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4.2 O processo de cooperação Universidade-Segmento empresarial

4.2.2 Mecanismos facilitadores do processo de cooperação

Os mecanismos que facilitam a cooperação Universidade- Segmento empresarial têm o papel de minimizar as dificuldades encon- tradas no processo e fazer com que ele ocorra de forma ágil, adequada, de maneira a atender os interesses de todos os envolvidos.

Os entrevistados apontaram como principais mecanismos facili- tadores desse processo na UFSC: o Departamento de Inovação Tecnoló- gica, as Fundações Universitárias e o Departamento de Projetos de Pes- quisa. Vale ressaltar que o Departamento de Inovação Tecnológica e o Departamento de Projetos de Pesquisa estão vinculados a Pró-Reitoria de Pesquisa.

O Departamento de Inovação Tecnológica da UFSC, surgiu em função de uma obrigação legal imposta pela Lei Nº 10.973, de 2 de De- zembro de 2004, a chamada Lei de Inovação, que dispõe sobre os in- centivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo.

A referida Lei em seu Artigo 16 aponta que toda universidade deve dispor de um Núcleo de Inovação Tecnológica para gerir sua polí- tica de inovação. No parágrafo único deste artigo são apresentadas as atribuições do Núcleo:

a) zelar pela manutenção da política institucional de estímulo à proteção das criações, licenciamento, inovação e outras formas de transferência de tecnologia;

b) avaliar e classificar os resultados decorrentes de atividades e projetos de pesquisa para o atendimento das disposições desta Lei;

c) avaliar as solicitações de inventor independente para adoção de invenção na forma do art. 22;

d) opinar pela conveniência e promover a proteção das criações desenvolvidas na instituição;

e) opinar quanto à conveniência de divulgação das criações de- senvolvidas na instituição, passíveis de proteção intelectual; f) acompanhar o processamento dos pedidos e a manutenção dos títulos de propriedade intelectual da instituição.

Na UFSC o Departamento de Inovação Tecnológica, como pode ser observado por meio de seu site institucional, possui as seguintes funções:

a) apoiar a transferência de tecnologia, interna ou externamente; b) estimular e promover a proteção jurídica e a exploração eco- nômica das criações intelectuais e inovações;

c) estimular a negociação e redação dos convênios e contratos de transferência de tecnologia (UFSC x empresas, UFSC x institui- ções de fomento, UFSC x centros de pesquisa, etc.);

d) realizar o preenchimento de formulários e pedidos de proteção jurídica para os órgãos competentes; e

e) realizar a busca de empresas, instituições de fomento e/ou centros de pesquisa interessados na realização de projetos conjun- tos de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, industrialização de produtos ou processos, financiamento; etc.

Além dessas funções principais o Entrevistado 6 aponta que o objetivo central do Departamento de Inovação Tecnológica, no presente momento, é ser o agente facilitador do processo de cooperação Univer- sidade-Segmento empresarial na UFSC. Ele objetiva movimentar a co- munidade universitária no sentido de criar uma cultura de inovação na Universidade. A partir do momento que a economia passou a ter uma maior estabilidade e o mercado tornou-se mais competitivo, as empresas passaram a procurar um diferencial competitivo e, visualizaram na uni- versidade um parceiro no processo de inovação.

Outro mecanismo facilitador do processo de cooperação Univer- sidade-Segmento empresarial apontado pelos entrevistados diz respeito às fundações universitárias. O Entrevistado 4 afirma que as fundações foram fundamentais no processo de aproximação da Universidade com o segmento empresarial: “anos passados foram criadas as chamadas fun- dações de apoio e realmente essas fundações tiveram um papel impor- tante na aproximação da indústria com a universidade, quer dizer, foram fundamentais”.

