Centramo-nos com amor em nosso corpo. Passamos pelos seus órgãos com uma dedicação profunda às suas maravilhas, principalmente ao nosso coração. Ele bate no ritmo de um coração eterno, do qual vem toda a vida, com amor. Em sintonia com ele, ficamos quietos e em silêncio.
Nosso coração bate com o mundo como ele é. Até mesmo com aquilo que negamos. Ele bate em sintonia com a nossa culpa e com a culpa daqueles diante dos quais somos maus e que tememos. Damos a eles um lugar em nosso coração. Entregamo-nos internamente a essa batida do coração, tornando-nos um só com ela.
Subitamente, nosso corpo relaxa. Tudo nele encontra o seu lugar. Tudo bate em sintonia conosco. Pertencemos a ele e tudo em nosso corpo pertence a nós. Estamos presentes com tudo nele, completamente presentes.
Confiamos a um poder criador tudo aquilo que nos machuca, tudo aquilo que machuca o outro. Soltamos isso e sentimos uma profunda paz. Encontramos novamente o amor, a paz conosco e com os outros, a paz com nosso passado, a paz diante de nossa culpa e suas consequências, a paz diante da culpa do outro e de tudo o que ela nos cobrou e continua cobrando. Sentimos o efeito curativo dessa entrega em tudo o que é e que foi.
É a esse lugar que pertencemos. Tudo pode ser curado, levado pela vida em sua plenitude - sem culpa, sem expiação, sem justiça, numa corrente eterna em um mar infinito. Sem o bom e o mau, com todos os outros igualmente ali - com amor.
R
ETROSPECTOAgora chega o momento de deter-me. Olho para trás, para as compreensões que me permitem perceber o quanto os movimentos interiores em nossa alma influem sobre nossa saúde e nossa felicidade. Ao
invés de preencher a vida, reduzem-na. Ao invés de servi-la, restringem-na.
Dói dentro de mim quando penso em sua influência sobre nossas doenças e observo o quanto essas compreensões são deixadas de lado em nossos cuidados com a saúde.
Contudo, de minha parte, trouxe uma contribuição possível. Espero que isso tenha tido algum efeito curativo em sua alma e em seu corpo.
Nesta parte do livro, prossigo falando sobre nossa alma, compartilhando observações concretas, que o ajudarão, através de sua saúde e da alegria do amor, a ter boas relações.
O que faremos é trazer de volta nossos sonhos infantis, nos quais nos sentimos separados de nossa mãe, reconhecendo seus efeitos em nossa vida e em nossas relações posteriores, examinando-os. Em seguida, farei com você exercícios interiores para dissolver esses sonhos infantis de separação. E a partir de sua estreiteza encontrar uma nova amplitude. Eles estão a serviço da vida e a serviço do amor que nos une novamente ao outro e permite que sejamos felizes juntos.
N
OSSA MÃEA relação mais profunda que vivenciamos em nossa vida foi e é a relação com a nossa mãe, que em seu ventre, nos deu a vida. E isso não é tudo. No interior de nossa mãe, quando ela, junto com o nosso pai, trouxe-nos à vida, começando pelo óvulo fertilizado pelo nosso pai em seu ventre, passando pela longa gravidez, na qual nos desenvolvemos em seu útero, na mais profunda sintonia com ela. Nove meses, até nos tornarmos uma criança completa, pronta para o nascimento e para a separação dela, para ver a luz do mundo como ser completo e respirar pela primeira vez como recém-nascido.
Onde fomos parar após o nosso nascimento? Em seu seio. Lá, bebemos, como primeiro alimento para o nosso próprio sistema circulatório, seu leite, vital para nós.
grandiosa que nessa unidade com a mãe, desde o começo e de abrangência total?
O que permanece e resta disso mais tarde, à medida que, passo a passo, separamo-nos dela e de nosso pai, para nos tornarmos independentes? Ao deixar para trás o seio de nossa família para nascer na amplidão do mundo? Será que perdemos nossa mãe e, com ela, nosso pai? Será que, às vezes, perdemos também nosso amor por eles e seu amor por nós? Será que levamos conosco o seu amor nesse segundo nascimento e em nossa vida independente deles? Ou será que rejeitamos esse amor? Por exemplo, através de acusações por meio das quais nos sobrepusemos a eles, como se fôssemos os grandes e eles estivessem numa posição inferior?
Enriquecemos internamente por meio dessa maneira de tornar-se independente e ser independente? Ou nos tornamos miseráveis e pequenos? Será que nos tornamos realmente mais valorosos para a nossa vida de adulto e preparados para retransmitir a vida no sentido completo? Será que algo se colocou entre nós, talvez uma separação dolorosa dela e de nosso pai, que acabou com a nossa felicidade original que pudemos vivenciar com eles? Será que fomos confrontados muito cedo com o outro lado de nos tornarmos crescidos e com a seriedade da vida? Será que lamentamos a perda desses primeiros tempos felizes e nos esquecemos do que havia de grande e profundo antes?
De que falei aqui? Que experiência nos aguarda mais cedo ou mais tarde, para alguns de nós de forma mais árdua, para outros, mais suave? Falei da separação e da dor que acompanha essa experiência.
Ainda há algo sobre o que refletir. Nossa relação com nossa mãe continua em nossas relações com outras pessoas. Principalmente em nossa relação com o nosso parceiro e com os nossos filhos. Ela também continua em nosso trabalho e em nossa profissão.
Se, na relação com a nossa mãe, tiver ocorrido um evento que nos tenha separado dela, mesmo que por um curto tempo, permanece uma dor que nos aflige por toda a vida. Ela nos aflige nas relações com outras pessoas e nas expectativas que temos com relação a elas.