• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO IV – AMBIENTE, ESTRATÉGIA, LIQUIDEZ E

4.2 Classificação do Ambiente Organizacional

4.2.2 Medidas Utilizadas na Classificação do Ambiente

A classificação dos ambientes específicos, necessária para a pesquisa na área da gestão estratégica, envolve a conceptualização das dimensões teóricas, a escolha das variáveis para medição das dimensões e a validação das dimensões e das variáveis (Rasheed e Prescott, 1992). Nos diferentes estudos que procuram avaliar o ambiente têm sido utilizadas, em simultâneo, medidas objectivas e perceptuais.

As medidas objectivas podem ser específicas da empresa (e.g., Tosi, Aldag e Storey,

1973; Snyder e Glueck, 1982; Bourgeois, 1985; Prescott, 1986) ou relativas à indústria (quadros 4.1 e 4.2, pp. 109 e 110, respectivamente). As medidas perceptuais têm sido obtidas no seio das organizações (e.g., Dill, 1958; Duncan, 1972; Bourgeois, 1985; Kim

e Lim, 1988; Covin e Slevin, 1989; Garg, Walters e Priem, 2003; Gilley, McGee e Rasheed, 2004) ou fora delas (Snyder e Glueck, 1982).

109

Em diversos estudos recorre-se a mais do que uma variável para medir as dimensões ambientais (quadro 4.1).

Quadro4.1:Variáveis Objectivas Utilizadas na Classificação do Ambiente Específico da Indústria Dimensões e Variáveis Estudos Dess e Beard (1984) Keats e Hitt (1988) Sharfman e Deana) (1991) Rasheed e Prescott (1992) Castrogiovanni (2002) Munificência da Indústria

Crescimento das vendas b) d) e) b) b)

Crescimento da margem bruta b) d) b) b)

Crescimento do emprego b) e) b) b)

Crescimento do valor acrescentado b) b) b)

Crescimento do número de

estabelecimentos b) b)

Dinamismo da Indústria

Instabilidade das vendas totais b) d) e) b) b)

Instabilidade da margem bruta b) d) b) b)

Instabilidade do emprego total b) e) b) b)

Instabilidade da tecnologia c) e)

Instabilidade do valor acrescentado b) b) b)

Rácio de especialização b) Proporção de vendas da indústria

destinadas aos mercados intermediários b)

Complexidade da Indústria

Rácio de especialização b) b)

Rácio de cobertura b)

Concentração dos inputs c)

Concentração das vendas c) d)

Diversidade dos produtos c) e)

Concentração geográfica das vendas b) e) b) Concentração geográfica do valor

acrescentado b) b)

Concentração geográfica do emprego

total b) e) b)

Concentração geográfica dos

estabelecimentos b) b)

Percentagem de cientistas e

engenheiros e)

a) No estudo de Sharfman e Dean (1991) as dimensões estudadas foram designadas de ameaça competitiva, dinamismo e complexidade.

b)Medidas que registaram contribuições superiores a 0,3 após a aplicação da análise factorial.

c) Medidas que registaram contribuições iguais ou inferiores a 0,3 após a aplicação da análise factorial. d)Medidas validadas através da análise de, aproximadamente, 1/3 dos relatórios de contas das

empresas.

e) Medidas validadas verticalmente e horizontalmente através de dados perceptuais.

Noutros casos os autores utilizam apenas uma variável por dimensão (quadro 4.2, p. 110).

110

Quadro 4.2: Variáveis Únicas Utilizadas na Classificação do Ambiente Específico da Empresa ou da Indústria

Dimensão Variável Estudos

Munificência

Crescimento das vendas da indústria num determinado período (5 ou 10 anos): após a regressão das vendas da indústria com o tempo o coeficiente da variável

independente (tempo) é dividido pelo valor médio das vendas da indústria no período.

Goll e Rasheed (1997, 2004, 2005) Rasheed (2005)

Dinamismo

Instabilidade das vendas da indústria num determinado período (5 ou 10 anos): após a regressão das vendas da indústria com o tempo o erro padrão do coeficiente beta (tempo) é dividido pelo valor médio das vendas da indústria no período.

Goll e Rasheed (1997, 2004) Li e Simerly (1998) Simerly e Li (2000) Rasheed (2005) Concentração/ Concorrência

Quota de mercado das 4 (8) empresas líderes do mercado.

Datta e Narayanan (1989) Ghosal e Loungani (1996)

Dummy que assume o valor 0 se a empresa

é a principal fornecedora daquele produto para o mercado e tem 5 ou menos concorrentes e 1 no caso contrário.

Nickell (1996)

No que diz respeito à utilização de dados perceptuais para avaliar o ambiente, Covin e Slevin (1989) estudam a hostilidade do ambiente através da colocação de questões aos dirigentes de topo de empresas não inseridas em grupos económicos. Snyder e Glueck (1982) e Bourgeois (1985) centram a sua análise na incerteza/volatilidade do ambiente relativamente à instabilidade do mercado e da tecnologia. Gilley et al. (2004) examinam

o dinamismo do ambiente percepcionado pelos dirigentes de empresas da indústria transformadora, através de questões que procuram captar a capacidade dos dirigentes em prever as variações das diferentes componentes do ambiente. Duncan (1972) questiona 22 unidades de decisão em três empresas da indústria transformadora obtendo duas dimensões para o ambiente, a complexidade e o dinamismo.

Utilizando dados relativos às percepções de dirigentes de empresas coreanas, pertencentes à indústria da electrónica, Kim e Lim (1988) validam a análise estrutural de Porter (1980) como forma de caracterização do ambiente. O ambiente que rodeia as indústrias depende do grau de concorrência (medido através do número de concorrentes e das entradas e saídas de empresas no mercado), do poder de negociação dos clientes e fornecedores (medido através da abrangência do canal de distribuição, das fontes alternativas de matérias primas e do grau de integração vertical), da estabilidade da tecnologia (medida através do número de produtos concorrentes e do grau de alterações tecnológicas), das ameaças à entrada (medidas através das ameaças de integração a

111

jusante e a montante) e da disponibilidade dos recursos (medida através da variação do preço dos materiais, da facilidade na contratação de pessoal especializado e de aquisição de matérias-primas).

Apesar dos resultados obtidos por Tosi et al. (1973) indicarem que as medidas

objectivas podem conduzir a resultados diferentes das medidas perceptuais (concluem que a coincidência entre a volatilidade objectiva e percebida é reduzida), outros autores têm conseguido reconciliar as duas perspectivas. Snyder e Glueck (1982), questionando agentes externos às organizações (analistas de empresas corretoras de acções), obtêm um forte coeficiente de correlação entre a volatilidade avaliada através de percepções e a volatilidade avaliada através de indicadores objectivos. Bourgeois (1985) conclui que o desempenho depende, positivamente, da convergência existente entre a volatilidade objectiva e a incerteza percepcionada pelos dirigentes. Também Sharfman e Dean (1991) demonstram existir convergência entre as perspectivas perceptual e objectiva propondo uma abordagem alternativa à de Dess e Beard (1984) para avaliar o ambiente. Consideram, a priori, três dimensões (ameaça competitiva, dinamismo e

complexidade), medidas através de um total de onze variáveis que, posteriormente, são validadas através de dados perceptuais. A dimensão ameaça competitiva é construída com os indicadores de competição (concentração da indústria e variação média da quota de mercado) e de munificência (crescimento das vendas e do emprego). As três dimensões conseguem explicar 38% da variação dos indicadores de desempenho da indústria (Sharfman e Dean, 1991).