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5 DECRETOS DE ENFRENTAMENTO AO COVID-19

5.2 Medidas adotadas pelo estado do Rio Grande do Norte

Na esfera estadual a preocupação, assim como aconteceu com o Governo Federal,

era garantir a criação de medidas preventivas para reduzir ou evitar o contágio do novo

coronavírus e, posteriormente, retomar a rotina das atividades econômicas no Estado de

forma gradativa e segura. Ao todo, 51 decretos normativos foram elaboradores desde março

de 2020, segundo dados atualizados no dia 20 de agosto de 2021 pelo Portal do Governo do

Rio Grande do Norte

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, a começar pela instituição do Comitê Governamental de Gestão da

Emergência em Saúde Pública (Decreto nº 29.521, de 16 de março de 2020), passando por

atos normativos com regras para fechamento de locais públicos e privados para diminuir a

circulação de pessoas pelo Estado até chegar aos atos normativos que dispõem sobre as

medidas a serem adotadas para a manutenção dos postos de trabalho em seu território, como

veremos a seguir para a posterior análise dos seus efeitos à luz da legislação trabalhista.

O Decreto de nº. 29.512, de 13 de março de 2020, trata das medidas preventivas de

transmissão destinadas aos servidores estatutários e aos empregados públicos em órgãos da

administração pública direta e indireta por meio da suspensão do atendimento ao público de

forma presencial, desde que houvesse a possibilidade de atendimento remoto. Priorizou,

ainda, nesse primeiro momento, o teletrabalho para os servidores e empregados públicos

com doenças respiratórias crônicas, gestantes, mães de filhos menores de 1 ano ou para os

tivessem mais de 60 anos de idade.

Com base na Lei Federal nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, o Decreto de nº

29.513, de 13 de março de 2020, regulamentou as medidas de prevenção e redução de efeitos

ocasionados pelo coronavírus, dispondo sobre a possibilidade do Estado adotar ações de

isolamento e quarentena.

O Decreto nº. 29.524, de 17 de março de 2020, ampliou a restrição de circulação

de pessoas, com o cancelamento de aulas nas redes pública e privada, por 15 dias

incialmente, e suspendeu eventos previstos para mais de 100 pessoas, além da recomendação

para a população norte-rio-grandense não frequentar nesse primeiro momento locais de

grande circulação e compartilhamento de espaço e objetos, tais como feiras livres, academias

ou shoppings centers.

Em seguida, com o avanço dos casos de contaminação o Estado decretou

calamidade pública pelo Decreto nº. 29.534, de 19 de março de 2020.

O Decreto n.º 29.556, de 24 de março de 2020, endureceu ainda mais o combate ao

novo coronavírus por meio de novas determinações que visam garantir a segurança da

população norte-rio-grandense, ampliando até o dia 02 de abril de 2020 a suspensão do

funcionamento de estabelecimentos comerciais, permanecendo apenas a entrega e a retirada

no local.

O Decreto nº 29.600, de 08 de abril de 2020, determinou um isolamento social mais

rígido de 14 dias, iniciado no dia 10 de abril até o 23 de abril de 2020, período em que apenas

no enfrentamento ao coronavírus. Portal do Governo do RN. Disponível em

<http://www.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=227627&ACT=&PAGE=&PARM=&LBL=Repor tagens>. Acesso em: 25 ago. 2021

as atividades elencadas no art. 13 como essenciais não seriam interrompidas, impondo ao

transporte coletivo intermunicipal o funcionamento de segunda a sexta-feira, das 5h às 20h,

mantendo a bordo apenas passageiros sentados. Previu, no entanto, exceção para o transporte

entre Natal e as cidades de Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Extremoz e

Ceará-Mirim, cujo funcionamento poderia ocorrer aos finais de semana, desde que com a

mesma restrição de horários e quantidade de usuários sentados. A restrição também se

destinou ao comércio e demais estabelecimentos por meio do lockdown pelo período de 14

dias, com exceção dos serviços essenciais, incluindo na lista os serviços como coleta de lixo,

transmissão de energia, telefonia e internet, serviços postais e bancários, transporte de cargas

e postos de combustíveis, seguindo os devidos critérios de segurança sanitária.

O Decreto n.º 29.634 de 22 de abril de 2020 prorrogou as medidas de saúde para

contenção do coronavírus, recomendada a utilização de máscara de proteção, industrial ou

caseira, ao entrar em estabelecimentos cujo o funcionamento não estivesse suspenso,

oportunidade em que se ampliou a lista de atividades consideradas essenciais para inclusão

dos serviços de podologia; construção civil; produção, distribuição, comercialização e

entrega, realizadas presencialmente ou por meio do comércio eletrônico, de produtos de

saúde, higiene, alimentos, bebidas não alcoólicas, tecidos, aviamentos, armarinhos,

materiais de construção ou reforma e de suprimentos agrícolas, incluindo mercados,

supermercados, hipermercados, quitandas, açougues, peixarias, padarias, distribuidores,

atividades de venda e locação de automóveis, o funcionamento de lojas de construção com

ar-condicionado e lojas de conveniência.

