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10 MEDIDAS, PROCEDIMENTOS E ENCAMINHAMENTOS

104. Uma vez que a violência tenha adentrado a escola, o que fazer? Em primeiro lugar, há que se reconhecer que a violência é um problema social. Nesse sentido, a escola tem papel fundamental na sua redução, por meio de ações e programas preventivos, em parceria com as famílias dos alunos e os diversos atores sociais, para garantir a sua eficácia. É fundamental que em cada escola se constitua uma comissão ou equipe que possa articular políticas preventivas e capacitar seus profissionais para atuar de forma segura, sem correr riscos desnecessários.

105. Em relação ao tema bullying, as escolas brasileiras estão preparadas para enfrentá-lo?

O bullying sempre existiu nas escolas, porém, há pouco mais de 30 anos é que começou a ser estudado com parâmetros científicos, como fenômeno psicossocial, e recebeu nome específico. No Brasil, o tema começou a ganhar

espaço através do trabalho de pesquisa que realizamos e do programa antibullying Educar para a Paz, que iniciamos no interior paulista em 2000. Desde então, vem conquistando visibilidade e (página 105) gerando debate público, especialmente em decorrência das tragédias ocorridas em Taiúva (SP) e Remanso (BA). Em meados de 2006, realizamos o I Fórum Brasileiro sobre o Bullying Escolar, em Brasília-DF, com a participação de diversos segmentos da sociedade. No entanto, a maioria das escolas ainda não está preparada para o seu enfrentamento. Algumas por desconhecimento, outras por omissão, muitas por comodismo e negação do fenômeno.

106. O que as escolas devem fazer para enfrentar o fenômeno?

Acreditamos que a prevenção começa pelo conhecimento. É preciso que a escola reconheça a existência do fenômeno e, sobretudo, esteja consciente de seus prejuízos para a personalidade e o desenvolvimento socioeducacional dos estudantes. A escola também precisa capacitar seus profissionais para observação, identificação, diagnóstico, intervenção e encaminhamentos corretos, levar o tema à discussão com toda a comunidade escolar e traçar estratégias preventivas que sejam capazes de fazer frente ao fenômeno. Além do engajamento de todos, é preciso contar com a ajuda de consultores externos, como especialistas no tema, psicólogos e assistentes sociais. É imprescindível o estabelecimento de parcerias com conselhos tutelares, delegacias da Criança e do Adolescente, promotorias públicas, varas da Infância e Juventude, promotorias da Educação, dentre outros.

107. Como a escola deve proceder para detectar os índices de bullying? É necessário que a escola faça uma pesquisa com os alunos, a fim de ouvi- los para saber quais são as suas experiências com o bullying e os sentimentos despertados por ele. Em diversos países, o referencial é o questionário desenvolvido pelo norueguês Dan Olweus. Em nossas pesquisas, não é diferente: utilizamos o Questionário sobre Bullying - Modelo TMR (Training and Mobility af Researchers), adaptado por Ortega, Mora-Mérchan, (página 106) Lera, Singer, Pereira e Menesini (1999) do questionário original desenvolvido por Dan Olweus (1989). Aplicamos também uma atividade em forma de redação onde os alunos são estimulados a falar anonimamente sobre a sua vida na escola, ou seja, seu relacionamento com os colegas, uma espécie de autobiografia. Essa atividade ajuda a romper o silêncio e possibilita a expressão de emoções e sentimentos. Desenvolvemos oficinas temáticas com dinâmicas de grupo, que favorecem a compreensão do fenômeno. As discussões têm por objetivo encontrar soluções para as dificuldades nas relações interpessoais. O incentivo ao exercício da solidariedade, da tolerância, do respeito às diferenças individuais é fator motivador de mudanças. Há casos em que alunos praticantes de bullying se convertem em "alunos solidários", passando a auxiliar seus colegas dentro e fora da sala de aula, em especial aqueles que outrora eram suas vítimas. Podemos citar também modificações na postura de alguns professores, após reconhecerem as práticas do bullying decidiram mudar suas atitudes.

