WARREN G FINDLAY
Êste trabalho apresenta um assunto que é de grande importância para o emprego de testes psicológicos ou de rendimento do ponto de vista da adequacidade e exeqüibilidade, quando se deseja alcançar os objetivos preconizados pela ciência no terreno da psicologia evolutiva.
Indicamos aqui vários princípios referentes ao crescimento e desen- volvimento e sua relação com os testes.
UNIDADE DO DESENVOLVIMENTO DO INDIVÍDUO
Smith e outros (3) afirmaram que um dos mais sólidos princípios psicológicos
que orientaram o trabalho (de avaliação no "Eight-Year Study") foi a convicção de que o característico essencial do comportamento humano é a sua unidade orgânica e que vários de seus aspectos funcionam interdependentemente, e mais "nenhum tipo de crescimento, em geral, pode ser amplamente obtido sem que haja progresso em todos outros". Lembremos a definição de inteligência, proposta por Stoddard (6) como sendo "a capacidade de empreender atividades caracterizadas pelos
seguintes fatores: situação-problema, complexidade, abstração. economia, adaptabilidade a um fim valor social, evidência de elementos e manutenção de tais atividades sob condições que demandam concentração de energias e resistência a forças emotivas"; verifica-se que tal conceituação de inteligência encerra a idéia de um funcionamento individual. poderoso nos vários aspectos que são medidos pelo conjunto integral de técnicas psicológicas já conhecidas. Tal espírito de unidade e desenvolvimento sugere a importância de se suplementar as referidas técnicas por dados de observação sôbre o comportamento do indivíduo e por testes do tipo descrito por Smith e outros (5) em que o estudante é solicitado a selecionar, de
forma segura, os pontos de vista democráticos, referentes a assuntos de controvérsia social e escolher argumentos lógicos e que
(*) Transcrito do número de fevereiro de 1941 da "Review of Educational Research", em tradução do técnico de educação Ana Rimoli de Faria Dória, do I. N. E. P.
defendam, realmente, tal ponto de vista. Entretanto, a estimativa do progresso do estudante deve compreender medidas tísicas e fisiológicas em correlação com o desenvolvimento mental e social como descrevem Remmers e Gage (4).
CONTINUIDADE DO DESENVOLVIMENTO DO INDIVÍDUO
"O característico mais acentuado de uma criança é o de que ela cresce; continua sempre mudando de alguma forma (6), Como personalidade unificada,
segue se desenvolvendo em marcha para a maturidade. O devido conhecimento dêste desenvolvimento pode ser adquirido somente através de avaliação contínua e a continuidade do processo de avaliação reside no fato de que êle se efetua durante todo o tempo em que o professor pode observar o aluno e não apenas nas ocasiões especiais em que os testes são aplicados ou quando são determinados os graus relativos ao nível do desenvolvimento em que se encontram (4). Isto, por sua vez,
implica na manutenção dos registros individuais acumulados, talvez mais simples, porém, do tipo discutido por Smith e outros (5), compreendendo, também, a
medida sistemática do progresso individual do aluno de ano para ano e ao qual Lindquist (3) chama de "objetivo último da instrução", ao descrever o plano para o
"Fall Testing Program for Iowa High Schools" (Programa de medidas — no outono — para as escolas secundárias de Iowa) e "Testes de desenvolvimento educacional de Iowa (2)A medida do progresso" e "Testes para medir o progresso"
são padrões no programa do Estado de New York (7) agora se processando em
planos semelhantes. O resultado do teste dêste ano (1944) ganha maior significação quando julgado à luz do progresso anterior e das importantes anotações sôbre o desenvolvimento fisico (saúde), social, emocional, etc, do indivíduo, que poderão constar dêsses registros (7). A êste emprêgo se presta um
grande número de baterias de testes padronizados.
A NATUREZA DINÂMICA, INTERATIVA DO DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE
"A personalidade é considerada como um produto de interação de fôrças existentes dentro do indivíduo e no seu ambiente" (•"'). conseqüentemente, "a validade de cada meio de avaliação deve ser determinada. eventualmente e medida pelo grau em que atende às necessidades "interativas" dos indivíduos e à ordem social... É em têrmos dêste critério que o processo de instrução deve ser considerado válido como também cada frase do processo de avaliação, desde o programa total de medida pelos testes específicos até o próprio item do teste individual (4).
