patrimônio cultural.
Contemporaneamente, ganha protagonismo a presença dessa memória em formato binário, armazenada e indexada fora dos indivíduos como prótese, em gigantescos repositórios eletrônicos à mercê de interesses outros que não o humano, o educacional e o social. Como veremos adiante, a monetização desses dados traz consigo a ameaça de ruptura entre os valores humanos gerais para captação e geração de poder externo à memória.
o festival de vidas privadas que, ao alcance de um clique do mouse, se oferecem aos olhares do mundo.
Cabe citar Almeida (2022, p. 12), que assim expressa sua preocupação quanto a que “o Google e seus descendentes” se lancem sobre a memória humana apresentando-se como uma “agência produtora e gestora de uma grande memória, mãe de todas e de tudo”.
A memória Google evolui como se fosse a proprietária de todas as memórias e de tudo o que já existiu em todos os tempos e dos tempos que virão. Uma espécie de memória projetada, utópica e distópica do ser humano, das ciências e do cosmo, para sempre guardadas em suas nuvens e em seus algoritmos de busca.
O autor reforça o alerta quanto aos riscos a que se submetem nossa cultura, vida e existência por conta da interferência de formas e ações protéticas originárias de ambientes computacionais.
E a memória? Os sistemas computacionais, pelo que se caminhou até agora, não poderão dominar ou elaborar nossa memória de significados, de prazer e de civilização e de cultura. Não porque eles não possam nos emular e nos simular, mas porque eles não são “meu Ego”, nem são meus, nem nossos.
Eles têm donos, cujos sonhos e desígnios não são os nossos. (ALMEIDA, 2012, p. 12).
Segundo O’Neil (2021), o uso prolífico de big data78 e a aplicação indistinta de mecanismos algorítmicos em diversos campos da atividade humana constituem instrumentos de aprofundamento de desigualdades e reforço à discriminação, sendo extremamente danosos à democracia. A monetização desse big data em favor de uma indústria que minera, processa e utiliza dados pessoais como combustível é ponto de entrave de dúvidas quanto ao seu tão prometido uso democrático.
Segundo a autora, a falta de regulamentação e a opacidade dessas ferramentas matemáticas ampliam vieses e afetam populações cada vez maiores, fazendo jus à alcunha de “algoritmos de destruição em massa”.
Os processos de big data programam em código o passado. Eles não inventam o futuro. Fazer isso requer imaginação moral, o que é algo que apenas humanos podem fazer. Temos de explicitamente embutir melhores valores em nossos algoritmos, criando modelos de big data que seguem nossa conduta ética. Por vezes isso vai significar colocar equidade antes do lucro. (O’NEIL, 2021).
78 O termo “big data” surgiu em 1997, sendo utilizado para nomear um grande volume, em rápido crescimento e, por vezes, não estruturado de dados gerados continuamente. Ao longo das últimas décadas, a quantidade de dados produzidos tem crescido de forma exponencial. (BIG DATA, 2022).
Sistematizando as mudanças pelas quais passa o sistema capitalista enquanto
“se desloca”, Dowbor (2020) destaca a transição da máquina ao conhecimento como a “transformação mais profunda, na medida em que terá impacto sobre as outras”. O protagonismo na dinâmica da organização econômica e social é hoje de “quem controla o conhecimento e os sistemas de informação correspondentes”: estabelece-se assim uma nova lógica, baestabelece-seada no “intangível” ou, como também conceituado por André Gorz79, como “imaterial”.
Em uma sociedade altamente conectada, o acesso generalizado e democrático ao conhecimento é potencial indutor de prosperidade e, segundo Dowbor (2020), constitui meios para redução de desigualdades e erradicação da pobreza, na visão ampla de uma sociedade economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente sustentável.
Em paralelo, as ameaças impostas pelo extrativismo algorítmico oferecem farta justificativa à organização do Estado e da sociedade civil em torno da proposição da regulamentação da coleta e do uso de ativos informacionais, em especial quando processados utilizando ferramentas de Inteligência Artificial80: é nesse contexto que surgem legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
Nesses termos, ganha certamente ainda mais importância a valorização de iniciativas de consolidação e de organização da memória, em sua defesa e ressignificação combativa, refutando os esforços de agentes econômicos e movimentos antidemocráticos para sua repressão.
