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1. Prevenção dos Conflitos e da Participação

1.1. Medidas Politicas

Os mecanismos de direitos humanos são uma instância oficial chamar a atenção das violações dos direitos da criança dos órgãos internacionais de supervisão ou decisão. No entanto, a sua influência pode ser relativa. Acontece que os procedimentos tendem a ser prolongados e pode acontecer que o recrutamento de crianças e jovens ou a sua participação nos conflitos não encaixe facilmente nas discrições ou interpretações tradicionais dos direitos.

Outra deficiência dos mecanismos de direitos humanos e do direito humanitário é a sua incapacidade para chegar às autoridades não estatais, assim como investigar eficazmente os direitos, característica dos órgãos de decisão internacionais e que se funda no respeito pelas conceções tradicionais de soberania e não de intervenção. Deve ainda, prestar-se atenção à preparação e apresentação das queixas310.

Ilen Cohn, é da opinião que o recrutamento de crianças devia combater-se através das negociações com os órgãos políticos, de forma a exercer a pressão necessária sobre os responsáveis e, sobretudo, abordar as causas profundas ou sistemáticas que levam as crianças a empunhar armas. É preciso promover debates e investigações em foros internacionais, por exemplo, em órgão subsidiários das Nações Unidas, as comissões regionais e as organizações regionais, como a Organização da Unidade Africana, A Organização dos Estados Americanos e o Conselho da Europa. Deve-se deixar claro que o respeito por determinados valores humanos básicos, como o princípio do não recrutamento e não participação, é uma condição essencial para se ser

310 Ilene Cohn y Guy Goodwin-Gill, Los Niños Soldados: un estudio para el Instituto Henry Dunant, cit.,

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membro dessas organizações. Àqueles que procuram reconhecimento e legitimação através do conflito armado deve ser transmitida a ideia de que já têm responsabilidades internacionais311.

No plano nacional alguns governos já começaram a estabelecer vínculos com a assistência humanitária e com as normas de direitos humanos. As organizações não governamentais podem fomentar o principio da interajuda nas relações com os governos nacionais. É preciso que a prática do recrutamento de menores se converta num obstáculo ao princípio da assistência económica e a diversos níveis de cooperação.

Os Estados devem estar informados sobre o que ocorre nos seus países, através de debates no Parlamento, órgãos de comunicação social e através das organizações não governamentais.

Há muitas possibilidades de obter apoio internacional através de iniciativas locais. As organizações internacionais têm condições de apoiar o desenvolvimento de iniciativas tendentes a resolver no plano local os problemas do recrutamento e a participação nas hostilidades, seja através de procedimentos jurídicos ou de programas de intervenção.“[L]as medidas destinadas a impedir el reclutamiento y la participación de niños no deben limitarse a dictar normas e criticar la práctica, sino que es preciso examinar las causas e proponer otras soluciones eficaces”312.

As iniciativas dos organismos governamentais, assim como as oficinas e comissões de direitos humanos, merecem reconhecimento e apoio técnico no plano internacional. Existem tarefas que podem ser levadas a cabo pelos mesmos, como a tradução para as línguas locais das disposições constitucionais e direitos que a lei reconhece, a celebração de seminários sobre direitos humanos para os representantes da comunidade e o auxílio jurídico para que o número de menores alistados nas fileiras de exército diminua consideravelmente. Quando as Nações Unidas ou uma organização regional está presente na negociação de um acordo de paz, é necessário alertar e lutar contra o recrutamento de menores e apoiar institucionalmente as iniciativas das organizações não governamentais locais. A publicidade negativa nos meios de comunicação também pode ser útil para demover os grupos armados a recorrer ao recrutamento forçado. Além disso, as organizações não governamentais locais

311 Ilene Cohn y Guy Goodwin-Gill, Los Niños Soldados: un estudio para el Instituto Henry Dunant, cit.,

pág. 180.

312 Ilene Cohn y Guy Goodwin-Gill, Los Niños Soldados: un estudio para el Instituto Henry Dunant, cit.,

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interessadas, grupos religiosos, e lideres da comunidade que tenham facilidade em manter algum contacto com dirigentes da oposição podem desenvolver plataformas publicas baseadas num programa moral que reflete os valores, costumes e práticas locais. Estas iniciativas locais devem ser apoiadas pela comunidade internacional.

Os organismos internacionais de assistência externa, quando formulam recomendações ou declarações políticas devem assumir os 18 anos de idade como a idade mínima para o recrutamento por parte dos Estados e das entidades não estatais. Desta forma, podem ainda, mediante a uma declaração de normas mínimas que proíba a participação de menores de 18 anos, insistir na observação deste principio como condição de assistência humanitária313.

No que diz respeito às intervenções com o fim de ser reduzida a participação voluntária, pode-se abordar a questão de forma indireta, atacando os problemas estruturais, ou de forma mais direta, modificando a perceção da participação por parte dos jovens e dos seus tutores. As pessoas e organizações locais podem expor os riscos e abordar tais questões mas, na verdade, os organismos de assistência internacionais, os Estados que apoiam financeiramente e as instituições financeiras têm melhores condições para promover uma reforma estrutural, sem condicionantes a respeito dos direitos humanos por parte dos governos. A pressão de todos estes organismos pode dar a conhecer à opinião pública internacional a relação que existe entre a participação das crianças nos combates e as causas profundas do conflito.

Será essencial estabelecer outras atividades, por exemplo, do foro educativo que aborde efetivamente as consequências que a sua participação tem, para as crianças e o ser humano em geral. É provável que um melhoramento da situação socióeconómica seja um incentivo para a desmobilização, bem como a localização das famílias, para as crianças órfãos ou sem lugar, sem esquecer a reabilitação física e psicossocial que é essencial no processo de recuperação.

Muitas vezes, recorre-se ao Comité Internacional da Cruz Vermelha em primeira instância, que faz tudo para estar presente na maior parte dos conflitos. No entanto, o acesso às vítimas para prestar apoio nem sempre é fácil, por isso, convém que o Comité

313 Ilene Cohn y Guy Goodwin-Gill, Los Niños Soldados: un estudio para el Instituto Henry Dunant,

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mantenha uma atitude discreta e se abstenha de interessar-se pela imparcialidade do processo dos detidos e dar publicidade às queixas. Para compensar estas limitações devem estar presentes outras entidades, como as Nações Unidas, as organizações de direitos humanos e as organizações não governamentais locais e internacionais.

Um programa que vise combater este problema deve ser perspicaz e judicioso. Abolir uma prática a nível global assemelha-se sempre a uma tarefa árdua. Os movimentos que se dedicam à causa, muitas vezes deixam-se iludir por causas políticas que podem, e têm, prejudicado.