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3.3 Coleta de dados

3.3.1 Meios da coleta de dados

Os métodos utilizados foram escolhidos por serem aqueles mais propícios à abordagem dos CTA, com sua dinâmica e flexibilidade, tendo-se colhido dados por meio de pesquisa bibliográfica e documental, entrevistas em profundidade e observação não participante. A fonte documental, segundo Yin (1994), proporciona as vantagens de ser estável, podendo, portanto, ser revisada quantas vezes forem necessárias e também ser exata.

Segundo Yin (2001), a entrevista é uma das mais importantes fontes de informação no estudo de caso, permitindo aprofundar a discussão com o depoente acerca

daquilo que considera os aspectos mais importantes de um determinado assunto (RICHARDSON, 2008). Ao proporcionar liberdade ao respondente, esse tipo de entrevista favorece um maior conhecimento sobre como e por que um evento acontece e não apenas a sua freqüência.

O trabalho sobre os CTA de Pernambuco foi antecedido por meio de um estudo exploratório; pesquisa em documentos e sites institucionais; além de artigos publicados sobre o tema; pesquisa bibliográfica e de dados primários, obtidos em entrevistas feitas na fase do projeto. Também se contou com os coletados em Amaro (2007) e das visitas feitas a instituições federais como ITEP, FUNDAJ, SEBRAE e SECTMA, quando se coletou documentos oficiais e tomaram-se notas de campo. Acesso à sites dessas instituições ainda contribuíram para a pesquisa. Inclusive, pode-se examinar relatório do treinamento realizado junto a técnicos do CTA (FUNDAJ, 2006).

O trabalho de Amaro (2007) foi importante porque mapeou os stakeholders tidos como os mais relevantes do CTA, assinalado na versão constante da Figura 4(3), conforme achados obtidos em momentos diferentes da pesquisa realizada pelo autor, que muito subsidiou a análise feita na dissertação.

FIGURA 4(3) – Stakeholders Internos e Externos do CTM

Sendo assim, o critério de seleção dos entrevistados levou em consideração além do mapeamento feito por Amaro (2007), representantes de segmentos da tríplice hélice numa visão expandida, como por exemplo, o sistema S, universidades, indústria e governo. O critério também incluiu o governo na esfera municipal, o SINDVEST e ACIC. Ao todo, foram selecionados os 12 entrevistados (entrevistas semi-estruturadas), dessa forma validando e reconfirmando o prévio processo de levantamento de atores institucionais mais relevantes. Os entrevistados foram identificados por meio de letras atribuídas aos nomes, elencados em ordem alfabética. Os nomes completos e as atribuições estão descritas no anexo I desse estudo.

As entrevistas ocorreram no período de junho de 2007 a novembro de 2008, tendo sido gravadas e transcritas. Foram feitas também anotações de campo pelo método de observação não participativa. Segue mapa dos stakeholders entrevistados, como mostra a Figura 5(3):

FIGURA 5(3) – Mapa Stakeholders do CTA Entrevistados

Fonte: Produção própria, dados da pesquisa.

Uma outra fonte de coleta de dados consistiu na utilização de fotos como documento de pesquisa como sugerido por Loizos (2002), o que permitiu o emprego de

  UFPE  Sindvest  ITEP SENAI  SEBRAE  SENAC  Prefeitura  de  Caruaru  SECTMA  Stakeholders Entrevistados CTA  Centro  Tecnológico  do Agreste 

imagens para documentar a mudança histórica por que passou o CTA no período estudado. O autor explica que:

(...) nesse caso as fotografias são feitas em intervalos regulares, dos mesmos lugares que podem ser ilustrativas, como por exemplo, a mudança de uma parede no “antes” e “depois” de uma mudança importante; tudo isto, quando adequadamente atestado, testemunhado e controlado quanto aos tempo, lugar e circunstância, pode trazer poderosa evidência ou valor persuasivo (LOIZOS, 2002, p. 141).

Assim obteve-se um registro das ações temporais e dos acontecimentos reais; muito útil para triangular os dados, desta feita com base na informação visual, com bons efeitos sobre a percepção dos resultados.

