• Nenhum resultado encontrado

3.1 MEIO AMBIENTE, PERCEPÇÃO E RESÍDUOS SÓLIDOS

Dimensão Ambiental nosDimensão Ambiental nos

3.1 MEIO AMBIENTE, PERCEPÇÃO E RESÍDUOS SÓLIDOS

3.1.1 A percepção ambiental nos espaços urbano e rural

Na análise de um ambiente é interessante conhecer como os indivíduos percebem o meio em que vivem, suas fontes de satisfação e insatisfação, pois se tem a possibilidade da realização de um trabalho com bases locais, partindo da realidade do público alvo. Desse modo, “pode-se considerar a percepção dos moradores como uma informação de grande importância no estudo da interação entre o homem e paisagem, pois é inegável que há uma profunda diferença entre o cenário descrito e estudado, e um cenário experenciado e vivido” (RIO; OLIVEIRA, 1996, p. 99).

De acordo com essa abordagem pode-se inferir que o individuo residente em um dado espaço, o percebe como um lugar, caracterizando-o por adjetivos variáveis e pessoais para expressar os componentes paisagísticos, ao contrário de quem o estuda somente por meio de bibliografia, fotografias aéreas, imagens de satélites e trabalho de campo, pois não visualiza o lugar em função da inexistência da emoção de pertencimento.

A preocupação com o meio ambiente hoje é um tema generalizado em toda a sociedade e em Itabaiana esse fato não é indiferente, já que o lugar principal no qual essa preocupação se materializa é o município, menor unidade da estrutura político – administrativa brasileira e onde, em tese, a oferta de uma qualidade de vida deveria ser mais facilitada.

O município em questão possui uma área de 364 quilômetros quadrados, um espaço de dimensão espacial reduzida e homogênea, relativamente propício a efetivação de estudos que envolvam a população de forma direta, pois é mais fácil considerar a percepção das pessoas em espaços pequenos do que em dimensões amplas e heterogêneas.

Considera-se a percepção como um aspecto subjetivo e indispensável para o diagnóstico do bem estar, pois o mesmo indicador pode ser percepcionado de forma diferente por estratos socioeconômicos diferentes. Nesse sentido, o estudo dos espaços urbanos e rurais de Itabaiana coloca-se como um fenômeno experenciado pelo morador, o qual percebe a qualidade do meio ambiente que o cerca.

Nesta etapa da pesquisa, ao estruturar as entrevistas e aplicá-las em 100 unidades domiciliares, levou-se em consideração questões relativas à percepção de meio ambiente associado com o debate do indicador resíduos sólidos no espaço urbano e rural. De início foi contemplado o objeto central da pesquisa, não se distanciando das questões secundárias. A

primeira parte do trabalho de campo ressalta-se algumas noções básicas do meio ambiente, de educação ambiental, Agenda 21 e responsabilidades ambientais.

No tocante ao nível de conhecimento sobre meio ambiente 7% afirmaram ter um grau muito baixo de compreensão sobre fatores ambientais ou até mesmo nem sabiam o que representa o meio ambiente, 47% da amostra disseram possuir um nível médio de conhecimento acerca do ambiente, seguidos de 22% que reconheceram possuir um nível alto de entendimento e 4% demonstraram ter um grau muito alto de conhecimento.

Acerca do interesse por assuntos ligados ao ambiente, 64% afirmaram positivamente ressaltando a importância de conhecer e conversar sobre o assunto com alguma freqüência, 29% apontaram que às vezes se interessam pelo assunto e 7% dos entrevistados admitiram alienação por tais questões.

No entanto, quando questionados se teriam interesse em participar de uma palestra sobre educação ambiental, se fosse realizada na cidade, 40% confirmaram a possibilidade de freqüentar independente do assunto que fosse abordado, 40% afirmaram que participariam, contudo dependendo do assunto e 20% afirmaram que a participação em eventos dessa natureza não é muito atrativa.