108. Além dos instrumentos de pesquisa, como o professor pode identificar o bullying em sala de aula?

A observação nas relações interpessoais é o primeiro procedimento que o professor deve adotar. Nas primeiras três semanas de aula o fenômeno já se torna perceptível. Orientamos para que o professor observe e anote na ficha individual do

aluno as suas impressões: se o aluno está constantemente isolado dos demais, especialmente no horário de recreio; se nos trabalhos em grupo ou jogos em equipe é sempre o último a ser escolhido; se é alvo de "zoações", caçoadas, apelidos pejorativos em decorrência do seu aspecto físico, psicológico ou cognitivo; se apresenta aspecto triste, deprimido, aflito, ansioso, irritadiço ou agressivo; se no decorrer dos meses há súbita queda no rendimento escolar e desinteresse pelos estudos; se falta às aulas freqüentemente, sem justificativas convincentes; se apresenta arranhões, ferimentos ou danificação de seus materiais escolares constantemente; se é intimidado, perseguido ou maltratado (página 107) fisicamente. Além dessas observações, o professor deve também ater-se às reações da vítima quando atacada, especialmente por meio da resposta que manifesta pela expressão fisionômica.

109. Como diagnosticar um caso de bullying?

Em nossas experiências concluímos que não é tão simples diagnosticar um caso de bullying, a não ser em sua superficialidade. Existe grande probabilidade de os pais ou profissionais das diversas áreas creditarem ao bullying todas as situações de violência que ocorrem na escola. Por outro lado, alguns fatores dificultam sua identificação: muitos adultos não reconhecem o problema em decorrência da dificuldade das vítimas em expor a situação vivenciada; a ausência de adultos quando ocorrem os ataques; a convicção de que os conflitos entre alunos devem ser resolvidos por eles mesmos; dificuldades pessoais em lidar com determinação frente aos conflitos entre alunos; crença de que o bullying é "brincadeira própria da idade" e faz parte do processo de amadurecimento do indivíduo. Para o adolescente é mais fácil formular e verbalizar o que se passa, embora seja mais difícil a sua denúncia, pois sente vergonha de se expor perante seus colegas ou adultos. Quanto às crianças, de acordo com a fase evolutiva, precisamos considerar que elas ainda não possuem percepção do grupo e do rechaço, uma vez que na fase egocêntrica as brincadeiras e a socialização acontecem com poucos amigos. Nesse caso, elas ainda não têm maturidade para formular e verbalizar sua situação, embora expressem sentimentos de insatisfação, raiva, medo e vergonha. Muitas crianças pequenas adotam a estratégia de fuga, não querendo mais ir à escola, embora não consigam expressar os motivos.

Portanto, para que não haja equívocos no momento do diagnóstico, aconselhamos que se recorra sempre aos critérios de identificação do bullying: ações deliberadas e repetitivas, desequilíbrio de poder, ausência de motivação evidente e sentimentos despertados. É imprescindível que se analise também o grau de (página 108) comprometimento da vitimização, que pode ser considerado leve, moderado e crônico.

110. Como abordar o assunto com os supostos envolvidos?

Inicialmente, temos que estar conscientes de que nossos alunos estão sofrendo em um ambiente que deveria ser de harmonia e segurança. Geralmente nossa atenção se volta às vítimas e nossa indignação aos agressores, mas temos que entender que ambos estão em sofrimento e necessitam ser compreendidos e orientados a construir uma auto-imagem positiva, que lhes permita sair da posição de vítima e de agressor. Não queremos com isso dizer que os praticantes de bullying não devam ser responsabilizados por seus atos. Entretanto, precisamos entender que nos bastidores do comportamento de intimidação e provocação constante se encontra alguém amargo, que aprendeu a resolver seus problemas de

falta de valorização a si mesmo buscando rebaixar os outros. O bullying esconde também outro problema: o agressor acredita que todos devem atender seus desejos de imediato e não consegue, do ponto de vista psicológico, colocar-se no lugar do outro. É alguém que, para se defender, ataca (Tognetta e Vinha, 2007).

