• Nenhum resultado encontrado

O Instituto Inhotim apresenta uma diversidade de possibilidades conceituais, no que tange ao sentido da expressão “meio ambiente”. Por exemplo, o Instituto pode ser caracterizado como um meio ambiente cultural, sendo uma das cinco classificações do meio ambiente ecologicamente equilibrado previsto na Constituição Federal de 1988.

Para Ruschamann (1997):

[...] como meio ambiente entende-se a biosfera, isto é, as rochas, as águas e o ar que envolvem a Terra, juntamente com seus ecossistemas, constituídos de comunidades- integradas por indivíduos e todos os tipos de vida animal e vegetal. Essa definição também inclui todos os tipos de construções feitas pela mão do homem: as cidades, os monumentos históricos, os sítios arqueológicos e, ainda, os padrões de comportamento das populações- o folclore, o vestuário, a gastronomia e o modo de vida das comunidades (RUSCHMANN, 1997, p. 10).

Porém, ainda persiste a equivocada concepção de que preservar o meio ambiente é proteger somente a fauna e a flora. Entretanto, o meio ambiente, enquanto bem jurídico tutelado, pode ser enquadrado sob cinco prismas diferenciados:

x Meio ambiente natural; x Meio ambiente artificial; x Meio ambiente cultural; x Meio ambiente do trabalho; x Patrimônio genético.

Assim, o meio ambiente possui, pelo próprio conceito estabelecido pela Lei da Política Nacional do Meio Ambiente e da Constituição Federal de 1988, em especial o Artigo 225, uma conotação múltipla, tendo em vista a classificação estabelecida, cada qual com seu aspecto de diferenciação específica.

No Instituto Inhotim pode-se verificar amplos conceitos relativos ao tema Meio Ambiente, porém àqueles que se pretende elucidar neste estudo consistem em meio ambiente natural, meio ambiente artificial e meio ambiente cultural, como é possível conferir nos itens que seguem.

2.4.1 Meio Ambiente Natural

O meio ambiente natural ou físico é composto pelos recursos naturais: água, solo, ar atmosférico, fauna e flora. Tal conceito está explicitado no Artigo 225 da Constituição Federal, como segue:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo- se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas (...). VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade (CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL, 1988).

2.4.2 Meio Ambiente Artificial

O meio ambiente artificial é formado pelos espaços urbanos, incluindo as edificações que são os espaços urbanos fechados, como por exemplo, um prédio residencial e os equipamentos públicos urbanos abertos, como uma via pública, uma praça, dentre outros.

Normalmente o meio ambiente artificial está associado aos espaços urbanos tais quais a cidade, o que em absoluto, não quer significar aversão ao rural, posto que no conceito de cidade está implícita a ideia relativa à espaços habitáveis, como um todo.

Além do Artigo 225, considerado o mais importante orientador constitucional ambiental, existem também outros importantes dispositivos disciplinando o tema, como é o caso do Artigo 182, inserido no capítulo que trata da política urbana nacional, como segue:

Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes (CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL, 1988).

Quanto ao conceito proposto relativo ao sentido da palavra “artificial”, relacionada ao meio ambiente, podemos considerar que, de acordo com Sirvinskas (2015, p. 277), o meio ambiente artificial “[...] é aquele construído pelo homem. É a ocupação gradativa dos espaços naturais, transformando-os em espaços artificiais”.

2.4.3 Meio Ambiente Cultural

O Inhotim é um ambiente cultural, por excelência, porque é uma instituição capaz de proporcionar o desenvolvimento de relações culturais, turísticas, paisagísticas e naturais, previstas na Constituição Federal, como é indicado no Artigo 216 (cf. anexo C), como segue:

Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:

I - as formas de expressão;

II - os modos de criar, fazer e viver;

III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;

IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;

V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico (CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL, 1988).

O Instituto Inhotim configura-se como um patrimônio material, imaterial, cultural e natural, que corresponde ao Artigo 216 da Constituição de 1988 (cf. Anexo C), apontado na citação anterior. Enquanto patrimônio material, apresenta um grande conjunto de obras de arte contemporânea, além do complexo arquitetônico composto de edificações, tais como galerias, pavilhões, galpões e restaurantes. No tocante ao patrimônio imaterial, trata-se de um museu e, portanto, um ambiente que proporciona a produção de história e memória, através da constituição de um acervo cultural para a humanidade, sendo, desta forma, também um polo cultural que apresenta a noção de patrimônio intangível, com alto teor educativo ambiental e artístico. Quanto ao patrimônio natural, apresenta um vasto acervo botânico em meio a jardins e lagos, além de uma reserva florestal.

Documentos relacionados