Especificamente com respeito às ações do Sesc São Paulo quanto à sua memória, é evidente o contraponto com a lógica mercantilista vigente, dirigindo o protagonismo ao legítimo interesse da sociedade.
Assim, em função dos conceitos e contextos trazidos para a memória, das
79 André Gorz (1923-2007), foi um filósofo austro-francês, nascido Gerhart Hirsch e também conhecido pelo pseudônimo Michel Bosquet. Como jornalista, ajudou a fundar em 1964 o semanário Le Nouvel Observateur. (ANDRÉ GORZ, 2022).
80 Na tecnologia, a Inteligência Artificial (de sigla: IA; do inglês: Artificial Intelligence, de sigla: AI) é a inteligência demonstrada por máquinas ao executar tarefas complexas associadas a seres inteligentes, além de também ser um campo de estudo acadêmico onde seu principal objetivo é de executar funções de modo autônomo. É um conceito amplo e que recebe tantas definições quanto significados diferentes à palavra inteligência. É possível considerar algumas características básicas desses sistemas, como a capacidade de raciocínio (aplicar regras lógicas a um conjunto de dados disponíveis para chegar a uma conclusão), aprendizagem (aprender com os erros e acertos para que no futuro possa agir de maneira mais eficaz), reconhecer padrões (tanto padrões visuais e sensoriais, como também padrões de comportamento) e inferência (capacidade de conseguir aplicar o raciocínio nas situações do nosso cotidiano). (COPELAND, 2022).
origens míticas à abordagem científica quanto à compreensão desse fenômeno, explorando a ausência e o esquecimento enquanto contrapontos imprescindíveis a seu funcionamento, discorrendo sobre seu papel na construção do saber e, por fim, denunciando as ameaças a que se submete sua manifestação em formato eletrônico, pretende-se dar ao tema suficiente sustentação para o desenvolvimento desta dissertação.
Propõe-se para o próximo capítulo discutir o que se entende por centro de memória, enquanto lugar em que essa se organiza, e como esse espaço se estrutura, como atua e de que maneira é capaz de prover condições, para além da guarda de acervo histórico, para sua proteção, divulgação e produção de significados.
4 CENTRO DE MEMÓRIA
Estabelecido o conceito de memória e abordadas as diferentes manifestações desse fenômeno, discute-se agora sua materialização como ideia, com propósitos e valores, e como estrutura, viabilizada por um conjunto de práticas e processos.
No livro “Centros de Memória: uma proposta de definição”, Camargo e Goulart (2014) relatam ter partido da ideia de que “centro de memória” é um novo nome para designar velhas práticas que, por sua natureza, foram assumindo caráter pejorativo ou de menor importância.
Segundo Camargo e Goulart (2014),
O nome “centro de memória” é uma peculiaridade nossa, do Brasil. Basta pesquisar na literatura de outros países e não vai se encontrar essa expressão para designar um arquivo ou centro de documentação. Se eu fosse comparar um centro de memória com as instituições mais convencionais de custódia de documentos, como museus, bibliotecas e arquivos, eu o aproximaria da ideia de “arquivo”, e vou justificar: acho que um centro de memória é, ou deveria ser, um arquivo ampliado.
Instituições responsáveis pela custódia de documentos podem – se entendidas como centros de difusão do saber, espaços culturais de formação ou núcleos de coleta, preservação e transmissão de patrimônio cultural – ser avaliadas quanto a suas semelhanças e diferenças. Estabelecida como missão comum a disponibilização de acesso a seus acervos, instituições com demandas e finalidades diversas podem compartilhar processos, metodologias e equipamentos na busca de sinergia, economia de custos e superação de barreiras.
Arquivos, bibliotecas, centros de memória e museus são entidades cujas funções específicas divergem. Arquivos costumeiramente integram documentos que não constituem uma finalidade em si, servindo primariamente como instrumentos para realização e para comprovação de execução de atividades.