Após o processo de observação, tem início o trabalho de entrevistas individuais. O entrevistador deve ouvir inicialmente a vítima e depois o agressor, demonstrando compreensão e disponibilidade para ajudar. Deve proporcionar segurança à vítima para que possa falar dos seus sentimentos e de suas limitações de defesa, evitando críticas, censura ou superproteção. No caso dos alunos suspeitos de praticar intimidação, usar os mesmos procedimentos. Conhecer a imagem que fazem de si mesmos, dos fatores motivacionais de suas atitudes negativas é abrir espaço para o diálogo e mudanças. Entretanto, é necessário ser firme e mostrar as conseqüências do seu comportamento inadequado. Orientamos para que as entrevistas sejam iniciadas com o líder do grupo de agressores, para que se possa desarticular suas ações. Em nossas experiências, o atendimento individualizado e as devidas orientações sobre (página 109) as implicações das atitudes bullying, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, são intervenções, muitas vezes, suficientes para que cessem os ataques. É muito importante que os jovens tenham conhecimento e entendimento da nossa legislação. Somente assim poderão refletir sobre as conseqüências dos seus atos. O monitoramento dos casos é fundamental para que não se abram lacunas à revitimização.

111. Se essa intervenção não surtir efeito, como se deve proceder? Existe uma legislação específica a que se pode recorrer?

Existem casos em que a ação dos agressores é mais persistente, arrastando- se ao longo dos anos. Portanto, é necessário ir além do diálogo e buscar a ajuda de outros profissionais ou instituições voltadas à proteção integral de crianças e adolescentes. Em nossos trabalhos, buscamos sempre a ajuda de um conselheiro tutelar, que orienta os praticantes e seus familiares. Em nosso país não existe legislação específica sobre o bullying, no entanto, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas protetivas ou socioeducativas às crianças e adolescentes que cometerem atos infracionais. Ao mesmo tempo em que visa garantir os direitos fundamentais básicos das crianças e dos adolescentes, o ECA estabelece normas para responsabilizá-los quando agirem contra as regras de convivência social harmônica.

112. A escola deve denunciar os casos de bullying?

Sugerimos que inicialmente os casos sejam resolvidos na escola, por meio de ações pedagógicas. Deve-se orientar o aluno agressor e aplicar a ele a pena prevista pelo regimento interno escolar, além de alertar seus pais ou responsáveis. Dependendo da gravidade do caso, deve-se encaminhá-lo diretamente ao Conselho Tutelar. Se houver lesão corporal, calúnia, injúria ou difamação, o pai ou responsável deve procurar uma (página 110) delegacia de polícia para fazer boletim de ocorrência. Em alguns casos, quando a escola não toma providências, poderá ser responsabilizada por omissão. Existem muitos casos em que a escola ou o governo tiveram que pagar indenizações às vítimas por danos morais e materiais.

113. Qual é a diferença entre ato infracional e ato de indisciplina?

acordo com a cartilha do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios sobre segurança na escola, ato infracional é o ato ilícito praticado por adolescente, descrito na legislação penal como crime ou contravenção penal. Se o ato ilícito for praticado por criança menor de 12 anos, o ECA determina a aplicação de medidas protetivas, como encaminhamento aos pais ou responsáveis; orientação, apoio e acompanhamento temporário; matrícula e freqüência obrigatória em estabelecimentos de ensino; inclusão em programas comunitários ou oficiais de auxílio à família, à criança e ao adolescente; requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; abrigo em entidade ou colocação em família substituta. A criança raramente pratica crime contra a pessoa; seus crimes freqüentemente são os furtos e os danos. Os atos ilícitos praticados por adolescentes são mais graves e, portanto, o ECA prevê a aplicação de medidas socioeducativas. Trata-se de atuações mais rigorosas, diretamente dirigidas ao adolescente e a sua família. Tais medidas são: advertência, obrigação de reparação do dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semi-liberdade e internação por tempo indeterminado. Ambas têm caráter pedagógico e educativo, visam à reintegração familiar e comunitária do adolescente infrator. O ato de indisciplina se caracteriza pelo descumprimento das normas fixadas pela escola. Portanto, a solução está restrita ao âmbito escolar e as punições, (página 111) de caráter pedagógico e educativo, estão previstas no regimento interno escolar.