Discutiu-se a questão da freqüência com que assuntos ligados à educação ambiental, ou seja, comportamentos individuais para com o meio ambiente, exercício da cidadania, responsabilidade para conservação dos recursos naturais, são discutidos no ceio familiar. O resultado da análise dos dados foi negativo uma vez que apenas 6% afirmaram que discutem sempre tais temáticas na residência, mas 46% responderam que esses assuntos são discutidos poucas vezes em família, como pode ser observado na tabela 01.

Tabela 01 - Freqüência de discussão sobre educação ambiental na residência do entrevistado.

Freqüência de Discussão de temas ligados à Educação Ambiental Entrevistados %

Sempre 6

Quase sempre 12

Poucas vezes 46

Não lembra da última vez que conversou sobre o assunto 20

Nunca 16

Organização: Clêane Oliveira dos Santos, 2009. Fonte: Pesquisa de campo, 2009.

Dados que demonstram a falta de discernimento acerca da importância da base, estrutura moral e cidadã da família na formação dos citadinos, visto que tais discussões

implicam no questionamento de valores e premissas que norteiam as práticas sociais prevalecentes, aludindo mudança na forma de pensar e transformação no conhecimento e nas práticas cotidianas. Onde muitas vezes vivenciar uma mudança nos hábitos corriqueiros trás a tona a necessidade de sacrifícios mínimos, mas não são esperados.

No questionário foi abordada a questão de ter consciência e considerar que nas atividades do cotidiano efetiva-se algum prejuízo ao meio ambiente, mais de 50% reconheceu causar algum dano quando depositam óleo doméstico no esgoto, jogam lixo na rua e não realizam uma separação, usam meios de transporte para se locomover, pois estes liberam CO2

na atmosfera, produzem a poluição sonora, entre outros exemplos. Contudo, 37 entrevistados

asseguraram que não causam dano ao meio ambiente e 10 afirmaram que não sabe se acarretam ou não algum prejuízo ao meio ambiente.

Realizou-se, ainda, a análise da percepção por parte dos entrevistados acerca do conteúdo da Agenda 21, como um instrumento que prevê, entre outras melhorias: oferecer a todos habitação adequada; promover o planejamento e o manejo sustentáveis do uso da terra; promover a existência integrada de infra-estrutura ambiental: água, saneamento, drenagem e manejo de resíduos e gerar o desenvolvimento dos recursos humanos e da capacitação institucional e técnica para o avanço dos assentamentos humanos.

A análise da percepção acerca da Agenda 21 foi negativa em função de que 69% da amostra asseguraram nunca ter ouvido falar sobre o assunto, 22% disseram que já ouviram falar, mas que não sabiam do que se trata e apenas 9% afirmaram saber o significado apontando para um instrumento de planejamento. O fato deve está vinculado a freqüente ausência de debates sobre o assunto entre a sociedade, nas escolas e instituições públicas e privadas responsáveis pela transmissão de informação no município.

Quanto à percepção dos problemas ambientais presentes no espaço urbano de Itabaiana, a população indicou a poluição do ar e a insatisfação com a presença de esgotos expostos a céu aberto como problemas ambientais que geram um nível de incômodo muito alto entre a sociedade.

O mal estar com a poluição do ar se dá em função de partículas de matérias-primas presentes na poeira advinda de olarias e cerâmicas que estão localizadas no perímetro urbano da cidade, a exemplo do bairro Macela (Figura 14), e da poluição no Bairro Serrano em decorrência do armazém de café.

Além da poluição causada pela circulação de veículos tanto no espaço urbano quanto no rural, os cidadãos de Itabaiana destacam o uso e a diversidade de transportes particulares para locomoção na área municipal e extra-municipal. De acordo com o Departamento

Estadual de Trânsito – DETRAN (anos de 2003-2007) foram registrados em Itabaiana os seguintes tipos de veículos (em termos gerais): ciclomotores, triciclos, micro-ônibus, ônibus, caminhonete e utilitários. Considerando o ano de 2007, foram contabilizados 5.269 automóveis e 11 mil unidades de motocicletas, estas representam um dos maiores símbolos do transporte particular municipal, onde cerca de 500 unidades destinam-se aos serviços de moto-táxi.

Figura 14 - Vista de uma cerâmica localizada no bairro Macela. Foto: Clêane O. dos Santos, 2009.