Alçados à categoria de patrimônio histórico, os arquivos exercem função cultural e subsidiam a reconstituição de trajetórias das pessoas cujos documentos preservam sem, no entanto, prover a tais documentos maior grau de visibilidade. Com respeito à constituição de seus acervos, os arquivos acumulam documentos de forma progressiva e natural sem maior preocupação com eventual valor histórico e aplicam apenas proporcionalidade e representatividade como critérios para os processos de redução.
Bibliotecas e museus, entretanto, abrigam documentos que prescindem de
justificativa formal, com autonomia de sentido e, diferente do que se dá com os arquivos, sem restrição à multiplicidade de exemplares. Mais ainda, possuem acervos com itens em outros formatos que não o textual.
Diferentes características demandam a adoção de diferentes métodos de tratamento, e tanto bibliotecários quanto arquivistas são convidados a executar suas atividades em diferentes contextos em obediência a diferentes lógicas de acumulação, curadoria, guarda e catalogação de seus acervos. Dessa maneira, centros de memória podem ser compreendidos como uma construção híbrida incorporando elementos de arquivos, bibliotecas e museus, e extraindo dessa mistura funcionalidades que extrapolam as semelhanças e as diferenças entre essas instituições.
É nos centros de memória que o conhecimento produzido a partir das competências colocadas em prática e acumuladas no tempo se transforma em recurso estratégico, demandando representação e disponibilidade para uso imediato. Como, inclusive, verifica-se na própria definição de memória enquanto mecanismo de armazenamento e de recuperação.
A complexidade das instituições se reflete na sofisticação dos recursos necessários à constituição de suas memórias, contemplando não apenas a documentação por elas acumulada como também aquela obtida de fontes externas e a produzida mediante análise, processamento e correlação desses elementos.
Ainda segundo Camargo e Goulart (2014),
O centro de memória seria um arquivo alargado, um arquivo que comporta não só o material que a instituição naturalmente produz e acumula ao longo de suas atividades, mas também aquele do qual ela se apropria para se desenvolver e cumprir sua missão.
Centros de memória são lócus de conhecimento, aprofundando o que se depreende de um olhar estritamente pragmático organizacional como fatores de produtividade e depósitos de informação a partir dos quais é possível obter respostas a questões pontuais ou, através de consulta a seus acervos, buscar compreensão mais profunda de eventos e de processos.
Cabe aos centros de memória potencializar o acesso a informações de interesse organizacional ou coletivo, procurando atender, antecipar e presumir as demandas que se apresentam e, como consequência, formando um acervo contínua e sistematicamente alimentado, acompanhado e avaliado, habilitando acesso e
viabilizando interpretação.
O surgimento dos centros de memória brasileiros remonta às décadas de 1970 e 1980, inicialmente vinculados às universidades e em seguida também às organizações públicas e privadas que, ao passar por diversas reestruturações produtivas e administrativas, começam a identificar suas histórias como elementos estratégicos, passíveis de agregar valor a produtos, marcas e ações. Nesse contexto, são criados os primeiros centros de memória corporativos, que começam a ocupar um lugar estratégico nas organizações.
De acordo com Camargo e Goulart (2014), essas novas estruturas tinham como finalidade
a. Promover ações de marketing, visibilidade e de relações com o público, tanto externo quanto interno;
b. Desenvolver produtos, como boletins, vídeos, sites, exposições e publicações;
c. Realizar pesquisas em torno da trajetória da instituição;
d. Compreender a missão institucional e fomentar novas ações.
Segundo Vitoriano (2019), os centros de memória lidam com dois tipos de conhecimento, expressos nos registros reunidos e organizados.
O conceito de memória, quando aplicado às organizações, enfoca o conhecimento explícito, representado pela informação registrada em documentos, e o conhecimento tácito, representado pela memória dos participantes da organização. Nesta dupla existência de documentos e experiência individual reside a capacidade das organizações de acumularem conhecimentos produzidos no desempenho de suas atividades. Por isso, a implantação de estratégias de preservação e organização da informação pregressa representa a capacidade das organizações de construírem e reconstruírem o conhecimento de que necessitam.