114. A escola deve fazer ocorrência policial quando constatar atos ilícitos em seu interior ou em seu entorno?

As investigações criminais e o julgamento de autores de atos ilícitos não são funções da escola. No entanto, é fundamental que se faça ocorrência policial, para que os atos infracionais sejam devidamente apurados pelas autoridades competentes, visando a responsabilização dos culpados. A informação de tais ocorrências ilícitas contribui para que não haja impunidade, pois, caso contrário, ter- se-á o crescimento da violência e da criminalidade infanto-juvenis. Por outro lado, a não informação dos casos dificulta a ação das diversas instituições, uma vez que a ausência de registros de ocorrências e de encaminhamentos adotados impossibilita a geração de dados, estatísticas e estudos que possam resultar em políticas públicas eficazes.

115. Há casos em que o aluno vítima de bullying, na tentativa de se proteger ou se impor perante seus agressores, comparece às aulas armado. Ante essa situação, o que o professor deve fazer?

O professor não deve se expor e nem expor seus alunos a riscos indevidos. Nesse caso, o aluno deverá ser retirado da sala e encaminhado à direção escolar, sem fazer nenhum comentário sobre o fato. Cabe à direção da escola tomar providências no sentido de pedir auxílio - dependendo do caso, de forma anônima - ou revistar o aluno, na presença de testemunha e em lugar reservado, e convencê-lo a entregar a arma. É necessário sempre ter o cuidado para não expor crianças e adolescentes a situações constrangedoras no momento da revista pessoal (ECA, art. 232). Se o aluno infrator for menor de 12 anos, é preciso convocar um representante do Conselho Tutelar para dar os encaminhamentos legais. Se for maior de 12 anos, a polícia deve ser acionada para encaminhar o caso à Justiça. Além de fazer os encaminhamentos, a direção (página 112) escolar deve submeter

o aluno às medidas disciplinares da escola. Lembramos que, caso o professor não dê o devido encaminhamento, seu ato poderá ser interpretado como omissão, o que fere o cumprimento do seu dever como profissional (Shelb, 2003).

116. Quando um aluno ameaça a escola com explosivos, que procedimentos deve ser adotado?

Não somente esta situação, mas todos os casos de ameaça devem ser relatados à direção escolar, preferencialmente por escrito. Sabemos que escolas podem ser alvos de ameaças de explosões promovidas por adolescentes. A facilidade na aquisição de explosivos, as receitas disponíveis na internet, a crença no anonimato e na impunidade facilitam a atuação dos jovens, que são motivados por razões pessoais ou coletivas, como, por exemplo, a intenção de paralisar as aulas, especialmente em dias de provas, a expulsão ou suspensão de um aluno, gerando revolta ou indignação, ou situações de conflitos entre alunos e entre alunos e professores. Às vezes, um aluno vítima de bullying humilhado ou perseguido se revolta contra a escola e, movido por idéias de vingança, resolve explodi-la, como o que ocorreu em Columbine (EUA). O primeiro procedimento adotado pela escola deve ser treinar os profissionais de segurança, recepção e limpeza a identificar objetos e correspondências suspeitas. Muitas vezes, o aluno pode enviar o material explosivo para a escola sem identificação ou deixar o embrulho em algum local, como pátio ou banheiro. Por isso, qualquer material suspeito encontrado não deve ser tocado, o local deve ser isolado e a polícia, acionada. É importante também que os docentes observem se os alunos têm marcas de queimadura ou lesões que evidenciem experiências com explosivos. É imprescindível que as situações suspeitas ou evidentes sejam registradas na instituição e encaminhadas à autoridade policial, que tomará as medidas previstas em lei, assim como a escola

submeterá o(s) aluno(s) a medidas disciplinares

(www.violenciacriminalidade.com.br) (página 113)

117. E quando há suspeita de furtos, o professor pode revistar o aluno?

É comum entre as vítimas de bullying o desaparecimento constante de seus pertences. O professor deve ser muito cauteloso nessa questão para não submeter o aluno a situações constrangedoras. O ideal é que peça aos alunos para verificar em seus pertences se não pegaram "por engano" o objeto desaparecido. Se não aparecer o objeto ou o autor, o professor deve encaminhar o caso à direção escolar, que poderá fazer vistoria nos alunos ou encaminhar às autoridades competentes.