O incômodo em relação aos esgotos expostos a céu aberto está associado ao mau cheiro ocasionado pelo deficiente sistema de esgoto de algumas localidades da cidade. Nos bairros periféricos (Figura 15), onde o esgoto aflora em função do deficiente sistema de saneamento básico, e até mesmo em função do entulhamento do lixo no sistema de esgoto culminando no alagamento de casas (tanto em bairros periféricos quanto no centro da cidade) quando da ocorrência de chuvas de grande intensidade. É significativo ressaltar que acontecimentos desse porte estão vinculados a necessidade de planejamento urbano e as ações cotidianas da população que insiste em depositar nas ruas resíduos de diversas origens, uma clara demonstração da falta de educação ambiental.

Figura 15 –Esgoto a céu aberto nas ruas da periferia da cidade. Foto: Clêane Oliveira dos Santos, 2009.

Quando questionados sobre as ações que os mesmos realizam para mudar a situação de incômodo 71% responderam que não faz nada e 29% afirmaram que tentam conscientizar as pessoas próximas quanto aos danos que a própria população itabaianense causa ao meio ambiente ao jogar lixo na rua, desperdiçar alimentos, produzir muito ruído e não preservar as áreas verdes da cidade.

A amostra, também, foi interrogada se aceitaria um determinado nível de poluição na cidade, caso resultasse em uma maior oferta de emprego. Verificou-se que 65% disseram que não, que o meio ambiente não deve ser prejudicado de forma alguma, 24% responderam que sim, pois ter emprego é mais importante e 11% afirmaram que depende, uma vez que a oferta de emprego iria proporcionar maior qualidade de vida ou que dependeria do grau de poluição, pois o progresso da cidade seria mais significativo. Embora 65% terem sinalizado para a conservação do meio ambiente sabe-se que em Itabaiana, a função do capital muitas vezes sobrepuja o meio ambiente circundante, uma vez que o município apresenta um caráter ou função voltada para o comércio. A construção da BR-235 e de outras vias que a intercalam, contribuiu para impulsionar a fixação de atividades econômicas municipais, sobretudo no que se refere a atividades do segmento terciário e primário.

Por isso, observa-se que o espaço urbano de Itabaiana transformou-se em um entreposto comercial de itens produzidos em seu próprio município como também dos confeccionados em outros estados. Fato que corroborou numa maior articulação campo- cidade em Itabaiana, assim como entre outros estados. Dessa maneira, as preocupações com o meio ambiente é deixada para segundo plano e a questão da renda, pode-se dizer o aspecto da identidade comercial, assume um contexto mais importante para o desenvolvimento da cidade.

3.1.2 Definições de resíduos sólidos

O ser humano no desenvolvimento de suas atividades do dia-a-dia gera e descarta uma grande quantidade de resíduos. Assim, percebe-se que como não se pode deixar os restos dos produtos consumidos acumular dentro das casas, é preciso conter a geração de resíduos e dar um tratamento adequado2 para os resíduos no nosso planeta. Para isso é preciso conter o consumo desenfreado, além de investir em tecnologias que permitem abrandar a geração de resíduos, além da reutilização e da reciclagem dos materiais em desuso.

Precisa-se ainda reformular a concepção da população à respeito dos resíduos sólidos. Não se pode mais considerar todo resíduo como resto inútil, mas sim como algo que pode ser transformado em nova matéria-prima para retornar ao ciclo produtivo. Para tanto é necessário buscar o significado do termo resíduos sólidos, termo comumente, ou popularmente usado para designar lixo. Nesse sentido é pertinente explicar o sentido dessas duas palavras.

Na realidade, não é fácil definir resíduos sólidos urbanos. A definição e a conceituação dos termos lixo e resíduos, diferem conforme a situação em que forem aplicados. Mas na língua corrente, o termo resíduo é tido praticamente como sinônimo de lixo.

Para a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (1999), resíduos sólidos são restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Esses materiais resultam de atividades diárias da comunidade, de origem: industrial, comercial, agrícola, de serviços e de varrição.