Foram feitas fotos no ambiente do CTA, cujos stakeholders foram mapeados, como atores básicos da rede social atuante no espaço territorial (sociotécnico) estudado. Grande parte das entrevistas realizou-se em Caruaru, além de se ter feito entrevistas na própria sede do ITEP, no Recife, onde se concentra a direção dos programas dos CT´s, além de entrevista realizada na unidade da SECTMA responsável pela educação profissional, localizada no Bairro do Recife Antigo.

É interessante registrar que o Centro Tecnológico do Agreste (CTA), era antes denominado de Centro Tecnológico da Moda, instalado em Caruaru, onde funcionava desde o final de 2003, quando começou a destacar o design como instrumento de promoção da competitividade do Pólo de Confecções do Agreste de Pernambuco (Caruaru/Toritama/Santa Cruz do Capibaribe). O prédio onde está instalado abriga o Núcleo de Design em Moda, além de salas de aula e de treinamento, auditório, biblioteca e um Laboratório de Análises de Água, para apoiar pequenas e médias empresas locais.

Foi possível observar a confirmação da mudança de nomenclatura olhando a fachada do prédio do CTA em Caruaru. No primeiro momento pela figura 6(3) em 2007, vê-se a nomenclatura de Centro Tecnológico da Moda (CTM), no Governo Jarbas. Com a mudança de governo para Eduardo Campos, houve alteração da nomenclatura para Centro Tecnológico do Agreste (CTA), segundo figura 7(3) de 2008, com o objetivo de incluir outros bens produzidos no APL, como o artesanato, por exemplo, ampliando o foco de sua atuação.

Figura 6(3) – Foto do Centro Tecnológico da Moda (CTM)

Fonte: Coleta de dados, feita pela autora em 2007.

Figura 7(3) – Foto do Centro Tecnológico do Agreste (CTA)

Fonte: Coleta de dados, feita pela autora em 2008.

Caruaru possui um elo entre passado, presente e futuro dos CTA. Lá, coexistem atividades da época de fundação da cidade há cerca de 150 anos, que persistem até a atualidade. Dentre elas, a feira foi, durante muito tempo, a principal atividade

desenvolvida. Hoje há uma diversidade de outras atividades. A busca por compreender essa realidade, incluindo especificidades históricas locais e construções sociais dos sujeitos envolvidos, levou à escolha por investigar as práticas sociais articuladas na estratégia nas organizações associada à transformação e atual configuração do Pólo da Moda, que se configura como espaço sociotécnico estudado.

A pesquisa qualitativa normalmente trabalha com pequenas amostras com o objetivo de estudá-las em profundidade. Segundo Miles & Huberman (1994), entrevistas ou observações com um grupo inicial de informantes podem sugerir a necessidade de comparação com outros grupos similares ou diferentes, o que leva a um redimensionamento do tamanho da amostra. Para o alcance dos objetivos deste estudo foi entrevistada inicialmente a gestora do programa de Centros Tecnológicos no Estado de Pernambuco e membro do ITEP e também o gestor da unidade do CT em Caruaru.

Foram entrevistados os stakeholders do CT do Agreste Central, ou seja, seus principais atores sociais interessados, quais sejam: SENAI; SEBRAE; SENAC; SECTMA; UFPE; Prefeitura de Caruaru e Sindvest. Para tanto foi validado o mapeamento anteriormente feito por Amaro (2007), conforme entrevista realizada com a direção do CT, seguido pelos demais stakeholders do CTA, conforme anexo I.

Segundo Freeman, (1984), stakeholder é qualquer grupo ou indivíduo que pode afetar ou é afetado pela realização dos objetivos da empresa. O que a empresa realiza é determinado por seus interessados, então se faz necessário conhece-los, com o objetivo de implementação de estratégia compatível. Por conseguinte, a teoria dos stakeholders deve fornecer um método de como eles tentam influenciar uma organização na tomada de decisão afetando assim o seu comportamento (FROOMAN, 1999).

O mapeamento destaca os principais atores do campo. Após validação feita pela autora, como salientado anteriormente, é que foram realizadas entrevistas em profundidade, considerando critérios operacionais de tempo e acessibilidade. Após as entrevistas foi feita a análise dos dados pesquisados é objeto da próxima seção.