Justifica-se a importância estratégica da implementação de centros de memória organizacionais a partir de diversos argumentos. O primeiro deles é o fortalecimento da identidade, com o centro de memória trazendo à tona as escolhas feitas e os caminhos percorridos pela instituição, consolidando e fortalecendo seus valores.
Nesse sentido, um centro de memória é responsável por construir e legitimar a cultura organizacional, criando laços de pertencimento e reforçando vínculos em torno de um passado comum, valorizado como ponto de referência inclusive para manifestação de expectativas quanto ao futuro.
Um segundo argumento é a responsabilidade histórica, sustentada pelo
entendimento das organizações como produtoras de significados socioculturais então a serem legitimados a partir do registro e da avaliação do impacto de suas ações junto à sociedade. Centros de memória são também fonte de compreensão do papel das organizações e, a partir do olhar sobre suas histórias, evidência de seus compromissos com a coletividade sem abrir mão dos interesses de seus segmentos de negócio.
Como terceiro argumento, a comunicação de valores se utiliza da memória institucional para recuperar, atualizar e publicizar princípios. A aproximação entre as áreas de memória e comunicação permite valorizar o passado institucional e, a partir dele, seus valores e tradições, contribuindo para aumento de credibilidade e o fortalecimento de imagem.
Centros de memória possuem caráter de instrumento retrospectivo e prospectivo, estabelecendo vínculos entre presente, passado e futuro e colocando frente a frente cenários opostos: estático e dinâmico, inativo e ativo ou permanente e corrente. Mais que cultuar o passado em olhar retrospectivo, exige-se de um centro de memória que torne presentes e efetivos acontecimentos e experiências localizados no passado, mobilizando e disponibilizando seu acervo.
Garantir a mobilização do acervo é premissa para materializar os procedimentos rotineiros e voláteis das instituições, o que se dá mediante extração da documentação acumulada de elementos específicos e pontuais, ou genéricos e indicadores de tendência.
Segundo Camargo e Goulart (2014), a construção do acervo de um centro de memórias não diz respeito apenas a um exercício de acúmulo de itens.
É preciso resistir à tentação de armazenar tudo. A memória não pode ser pensada como duplicação infinita do real, alimentada pela ilusão de poder atender a necessidades complexas e diversificadas. A crescente ampliação da capacidade de estocagem oferecida pela tecnologia não é argumento relevante para evitar o processo seletivo, que deve figurar como atividade rotineira na pauta dos centros de memória até mesmo para assegurar a representatividade de seu acervo e a eficiência dos serviços prestados.
Diferente do simples acúmulo de documentos sem a devida visibilidade e representatividade, operacionalizar a organização do passado é tarefa que demanda associar cada lembrança a seus antecedentes, propósitos e contextos: mais que uma sucessão de fotografias, todos os itens consolidados em acervo precisam estar inseridos em uma dinâmica temporal que lhes confira significado. A despeito do risco de descompasso, o esforço despendido em arregimentar informação por vezes
conflituosa reforça a credibilidade organizacional e cria espaço para disputa e diálogo.
Ainda segundo Camargo e Goulart (2014), entende-se que ao construir sua linha de atuação o centro de memória deve priorizar a representatividade contínua e sistemática da instituição como um todo, na perspectiva de atender a quaisquer demandas provenientes de seus diferentes setores.
O objetivo é estabelecer uma fronteira entre representante e representado, centro de memória e organização, demarcando espaços descontínuos. Uma vez que, na condição de instrumento administrativo ancorado no presente e lastreado em pesquisa retrospectiva, o centro de memória não tem demandas próprias que não aquelas de natureza operacional, ele não é autor das perguntas que ajuda a responder nem pode prover respostas antecipadas às perguntas que venham a ser formuladas.
Ao funcionar como um “duplo” da organização, em sintonia com o ritmo das atividades que lhe são específicas, o centro de memória ecoa e acompanha seu desenvolvimento constante, o que exige contínuo processo investigativo para assegurar fidelidade a seu escopo inicial e sondar as possibilidades de preparação para novos desafios.