A palavra lixo derivada do termo latim lix, significa “cinza”. No Dicionário de Língua Portuguesa Aurélio (2005, p.549), é definido como o que se varre da casa, da rua, etc., se joga fora, entulho, coisa imprestável.

2

Segundo Jardim et al. (1995) o tratamento adequado dos resíduos é aquele que compreende os processos de reciclagem, compostagem e incineração que, quando conciliadas, podem trazer benefícios de ordem social, econômica e ambiental para a administração pública e para a população local.

Resíduo é o resultado de processos de várias atividades realizadas pela sociedade em geral, atividades estas de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e ainda da varrição pública. Os resíduos apresentam-se nos estados sólido, gasoso e líquido.

Nessa definição, incluí-se tudo o que resta dos sistemas de tratamento de água, os gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d'água, ou aqueles líquidos que exijam para isto soluções técnicas e economicamente viáveis de acordo com a melhor tecnologia disponível.

Segundo a norma brasileira NBR 10.004, de 1987 – Resíduos Sólidos são materiais nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades da comunidade de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.

O termo resíduo é empregado para as sobras de uma atividade qualquer, natural ou cultural. Nas atividades em geral, as pessoas produzem resíduos (e não lixo); pois antes de ser gerado pode ser evitado como conseqüência de revisão de alguns hábitos (quando se trabalha com os 5 R’s: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar). Caso contrário, um resíduo pode, por meio do descarte comum, pelos criadores, virar lixo, no caso, nenhum dos três R’s (LEAL, 2004).

Castilhos Júnior (2003), afirma que a definição torna evidente a diversidade e complexidade dos resíduos sólidos. Os resíduos sólidos de origem urbana (RSU) compreendem aqueles produzidos pelas inúmeras atividades desenvolvidas em áreas com aglomerações humanas do município, abrangendo resíduos de várias origens, como residencial, comercial, de estabelecimentos de saúde, industriais, da limpeza pública (varrição, capina, poda e outros), da construção civil e, finalmente, os agrícolas. Dentre os vários RSU gerados, são normalmente encaminhados para a disposição em aterros sob responsabilidade do poder municipal os resíduos de origem domiciliar ou aqueles com características similares, como os comerciais, e os resíduos da limpeza pública.

No caso dos resíduos comerciais, estes podem ser aceitos para coleta e disposição no aterro desde que autorizado pelas instituições responsáveis pela gestão de resíduos sólidos.

Ressalta-se que o gerenciamento de resíduos de origem não domiciliar, como é, por exemplo, o caso dos resíduos de serviço de saúde ou da construção civil, é igualmente de responsabilidade do gerador, estando sujeitos à legislação específica vigente. A composição dos RSU domésticos é bastante diversificada, compreendendo desde restos de alimentos, papéis, plásticos, metais e vidro, até componentes considerados perigosos por serem prejudicais ao meio ambiente e à saúde pública.

A composição do resíduo está relacionada às diversas atividades desenvolvidas pelo homem. Assim sendo, tal composição é bastante variada e é resultado de fatores como grau de educação, hábitos e costumes, poder aquisitivo, clima, variações sazonais, etc.

Segundo Jardim et al. (1995) e Fonseca (1999), várias são as maneiras de classificação dos resíduos sólidos: pela composição química e pela origem. D’ Almeida e Vilhena (2000), acrescentam ainda, pelos riscos potenciais de contaminação ao meio ambiente. Nessa ultima categoria, a Norma NBR – 10004, da ABNT (1999), classifica os resíduos segundo sua periculosidade em: resíduos de classe I, classe II e classe III.

Pela composição química os resíduos são classificados em:

• Orgânico: composto de pó de café e chá, cabelos, restos de alimentos, cascas e bagaços de frutas e verduras, ovos, legumes, alimentos estragados, ossos, aparas e podas de jardim; • Inorgânico: são produtos manufaturados como plásticos, vidros, borrachas, tecidos,

metais, alumínio, isopor, lâmpadas, velas, parafinas, porcelanas, pilhas, etc.

