17 1.4 Compostos Modelos.
4.3. TÉCNICAS EXPERIMENTAIS E PROCEDIMENTOS DE MEDIDAS.
4.3.3. Medidas Eletroquímicas de Voltametria Cíclica.
Para estas medidas foi utilizada uma célula eletroquímica especialmente pro jetada dentro dos requisitos eletroquímicos. consistindo num recipiente de vidro com
uma tampa de teflon contendo vários orifícios através dos quais os sistemas de ele trodos e de desoxigenação foram introduzidos.
Uma variação linear de potencial em função do tempo é aplicada entre os ele trodos de referência e de trabalho. O voltamograma cíclico expressa a variação de corrente com o potencial aplicado^'’®^.
A varredura de potencial iniciou-se quase sempre no sentido anódico. Para a obtenção dos voltamogramas inicialmente foi traçada a linha base, obtendo-se o voltamograma da solução do eletrólito suporte devidamente deaerada.
Foram obtidos voltamogramas das soluções aquosas dos complexos, nas concentrações em torno de 10"^ M a velocidades de varredura variáveis e a diferen tes pH’s. Em alguns estudos foi utilizado soluções tamponadas. Todos os estudos eletroquímicos de voltametria cíclica, em solução aquosa, foram realizados a tempe ratura de 25,0 ±0,1 °C e força iônica 0.1 M NaNOs. Para os trabalhos de voltametria cíclica em solvente orgânico foi utilizado hexafluorfosfato de tetrabutilamônio como eletrólito suporte (0.1 M NBU4P F6).
Entre dois ou mais voltamogramas sucessivos a solução era agitada com bor- bulhamento de nitrogênio. O registro dos voltamogramas foi feito com as soluções em repouso.
Após o registro de um voltamograma, o eletrodo de trabalho era submetido a um processo de limpeza seja através de polimento de sua superfície com alúmina ou megulhando numa solução de ácido clorídrico, sendo em seguida lavado abundan temente com água destilada.
Todas as soluções foram desoxigenadas por borbulhamento com gás nitrogê nio e mantidas anaeróbicas por passagem de nitrogênio sobre a solução. O sistema de desoxigenação é formado por um sistema que permite a passagem de nitrogênio através da solução e sobre a mesma antes e durante a eletrólise, respectivamente.
Os potenciais medidos foram referenciados ao eletrodo normal de hidrogênio (E N H ) adicionando-se 0,204 V aos potenciais obtidos contra Ag/AgCl e 0,242 V aos obtidos contra Hg/HgCbí^'^^.
A técnica de voltametria cíclica foi utilizada como um meio de se obter infor mações sobre os potenciais de óxidação/reduçâo e a natureza dos sistemas em es tudo.
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4.3.3.1. Tratamento dos Voltamogramas Cíclicos.
A técnica de voltametria cíclica consiste em submeter o eletrodo de trabalho a uma varredura cíclica de potencial. O voltamograma cíclico mostra a resposta do eletrodo de trabalho a esta variação de potencial^'® '*^.
Os voltamogramas cíclicos correspondentes a processos monoeletrônicos e reversíveis, foram medidos diretamente das curvas corrente versus potencial. Dos voltamogramas são obtidos parâmetros experimentais, os quais podem ser utilizados em equações semi-empíricas de corrente em função do potencial. Esses importantes parâmetros de um voltamograma cíclico são apresentados na Figura 10, para um processo monoeletrônico reversível apresentando linha de base anódica e catódica bem definidas.
0) •*-> C Q) L -
o
üpotencial
Figura 10 : Voltamograma Cíclico para um processo monoeletrônico e reversível.
Com o deslocamento do potencial para valores mais negativos, varredura ca tódica, tornamos o eletrodo progressivamente mais negativo, até atingir um valor su ficiente para reduzir a espécie eletroativa oxidada (O x) a reduzida (Red), gerando um pico de corrente. Este pico ocorre a um certo potencial de pico catódico (Epc), que depende da espécie eletroativa, e apresenta uma corrente de pico catódica (ipc) que depende da concentração da espécie eletroativa nas proximidades do eletrodo. Ao se inverter a direção de varredura de potencial para o sentido anódico (potencial po sitivo), tomamos o eletrodo de trabalho suficientemente positivo.
Ocorre o proœsso inverso, sendo a espécie reduzida novamente oxidada a um certo potencial chamado potencial de pico anódico (Epa) gerando a corrente de pico anó- dica (ipa).
O voltamograma cíclico da Figura 10, é típico para sistemas com a espécie eletroativa em solução, que apresentam comportamento controlado por difusão.
Quando o potencial necessário para ocorrer o processo de redução ou oxidação é alcançado ocorre aumento das correntes de pico até um máximo. Esse máximo ocor re devido a oxidação / redução da espécie presente na superfície do eletrodo. Em seguida ocorre um decréscimo na corrente, devido ao processo de difusão da espé cie eletroativa.
Os importantes parâmetros eletroquímicos apresentados na Figura 10, são definidos e obtidos, como se segue:
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1 - Potencial de pico: - Epa: potencial de pico anódico - Epc: potencial de pico catódico
Obtido pela projeção do máximo de corrente sobre o eixo dos potenciais.
2 - Potencial de meio pico: -Epa/2: potencial de meio pico anódico -Epc/2: potencial de meio pico catódico
Valores de potenciais para os quais a corrente assume valor igual à metade da corrente de pico catódico ou anódico.
3- Corrente de pico: - ipa: corrente de pico anódica - ipc: corrente de pico catódica
Um método para medida de ip envolve extrapolação de uma linha base como mostrado na Figura 10. Obtém-se o valor de ip, medindo-se a distância tomada verti calmente do máximo de corrente ao prolongamento da linha base. É muito impor tante para medidas de corrente de pico a presença de uma linha base bem definida.
4 - Potencial de meia-onda: E i^ (potencial médio)
É a média entre os potenciais de pico anódico e catódico. Corresponde ao potencial cujo valor da corrente é igual a 85,17 % da corrente de pico.
A definição de E1/2, provém do método polarográfico^"®^-
E i/2 ~ E298 + R T [ i n (D re d / D o x j ] ( 6 )
iiF
onde:
E°298 = potencial normal de redução;
Dox e Dred = coeficientes de difusão das espécies oxidadas e reduzidas respectivamente;
n = número de elétrons envolvidos no processo redox; R= constante dos gases;
T = temperatura e
Um par redox no qual ambas as espécies rapidamente trocam elétrons com o eletrodo de trabalho é denominado um par eletroquimicamente reversível.
0 potencial normal de redução (E°’298) para um par redox reversível, onde o valor de Dox e Dred são considerados iguais para simplificação, é centrado entre Epc e Epa:
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E298= (Epa + Epc)
(7)
Pode-se verificar na equação 6, que se Dred = Dox então E1/2 = E°’298.
5. Separação de picos : AEp
Corresponde a diferença entre os potenciais de pico anódico e catódico
AEp = Epa - Epc (8)
Através do valor de AEp pode ser obtido o valor de “n” (número de elétrons transferidos), o qual deve ser igual a 59/n (mV) a 25 °C, para um par reversível.
AEp = Epa - Epc « 0,059 / n (9)