Acrescentou-se a autorização de funcionamento dos escritórios de advocacia

privada, bem como atividades necessárias a viabilizar a entrega de cargas e o transporte em

geral para oficinas, borracharias, lojas de autopeças, hotéis, flats, pousadas e acomodações

similares; serviços de locação de máquinas, equipamentos e bens tangíveis; atividades de

agências de emprego e trabalho temporário; serviços de reparo de computadores e bens

pessoais domésticos e serviços de lavanderia; atividades financeiras, de seguros e de

contabilidade; serviços de venda e locação de imóveis; e serviços de higiene pessoal,

incluindo barbearias, cabeleireiros e manicures. Percebe-se que atividades manuais,

artesanais e de pequeno porte, antes não consideradas como essenciais, passaram a ter

visibilidade diante da necessidade econômica e do anseio social pelo retorno de tais serviços.

A obrigatoriedade do uso da máscara, que até então era tratada como

recomendação, surgiu apenas com o decreto nº 29.668, de 04 de maio de 2020, delegando

às empresas a exigência do uso por parte dos seus colaboradores, clientes e funcionários,

inclusive para entregas em domicílio (delivery).

Diante da necessidade de recuperação da economia do Estado, frente a crise atual,

a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), a Federação do Comércio de

Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio Grande do Norte (FECOMERCIO), a Federação

da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (FAERN) e a Federação das

Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (FETRONOR) elaboraram um Plano

de Retomada Gradual da Atividade Econômica no Estado do Rio Grande do Norte,

apresentado ao Governo Estadual e viabilizado por meio do Decreto nº 29.742, de 04 de

junho de 2020, cuja execução estava prevista para 17 de junho de 2020, desde que se

constatasse uma desaceleração da taxa de transmissibilidade da COVID-19 e com uma taxa

de ocupação dos leitos públicos de UTI inferior a 70%. Garantir o distanciamento interno

de pelo menos 1,5 m (um metro e meio) entre as pessoas, estabelecer horários alternativos

para diminuir a possibilidade de aglomeração e da concentração de pessoas e manter o

teletrabalho para todas as atividades em que houvesse essa possibilidade, observada as

condições das empresas, eram algumas das condições previstas.

O Decreto n° 29.794, de 30 de junho prorroga as medidas de isolamento social para

o enfrentamento do COVID-19 no Estado durante a execução do plano de Retomada Gradual

Responsável das Atividades Econômicas, permitindo, no entanto, o descolamento para os

motivos elencados no art. 8º do Decreto nº 29.742, de 4 de junho de 2020.

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Delegou, ainda,

aos municípios a competência para estabelecer o horário de abertura dos estabelecimentos

já em funcionamento, bem como para os que seguiriam a abertura de acordo com o

Cronograma de Retomada Gradual Responsável das Atividades Econômicas.

O Decreto nº 29.889, de 04 de agosto de 2020, instituiu o Programa Estadual

Emergencial de Assistência Social, conhecido como “RN Chega Junto”. O decreto é mais

uma ação governamental que buscou amenizar os impactos gerados pela pandemia,

destinado às pessoas em estado de vulnerabilidade socioeconômica. A ação foi coordenada

e executada pela Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social –

SETHAS. Foram destinados cerca de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) para a

aquisição de cestas básicas que tinham como missão beneficiar 30 mil pessoas, além de

outras ações como aquisição do pescado de pescadores artesanais locais para a distribuição

34 O art. 8º do Decreto Estadual de nº 29.742, de 4 de junho de 2020 determina como dever geral da população norte-rio-grandense a permanência em seu domicílio, por meio da vedação do deslocamento, exceto quando da utilização obrigatória de máscara de proteção, para situações elencadas em seus incisos, tais como o

deslocamento para atendimento médico, o deslocamento para estabelecimentos que permaneceram abertos na forma da legislação ou para a entrega de bens essenciais a pessoas consideradas do grupo de risco, por exemplo.

gratuita aos vulneráveis economicamente.

Mais adiante, o Decreto nº 29.927, de 14 de agosto de 2020, alterou o Decreto nº

29.583, de 1º de abril de 2020, quanto ao Sistema de Transporte Coletivo Rodoviário

Intermunicipal de Passageiros do Rio Grande do Norte, determinando o retorno do fluxo

normal da frota de ônibus intermunicipais, desde que cumpridos os protocolos de segurança

já estabelecidos pelos atos normativos do Estado, condicionando a manutenção de frota

reduzido a plano com a devida justificativa técnica a ser submetido para análise do

Departamento Estadual de Estradas de Rodagem – DER.