Já pela origem, uma das classificações mais utilizadas, são:

• Domiciliar: também chamado de resíduo residencial, são aqueles originados da vida diária das residências, constituído com predominância por restos de alimentos, produtos deteriorados, jornais, revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraudas descartáveis e uma grande diversidade de outros itens;

• Comercial e de Serviços: são aqueles originados dos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como: supermercado, estabelecimentos bancários, lojas, bares, restaurantes, etc. Em geral, podem conter materiais semelhantes aos resíduos sólidos domiciliares, porém em quantidades maiores e típicas do objeto da atividade;

• Público: são aqueles originados dos serviços de limpeza urbana, incluindo todos os resíduos de varrição das vias públicas, podas de árvores, limpeza de praias, galerias, córregos, carcaça de animal, limpeza de feiras livres, entre outros;

• Serviços de saúde: são os resíduos descartados pelos hospitais, farmácias, clínicas veterinárias, (algodão, seringas, agulhas, restos de remédios, luvas, pedaços de corpos, curativos, sangue coagulado, órgão e tecido removidos, meio de cultura e animais utilizados em testes, resina sintética, filmes fotográficos de raios-X);

• Portos, Aeroportos, Terminais Rodoviários e Ferroviários: constituem os resíduos sépticos, ou seja, que contêm ou potencialmente podem conter germes patogênicos. Basicamente originam-se de material de higiene pessoal e restos de alimentos que podem hospedar doenças de outras cidades, estados e países;

• Industrial: são aqueles originados nas atividades dos diversos ramos da indústria, tais como: metalúrgica, química, petroquímica, papelarias, alimentícia, etc. O lixo industrial é bastante variado podendo ser representado por cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal, escórias, vidros, cerâmicas. Nesta categoria incluí-se uma grande quantidade de lixo tóxico. Esse tipo de lixo necessita de tratamento especial pelo seu potencial de envenenamento;

• Rejeitos Radioativos: são resíduos provenientes da atividade nuclear (resíduos de atividade com urânio, césio, tório, radônio, cobalto). Esses resíduos permanecem em atividades por milhares de anos e seu tratamento e disposição final. O Brasil segue às exigências definidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN);

• Espacial (lixo cósmico): são pedaços de satélites, foguetes, tanques de combustível, parafusos, ferramentas, luvas perdidas por astronautas, etc.;

• Agrícola: são os resíduos sólidos das atividades agrícolas e pecuárias, como embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, etc. Em várias regiões do mundo estes resíduos já constituem umas das preocupações crescentes, destacando-se as enormes quantidades de esterco animal, geradas nas fazendas de pecuária intensiva. As diversas embalagens de agroquímicos altamente tóxicas têm sido alvo de legislação específica, definindo os cuidados com seu destino final e ao mesmo tempo responsabilizando a própria indústria fabricante desses produtos;

• Resíduos de Construção e Demolição: são os resíduos de construção civil, demolições de edificações e obras de infra-estrutura urbana. Estes resíduos são geralmente constituídos de material inerte, passível de reaproveitamento.

Quanto aos riscos potenciais de contaminação à saúde pública e ao meio ambiente. De acordo com a NBR 10.004/87 da ABNT, os resíduos podem ser classificados como:

• Classe I – Resíduos perigosos: são aqueles que apresentam periculosidade ou uma das características seguintes: inflamabilidade, corrossividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade.

• Classe II – Não-inertes: são aqueles que não se enquadram na classe I ou III. Os resíduos classe II podem ter as seguintes propriedades: combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água.

• Classe III – Inertes: são aqueles que, por suas características intrínsecas, não oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente. Como exemplo pode-se citar: rochas, tijolos, vidros e certos plásticos e borrachas, que não são decompostos prontamente.

Silva (2005), apresenta a classificação dos resíduos sólidos domiciliares quanto à potencialidade de reaproveitamento, podendo os resíduos serem classificados como:

• Compostáveis: são os resíduos orgânicos como: restos de alimentos, cascas e bagaços de frutas, legumes, aparas e podas de jardim (reaproveitáveis para produção de adubo orgânico);

• Recicláveis: nessa classificação são inseridos os materiais como: papéis, plásticos, metais