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As obrigações econômico-financeiras dos entes consorciados devem ser estabelecidas em um contrato paralelo ao contrato do consórcio público. Esse instrumento firmado por todos os entes consorciados, em benefício do consórcio, é o contrato de rateio. É puramente financeiro, eis que deve disciplinar o modo como os entes consorciados aportarão e distribuirão recursos financeiros à pessoa representante do consórcio. Sem tais procedimentos, o consórcio não terá como desenvolver suas atividades.

O contrato de rateio é instrumento vital para o custeio das atividades do consórcio público, pois assegura o repasse das obrigações financeiras de cada ente consorciado, mediante previsão em suas leis orçamentárias.

A estipulação de obrigações financeiras ou econômicas é proibida pela Lei n° 11.107/05, que, no §3°, do artigo 4°, determina ser "nula a cláusula do consórcio que faça previsão as contribuições financeiras de entes da federação ao consórcio público.” (BRASIL, 2005). No contrato de consórcio, apenas pode-se incluir a doação, destinação ou cessão de uso de bens móveis ou imóveis, e as transferências ou cessões de direitos, que sejam consequência direta e obrigatória da gestão associada de serviços públicos.

A Lei n° 11.107/05 estabelece, em seu art. 8°, que “os entes consorciados somente entregarão recursos ao consórcio público mediante contrato de rateio”.

Em seu §1°, determina que

o contrato de rateio será formalizado em cada exercício financeiro e seu prazo de vigência não será superior ao das dotações que o suportam, com exceção dos contratos que tenham por objeto exclusivamente projetos consistentes em programas e ações contemplados em plano plurianual ou a gestão associada de serviços públicos custeados por tarifas ou outros preços públicos. (BRASIL, 2005).

O consórcio público deverá ser mantido pelos próprios entes consorciados, por isso, previu-se, anualmente, a realização do contrato de rateio, por intermédio do qual se estipulam as obrigações de cada um dos entes consorciados.

Na primeira parte do art. 8°, §1°, da referida lei, pode-se observar que o ente que oferece o recurso só poderá fazê-lo enquanto vigorar a dotação do seu orçamento de ente federado do qual lhe provenha o recurso, no máximo, no último dia do ano do exercício financeiro. Essa é a regra, no entanto, há duas exceções ao prazo de vigência.

A primeira exceção, em que o prazo de vigência pode ser superior ao das dotações da lei orçamentária, são os contratos que tenham por objeto projetos contemplados em plano plurianual. O projeto deverá ser contemplado no plano plurianual de todos os entes consorciados.

A segunda é nos casos em que haja gestão associada de serviços públicos custeados por intermédio do pagamento de tarifas. Nessa hipótese, não haveria razão para observar a vigência dos créditos orçamentários, pois o custeio do serviço não advém do orçamento dos entes consorciados.

É importante salientar que as despesas a serem assumidas pelos entes federados, em virtude do contrato de rateio, não poderão ter o caráter genérico. Elas devem ser específicas, como determina o artigo 8°, §2°, da Lei n° 11.107/05: “é vedada a aplicação dos recursos entregues por meio de contrato de rateio para o atendimento de despesas genéricas, inclusive transferências ou operações de crédito.” (BRASIL, 2005).

Sendo assim, é necessário dizer qual a destinação de cada recurso que será entregue ao consórcio, ou seja, qual despesa os recursos objetivam custear. Por causa dessa determinação é que é possível ao consórcio prestar as informações acerca das despesas realizadas, em virtude do contrato de rateio, de modo a consolidá-las e contabilizá-las na conta de cada ente da federação consorciado.

Isolados ou em conjuntos, os entes consorciados, ou ainda o consórcio público, têm legitimidade para exigir o cumprimento do contrato de rateio. Em razão do que dispõe o artigo 4°, em seu inciso XII, é necessário que um consorciado esteja em dia com suas obrigações para exigir de outro o cumprimento do contrato de rateio. (BRASIL, 2005).

Marcelo Harger mostra que o artigo 8°, §5°, da Lei n° 11.107/05 transmite a falsa impressão de que primeiro celebra-se o contrato de rateio e posteriormente se inclui a despesa no orçamento. Essa impressão é equivocada, porque, de acordo com os incisos I e II, do artigo 167, da Constituição Federal, é vedado aos entes federativos assumirem obrigações não previstas previamente no orçamento. Isso implica dizer que a interpretação literal do dispositivo em comento implicaria torná-lo inconstitucional. É necessária, portanto, uma prévia inclusão no orçamento dos recursos a serem despendidos, em virtude do contrato de rateio. O orçamento não obriga a realização de uma despesa, pois tem o caráter meramente autorizado. A obrigatoriedade da despesa é dada pela assinatura do contrato de rateio. (HARGER, 2007, p. 175).

Em virtude disso, é imprescindível que os consórcios abranjam previsões acerca dos valores a serem arcados por cada ente federado no protocolo de intenções. A ratificação por lei do protocolo de intenções tem o caráter de tornar obrigatório para cada um dos entes federados, a abrangência de verbas para atender ao contrato de rateio a ser celebrado em momento futuro.

Vladimir Alves aclara que não se pressupõe que a colaboração entre os entes federados seja isonômica, ao menos sob o aspecto nominal. Se uma das finalidades da gestão associada é justamente a superação das deficiências em matéria de recursos humanos, materiais e técnicos, em um quadro de profundas desigualdades regionais, o rateio deverá levar em conta a capacidade contributiva de cada ente associado. (ALVES, 2006, p. 134).

Assim, a constituição do consórcio público não prescinde de um pacto prévio para se fixar o percentual que cada ente consorciado se comprometerá a desembolsar na composição da receita proveniente do contrato de rateio.

Depois de acertado informalmente qual será o percentual a ser contribuído por cada um em acordo preliminar, os entes consorciados deverão observar suas respectivas leis orçamentárias com a finalidade de consignar o valor pactuado.

Esse acordo preliminar não se confunde com o protocolo de intenções, pois não tem força contratual, mas sim efeito didático de orientar a elaboração das respectivas peças orçamentárias.

A Lei n° 11.107/05 prevê a exclusão do consórcio, após prévia suspensão, do ente consorciado que não consignar em sua lei orçamentária, ou em créditos adicionais, as dotações necessárias para fazer face às despesas assumidas pelo contrato de rateio. Apesar de a lei ser omissa acerca de quem teria competência para adotar as medidas de suspensão e exclusão, presume-se que tal atribuição cabe à Assembleia Geral. Em razão das irregularidades dos consórcios, é que se fazem necessários os instrumentos para se ter o controle administrativo.