país vivenciara reabertura democrática em 1988.
Nova Constituição, nova repartição de atribuições. Mas a vontade de diminuir as competências da União, presente na Constituinte de 1988, não se concretizou; ao contrario, a atuação da União se ampliou, concentrando o planejamento nacional38 (BARACHO JUNIOR, 2010). Assim, na distribuição das competências a constituição foi dura com os Estados, a eles foi reservada apenas a fatia residual. O que a constituição não veda e não seja competência privativa dos outros entes para ele restou. Soma-se a isso um grande número de assuntos que são competência exclusiva da União, muitos deles genéricos, que permitem interpretações extensas como, por exemplo, Direito civil, processual, trabalhista, águas, sistema monetário, trânsito, cidadania, normas gerais de licitação e contrato, diretrizes e bases da educação, entre muitos outros e temos uma grande diminuição da capacidade legislativa dos governos estaduais.
Assim, a atividade legislativa dos Estados fica limitada, basicamente, ao exercício das competências comuns e concorrentes. As funções podem ser reduzidas, reconhece-se, mas a pesquisa aponta que ainda restam atribuições
38 BARACHO Júnior, José Alfredo de Oliveira. O estado democrático de direito e a necessária reformulação das competências materiais e legislativas dos estados. Revista de informação legislativa, v. 47, n. 186, abr./jun. 2010, pág. 160.
58 aos legisladores estaduais. Elaborar as Constituições Estaduais, exercer o controle político sobre intervenções decretadas pelo Governador, elaborar o orçamento do Estado, regulamentar o funcionamento da maquina pública estatal, entre tantas outras. Muitas delas são concorrentes como apontado no texto, entre elas a de legislar sobre Direito do Consumidor.
Mas onde começa o Direito do Consumidor e onde termina o Direito Civil, competência privativa da União? Essa é uma questão que deve ser respondida pela jurisprudência e aqui temos mais um importante fator que pode contribuir para a diminuição da já reduzida esfera de atuação dos Parlamentos Estaduais. O estudo aponta por meio de estatísticas dos próprios tribunais que os diplomas legais regionais, quando questionados, possuem grandes chances de serem invalidados.
O que falta? Uma boa defesa técnica? Uma estrutura de defesa das prerrogativas mais atuante? Essa foi uma hipótese levantada durante o desenvolvimento do trabalho. Observa-se cruzando os dados levantados junto aos Parlamentos Estaduais com as estatísticas disponibilizadas pelo Supremo Tribunal Federal que o Estado de São Paulo, que possui uma das procuradorias mais bem organizadas do país segundo os dados apurados, é um dos que menos sofrem com dispositivos legais declarados inconstitucionais. O fato é ainda mais relevante ao se observar que a Assembleia Paulista é a maior do país em número de membros, contando com 94 deputados o que ajuda a sedimentar a conclusão extraída do cruzamento de dados de que um órgão de defesa das prerrogativas forte ajuda a diminuir a incidência de questionamentos das atribuições do órgão na esfera judicial.
Além do exemplo bem-sucedido de São Paulo, observa-se também o fato de que em muitos Estados o sistema de defesa de prerrogativas não estar bem organizado desde a promulgação da Constituição. E como podemos concluir tal afirmação? Basta analisar a quantidade de ações no Supremo Tribunal Federal tratando de conflitos entre as Procuradorias-gerais dos Estados e os órgãos de defesa dos Parlamentos Estaduais pelas atribuições. Tais disputas dificultam a organização de um setor que defenda as atribuições dos parlamentos e também pode ser um fato decisivo para o alto número de questionamentos judiciais das produções legislativas locais
59 Disputas essas que ocorrem quando existe um órgão de defesa, há locais que nem tal aparato possuem. Das 11 respostas que recebidas na pesquisa, uma Assembleia Legislativa, a do Mato Grosso do Sul, assumiu não ter institucionalizado um órgão para sua própria advocacia. Outras Assembleias participantes institucionalizaram o setor, mas utilizando-se do artifício dos cargos comissionados para burlar a necessidade de realizar concurso. A Associação Nacional dos Procuradores e Advogados Jurídicos – ANPAL realiza, ainda em 2019, mais de trinta anos depois da promulgação da Constituição, campanha junto aos Chefes de Poder dos legislativos para a promoção de concurso público para as carreiras jurídicas. Há Assembleias no país que até hoje nunca fizeram um concurso público geral, quanto mais o específico da área.
Tais fatos narrados ainda sem levar em conta todos os outros 16 Parlamentos Estaduais que não responderam, muitos por não ter o órgão criado, outros por o ter em condições inconstitucionais. Esta inclusive foi uma das grandes dificuldades do estudo, a falta de dados de 16 Parlamentos Estaduais dificultou o comparativo com as tabelas divulgadas nos anuários estatísticos do Supremo Tribunal Federal, o que ajuda a compreender os motivos pelos quais não se encontram tais dados em pesquisa bibliográfica. A continuidade futura da pesquisa é necessária para que se possa levantar mais subsídios junto às Assembleias faltantes e efetuar o cruzamento dos dados relacionados aos processos judiciais contra as legislações estaduais no Supremo Tribunal Federal e as estruturas de defesa das prerrogativas existentes nos Parlamentos Estaduais
Com os subsídios existentes até aqui e as hipóteses levantadas foi possível concluir que para diminuir os problemas judiciais relacionados às prerrogativas das Assembleias, a função do órgão técnico de assessoramento e defesa não deve se limitar unicamente a defesa judicial das leis aprovadas, deve se dedicar também a realizar o controle constitucional preventivo junto aos Membros do Poder, colaborando com a elaboração dos pareceres para as Comissões de Constituição e Justiça, como realizado no Estado de São Paulo. É importante também a organização do setor e um número adequado de servidores efetivos para a demanda.
Desta forma podemos apontar como fatores que contribuem para a diminuição das competências dos legislativos estaduais a própria interpretação
60 da redação constitucional, mas também a não organização de um sistema de defesa eficiente das prerrogativas e da capacidade legislativa e principalmente a falta, em alguns Estados, de orientação técnica preventiva prestada pelas Procuradorias para evitar que diplomas legais que firam a Constituição venham a ser elaborados, votados e aprovados.
61
5 - REFERÊNCIAS
BARACHO JÚNIOR, José Alfredo de Oliveira. O estado democrático de direito e a necessária reformulação das competências materiais e legislativas dos estados. Revista de informação legislativa, v. 47, n. 186, abr./jun. 2010, pág. 153-169.
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62 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Personalidade Judiciária de Órgãos Públicos. Revista da EMERJ, v.5, n.19, 2002, p. 162. Disponível em:
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Disponível em: https://jus.com.br/artigos/43552/personalidade-juridica-e- personalidade-judiciaria-qual-e-a-diferenca