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Medidas básicas para a elaboração de um Plano Ambiental

6.2 Planejamento ambiental municipal

6.2.1 Medidas básicas para a elaboração de um Plano Ambiental

O ato de planejar envolve um conjunto de métodos destinados a captar e sistematizar informações objetivando fundamentar e racionalizar a tomada de decisões. E preciso definir metas e formular políticas para alcançá-las. Inclui também a avaliação das alternativas

escolhidas para se atingir as metas previstas e as conseqüências produzidas, além do controle do próprio processo de implementação das políticas.

Do ponto de vista hierárquico, podem ser citados níveis fundamentais do processo de planejamento: planejamento nacional, planejamento regional, planejamento local e planejamento setorial. Sob esta perspectiva, o presente trabalho se atem a tratar do planejamento local, mais especificamente, do planejamento ambiental local.

O Instituto Brasileiro de Administração Municipal recomenda um roteiro de trabalho para o planejamento municipal constituído pelas seguintes fases:

1) análise da situação existente;

2) estudo de prioridades e formulação de objetivos e políticas;

3) levantamento das alternativas existentes para alcançar cada objetivo; 4) levantamento dos custos;

5) escolha das alternativas de soluções; 6) alocação de recursos;

7) programação; 8) controle e avaliação; 9) reformulação.

Segundo OLIVEIRA (1989), a Administração Municipal deve trabalhar com três tipos de planejamento, que podem ser desenvolvidos com os vários segmentos da sociedade:

1) estratégico, se realiza para a tomada de decisões a longo prazo;

2) tático ou intermediário, relacionado com as decisões a médio prazo e voltado para a previsão de metas e a alocação de recursos para concretizá-las;

3) operacional, de curto prazo e voltado para a execução de tarefas.

O planejamento estratégico deve ter uma visão ampla da situação local e dos problemas públicos municipais, indicar os caminhos que podem ser seguidos a fim de

Políticas ambientais para o desenvolvimento sustentável no Estado de Alagoas: o caso de Maragogi. 73

solucioná-los, definir, em linhas gerais, os objetivos a serem atingidos no período de duração do atual governo e formular as estratégias de ação. Envolve a participação do prefeito e seus auxiliares diretos e dos representantes da sociedade civil.

O planejamento tático é desenvolvido nos escalões médios da organização e tem por objetivo detalhar as decisões do plano estratégico, previstas para serem implementadas em médio prazo. Deve ser realizado pelas Secretarias Municipais ou Departamentos.

Por fim, o planejamento operacional tratará do que precisará ser feito e quais os procedimentos que deverão ser adotados para fazê-lo, a fim de atingir os objetivos definidos no plano tático.

Conforme TEIXEIRA (1999, p.40), “os planos operacionais se confundem com o

conceito de projetos, na medida em que estabelecem detalhes operacionais, voltados para a execução de atividades tanto técnicas como administrativas”.

Segundo VIEIRA (2002), o trabalho de planejamento deve assumir a seguinte seqüência:

1) Identificação das necessidades e objetivos

Para se ter conhecimento das questões ambientais a serem tratadas no planejamento, se faz necessário primeiramente obter informações relativas às necessidades, aspirações e estilos de vida das populações, bem como dados sobre o potencial de recursos naturais e as características geográficas e ecológicas peculiares de cada localidade.

Nem sempre se faz necessário empreender diagnósticos exaustivos, necessariamente lentos e onerosos, da área selecionada. Há metodologias que avaliam de forma mais rápida e precisa os problemas ambientais de uma localidade. Estas técnicas fazem uso da base de conhecimentos acumulados por pesquisas sobre desenvolvimento sustentável, acrescidas de recursos oferecidos pela metodologia de planejamento estratégico participativo.

O processo de identificação de necessidades não deve se limitar ao uso de técnicas convencionais de pesquisa social, como questionários e entrevistas. Atualmente, as Administrações Públicas estão incentivando a criação de conselhos, realizando fóruns e debates com esta finalidade.

Também é de fundamental importância que o Plano Ambiental contenha informações completas sobre os planos e programas estabelecidos pela política dos governos federal e estadual na área do município, já implantados ou a implantar. Estes dados são necessários para que a equipe de planejamento possa estabelecer formas de cooperação e evitar duplicidade de programas (TEIXEIRA, 1999, p.129).

2) Análise de problemas e busca de alternativas

Conforme VIEIRA (2002), a análise dos problemas ambientais deve ser realizada por meio de um instrumento relevante da gestão ambiental, a avaliação de impactos ambientais, tomando-se este tipo de avaliação num sentido mais amplo do que um mero estudo para o licenciamento de atividades potencialmente poluidoras.

Constitui nesse sentido um conjunto de operações designadas para identificar, predizer, analisar e comunicar informações relevantes sobre impactos relativos ao estado do meio ambiente e sobre a saúde e qualidade de vida das populações. Tais impactos são gerados por projetos, programas e políticas de desenvolvimento regional e urbano.

Segundo SÁNCHEZ (1991), a avaliação de impacto ambiental só poderia ser considerada eficiente se desempenhasse quatro papéis complementares, a saber, como instrumento de ajuda à decisão, como instrumento de concepção de projetos e de planejamento, como instrumento de negociação social e como instrumento de gestão ambiental.

Nesta concepção, o processo de avaliação de impactos ambientais iria além da preocupação pelos diversos tipos possíveis de degradação ao ambiente natural ou construído,

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considerando também uma dimensão social, avaliando quem ganha e quem perde neste processo.

3)Implementação e monitoramento de estratégias locais

A exeqüibilidade das alternativas selecionadas passa por um esforço de coordenação institucional tanto entre os diferentes setores da administração municipal, quanto entre diferentes níveis de organização territorial. “Ao mesmo tempo em que se deve buscar a

transferência de poder decisório entre os níveis local, microrregional, regional e nacional, cabe promover a integração das várias dimensões – sociocultural, econômica e ambiental – do processo de desenvolvimento” (VIEIRA, 2002, p.12).

A execução de um planejamento com estas características requer a existência de um SISMA bem estruturado cuja ação compreenda a definição, o monitoramento e a coordenação de todas as ações programadas. Para isto é necessário o amparo de instrumentos legais, que garantam a gestão local, a participação social no processo de decisão e a integração das ações dos órgãos envolvidos.