Como meio de retomada de atividades coletivas de qualquer natureza, sejam elas

públicas ou privadas, tais como eventos de massa, atividades desportivas, feiras etc., o

Decreto nº 30.035, de 05 de outubro de 2020, revogou o art. 11 do Decreto nº 29.583, de 1º

de abril de 2020, dispositivo que expressamente suspendia tais atividades. A permissão de

retorno deveria, contudo, seguir todos os protocolos de medidas sanitárias já estabelecidos.

Conhecido como o ato normativo que estabeleceu o “toque de recolher”, o decreto

nº 30.383, de 26 de fevereiro de 2021, trouxe medidas extremas em razão do agravamento

da crise de saúde pública no Estado em decorrência da pandemia. Neste período a taxa de

ocupação dos leitos críticos em municípios do Estado superavam os 80%, o que preocupou

as autoridades locais sobre um possível colapso de leitos. O toque de recolher consistiu na

proibição de circulação de pessoas em todo o território potiguar, até o dia 10 de março de

2020, entre as 22h e as 05h, ampliando para as 06h até o dia 19 de março de 2020 pelos

Decretos nº 30.388, de 05 de março de 2021, e Decreto nº 30.419, de 17 de março de 2021,

forçando a diminuição de fluxo de pessoas nas ruas, excetuando as atividades como serviços

públicos e essenciais, farmácias, postos de combustíveis, hospitais, serviços de transporte

coletivo etc., que estavam autorizados a funcionar a qualquer horário.

Aos poucos o Poder Público flexibilizou os decretos para permitir o retorno de

atividades e abertura de estabelecimentos, parques naturais, públicos ou privados, desde que

mantivessem a capacidade de ocupação reduzida; retorno de as atividades esportivas

profissionais, previstas em agenda de campeonatos oficiais, a prática de esportes coletivos

em arenas, clubes esportivos, academias e similares, restringindo acesso ao público não

participante dos eventos, como ocorreu com a proibição de torcedores em partidas de

futebol.

Setores econômicos como cinemas, teatros, parques de diversões, eventos em

massa, eventos corporativos e convenções, além de outras atividades, foram autorizadas

apenas em junho de 2021, nos termos do art. 4º do Decreto nº 30.676, de 22 de junho de

2021. O decreto alterou o toque de recolher que passou a ser das 23h às 05h da manhã do

dia seguinte, todos os dias da semana, segundo o seu art. 2º. O art. 3º, por sua vez, manteve

a proibição de eventos ou atos que se caracterizassem festejos juninos no Estado do Rio

Grande do Norte, tais como fogueiras e fogos de artifícios.

O Decreto nº 30.714, de 06 de julho de 2021 extinguiu o toque de recolher no

Estado e, como forma de autorizar o funcionamento de todos os estabelecimentos, trouxe

mudanças no horário de funcionamento, a saber, das 05h às 00h, seguindo os protocolos de

segurança e proteção contra o COVID-19; acrescentou mais 1h de funcionamento para bares

e restaurantes como tolerância para finalizar o expediente comercial; manteve a

obrigatoriedade da utilização de máscaras pelos funcionários, clientes e usuários dos

estabelecimentos; determinou novas regras de ocupação de espaços e templos religiosos.

Destaque para a não obrigatoriedade de aferição de temperatura na entrada dos

estabelecimentos, mantendo a necessidade de uso das máscaras, álcool em gel e

distanciamento social.

O último decreto editado até o fechamento deste capítulo foi o decreto nº 30.795,

de 04 de agosto de 2021, que prorrogou o Decreto Estadual nº 30.714, de 06 de julho de

2021, até o dia 16 de setembro de 2021, além de autorizar a execução da segunda fase do

plano de retomada das atividades econômicas no Estado, limitando o funcionamento das 5h

da manhã até as 2h da manhã do dia seguinte. O art. 2º do decreto nº 30.795, de 04 de agosto

de 2021, em alteração ao Decreto Estadual nº 30.714, de 06 de julho de 2021, trouxe a

previsão de ampliação da capacidade dos estabelecimentos em 70%, 80% e 100%, da

capacidade do local para os dias 04 de agosto, 03 e 17 de setembro, respectivamente.

Este avanço é extremamente importante e, sem dúvida, a etapa mais esperada para

a retomada da atividade econômica no Estado do Rio Grande do Norte. O decreto considera

a observação de protocolos de segurança para o alcance dessa meta de forma responsável,

fundamental para a preservação dos empregos e da renda populacional. Passaremos, neste

momento, a abordar os decretos e demais atos do Poder Público Municipal elaborados para

estabelecer as medidas de enfrentamento do COVID-19.