2 REVISÃO DE LITERATURA
2.3 O EMPREGO DA AAAE EM OPERAÇÕES DE NÃO GUERRA
2.3.4 Medidas de Coordenação e Controle da AAAe
De acordo com o novo manual Vetores Aéreos da Força Terrestre, EB20-MC
10.204 (2014, p. 5-1), a coordenação do espaço aéreo tem por objetivo garantir a
maior liberdade de ação possível a todos os vetores que o utilizam, preservando
simultaneamente a sinergia do emprego de múltiplas plataformas e sistemas, e a
segurança nas Op. Evita-se, assim, o fratricídio e acidentes aeronáuticos.
As medidas de coordenação e controle da AAAe são estabelecidas visando
possibilitar a coordenação e o controle entre os meios das FFAA. Têm por finalidade
a redução das possibilidades de ataques a aeronaves amigas, bem como evitar a
duplicação de esforços e interferência mútua e, também, possibilitar o intercâmbio de
informações entre a Defesa Aérea e a DA Ae (BRASIL, 2001, p. 3-22).
O Cmt do COMDABRA estabelece as Medidas de Coordenação do Espaço
Aéreo (MCCEA) de acordo com grau de ameaça aérea, e cabe ao COMDABRA a
confecção do Plano de Coordenação do Espaço Aéreo (PCEA) (BRASIL, 2014e,
p.45). As medidas de coordenação da AAAe estão inseridas no contexto das MCCEA
e, de acordo com o estabelecido no PCEA, o Cmdo AAAe estabelecerá as medidas
de coordenação da AAAe para as Op.
2.3.4.1 VRDAAe
O Volume de Responsabilidade da Defesa Antiaérea (VRDAAe) (FIGURA 6) “é
a porção do espaço aéreo sobrejacente a uma DA Ae onde vigoram procedimentos
específicos para o sobrevoo de Anv amigas e para o fogo AAe” (BRASIL, 2014c, p.56).
Os manuais C 44-1 (2001, p. 3-26) e MD33-M-13 (2014d, p. 56) apresentam a
definição e a classificação dos VRDAAe, de acordo com a liberdade de circulação de
aeronaves amigas apresentadas abaixo:
- Volume de responsabilidade de sobrevoo proibido - interdito às aeronaves
amigas, podendo ser aberto fogo contra qualquer vetor em penetração;
- Volume de responsabilidade de sobrevoo restrito - as aeronaves amigas
poderão penetrar, desde que autorizadas e obedecendo a normas de sobrevoo
preestabelecidas;
- Volume de responsabilidade de sobrevoo livre - sobrevoo livre, sendo o fogo
antiaéreo aberto somente em autodefesa ou contra alvos previamente designados por
um centro de controle.
É definido pela DA Ae do Esc considerado, ficando sujeito à aprovação da
Autoridade de Defesa Aeroespacial (ADA) e da Autoridade do Espaço Aéreo (AEA).
2.3.4.2 Estado de Ação
A definição do manual C 44-1 (2001, p. 3-26) esclarece que o estado de ação
define o grau de liberdade de abrir fogo das armas AAe de determinada DA Ae, sendo
aplicado ao VRDAAe e, por vezes, aos corredores de segurança ou rotas Ae.
d. O estado de ação da AAAe é relacionado com a classificação do volume
de responsabilidade de D AAe. De acordo com a maior ou menor liberdade
de abrir fogo, as defesas antiaéreas estão sujeitas aos seguintes estados de
ação:
(1) fogo livre - abrir fogo contra quaisquer Anv não identificadas como amigas;
(2) fogo restrito - abrir fogo somente contra Anv identificadas como inimigas;
(3) fogo interdito - não abrir fogo (ou cessar fogo), exceto no caso de
autodefesa antiaérea; e
(4) fogo designado - abrir fogo contra alvos especificamente designados por
um centro de controle ou em autodefesa.
e. Quando em autodefesa, a AAAe abre fogo qualquer que seja seu estado
de ação (BRASIL 2001, p. 3-26).
FIGURA 6: VRDAAe PSen.
Fonte: BRASIL, 2001, p. 3-23.
2.3.4.3 Estado de Alerta
O estado de alerta representa a probabilidade de ocorrência de ataque aéreo a
determinada DA Ae e define os meios que devem ser aprestados e as providências a
serem tomadas, permitindo a redução do tempo de resposta dos meios envolvidos,
minimizando os danos causados por um ataque aéreo (BRASIL, 2001, p. 3-28).
O estado de alerta é definido pelo Cmt do maior escalão de AAAe presente,
através do COAAe P, sendo estabelecido um estado de alerta para o sistema de
armas de cada DA Ae. Porém, um Cmt de AAAe a ele subordinado pode, através de
um COAAe S, estabelecer um estado superior ao estado de alerta estabelecido pelo
COAAe P (BRASIL, 2001, p. 3-28):
Como exemplo: numa situação em que uma incursão aérea inimiga não foi
detectada pelo escalão superior (radares de vigilância da AAAe ou F Ae), mas
por um elemento avançado daquela AAAe, que provavelmente estará sob
ataque aéreo, o comandante da defesa antiaérea poderá declarar alerta
vermelho, fazendo os meios antiaéreos sob seu comando se aprestarem
completamente para se contraporem à ameaça aérea detectada,
independente do estado de alerta do Esc Sp (BRASIL, 2001, p. 3-28).
O estado de alerta compreende os seguintes tipos e condições:
- Alerta vermelho: ataque pela ameaça aérea é iminente ou está ocorrendo; a
ameaça Ae está dentro da DA Ae ou em aproximação;
- Alerta amarelo: ataque ameaça Ae é provável; a ameaça Ae ou aeronaves
e mísseis desconhecidos podem se dirigir para a DA Ae;
- Alerta branco: ataque pela ameaça Ae é improvável; o alerta branco pode
ser declarado antes ou depois dos alertas amarelo ou vermelho.
2.3.4.4 Condições de Aprestamento
A condição de aprestamento é o estado de prontidão dos meios AAe de uma
determinada DA Ae frente a um ataque aeroespacial. Está diretamente relacionada
ao estado de alerta e ao tempo de resposta necessário para os meios AAe estarem
prontos para engajar uma ameaça aérea (BRASIL, 2001, p. 3-29).
- Aprestamento 3 - postos de combate;
- Aprestamento 2 - prontidão;
- Aprestamento 1 - segurança.
A condição de aprestamento é estabelecida pelo COAAe S considerado. A O
Op Cmt da DA Ae deve listar a quantidade de meios que estarão em aprestamento 1,
2 ou 3, bem como os respectivos procedimentos (BRASIL, 2001, p. 3-29).
TABELA 2: Relação entre Condição de Aprestamento e Estado de Alerta.
Fonte: O autor.
2.3.4.5 Corredor de Segurança
“São rotas de tráfego aéreo de risco mínimo, a serem cumpridas pelas
aeronaves amigas, a fim de se minimizar o risco de serem engajadas pela AAAe”
(BRASIL, 2001, p. 3-29). Visam permitir às aeronaves amigas ingressarem nos
VRDAAe de baixa altura com segurança. Conforme a dificuldade de coordenação,
detecção e identificação das Anv amigas em voo no corredor, a AAAe nele
desdobrada pode um estado de ação de fogo interdito ou restrito (BRASIL, 2001, p.
3-29).
FIGURA 7: Exemplo de Corredor de Segurança.
Fonte: BRASIL, 2001, p. 3-30.
No documento
ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS
(páginas 55-59)