118. A quem o professor deve encaminhar os casos quando estes fugirem de sua alçada?

É imprescindível que o profissional tenha absoluto conhecimento dos limites de sua função e da função dos demais profissionais da escola. Dessa forma, compreenderá por que e quando deve encaminhar o caso a outros profissionais e instituições. Por exemplo, os diretores dos estabelecimentos de ensino públicos ou privados são responsáveis pela vigilância de tudo que ocorre no interior de suas dependências. Cabe ao diretor, como autoridade máxima, promover sindicância interna e decidir os procedimentos a ser adotados. Em determinados casos é legítimo que encaminhe o caso para outras instituições, como o Conselho Tutelar ou órgãos de proteção à criança e ao adolescente. Em determinadas situações é necessário o encaminhamento anônimo, o pedido de sigilo e de auxílio da diretoria

ou secretaria de educação, visando a sua segurança pessoal, de seus profissionais, dos alunos e da instituição escolar, como um todo.

119. E quando o agressor do estudante é justamente o professor?

As escolas são responsáveis pelos atos de seus profissionais. Por isso, devem selecionar profissionais competentes e desenvolver permanente vigilância dos atos (página 114) praticados. Ao profissional cabe proceder de forma que seu comportamento sirva de exemplo para a conduta dos alunos. Portanto, havendo situações que ameacem, constranjam ou coloquem em risco a integridade de um estudante, a direção deve apurar as responsabilidades, podendo aplicar as penas previstas no regimento interno, além dos devidos encaminhamentos externos, se necessário. Alertamos para a importância da apresentação de provas seguras contra o agressor. Caso contrário, a vítima é que poderá ser punida de acordo com o regimento interno escolar e o professor poderá recorrer à Justiça para pedir-lhe reparação pelos danos causados. Como disse Comte-Sponville (1999, p. 7) "se uma virtude pode ser ensinada, é mais pelo exemplo do que pelos livros". É verdade que um professor cujas ações são justas, solidárias e humildes tem muito mais condições de formar igualmente alunos com tais virtudes, não somente porque esses últimos o imitam, mas porque o vêem como sujeito significativo e, portanto, buscam convergir seus próprios valores com os dele.

120. No caso de a escola ser omissa, como a família do estudante agredido deve proceder?

Se a escola não proporcionar meios para a reparação dos danos provocados pelo professor, a vítima e seu responsável deverão recorrer ao Judiciário, pedindo indenização por danos morais e ressarcimento de despesas, como as de médico, psicólogo, medicamentos e outras.

121. Por outro lado, se a vítima for o professor, o que deve fazer?

O professor tem assegurado o direito à segurança na atividade profissional, com penalização da prática de ofensa corporal ou outra violência sofrida no exercício das suas funções ou por causa destas. Caso o professor seja vítima de ameaças ou de alguma outra forma de maltrato que coloque em risco a sua vida ou a (página 115) sua reputação, deve procurar imediatamente a direção escolar. O diretor é quem tomará as providências adequadas. Caso a escola se omita, o professor deve se dirigir à delegacia de polícia para lavrar boletim de ocorrências.

122. O que a escola deve fazer quando convocar os país dos alunos praticantes de bullying e eles se negarem a comparecer?

Sugerimos que todas as vezes que a escola convocar os pais faça-o por escrito e arquive a cópia, com as devidas assinaturas. Caso os pais não compareçam ou enviem terceiros para representá-los, nova convocação deverá ser encaminhada, com o mesmo texto da convocação anterior, porém, acrescentando o seguinte: "O não comparecimento implicará no encaminhamento à Vara da Infância e Juventude, conforme o disposto no art. 249 da Lei n° 8.069/90" (Shelb, 2005, p. 117).

123. Que procedimento deve ser adotado pelo professor ao presenciar a vitimizaçâo?

Não somente o professor, mas qualquer agente de segurança pública (médico, policial) deve comunicar à autoridade competente os casos de suspeita ou

confirmação de maus-tratos contra criança e adolescente, sob as penas da lei (ECA, art. 245). Por exemplo, um aluno é chamado constantemente por apelidos e "zoado" quando faz perguntas. Nesse caso, o professor deve intervir imediatamente, de forma que cessem os ataques e a situação de risco seja impedida. No entanto, o professor deve ter muito cuidado para não expor o autor a situações de constrangimento (ECA, art. 232), nem superproteger a vítima, impedindo que

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