Com respeito aos desafios enfrentados na disseminação do entendimento do que representam os centros de memória e a viabilização dos esforços para implementar estruturas para gestão de acervos institucionais, Goulart dá conta de que atualmente “falar de memória” é mais fácil e já não são poucas as referências de prestadores de serviço e de trabalhos feitos para empresas ou instituições, mas ainda há muito o que caminhar no sentido da apropriação plena de conceitos e, mais importante, da materialização dessas estruturas.
O difícil é a compreensão de que trabalhar com a memória requer um investimento mais ambicioso das empresas, sobretudo se o objetivo é entender o negócio, a cultura da organização, a fim de pensar o presente e tomar decisões. Estamos no meio do caminho: se sabe que visitar o passado é interessante, mas muitas vezes esse passado é restrito apenas à gênese do empreendimento. Todo mundo quer falar daquele começo heroico, e esse de fato é um tempo importante da formação de uma identidade e de uma cultura. Quando a organização é antiga, ela quer realçar sua tradição, o que é uma maneira de se diferenciar. Mas ainda não se avançou efetivamente para um patamar no qual a empresa possa usar o conhecimento de sua trajetória para lidar com o presente. Trabalhar a memória com essa ambição requer equipes interdisciplinares, uso de tecnologia e sobretudo, proximidade com a organização para compreender suas demandas. (SPINOLA et al., 2020).
Segundo Silvana Goulart, é preciso convencer as pessoas que a história não está presa em um passado remoto, mas está sendo engendrada agora, enxergando
os arquivos como fonte de informação fidedigna cujo propósito é registrar as ações e viabilizá-las. Como nos traz a autora, “a história sempre foi a base de tudo. Por todas as vias – organização de documentos permanentes, projetos culturais, centros de memória – a História é o ponto de partida e de chegada”. (SPINOLA et al., 2020).
Parte-se, assim, da premissa de que a memória institucional deve ter origem no presente, estabelecendo os desafios de hoje como uma chave para olhar o passado sem ignorar que um mundo cada vez mais rápido e dinâmico produz constantes mudanças organizacionais.
Estabelece-se o centro de memória como um lugar onde se recolhe o que sobrou dos arquivos das organizações, e é tarefa complexa convencê-las a representar suas atividades por meio dos documentos produzidos para cumpri-las.
Nem sempre há como contar com uma visão de memória menos restrita e, em muitos casos, o discurso de que o acervo de uma empresa é estratégico na busca de soluções ainda não se efetiva na realidade: é preciso inventar outras maneiras de trabalhar a informação e fazer dela um corpo de conhecimento inteligível.
Estabelecida a conceituação dos centros de memória, faz-se necessário agora apresentar o Sesc Memórias, programa e órgão que materializa esse conceito em relação ao acervo do Sesc São Paulo, objeto específico de estudo no contexto desta pesquisa.
5 SESC MEMÓRIAS
Este capítulo procura estabelecer o propósito e detalhar a estrutura do Sesc Memórias, programa responsável por coletar, consolidar, organizar, catalogar, manter, guardar e viabilizar acesso interno e externo ao acervo histórico do Sesc São Paulo.
Mais à frente, fundamentando a proposição central da pesquisa, buscar-se-á explicitar e reforçar a contribuição da atuação do Sesc Memórias para a coletividade, atendendo aos objetivos expressos para a pesquisa e demonstrando o cumprimento aos propósitos estabelecidos para o acervo institucional. Explora-se, para tanto, o rol de iniciativas promovidas a partir do estudo da memória da instituição, entre estudos, pesquisas, palestras e encontros, inclusive em conjunto com o Centro de Pesquisas e Formação, não por coincidência localizado um andar acima no mesmo prédio da Fecomércio.
Cabe destacar que, dentre as ações desenvolvidas com apoio e participação do Sesc Memórias, duas delas tiveram minha participação como mediador em discussões relativas à memória, aos acervos e à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.
O capítulo, por fim, recupera a memória do próprio Sesc São Paulo em função de sua trajetória, da fundação à construção, como pano de fundo da discussão e o cenário indissociável do projeto de pesquisa.