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Capítulo 2. Avaliação e Melhoria de Processos de Software

2.5 Melhoria de Processos no MPS.BR e CMMI

Nesta seção são apresentadas as particularidades dos níveis de maturidade do MPS.BR (SOFTEXa, 2007) e do CMMI-DEV (CMU/SEI, 2006), em relação à melhoria de processos de software.

2.5.1 Melhoria de Processos no Nível E do MPS.BR

No nível E do MPS.BR, é dada uma ênfase especial à melhoria de processos, visto a obrigatoriedade da implementação do processo “Avaliação e Melhoria do Processo Organizacional - AMP”, embora, a partir do nível F, algumas estruturas ou condições para a melhoria dos processos já sejam estabelecidas com a implementação dos processos “Medição - MED” e “Garantia da Qualidade - GQA” e com o RAP 8 “Métodos adequados para monitorar a eficácia e adequação do processo são determinados”. A partir da institucionalização do processo “Medição - MED”, dados relativos aos produtos de trabalho e aos processos passam a ser coletados e analisados e são definidas as métricas - indicadores de monitoração dos processos, cujo objetivo é permitir avaliar se o processo está produzindo ou sendo executado de acordo com o previsto. Além disso, começa a ser avaliado o nível de adequação das atividades dos processos. Ao se implementar o processo “Garantia da Qualidade - GQA”, a organização começa a avaliar o nível de aderência dos produtos de trabalho e de execução dos processos em relação às normas e padrões, ou seja, torna-se possível verificar se a forma como estão sendo produzidos ou realizados, está de acordo com o que foi especificado.

No nível E é implementado o processo “Avaliação e Melhoria do Processo Organizacional - AMP”, que trata da implantação de melhorias nos ativos de processo da organização, baseando-se no conhecimento das necessidades e objetivos dos processos da organização e na análise dos pontos fortes e fracos identificados.

De acordo com esse processo, os resultados das avaliações devem ser registrados e mantidos acessíveis, as oportunidades de melhoria devem ser identificadas e priorizadas, as ações de melhoria devem ser planejadas e executadas e os novos ativos de processo organizacionais ou alterações nos ativos existentes devem ser implantados. Para isto, os problemas e possíveis melhorias devem ser identificados a partir da análise de vários tipos de fontes de dados, como: avaliações de adequação, métricas – indicadores de monitoração dos processos, lições aprendidas, solicitações de melhoria, entre outros.

A organização deve, ainda, armazenar os produtos de trabalho gerados a partir do planejamento e execução do processo de melhoria, objetivando, assim, apoiar a definição e implantação de futuras melhorias.

Outro processo implementado no nível E do MPS.BR e importante para a melhoria dos processos, é o processo “Definição do Processo Organizacional - DFP”,

por ser responsável pela implantação da Biblioteca de Ativos de Processo da organização.

Finalmente, a implementação do processo “Gerência de Recursos Humanos - GRH” é importante para a melhoria de processos, visto que os treinamentos necessários para que as melhorias sejam institucionalizadas de forma adequada e aderente são tratados em vários de seus resultados esperados. Além disso, com a implementação desse processo, a estratégia de gerência do conhecimento da organização é estabelecida, auxiliando a disponibilização e o compartilhamento do conhecimento.

2.5.2 Melhoria de Processos nos Níveis D e C do MPS.BR

A melhoria de processos realizada nos níveis D e C do MPS.BR é semelhante à do nível E. Nestes níveis, devido à implementação de novos processos, novos dados passam a poder ser considerados durante as análises realizadas para identificar os problemas e as melhorias a serem implantadas.

No caso do nível C, vale destacar, ainda, a importância da implementação do processo “Análise de Decisão e Resolução - ADR” para a melhoria de processos de software, visto a organização poder utilizá-lo para apoiar, dentre outras coisas, a tomada de decisão que define as melhorais que serão implementadas.

2.5.3 Melhoria de Processos no Nível B do MPS.BR

A partir do nível B, a organização passa a ter uma visão quantitativa do desempenho de seus processos (SOFTEXb, 2007).

Os projetos da empresa passam a ser gerenciados quantitativamente, mediante

a análise dos dados de desempenho dos processos, dos limites de controle e de

modelos de desempenho. O objetivo da melhoria de processos, neste nível, é

garantir a previsibilidade de desempenho dos processos selecionados1, removendo as

causas atribuíveis (especiais), que impedem a estabilidade desses processos2.

Para o controle de um processo é importante que dados de desempenho sejam

1 Neste nível são selecionados alguns processos críticos para terem seu desempenho controlado e serem

gerenciados quantitativamente.

2 Um processo sob controle, ou estável, supõe que o conjunto dos itens produzidos possui distribuição

coletados e indicadores analisados, sendo fundamental, quando houver algum tipo de variação, distinguir se o motivo da variação foi um sinal ou apenas um ruído, requerendo muitas vezes uma análise rigorosa. Enquanto que um sinal é uma variação não-randômica, um ruído é uma variação randômica.

