5.6 Distribuição das matrículas por curso, categoria de deficiência e sexo
5.6.3 Matrículas na categoria deficiência visual – cegueira
Na categoria deficiência visual/cegueira, foram seis os cursos com maior número de matrículas na modalidade bolsa integral, quais sejam: Direito, Administração, Pedagogia, Engenharia, Serviço Social e Psicologia. Há mais cursos do que cinco porque houve empate nas matrículas de alguns cursos e a escolha foi manter todos aqueles que constavam entre os cinco.
A distribuição dessas matrículas consta no Gráfico 21.
Gráfico 21 - Número de matrículas de estudantes com cegueira, na modalidade de bolsa integral, por curso – Brasil (2011-2016)
Fonte: elaboração própria, com base nos dados do Censo da Educação Superior (BRASIL/INEP, 2011-2016).
As matrículas nessa categoria, sem considerar o curso, distribuíram-se da seguinte forma: em 2011, houve 91 matrículas e, posteriormente, até 2014, ocorreu queda, com 85 em 2012, 81 em 2013 e 75 em 2014. Em 2015 e 2016, houve crescimento e alcançou 95 e 110 matrículas, respectivamente.
Em relação aos cursos, o Direito concentrou o maior número de matrículas em todos os anos. Em 2011, havia 22 matrículas; em 2012 caiu para 19, e nos dois anos seguintes estabilizou com 20 matrículas. Em 2015, caiu para 16 e, em 2016, subiu para 19 matrículas.
O segundo curso com maior número de matrículas, em 2011 e 2012, foi Administração, com 10 matrículas em 2011 e 12 em 2012. De 2013 a 2015, houve queda, sendo seis matrículas em 2013 e cinco em 2014 e 2015. Em 2016, aumentou para nove matrículas.
O curso de Engenharia ocupou o terceiro lugar em 2011, 2012 e 2016, e o segundo lugar em 2013; nos demais nos não esteve entre os três primeiros. Iniciou a série com oito
22 19 20 20 16 19
10 12
6 5 5 9
8 8 5 11 3 10 8 9 7
4 0 7
4 6 7 4 4 7 10 2 7 5 6 12
91 85 81 75
95
110
2011 2012 2013 2014 2015 2016
Direito Administração Pedagogia
Engenharia Serviço Social Psicologia
Cegueira - Bolsa integral
matrículas, subiu para 11 em 2012 e caiu para 10 em 2013; em 2014, houve uma queda para menos da metade e alcançou quatro matrículas; em 2015, não houve matrícula no curso e, em 2016, subiu para sete matrículas.
Na Pedagogia, todavia, com exceção de 2012 e 2013, ocorreu pouca oscilação nas matrículas, entre sete e nove. Apenas em 2012 e 2013 ocorreu queda para cinco e três matrículas, respectivamente.
No curso de Serviço Social, ocorreram quatro matrículas em 2011, que subiu para sete em 2012 e caiu para quatro novamente em 2013; em 2014, subiu para 10, caiu para sete em 2015 e para seis em 2016.
Por fim, o curso de Psicologia obteve em 2011, 2012 e 2013, seis, quatro e sete matrículas, respectivamente. Em 2014, houve uma queda para duas matrículas, em 2015, subiu para cinco e, em 2016, atingiu o seu ápice, com 12 matrículas.
Em relação à distribuição das matrículas por sexo, a Tabela 44 apresenta esses dados.
Tabela 44 - Número de matrículas de estudantes com deficiência visual – cegueira com bolsa integral, por sexo – Brasil (2011-2016)
Nota: o traço (-) significa operação matemática inválida (divisão por zero).
Se para a baixa-visão houve um equilíbrio entre os sexos nas matrículas, considerando a modalidade de bolsa integral, na categoria cegueira somente houve igualdade em 2011; a partir de 2012, predominaram matrículas do sexo masculino, com um IPG variável entre 0,74 a 0,88.
Assim como foi observado nas categorias anteriormente analisadas – deficiência física e baixa-visão –, as demandas dos cursos de Direito e Engenharia foram mais masculinas e a Pedagogia mais feminina, exceto em 2013. Direito, por exemplo, teve seu IPG reduzido nos últimos anos, devido à redução do número de matrículas do sexo feminino entre estudantes com cegueira e com bolsa integral: em 2013, foram oito matrículas; em 2014 sete; em 2015 e
2016 reduziu para cinco. De 2015 para 2016, aumentou ainda mais essa distância com o aumento de matrículas do sexo masculino na categoria cegueira, com bolsa integral: de 11 foi para 14.
Na Engenharia, a diferença foi ainda maior, sendo que o máximo de matrículas do sexo feminino matriculadas nesse curso, em 2012, foram duas; em 2013, foram nove e oito do sexo masculino, respectivamente. Em 2016, houve apenas uma matrícula do sexo feminino para seis do masculino, sendo o IPG de 0,17.