196 RBVISTA BRASILEIRA DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS
Um corolário destas afirmativas é o de que as relações entre a criança e o examinador devem ser tais que a criança confie no examinador e tenha desejo de cooperar corn êle. Isto é importante não só para garantir uma noção válida da capacidade da criança no desempenho do teste específico como também para permitir uma reação aos testes e programas de testes, o que corresponde aos valores a serem obtidos, desde que a avaliação imediata seja "aceitável" pela criança e a predisponha a aceitar os benefícios decorrentes de algum teste a ser aplicado posteriormente.
Muitas das referências já citadas consideram o espaçamento e horários do teste como um fator significativo de um relatório completo. Smith e outros (5),
referindo-se à avaliação do "Eight-Year Study", dizem: "a duração integral da medida não pode ser tão longa para não cansar o estudante e ser êle "esmagado" pelo teste". E mais: "a relação deve ser elaborada de forma que não haja uma centralização, ou melhor, uma concentração de testes formais no fim do ano". Três das referências (1 2 7) salientam uma grande virtude do teste anual do outono,
referente a êste assunto. Consideremos a significação desta afirmativa: "Os alunos submetidos aos testes no princípio do ano fornecem dados auxiliares ao professor quando êle começa a trabalhar e se vê diante de uma classe nova. . . É mais eficiente ou adequada a medida no comêço do ano porque a verdadeira avaliação do aprendido não se refere ao que os alunos sabem em junho, mas ao que "sobrevive" ao período de férias para ser a base do seu progresso posterior. . . A medida nesta época do ano evita a prática indesejável da sobrecarga de matéria e auxilia, de modo absoluto, o professor e o aluno, no sentido de serem alcançados os objetivos educacionais propostos" (7) .
Muitos dos programas descritos (1 2 3 5 7 ) se caracterizam pela organização de
testes de desenvolvimento mental, em seções dedicadas a cada um dos muitos traços que poderão ser identificados. Além de ser o seu emprêgo mais aconselhável ao professor, atingem êles o próprio interêsse da criança quando revela, mais especificamente, a natureza de seus avanços ou de seus pontos fracos.
O efeito da motivação, em tal conhecimento específico, será conhecido através de conclusões obtidas em trabalhos de pesquisa.
Os processos de interpretação das realizações da criança compreendem fatôres de muita significação.
Os maiores programas de testes citados (1 2 7), quando evidenciam o emprêgo
de perfis para revelar a atenção da criança relativamente às suas vantagens e deficiências, são representativos de todo o conjunto de realizações. Smith e outros indicaram como um princípio fundamental
dos processos de interpretação no "Eight-Year Study" aquêles que "promoveram instrumentos e recursos por meio dos quais foram descritos diagnoses de estudantes e que, por causa dêste característico, não pôde ser convertido em graus ou outra qualquer marcação" (5).
BIBLIOGRAFIA
(1) C
OOPERATIVE TEST SERVICE OF THE AMERICAN ON EDUCATION. Annual Fall Testing
for Placement and Guidance in Secondary Schools. Advisory Service Bulletin n.° 3, Revised. New York: Cooperative Test Service, September 1940. 4p.
(2) L
INDQUIST, EVERETT F., Fall Testing Program for Iowa High
Schools. University of Iowa Publication, New Series n.° 1242. Iowa City, Iowa: the University, April 11, 1942. 36 p.
(3) L
INDQUIST, EVERETT F., editor, The Iowa Tests of Educational Deve-
lopment. Chicago, III.: Science Research Associates, 1943.
(4) REMMERS, HERMAN H., and GAGE, NORBERT L., Educational Measu-
rement and Evaluation. New York: Harper and Brothers, 1943. 560 p. (5) S
MITH, EUGENE R., and OTHERS, Appraising and Recording Student
Behavior. New York: Harper and Brothers, 1943. 537 p. (6) S
TODDARD, GEORGE D., The Meaning of Intelligence. New York: Macmillan Co., 1943. 497 p.
(7) UNIVERSITY OF THE STATE OF NEW YORK, Progress Testing and Progress Testes.