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Capítulo III – Farmácia Hospitalar

3. Distribuição

3.7. Medicamentos sujeitos a controlo especial

Devido às caraterísticas e legislação dos MPE, a dispensa destes é realizada tendo em conta um procedimento específico e controlado. Assim sendo, a dispensa pode ser efetuada após a

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apresentação do modelo do livro de registo “Anexo X” (Anexo VIII) onde se registam os movimentos de estupefacientes e psicotrópicos. Este deve estar devidamente preenchido pelo diretor do serviço que requisita o medicamento, ou legal substituto, e pelo enfermeiro que administra. Este modelo é aprovado pelo INFARMED e de venda exclusiva da Imprensa Nacional- Casa da Moeda, de acordo com a Portaria nº 981/98, de 8 de junho. Cada requisição — Anexo X — apenas pode conter uma substância ativa. Quando a administração não é feita na totalidade, o desperdício do MPE é registado e assinado por dois enfermeiros.(10-12) O “Anexo X” encontra- se em duplicado, sendo que o original permanece nos SF para posteriormente ser assinado pelo diretor ou legal substituto e o duplicado acompanha a medicação e é posteriormente arquivado no serviço clínico.

O FH do setor de ambulatório é responsável por validar esta requisição, dispensar a medicação e assinar, comprovando assim que dispensou os medicamentos em causa. O AO ou enfermeiro é também obrigado a assinar, de modo a comprovar que recebeu a medicação a transportar até ao serviço requisitante.

Após a dispensa, é necessário proceder à imputação dos MEP, fazendo o consumo ao serviço, pois normalmente as requisições pretendem repor o que já foi utilizado num doente, sendo o farmacêutico responsável por esta tarefa e por registar o número de lote dos medicamentos dispensados.

No dia seguinte à dispensa, todas as requisições de MEP são conferidas e entregues ao Assistente Técnico para que recolha a assinatura do Diretor dos SF. O Assistente Técnico envia, trimestralmente, todos os movimentos de MEP ao INFARMED.

O FH do setor de ambulatório é ainda responsável por proceder, mensalmente, à contagem de stocks de MEP dos serviços clínicos, garantindo que todos os stocks estão em conformidade, e por verificar os prazos de validade e lotes, substituindo os MEP com validade mais curta por outros com validade mais alargada, sendo que os MEP com validade mais curta são direcionados para um serviço clínico cujo consumo seja maior, de modo a evitar desperdícios.(3) Os MEP de cada serviço encontram-se num cofre de dupla fechadura, tendo sido o seu stock definido previamente de acordo com as necessidades do mesmo e em concordância com os SF.

O Hospital Pêro da Covilhã possui dois armazéns onde se pode encontrar os MEP, nomeadamente o armazém 10 e o armazém 20 (ambulatório), devidamente armazenados num cofre de dupla fechadura. Semanalmente, o Farmacêutico e o Assistente Técnico procedem à contagem dos stocks de MEP nestes armazéns, com o objetivo de detetar possíveis não conformidades e corrigir esses mesmos erros.

Durante o estágio, tive a oportunidade de auxiliar na imputação dos MEP no sistema informático e de observar o Farmacêutico a validar as requisições e a dispensar a medicação, registando o lote e calculando a quantidade administrada. Auxiliei ainda a contagem do stock de MEP nos armazéns e nos serviços clínicos, registando o número de lote e o prazo de validade,

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e tive a oportunidade de auxiliar na reposição de MEP no PyxisTM do Bloco Operatório e da Urgência Geral.

3.7.2. Hemoderivados

Hemoderivados, tal como o nome indica, são medicamentos derivados do plasma humano e, por este motivo, estão sujeitos a um controlo especial devido ao risco de contaminação de doenças infeciosas.

Tal como nos MEP, a requisição, distribuição e administração de medicamentos hemoderivados (com exceção do plasma fresco congelado que é distribuído pelo Serviço de Imuno-hemoterapia) são realizadas após a apresentação de um impresso próprio, regulamentado pelo Despacho nº 1051/2000, de 14 de setembro.(3) Este impresso é constituído por duas vias: a “Via Farmácia” (VF) e a “Via Serviço” (VS), sendo que a VF fica arquivada nos SFH e a VS é enviada juntamente com os hemoderivados para o serviço clínico onde o doente se encontra internado. Esta via é posteriormente arquivada no processo do doente. No entanto, as duas vias podem ser arquivadas nos SFH caso os hemoderivados sejam dispensados em regime de ambulatório.

Nestas requisições é possível observar três quadros: A, B e C. O quadro A destina-se à identificação do médico prescritor e do doente, o quando B é relativo à identificação do hemoderivado: nome, forma farmacêutica, via de administração, dose e duração de tratamento, tal como a justificação clínica/diagnóstico, e o quadro C é da responsabilidade do farmacêutico que dispensa o hemoderivado. Existe ainda um quadro D que apenas está presente na VS cuja responsabilidade é dos enfermeiros que administram o medicamento (Anexo IX).(13)

Durante a dispensa, o FH é responsável por verificar e validar toda a informação presente nos quadros A e B, e por preencher devidamente o quadro C, nomeadamente, o nome do hemoderivado dispensado, respetiva quantidade calculada necessária para assegurar o tratamento, lote, laboratório de origem/fornecedor, o número de certificado de aprovação de lote emitido pelo INFARMED para o hemoderivado em questão e ainda o número do registo distribuição. Em caso de dúvida ou de não conformidade o farmacêutico contata o médico prescritor. Para garantir que é administrado o medicamento correto ao doente, cola-se uma etiqueta com a identificação do doente em cada unidade de hemoderivado.

É da responsabilidade dos SF fecharem o circuito dos hemoderivados. Deste modo, mensalmente é selecionada, aleatoriamente, uma amostragem de cerca de dez doentes que ainda se encontrem internados no CHCB para fechar o circuito de hemoderivados com o intuito de reunir trinta circuitos de hemoderivados para enviar ao INFARMED trimestralmente. O farmacêutico dirige-se aos serviços clínicos para confirmar se o produto foi administrado, registando-se a conformidade ou não conformidade da administração. Os produtos não administrados ao doente devem ser devolvidos aos SF no prazo de 24h. Durante o estágio, pude

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acompanhar este encerramento do circuito de hemoderivados, deslocando-me, juntamente com o farmacêutico, aos serviços clínicos.

É deveras importante este controlo mais restrito dos hemoderivados, nomeadamente a correta identificação do lote que foi administrado a determinado doente, pois permite identificar eventuais relações de causalidade entre a administração de algum dos lotes do hemoderivado e a deteção de uma doença infeciosa transmitida pelo dador.

Ainda neste contexto, anualmente são selecionados, aleatoriamente, cerca de 5% do número total de impressos, confirmando se o hemoderivado dispensado corresponde ao que está arquivado no processo do doente. No final, envia-se o relatório ao INFARMED e os restantes impressos são sujeitos a auditoria.

Por último, procede-se à imputação dos hemoderivados, fazendo o consumo aos doentes, e regista-se o número de consumo na VF. Durante o estágio foi-me dada a oportunidade de auxiliar nesta atividade diária.