O Entrevistado 3 também apresenta as fundações como um me- canismo de aproximação da UFSC com o segmento empresarial e que

facilita o processo. Elas desenvolvem um trabalho de ligação entre a Universidade e o segmento empresarial, com o objetivo de viabilizar o seu próprio trabalho. No entanto, elas enfrentam grandes dificuldades para realizarem isto.

Já o Entrevistado 6 aponta que houve um período em que a fun- dação, de fato, desenvolveu o papel de intermediadora entre a UFSC e o segmento empresarial, mas salienta que isso era uma disfunção, já que o papel da fundação era confuso, não se tinha um bom entendimento do que a fundação deveria desenvolver. As regras não estavam claras. Atu- almente as fundações se dedicam a gestão dos projetos. Para ele a fun- dação tem um papel importante que é a gestão do projeto. “Quando um pesquisador faz um projeto, faz uma parceria, ele não quer gerir um projeto, então a gestão é da fundação”.

Essa opinião é compartilhada também pelo Entrevistado 5 que expõe que as fundações “atuam na gestão desses projetos, elas gerenci- am esses projetos”. Para ele a fundação é a forma encontrada para viabi- lização dos projetos em cooperação, pois a Universidade não tem condi- ções estruturais para gerenciar esses projetos. Este fato é corroborado pelo Entrevistado 6. Ele afirma que “nós (UFSC) não temos condições de gerenciar um projeto e nem um pesquisador [...] então é essa parte de gestão do projeto em si. Eu acredito que essa é a função da fundação”.

Entretanto, é importante ressaltar que as fundações não são uma unanimidade entre os entrevistados e seu papel na administração de projetos é questionado por alguns. O Entrevistado 7 afirma que as fun- dações se tornaram uma necessidade para o desenvolvimento de projetos que envolvem uma grande quantidade de recursos financeiros devido a falta de condições das instituições públicas de realizar a gestão financei- ra dos projetos. Isso se deve, em grande medida, ao déficit de profissio- nais que compõem o quadro operacional dessas instituições, bem como pela falta de capacitação para tanto. Ele acredita que as fundações so- mente exercem esse papel de gestão mediante a impossibilidade da Uni- versidade gerenciar os recursos.

Ele aponta ainda que a UFSC deveria buscar as condições neces- sárias para que ela pudesse gerenciar esses projetos.

A gente teria que reafirmar que a universidade não precisa de fundações, ela precisa ter condi- ções de efetuar o seu controle financeiro, clareza de todos os projetos que estão sendo desenvolvi- dos e dar apoio aos pesquisadores para que desen- volvam os seus projetos (ENTREVISTADO 7).

Independentemente das opiniões divergentes, é fato consolidado que as fundações auxiliam na administração dos projetos desenvolvidos. Elas tornam possível que o pesquisador realize sua pesquisa com menos preocupações em relação ao gerenciamento do projeto.

Por fim, destaca-se o Departamento de Projetos de Pesquisa como mecanismo facilitador do processo de cooperação Universidade- Segmento empresarial. O Departamento de Projetos de Pesquisa estimu- la o pesquisador a desenvolver relacionamentos, projetos com o seg- mento empresarial. Ele fornece o apoio necessário para que o pesquisa- dor tenha acesso e facilidade no desenvolvimento de projetos que en- volvam o segmento empresarial, conforme expõe o Entrevistado 4: “te- mos aqui o Departamento de Projetos de Pesquisa que também tenta dar o apoio para que o pesquisador tenha acesso, facilidades no desenvolvi- mento desses projetos”.

Como pode-se perceber, são basicamente três os mecanismos identificados pelos entrevistados como sendo facilitadores do processo de cooperação entre a UFSC e o segmento empresarial. Estes têm a função de facilitar e estimular a aproximação da Universidade com o segmento empresarial, bem como fornecer o suporte as parcerias que já estão em andamento, uma vez que, conforme será apresentado a seguir, são diversas as empresas que mantém projetos com UFSC.

4.2.3 Principais empresas que mantém projetos com Universidade