As causas atribuíveis (especiais) de um processo, que devem ser removidas para que o processo torne a ter o seu desempenho previsível, estão relacionadas com os sinais e podem se apresentar de várias formas, como: (i) erros de coleta de dados; (ii) falta de clareza da definição operacional da métrica; (iii) alta rotatividade de pessoal; (iv) re-alocação dos membros da equipe; (v) falta de aderência ao processo, entre outras.

Desta forma, ao atingir o nível B do MPS a organização pode utilizar resultados

das análises dos dados quantitativos e considerar as baselines3, para poder

determinar tendências nos processos e identificar processos com desempenho não previsível. Em relação aos modelos de desempenho, a organização pode utilizá-los para antever os resultados da implementação de uma melhoria específica.

2.5.4 Melhoria de Processos no Nível A do MPS.BR

No nível A do MPS.BR o objetivo é a melhoria contínua dos processos da

organização. Nesse nível, os processos da organização selecionados no nível B e

já estáveis, devem ser otimizados por meio de alterações e adaptações incrementais e inovadoras para efetivamente atender aos objetivos de negócio atuais e projetados (SOFTEXc, 2007). O foco está na remoção de causas comuns de variação nos processos da organização, que segundo o CMU/SEI (2006) se refere à variação de processo que existe devido à interação normal e esperada entre os componentes de um processo.

O processo Análise de Causas de Problemas e Resolução (ACP), implementado nesse nível, tem o propósito de identificar causas de defeitos e de outros problemas e tomar ações para prevenir suas ocorrências no futuro.

No entanto, além da análise de causas, é muito importante que nesse nível sejam identificadas oportunidades para inovações. Melhorias inovadoras são aquelas que representam uma quebra na forma anterior de realizar as atividades. Essas

3 Baselines de desempenho de processo são caracterizações dos resultados atuais alcançados ao executar o

processo. São utilizadas para comparar o desempenho atual com o desempenho esperado (CMU/SEI, 2006).

inovações podem ser identificadas tanto a partir de sugestões dos colaboradores quanto de prospecção no mercado.

2.5.5 Melhoria de Processos no Nível 3 do CMMI-DEV

No CMMI-DEV (CMU/SEI, 2006), de forma equivalente ao MR MPS.BR, a melhoria de processos inicia-se de maneira mais formal a partir do Nível 3, quando passa a ser obrigatória a implementação das áreas de processo: “Foco no Processo Organizacional” e ”Definição do Processo Organizacional”. Nesse nível, as organizações são obrigadas a definir seus processos-padrão. Estas áreas de processo têm os mesmos objetivos das equivalentes no MPS.BR (Avaliação e Melhoria do Processo Organizacional – AMP e Definição do Processo Organizacional – DFP).

No entanto, também similar ao que ocorre no MR MPS.BR, a partir do nível 2, com a implementação das áreas de processo: “Medição e Análise” e “Garantia da Qualidade do Processo e Produto”, as organizações começam a estabelecer as condições necessárias para que a melhoria de processos possa ser executada de maneira satisfatória.

Da mesma forma que no MPS.BR, duas áreas de processo são especialmente relevantes para a implementação de melhorias nos processos: “Treinamento Organizacional” e “Análise de Decisão e Resolução”.

2.5.6 Melhoria de Processos no Nível 4 do CMMI-DEV

No nível 4 do CMMI-DEV, o foco da melhoria de processos também passa a ser garantir o controle do desempenho dos processos selecionados, mediante a remoção de causas atribuíveis (especiais). São implementadas as áreas de processo: (i) Desempenho do Processo Organizacional, cujo objetivo é estabelecer e manter um entendimento quantitativo do desempenho dos processos-padrão da organização e prover dados, baselines e modelos para gerenciar quantitativamente os projetos e (ii) Gerência Quantitativa de Projetos, cujo objetivo é gerenciar quantitativamente o processo definido para o projeto para que se consiga alcançar os objetivos que foram estabelecidos para a qualidade e desempenho dos processos da organização.

2.5.7 Melhoria de Processos no Nível 5 do CMMI-DEV

No nível 5 do CMMI-DEV a organização passa a tratar a melhoria de seus processos de forma contínua e preventiva. São implementadas as áreas de processo “Implantação de Inovações na Organização” e “Análise de Causas e Resolução”.

A área de processo “Implantação de Inovações na Organização” tem objetivos similares ao Atributo de Processo 5.1, que é selecionar e implementar melhorias incrementais, inovadoras e mensuráveis, que venham melhorar os processos e tecnologias da organização.

A outra área de processo a ser implementada para se atingir o nível 5 é “Análise de Causas e Resolução”, que tem como objetivo identificar as causas dos defeitos e dos problemas que se apresentaram durante a execução dos processos e tomar medidas que venham sua ocorrência no futuro. De acordo com essa área de processo, uma causa raiz é a fonte de um defeito ou problema, de forma que se for removida, a ocorrência do defeito ou problema diminui ou encerra por completo.

Essa área de processo está, claramente, relacionada com melhorias dos processos, pois a partir da sua implantação, causas de defeitos, após identificadas, são mais um elemento na análise para definição de melhorias nos processos.