SIGNIFICADO: QUALIDADE: SENTIMENTOS: METÁFORA: Representa a
20. Me sinto identificado com ele (85; 5; 0) 26 Tenho prazer (84; 4,9; 0,2)
32. Amo. (83; 4,88; 0,4)
35. Tem tudo a ver comigo. (83; 4,8; 0,3) 39. Defenderia se necessário. (83; 4,8; 0,3) 41. Me sinto apegado. (83; 4,8; 0,3) 29. Me deixa orgulhoso. (82; 4,8; 0,3) 27. É atraente para mim. (81; 4,7; 0,5)
6. Considero parte da minha história. (80; 4,7; 0,7) 23. Sinto que faço parte. (80; 4,7; 0)
25. As coisas que acontecem nele são importantes para mim. (80; 4,7; 0,5) 16. Tenho oportunidades. (75; 4,4; 0,7)
19. Se não estou nele, quero voltar. (75; 4,4; 1,5) 21. Admiro por sua beleza. (75; 4,4, 1,1)
5. Não trocaria por nada. (74; 4,3; 1,4) 34. Me divirto. (74; 4,3; 0,9)
1. Considero como algo meu. (72; 4,2; 0,9)
Fator II (Estima Despotencializadora)
33. Devo estar alerta. (75; 4,4; 1,3) 40. Tudo pode acontecer. (68; 4; 1,4)
37. Tenho a sensação de que algo ruim pode acontecer. (62; 3,6; 1,4) 36. Está destruído. (56; 3,2; 0,8)
38. Há sujeira. (54; 3,1; 1,3)
18. Com estruturas precárias. (51; 3; 1,4) 10. Há riscos. (50; 2,9; 1,6)
3. Tenho a sensação de que estou desamparado. (48; 2,8; 1,4) 28. Sinto que estou desprotegido. (47; 2,7; 1,6)
30. Me sinto inseguro. (47; 2,7; 1,3) 11. Sinto medo. (44; 2,5; 1,5) 7. Parece abandonado. (43; 2,5; 1) 8. Desconfio das pessoas. (42; 2,4; 1,6) 24. Me sinto sufocado. (41; 2,4; 1,7) 4. Me sinto sossegado. (40; 2,3, 1,3)* 13. O perigo é constante. (38; 2,2; 1,4) 2. Está poluído. (37; 2,1; 1,6)
22. Me deixa com raiva. (37; 2,1; 1,6) 15. Me indigna. (32; 1,8; 1,5) 14. Acho feio. (30; 1,7; 0,9) 17. Me sinto tranquilo. (28; 1,6, 0,9)* 9. Me envergonha. (19; 1,1; 0,6) 12. É ruim. (19; 1,1; 0,7) 31. É desprezível. (18; 1,05; 0,2)
*Originalmente, os itens 4 (Me sinto sossegado) e 17 (Me sinto tranquilo) pertenciam ao fator correspondente à estima de lugar potencializadora. No entanto, conforme a análise fatorial, os itens obtiveram saturação negativa no fator correspondente à estima de lugar despotencializadora.
Fonte: Elaborado pelo próprio autor.
Dentre os seis (06) itens mais pontuados na escala, relacionados à estima potencializadora, quatro (04) correspondem à imagem de Pertencimento. Estes indicadores
apontam para uma forte vinculação e identificação dos moradores com o lugar, o qual pode ser considerado como parte integrante da identidade pessoal. Quanto os indicadores da estima despotencializadora, três (03) dos cinco (05) itens de maior pontuação estão relacionados à imagem de Insegurança. Estes indicadores apontam para a incerteza quanto à permanência dos moradores no lugar e o medo de que outras ações de remoção venham acontecer, novamente, de modo inesperado.
Acho importante salientar que os moradores, enquanto respondiam a escala, tendiam a explicar da atribuição dos pontos em cada item64. Com isso, quando eu lia os itens
indicadores de potencialização, os moradores não só atribuíam um valor como também contavam parte de sua história com a comunidade, relatando quanto tempo estavam ali, porque a amavam, porque se identificavam com ela, as transformações em suas vidas por conta do lugar, etc. Do mesmo modo, os moradores relatavam os motivos da insegurança e de medo que vivem no momento, quando atribuíam pontos aos indicadores despotencializadores, contando sobre o dia da demolição e as mudanças nas relações comunitárias advindas das ameaças. A elevada atribuição de valor aos itens 36 (Está destruído) e 38 (Há sujeira) decorreu,
principalmente, porque os entulhos das casas demolidas ainda estão na comunidade e, por questões judiciais, não podem ser retirados.
Retornando ao Quadro 10, vemos que três (03) mapas afetivos (Marília, Sorrisão e Filho) qualificados com imagens de Contrastes apresentaram resultados negativos na EEL. Inicialmente, considerei que esses resultados se direcionavam para uma estima de lugar despotencializadora. No entanto, percebi que seria mais adequado qualificar como uma estima que está se despotencializando, pois ainda há indicadores afetivos que denotam muita identificação e prazer com a comunidade, que ainda os motivam a resistir. Porém, esses indicadores parecem perder a força.
Penso que esse processo de despotencialização, no caso de Marília, decorre das consequências do dia 28 de outubro de 2016 que, além das lembranças, deixou rachaduras e infiltrações na casa da moradora. Durante a aplicação do instrumento, Marília constantemente falou do temor de que sua casa caia, pois, para ela, “o que segura uma casa é outra casa”, e a casa conjugada a dela fora demolida65. No caso de Sorrisão, por morar sozinha, tanto receia por
64 Isso foi possível porque todas as aplicações dos mapas afetivos foram acompanhadas. De modo geral, eu – outro participante-colaborador da oficina – lia os itens para os moradores e solicitava que eles atribuíssem uma nota de 1 a 5 com base no quanto eles concordavam com o item. Então os moradores atribuíam o valor e explicavam o por quê.
65 Após a aplicação do IGMA, a moradora quis mostrar as rachaduras e infiltrações em sua casa e relatou seus medos e inseguranças quanto à possibilidade da casa desabar.
sua segurança como pela possibilidade de que, quando estiver trabalhando, sua casa seja derrubada. Os fortes indicadores de despotencialização de Filho dizem respeito à crença de que “existe força oculta agindo contra a tranquilidade de nossa moradia”, sentindo-se, também, inseguro quanto ao apoio das instituições públicas de justiça.
De modo geral, com essa análise da escala, é possível reforçar os resultados encontrados na parte qualitativa do instrumento. Tal como apareceram nas imagens de Contrastes, os indicadores que mais se sobressaíram na escala configuram uma combinação de Pertencimento x Insegurança quanto à vivência dos moradores no atual contexto de ameaça de remoção.
Nesse capítulo, enfatizei a descrição das imagens afetivas dos encontros dos moradores com a Vila Vicentina. A análise da formação dos mapas afetivos, com base em seus planos de frente (figura) e de fundo, foram de fundamental importância para compreender o modo como se configuram os afetos e quais as possíveis implicações (HELLER, 2004) psicossociais dos moradores, processos sobre os quais me deterei a abordar nas seções do capítulo seguinte. A partir dos mapas afetivos e dos dados levantados pelas entrevistas, pelo grupo e pelas minhas observações registradas em diário de campo, discutirei questões relacionadas à construção socioafetiva da comunidade, à memória e à história dos moradores e aos processos de participação e resistência em contexto de ameaça de remoção.
6 A COMUNIDADE AMEAÇADA DE DESAPROPRIAÇÃO: AFETOS E