Por outro lado, nos cursos de Pedagogia, Serviço Social e Psicologia predominaram matrículas do sexo feminino. Sobre a Pedagogia, embora na maioria dos anos106 tenha havido mais matrículas do sexo feminino do que do masculino houve um equilíbrio maior de matrículas de estudantes com cegueira do que entre aqueles com baixa-visão. O IPG, nesse caso, foi de 1,25 a 1,67, com exceção de 2013. No Serviço Social, exceto em 2012 e 2013, nos demais anos predominaram matrículas femininas.
A Psicologia, até 2015, também se configurou como um curso com predomínio de matrículas do sexo feminino, com no máximo duas matrículas do sexo masculino. Em 2016, entretanto, ocorreu uma inversão, com o aumento do número de matrículas do sexo masculino nesse curso, de um para oito de 2015 para 2016, com a manutenção do número de matrículas do sexo feminino, em quatro.
Já na modalidade de bolsa parcial entre os estudantes com deficiência visual/cegueira, os três cursos que concentraram maior número de matrículas foram Direito, Pedagogia e Administração (Gráfico 22). Os demais cursos não se mantiveram entre os primeiros em pelo menos três dos seis anos da série, critério adotado para selecionar os cursos.
Gráfico 22 - Número de matrículas de estudantes com deficiência visual - cegueira, na modalidade de bolsa parcial, por curso – Brasil (2011-2016)
Fonte: elaboração própria, com base nos dados do Censo da Educação Superior (BRASIL/INEP, 2011-2016).
106 Exceto em 2013, em que há mais matrículas do sexo masculino do que do feminino.
9
1 2 4 5
3 4 2
0 1 2 2
4 2 2 4
8 7
26
15
10
22 24 24
2011 2012 2013 2014 2015 2016
Pedagogia Administração Direito Cegueira - Bolsa parcial
O curso de Direito obteve quatro matrículas nessa categoria em 2011, caiu para duas em 2012 e 2013, e subiu para quatro em 2014; em 2015, dobrou o número e alcançou oito matrículas; no ano seguinte caiu para sete.
A Pedagogia, por sua vez, começou com nove matrículas de pessoas com deficiência visual/cegueira, e apresentou queda em 2012 e 2013, com uma e duas matrículas, respectivamente. Nos anos seguintes, 2014 e 2015, houve aumento: as matrículas dobraram em 2014 e em 2015 houve acréscimo de uma matrícula. Entretanto, em 2016, houve redução para duas matrículas.
Em relação à distribuição das matrículas por sexo entre estudantes com deficiência visual/cegueira com bolsa parcial do Prouni, até 2013, houve maior concentração matrículas do sexo feminino sobre as do sexo masculino, com um IPG de 1,36 em 2011, 1,14 em 2012 e 1,5 em 2013, como é possível observar na Tabela 45.
Tabela 45 - Número de matrículas de estudantes com deficiência visual – cegueira com bolsa parcial, por sexo – Brasil (2011-2016)
Cursos 2011
IPG 2012
IPG 2013
IPG 2014
IPG 2015
IPG 2016
F M F M F M F M F M F M IPG
Total Cegueira Bolsa
parcial 15 11 1,36 8 7 1,14 6 4 1,5 11 11 1 8 16 0,5 6 18 0,33 Pedagogia 5 4 1 1 0 - 1 1 1 2 2 1 3 2 1,5 0 2 0 Administração 3 0 - 3 1 3 Ø Ø Ø 1 0 - 1 1 1 1 1 1 Direito 1 3 0 0 2 0 1 1 1 1 3 0,33 0 8 0 0 7 0 Fonte: elaboração própria, com base nos dados do Censo da Educação Superior (BRASIL/INEP, 2011-2016).
Nota: o traço (-) significa operação matemática inválida (divisão por zero).
Em termos absolutos a diferença foi de quatro matrículas em 2011, uma em 2012 e duas em 2013. Em 2014, as matrículas de ambos os sexos se igualaram e, a partir de 2015, houve mais matrículas do sexo masculino entre estudantes com deficiência visual/cegueira com bolsa parcial.
Ao desmembrar os dados da distribuição de matrículas por sexo em cada curso, entre discentes com deficiência visual/cegueira e bolsa parcial, verifica-se paridade entre os sexos na Pedagogia, com diferença de apenas uma matrícula a mais do sexo feminino, em 2011, 2012 e 2015, e duas a mais do masculino, em 2016.
O curso de Administração configurou-se com maior concentração de matrículas do sexo feminino em 2011, 2012 e 2014, e nos últimos dois anos houve paridade entre os sexos, com uma matrícula de cada.
O Direito, todavia, concentrou mais matrículas do sexo masculino em quase todos os anos, exceto em 2013. A partir de 2015, a diferença foi acentuada, sem nenhuma matrícula do sexo feminino no ano, mas com oito matrículas do sexo masculino, e sete no ano seguinte.
Assim sendo, pode haver tendência nos últimos anos na categoria deficiência visual/cegueira, no curso de Direito, com bolsa parcial do Prouni, de concentrar mais matrículas do sexo masculino.